domingo, 19 de fevereiro de 2017

PEQUENAS HISTÓRIAS PEQUENAS, de Juareiz Correya (texto de Albuquerque Pereira)





PEQUENAS HISTÓRIAS
 PEQUENAS 
(ebook), de Juareiz Correya  



     Cada qual a mais fornida, essas Pequenas Histórias Pequenas poderiam ser chamadas de "Grandes Histórias Pequenas", porque são narrativas tão breves quanto ricas em estilo e conteúdo.  

          O jeito saboroso que tem o autor de intercalar frases transmuda cada descrição numa espécie de tela de cores e sons em movimento.  

        O coloquial preside sua linguagem, impressionante também pela precisão.  Em "A Vingança", por exemplo, Juareiz não se contenta em dizer que "todos morreram". Ele afirma que "não escapou uma só pessoa" e reafirma, em seguida, que "não ficou um só vivente". Depois disso não resta nenhuma dúvida de que "a cidade foi completamente destruída". 

      De repente dana-se Juareiz a inventar textos e contextos fabulosos, onde as palavras mais surpreendentes criam situações de quebra-cabeça para um leitor desprevenido do dom de lidar, num mesmo escrito, com famílias tipográficas de tamanha variedade de feições e corpos.  

         Por aí se vê  que não é com Juareiz a escrita bem-comportada, insossa, repetitiva.  Antes de tudo ele é um novidadeiro e daí o seu reconhecido ascenso na cena literária de Pernambuco, uma escalada que sabe aos seus imortais conterrâneos Ferreira - de "Oropa, França e Bahia" - , e Hermilo Borba Filho - "Um Cavalheiro da Segunda Decadência" -, isto para falar só dos já encantados.   

          Enfim, Juareiz é uma das vozes da inteligência palmarense que, irmanadas em coro, falam de Palmares para o mundo... 



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ALBUQUERQUE PEREIRA  é jornalista, com uma 
longa experiência no rádio e na televisão pernambucana, 
poeta, contista e memorialista. Prepara o lançamento, 
em breve, do seu primeiro ebook : 
ORAÇÃO PELO ÍNDIO (Poema Brasileiro), o primeiro 
título da sua tetralogia de poesia épica,  iniciada 
no século passado. 


quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

CEPE lança "Frevo Memória Viva" com biografias de Ademir Araújo e Claudionor Germano






(Livro de José Teles) 



(Livro de Carlos Eduardo Amaral) 



          Hoje, 9 de fevereiro, é DIA DO FREVO !  E a Companhia Editora de Pernambuco - CEPE, da Secretaria da Casa Civil / Governo do Estado de Pernambuco, faz a festa  em grande estilo, promovendo o lançamento das biografias de dois importantes nomes da nossa cultura, ícones da história e da resistência desse que é o mais genuíno dos gêneros musicais pernambucanos : MAESTRO FORMIGA - FREVO NA TEMPESTADE, do jornalista e crítico musical Carlos Eduardo Amaral, e CLAUDIONOR GERMANO - A VOZ DO FREVO, do jornalista e escritor José Teles.  Os livros serão lançados, nesta quinta-feira, em tarde de autógrafos, a partir das 15 horas, no Paço do Frevo (Bairro do Recife Antigo, Recife, PE), com apresentação especial da Orquestra Popular do Recife.  Os homenageados são "Patrimônios Vivos de Pernambuco".  

          A Coleção Frevo Memória Viva, organizada pela CEPE, chega para contribuir no fomento de uma literatura específica do frevo.  Já estão programadas também as biografias do Maestro Duda e de Getúlio Cavalcanti.  

(Informações da Assessoria de Imprensa / CEPE) 

          

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

"FESTIVAL LITERÁRIO DA MATA SUL DE PERNAMBUCO" não será realizado em Palmares







HERMILO BORBA FILHO 
(Contracapa do livro 
"Sete Dias a Cavalo") 
- Porto Alegre, RS, 1975




          Idealizado para realização em homenagem ao Centenário de Nascimento do Escritor Hermilo Borba Filho, em Palmares (PE), neste ano de 2017, o FESTIVAL LITERÁRIO DA MATA SUL DE PERNAMBUCO (FestSul - PE) não será realizado na  cidade natal (Palmares) deste escritor que a projetou, nacional e internacionalmente, em romances e contos publicados no Brasil, França e Argentina, na segunda metade do Século 20.  

          A decisão é do idealizador do projeto, o escritor e editor palmarense Juareiz Correya, ex-presidente da Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho, da Prefeitura Municipal dos Palmares,  em períodos das administrações de Luís Portela de Carvalho (1984 a 1987) e de Francisco de Assis Rodrigues (1997 a 2004). Ele informa que está adiando o FestSul - PE para setembro de 2018, a ser realizado em outro município da Mata Sul e em homenagem a outro escritor da região.  

          "A nossa Mata Sul é literariamente rica e o FestSul - PE tem o objetivo de relevar os seus mais destacados criadores. Infelizmente, no ano do Centenário de Nascimento de Hermilo, o projeto não poderá ser realizado na sua cidade natal", lamenta o autor do projeto de criação (em 1983) da Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho, da Prefeitura Municipal dos Palmares.    

