sexta-feira, 22 de maio de 2009

CATHERINE DENEUVE

não te conheço além desta cama Catherine
além dos limites desta cama do pouco espaço
e eu não sei esconder a emoção quando ela
me sacode como uma britadeira a emoção
que me descobre nos rios dos teus olhos Catherine
ah se inventarem outro slogan miserável
como este eu matarei com as minhas mãos a rainha
da Inglaterra, Catherine eu não te conheço
além desta cama teus olhos me acalmam como um beijo
morno teus olhos calmos doces carregam tua voz
para me infundir mistérios Catherine eu penso
que tua alma tem a vida de pântanos e de lugares
onde reina uma paz assombrosa teus olhos pacíficos
me derrotam nesta cama e teu corpo me cobre
com a cárnea alegria do sexo Catherine
quero comer-te todos os membros quando os teus olhos
se abrem assim


I I

além do pouco espaço desta cama eu me esforço
e não te conheço Catherine como o mundo é tão estranho
quando caminho pelas ruas e te procuro
eu vejo teus cabelos claros esvoaçando com a brisa
apertada dos subúrbios e teu riso mágico
e teus olhos grandes e me penduro nos teus lábios
confusos sorvetes sólidos cachorrosquentes
em guardanapos de poemas pornográficos desenhados
eu te procuro Catherine além do pouco espaço
desta cama eu me esforço para te alcançar
na tarde do parque florido e teus pés leves
fogem em torno de mim sobre as árvores
e teu corpo nu e tua nudez de mármore puro me alucina
Catherine tuas coxas louras tuas nádegas teu dorso
e eu rodopio Catherine e sobre as árvores admiradas
e sobre cabeças caídas teu vôo me sacode entre répteis fracos
me esforço para te alcançar
e tu danças no meio de nuvens verdes


I I I

Catherine eu me esforço e não te conheço
além do pouco espaço desta cama e tenho medo
e sinto frieza nos ossos quando os teus olhos
se afastam do meu corpo teus olhos Catherine
me inundam e me enfraquecem e exigem tantas vezes
o meu sexo que me impõem a sensação de que estou
aridamente seco estéril
sou eu Catherine que me arrasto sem forças
nos teus olhos e arrebento com fúria todas as coisas
com os teus olhos Catherine não é possível
que este quarto seja um quadro de solidão
com a tua presença Catherine não é possível
a câmera fecha-nos em círculos cada vez menores
e explora a cama e os nossos corpos Catherine
mas não é possível uma cena onde se respire solidão
com a tua presença Catherine com os teus olhos
Catherine em cima de mim na cama


("Poetas dos Palmares", 1973)


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Do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA &
POEMAS DO SÉCULO 20,
a ser publicado, em breve,
pela Panamérica Nordestal Editora.

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