A Editora Carpe Diem, do Recife, convidou a poetisa pernambucana Lourdes Sarmento para organizar uma antologia bilingue (Português/Francês) intitulada POESIA BRASILEIRA EM PARIS, reunindo textos de poetas nascidos nas décadas de 50 a 80 do século passado. A poetisa Lourdes Sarmento, informa o escritor e editor Antonio Campos, foi convidada pela Carpe Diem por sua experiência com a divulgação da poesia brasileira na França (organizou, em 1997, a antologia POÉSIE DU BRÉSIL, publicada pela Editora Vericuetos, de Paris, motivando estudos da professora Anne-Marie Quint, da Sorbonne).
Os poetas convidados devem enviar para a poetisa Lourdes Sarmento,por e-mail (lourdessarmento@terra.com.br), dois (2) poemas, com duas (2) laudas, no máximo, cada um, assim como dados biográficos (máximo de 15 linhas). Outras informações :
(81) 33261629 e 33261265, no horário das 11 às 15 horas.
Não serão publicados poemas de autores nascidos nas décadas de 50, 60 e 70 que participaram da antologia POÉSIE DU BRÉSIL lançada em 1997.
A antologia POESIA BRASILEIRA EM PARIS será lançada pela Carpe Diem, no Brasil e na França, no primeiro semestre de 2010.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
NATAL, JOÃO PESSOA E RECIFE, crônica de Manoel Onofre Jr.
De Natal até a divisa com a Paraíba, paralelamente ao litoral, estende-se a BR-101. É mais ou menos a mesma rota dos antigos caminhos que, na era colonial, ligavam Natal a Filipéia de Nossa Senhora das Neves, depois Cidade da Paraíba (atual João Pessoa) e ao Recife. Rota histórica por excelência, ao longo da qual aldeias e engenhos foram semeados, dando origem a vilas, futuras cidades.
Ainda hoje é a BR-101 a rodovia mais movimentada em todo o Estado. Seguindo por ela na direção de João Pessoa, você encontrará, ainda dentro da área metropolitana de Natal, vários pontos de interesse turístico :
- São José de Mipibu, antiga aldeia de Mopebu e missão franciscana, com velhos e decadentes sobrados e,na igreja matriz, bonitas imagens barrocas e uma pia batismal muito linda, obra portuguesa da segunda metade do século XVII.
A poucos quilômetros, a lagoa do Bonfim, de águas verdadeiramente cristalinas, convida a um banho.
- Nísia Floresta (acesso por variante asfaltada), antiga Papari, teve o seu nome mudado em homenagem à notável escritora, educadora, abolicionista, que ali nasceu no sítio Floresta, onde se acha um monumento "in memoriam".
Na praça principal veja a Igreja de Nossa Senhora do Ó (fins do século XVIII) e curta a sombra de imenso baobá. Procure um dos restaurantes rústicos, onde se serve um camarão de lagoa afamado.
CUNHAÚ, CANGUARETAMA, VILA FLOR...
Para completar a excursão,tome de novo a BR-101 e siga até a entrada para Pedro Velho,em busca da capela de Cunhaú, célebre pela chacina que ali teve lugar no tempo da Guerra Holandesa.
Cunhaú foi o primeiro engenho do Rio Grande do Norte, terras doadas pelo Capitão-mor Jerônimo de Albuquerque aos seus filhos Antonio e Matias. Na capelinha, ainda hoje de pé, restaurada em 1986, ocorreu horrível morticínio, uma página da História manchada de sangue. No dia 16 de julho de 1645, colonos brasileiros e portugueses, moradores do engenho, assistiam a missa celebrada pelo Padre Antonio Soveral, quando de súbito foram cercados por numerosos índios tapuias e potiguares e soldados holandeses sob o comando de Jacó Rabi. Iniciou-se, então, o massacre, do qual nenhum dos fiéis escapou. A perseguição estendeu-se às casas do engenho, e apenas três pessoas conseguiram fugir.
Cunhaú tornou-se, com o passar do tempo, um centro de devoção popular. Em 5 de março de 2000, o Papa João Paulo II beatificou "os mártires de Cunhaú".
Retornando à BR-101, tome o rumo de Canguaretama e veja, na igreja matriz, algumas imagens barrocas de grande valor histórico e artístico.
Aproveite o embalo e visite Barra do Cunhaú, praia de veraneio e aldeia de pescadores. No caminho, incursione por Vila Flor, cidadezinha parada no tempo (uma das mais antigas do Estado), onde se destacam a igreja matriz e a velha Cadeia e Casa da Câmara, belo prédio restaurado pelo IPHAN.