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

COLEÇÃO PERNAMBUCANA DIGITAL : Livros editados pela Imprensa Oficial do Estado acessíveis na Internet






Página inicial do Acervo CEPE 
(http://www.acervocepe.com.br) 



          Aproximadamente 40 títulos editados, de 1937 a 1966, pela Imprensa Oficial do Estado - hoje, Companhia Editora de Pernambuco -, serão lançados, neste primeiro semestre de 2017, na COLEÇÃO PERNAMBUCANA DIGITAL, um arquivo especial acessível no site Acervo CEPE (http://www.acervocepe.com.br)  Os títulos são uma relíquia do acervo da Coleção Pernambucana / Biblioteca Pública de Pernambuco, de difícil consulta e conhecimento, até mesmo para leitores do próprio Estado.  Esses livros chegarão às mãos de estudantes, professores, jornalistas, editores, escritores e leitores em geral, internautas de todo o mundo, por meio deste projeto criado pela BPE/CEPE como parte das realizações culturais do Centenário da Imprensa Oficial - CEPE, iniciadas em 2015.    

          Destacam-se, na COLEÇÃO PERNAMBUCANA DIGITAL, livros impressos de Apolônio Sales, Nilo Pereira, Cezário de Melo, Lucilo Varejão, Guilherme Auler, Paul Gilson, Valdemar de Oliveira, João Vasconcelos, Paulo Fernando Craveiro, Gastão Bettancourt, Jordão Emerenciano, Mauro Mota, Marly Mota, Vicente do Rego Monteiro, Zilde Maranhão, Moacir de Albuquerque, Antonio Carlos da Silva Muricy, José Lopes do Aragão, João Roma, Luiz de Magalhães Melo, Francisco Montenegro, A. de Lyra Tavares, Othon Costa, Gilberto Freyre, Flávio Guerra, Paulo Pessoa Guerra e Luiz do Nascimento. 



terça-feira, 10 de janeiro de 2017

"OLINDA NO CORAÇÃO" : LIVRO DO EX-PREFEITO GERMANO COELHO REVELA HISTÓRIA AFETIVA DA CIDADE-HUMANIDADE








Lançamento da CEPE acontecerá na próxima
 quinta-feira, 12/janeiro, 35 anos depois da conquista 
do título de Patrimônio da Humanidade. 
Fotos da capa do livro (1) e da visita da comitiva 
da UNESCO, em companhia do prefeito 
Germano Coelho (2)  




          Duas vezes prefeito de Olinda (1977 a 1980 e 1993 a 1996), indutor de todo o processo que culminou com a outorga dos títulos de Monumento Nacional e de Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade ao município, Germano Coelho, prestes a completar 90 anos de idade, apresenta em forma de livro - o quarto de sua autoria - uma das mais significativas homenagens à cidade que escolheu amar. OLINDA NO CORAÇÃO, HISTÓRIA AFETIVA DA CIDADE-HUMANIDADE, antigo projeto acalentado pelo paraibano de Brejo de Areias, será lançado pela Companhia Editora de Pernambuco - CEPE, na próxima quinta-feira, dia 12 de janeiro, às 16 horas, no Mosteiro de São Bento, em tarde de autógrafos e tributos.   

          (...) 

          O livro, por sinal, chega ao mercado editorial 35 anos depois da cidade ter assegurado o título da UNESCO e esse tema permeia a obra na perspectiva de quem protagonizou a história, com narrativa detalhada e farta documentação histórica.  Com projeto editorial do poeta, romancista e contista Sidney Rocha, OLINDA NO CORAÇÃO traz ainda textos assinados pela artista plástica Tereza Costa Rego, acadêmico (ABL) Geraldo Holanda Cavalcanti, historiadora Marieta Borges e pelo carnavalesco Fernando Augusto.   


          (Texto da Assessoria de Imprensa / CEPE) 

domingo, 1 de janeiro de 2017

1917 - 2017 : UM SÉCULO DE HERMILO BORBA FILHO









Hermilo Borba Filho em edição especial 
do Suplemento Pernambuco 
(CEPE, Recife, PE) 



     Neste ano do Centenário de Nascimento do Escritor Hermilo Borba Filho (Julho 1917 - 2017), Palmares, a sua cidade natal, e o Recife, a sua segunda pátria, devem festejar, dignamente, com alegria, respeito e orgulho, este novo marco da vida cultural pernambucana e nordestina.  Considerado um dos autores brasileiros mais importantes da segunda metade do Século 20, Hermilo Borba Filho produziu uma obra literária de relevo, tanto em quantidade (foram mais de 30 livros publicados em vida), quanto em qualidade, aplaudida pela crítica, por estudiosos da Literatura Brasileira e pela imprensa em vários Estados do País. A parte principal da sua obra - a ficção - foi lançada nacionalmente pela José Olympio Editora (RJ) e pela Editora Globo (RS), e outras grandes casas editoras brasileiras projetaram os seus estudos e a sua produção teatral. Traduziu livros de escritores importantes de outros países e textos teatrais, tendo também adaptado peças para as montagens de  grupos cênicos que dirigiu em Pernambuco e em São Paulo.  