Se estiver com disposição de rodar mais, vá a Baía Formosa, cujo nome diz tudo. Conheça aí perto a Mata da Estrela, reserva florestal.
Também fariam parte do roteiro as praias de Tibau do Sul e Pipa, badaladíssimas. Mas, estas merecem visita especial. É preferível o acesso pelo litoral.
(Transcrita do livro PORTAL DE EMBARQUE BRASIL -BRASIS,
de Manoel Onofre Jr.,Sebo Vermelho Edições, Natal, RN, 2008)
Ainda hoje é a BR-101 a rodovia mais movimentada em todo o Estado. Seguindo por ela na direção de João Pessoa, você encontrará, ainda dentro da área metropolitana de Natal, vários pontos de interesse turístico :
- São José de Mipibu, antiga aldeia de Mopebu e missão franciscana, com velhos e decadentes sobrados e,na igreja matriz, bonitas imagens barrocas e uma pia batismal muito linda, obra portuguesa da segunda metade do século XVII.
A poucos quilômetros, a lagoa do Bonfim, de águas verdadeiramente cristalinas, convida a um banho.
- Nísia Floresta (acesso por variante asfaltada), antiga Papari, teve o seu nome mudado em homenagem à notável escritora, educadora, abolicionista, que ali nasceu no sítio Floresta, onde se acha um monumento "in memoriam".
Na praça principal veja a Igreja de Nossa Senhora do Ó (fins do século XVIII) e curta a sombra de imenso baobá. Procure um dos restaurantes rústicos, onde se serve um camarão de lagoa afamado.
CUNHAÚ, CANGUARETAMA, VILA FLOR...
Para completar a excursão,tome de novo a BR-101 e siga até a entrada para Pedro Velho,em busca da capela de Cunhaú, célebre pela chacina que ali teve lugar no tempo da Guerra Holandesa.
Cunhaú foi o primeiro engenho do Rio Grande do Norte, terras doadas pelo Capitão-mor Jerônimo de Albuquerque aos seus filhos Antonio e Matias. Na capelinha, ainda hoje de pé, restaurada em 1986, ocorreu horrível morticínio, uma página da História manchada de sangue. No dia 16 de julho de 1645, colonos brasileiros e portugueses, moradores do engenho, assistiam a missa celebrada pelo Padre Antonio Soveral, quando de súbito foram cercados por numerosos índios tapuias e potiguares e soldados holandeses sob o comando de Jacó Rabi. Iniciou-se, então, o massacre, do qual nenhum dos fiéis escapou. A perseguição estendeu-se às casas do engenho, e apenas três pessoas conseguiram fugir.
Cunhaú tornou-se, com o passar do tempo, um centro de devoção popular. Em 5 de março de 2000, o Papa João Paulo II beatificou "os mártires de Cunhaú".
Retornando à BR-101, tome o rumo de Canguaretama e veja, na igreja matriz, algumas imagens barrocas de grande valor histórico e artístico.
Aproveite o embalo e visite Barra do Cunhaú, praia de veraneio e aldeia de pescadores. No caminho, incursione por Vila Flor, cidadezinha parada no tempo (uma das mais antigas do Estado), onde se destacam a igreja matriz e a velha Cadeia e Casa da Câmara, belo prédio restaurado pelo IPHAN.
Se estiver com disposição de rodar mais, vá a Baía Formosa, cujo nome diz tudo. Conheça aí perto a Mata da Estrela, reserva florestal.
Também fariam parte do roteiro as praias de Tibau do Sul e Pipa, badaladíssimas. Mas, estas merecem visita especial. É preferível o acesso pelo litoral.
(Transcrita do livro PORTAL DE EMBARQUE BRASIL -BRASIS,
de Manoel Onofre Jr.,Sebo Vermelho Edições, Natal, RN, 2008)
domingo, 6 de dezembro de 2009
POESIA - PRA VIVER A VIDA ! (Alberto Cunha Melo)
AOS MESTRES, COM DESRESPEITO
Dizem que meu povo
é alegre e pacífico.
Eu digo que meu povo
é uma grande força insultada.
Dizem que meu povo
aprendeu com as argilas
e os bons senhores de engenho
a conhecer seu lugar.
Eu digo que meu povo
deve ser respeitado
como qualquer ânsia desconhecida
da natureza.
Dizem que meu povo
não sabe escovar-se
nem escolher seu destino.
Eu digo que meu povo
é uma pedra inflamada
rolando e crescendo
do interior para o mar.
.......................................
DE UM PROFETA LATINO-AMERICANO
Preparem os corpos
para os desertos
que vão ser bem longos
e não merecidos.
Nem as crianças sabem
de onde vem o fogo
mas o fogo vem.
Se os homens de boa vontade
não têm boas armas,
os homens de boas armas
não têm boa vontade.
Agora, apenas
a normalidade repetida
já será a destruição.
............................
RITUAL DO ESPANCAMENTO
Espancado para aprender
a espancar
e ser espancado,
espancado em nome de Deus
ou de um jarro quebrado,
espancado para falar
e calar
o próprio espancamento.
Espancado para aprender
que os homens aprendem
espancando e sendo espancados,
espancado para dizer
que não foi espancado,
espancado para morrer
pensando que o mundo
está povoado
de espancados que espancam
e espancadores espancados.
.................................
NOS QUINTAIS, DEPOIS DOS QUARTÉIS
Os uniformes de guerra
estão lavados
com o sabão da terra
e as alfazemas
das moças pardas :
estão secando
desde o último sol
na memória do povo,
e não devem mais
contra ele
ser vestidos de novo.
(Revista POESIA - PRA VIVER A VIDA,
Número 1, Recife, abril, 1980)
__________________________________________
ALBERTO CUNHA MELO nasceu em Jaboatão dos
Guararapes (PE)no ano de 1942. Além de
publicações esparsas em jornais e revistas
pernambucanos, tem editados os seguintes
livros : CÍRCULO CÓSMICO, ORAÇÃO PELO
POEMA, PUBLICAÇÃO DO CORPO, DEZ POEMAS
POLÍTICOS, NOTICIÁRIO. Os poemas publicados
nesta revista são do livro DEZ POEMAS
POLÍTICOS (Edições Pirata, Recife, 1979).
Dizem que meu povo
é alegre e pacífico.
Eu digo que meu povo
é uma grande força insultada.
Dizem que meu povo
aprendeu com as argilas
e os bons senhores de engenho
a conhecer seu lugar.
Eu digo que meu povo
deve ser respeitado
como qualquer ânsia desconhecida
da natureza.
Dizem que meu povo
não sabe escovar-se
nem escolher seu destino.
Eu digo que meu povo
é uma pedra inflamada
rolando e crescendo
do interior para o mar.
.......................................
DE UM PROFETA LATINO-AMERICANO
Preparem os corpos
para os desertos
que vão ser bem longos
e não merecidos.
Nem as crianças sabem
de onde vem o fogo
mas o fogo vem.
Se os homens de boa vontade
não têm boas armas,
os homens de boas armas
não têm boa vontade.
Agora, apenas
a normalidade repetida
já será a destruição.
............................
RITUAL DO ESPANCAMENTO
Espancado para aprender
a espancar
e ser espancado,
espancado em nome de Deus
ou de um jarro quebrado,
espancado para falar
e calar
o próprio espancamento.
Espancado para aprender
que os homens aprendem
espancando e sendo espancados,
espancado para dizer
que não foi espancado,
espancado para morrer
pensando que o mundo
está povoado
de espancados que espancam
e espancadores espancados.
.................................
NOS QUINTAIS, DEPOIS DOS QUARTÉIS
Os uniformes de guerra
estão lavados
com o sabão da terra
e as alfazemas
das moças pardas :
estão secando
desde o último sol
na memória do povo,
e não devem mais
contra ele
ser vestidos de novo.
(Revista POESIA - PRA VIVER A VIDA,
Número 1, Recife, abril, 1980)
__________________________________________
ALBERTO CUNHA MELO nasceu em Jaboatão dos
Guararapes (PE)no ano de 1942. Além de
publicações esparsas em jornais e revistas
pernambucanos, tem editados os seguintes
livros : CÍRCULO CÓSMICO, ORAÇÃO PELO
POEMA, PUBLICAÇÃO DO CORPO, DEZ POEMAS
POLÍTICOS, NOTICIÁRIO. Os poemas publicados
nesta revista são do livro DEZ POEMAS
POLÍTICOS (Edições Pirata, Recife, 1979).
POESIA - Pra Viver a Vida !
"Quando lhe restavam apenas alguns dias vivo,o escritor Hermilo Borba Filho escreveu para Osman Lins, encerrando suas palavras como um sonoro E VIVA A VIDA !
Retomamos a sua expressão, incentivados por essa saudável força que animava a sua
relação com as pessoas, as coisas, o mundo, a própria existência.
Sim : leia POESIA - PRA VIVER A VIDA !"
(Apresentação da revista POESIA - Pra Viver a Vida ! , Nordestal Editora, Recife, Abril / 1980)
Retomamos a sua expressão, incentivados por essa saudável força que animava a sua
relação com as pessoas, as coisas, o mundo, a própria existência.
Sim : leia POESIA - PRA VIVER A VIDA !"