     O pernambucano Hermilo era um escritor múltiplo, um dramaturgo, contista, romancista, cronista, poeta,  em permanente processo criativo. Mas, a produção editorial da sua obra, não acompanhou e documentou tudo o que produziu literariamente, ainda vive incompleta :  além dos livros inéditos deixados quando se encantou, no Recife, em junho de 1976, sua contribuição jornalística está espalhada em várias revistas e jornais do País, sua rica correspondência ainda não está organizada para publicação e não existe projeto de edição do seu Diário. 

     A Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho, da Prefeitura Municipal dos Palmares, e o Centro de Formação e Pesquisa das Artes Cênicas Apolo-Hermilo, da Prefeitura do Recife, instituições criadas em sua homenagem desde a década de 1980, naturalmente, devem somar esforços e assumir a coordenação e produção da programação cultural que festejará, durante todo este ano de 2017 (até julho de 2018), o Centenário de Nascimento de Hermilo Borba Filho.  É natural mesmo que assim seja.  E as Prefeituras de Palmares e do Recife sabem disto, tendo ambas como viabilizar o que é melhor para que "o Século de Hermilo" alcance o seu merecido sucesso.  De sua parte, o Governo do Estado, com o incentivo do Funcultura / Fundarpe / Secretaria de Cultura, já aprovou e viabilizou a criação do Site Casa da Palavra de Hermilo, que será divulgado na Internet (ao alcance de internautas de todo o mundo), ainda neste mês de janeiro, e lançado, em exposição multimídia, em Palmares e no Recife.   


(Texto de Juareiz Correya / 
 Boa Vista, Recife


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

"VIAGENS GERAIS", DE CELINA DE HOLANDA : APRESENTAÇÃO DE JOSÉ MÁRIO RODRIGUES (2)






VIAGENS GERAIS, 
DE CELINA DE HOLANDA  
(CEPE Editora, Recife, PE, 2016) 



     "O ESPELHO E A ROSA foi o seu livro de estreia, lançado por Ariano Suassuna e Maximiano Campos e publicado pela Imprensa Universitária.  

     Vieram depois os outros livros :  A MÃO EXTREMA, Edições Quirón, São Paulo, em 1976; SOBRE ESTA CIDADE DE RIOS, 1979, Edições Pirata; RODA D'ÁGUA, 1984, Edições Pirata; AS VIAGENS, 1984, Edições Pirata e VIAGENS GERAIS, Fundarpe, 1995.   

        Quando conheci a poesia de Juan Ramon Jiménez, poeta espanhol da geração de Garcia Lorca, que também como Celina possui um acentuado lado espiritual e ético, vi que a diferença entre essas duas vozes é que Jiménez teve toda sua vida dedicada à Literatura e Celina só se descobriu na maturidade.  Se observarmos bem, veremos que há famílias de poetas que se parecem muito.  São os preocupados com os sentimentos mais profundos do ser; os que não trilham pelas veredas da pura experiência de linguagem, dos jogos de palavras  que buscam o hermetismo, camuflando a incapacidade para assimilar as dores humanas e as necessidades básicas do viver.  Vejamos : 


"Ouço o povo numeroso de Deus.  
Vem dos mangues, cárceres 
e morros. 
O Recife pulsa 
pulso forte de aço, onde vivo. 
A noite fecho a porta à beira-rio
lama e carne indissolúveis.  
Ouço as portas. 
E o clamor do povo de Deus, abrindo-as." 


         Logo após o lançamento de O ESPELHO E A ROSA, que obteve o prêmio da Secretaria de Educação de Pernambuco, o poeta Mauro Mota escreveu em sua famosa coluna "Agenda", no Diario de Pernambuco, que "o livro de Celina de Holanda é uma contribuição válida à poesia brasileira de hoje e de amanhã.  Somente circunstancialmente uma estreia... De agora em diante, seria difícil falar-se em poesia atual, omitindo o nome de Celina de Holanda."  

     Alberto Cunha Melo viu uma variedade de temas e o cruzamento entre eles.  Há uma homogeneidade formal em Celina, uma voz lírica definitivamente talhada.  "Seus poemas de versos curtos e extrema condensação expressiva, formam em conjunto um monólogo multicor, onde os poemas demarcam o discurso, página a página sem baixar a qualidade e  diapasão."  

          Sem ser panfletária ou querer fazer uma poesia meramente política, Celina, diz Maria de Lourdes Hortas, "rejeita a violência e revela-nos a realidade do seu povo à maneira límpida e corajosa de Lorca e Neruda" ... Versos límpidos, despojados, secos, sóbrios. "Cada palavra é um módulo consciente que transporta o grito do poeta contra a estagnada paisagem social em que se debruça." 


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Fragmento da apresentação de José Mário Rodrigues, 
especialmente para a edição do livro VIAGENS GERAIS, 
de Celina de Holanda  
(Companhia Editora de Pernambuco - CEPE / 
Secretaria da Casa Civil / 
Governo do Estado de Pernambuco, Recife, 2016)