(Apresentação da revista POESIA - Pra Viver a Vida ! , Nordestal Editora, Recife, Abril / 1980)
sábado, 5 de dezembro de 2009
POEMAS DE FERNANDA JARDIM
CIDADE
Cenas da realidade
linda diva dos meus sonhos perdidos.
Imenso apreço
pelas tuas ancas largas.
Doce quimera,
musa dos pensares meus.
Dama da noite
feliz, solitária é a tua imagem.
Nunca te vejo pela metade,
sempre por inteiro,
como te admiro !
Anjo negro :
destino da minha vida.
..................................
OLHOS DE TIGRE
Após longo outono
encontrei-me afinal...
Cabelos ao vento,
contando os tormentos,
histórias de vidas passadas.
Estrada visceral
que nos conduz
a um destino de luz.
Vida, corpo, cruz.
Sinto-me fada,
sinto-me brasa,
sou filha de Oxum.
....................................
JARDIM
Cheiro de chuva
na minha manhã girassol.
Orvalho
nas plantas resplandecentes.
Arco-íris
anunciando o belo dia.
A vida caminha lá fora :
forte, viva e voraz.
Sonhos em minha mente audaz,
flores colhidas,
eterna primavera.
Sol, prisma, primordial.
Fantasia
no meu coração reluz.
Um blues jardim.
______________________________________________
FERNANDA JARDIM nasceu no Recife em agosto
de 1975. Formou-se na UFPE. Leciona inglês,
francês, espanhol e alemão. Atua em eventos
há 14 anos. Escreve poesia desde 1996 e,
além de Pernambuco, já divulgou os seus
trabalhos na Alemanha, Marrocos e Portugal.
Publicou estes livros de poesia : ANJOS-POETAS
(2005), DEFLORANDO OS HORIZONTES (Arte-livro
Editora, Recife, 2005), REFLEXO DE UM ESPELHO
(Editora Livro Rápido, Olinda, 2008). Os poemas
publicados neste blog fazem parte do livro
DIVINO AMOR (Editora Livro Rápido, Olinda, 2009),
que será lançado neste sábado, dia 5/dezembro/
2009, às 16 horas, na Casa da Cultura do Recife
(Raio Central).
Cenas da realidade
linda diva dos meus sonhos perdidos.
Imenso apreço
pelas tuas ancas largas.
Doce quimera,
musa dos pensares meus.
Dama da noite
feliz, solitária é a tua imagem.
Nunca te vejo pela metade,
sempre por inteiro,
como te admiro !
Anjo negro :
destino da minha vida.
..................................
OLHOS DE TIGRE
Após longo outono
encontrei-me afinal...
Cabelos ao vento,
contando os tormentos,
histórias de vidas passadas.
Estrada visceral
que nos conduz
a um destino de luz.
Vida, corpo, cruz.
Sinto-me fada,
sinto-me brasa,
sou filha de Oxum.
....................................
JARDIM
Cheiro de chuva
na minha manhã girassol.
Orvalho
nas plantas resplandecentes.
Arco-íris
anunciando o belo dia.
A vida caminha lá fora :
forte, viva e voraz.
Sonhos em minha mente audaz,
flores colhidas,
eterna primavera.
Sol, prisma, primordial.
Fantasia
no meu coração reluz.
Um blues jardim.
______________________________________________
FERNANDA JARDIM nasceu no Recife em agosto
de 1975. Formou-se na UFPE. Leciona inglês,
francês, espanhol e alemão. Atua em eventos
há 14 anos. Escreve poesia desde 1996 e,
além de Pernambuco, já divulgou os seus
trabalhos na Alemanha, Marrocos e Portugal.
Publicou estes livros de poesia : ANJOS-POETAS
(2005), DEFLORANDO OS HORIZONTES (Arte-livro
Editora, Recife, 2005), REFLEXO DE UM ESPELHO
(Editora Livro Rápido, Olinda, 2008). Os poemas
publicados neste blog fazem parte do livro
DIVINO AMOR (Editora Livro Rápido, Olinda, 2009),
que será lançado neste sábado, dia 5/dezembro/
2009, às 16 horas, na Casa da Cultura do Recife
(Raio Central).
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
A FRATERNIDADE POÉTICA DE DOM HELDER CAMARA E CARLOS PENA FILHO (2)
"nem estas crianças feitas
de farinha e jerimum
e a grande seca que mora
no abismo de cada um"
(CARLOS PENA FILHO,
em "Memórias do Boi Serapião")
CRIANÇAS FEITAS DE FARINHA E JERIMUM
HOMENS DE AÇO,
COZIDO
NO SOL NORDESTINO.
INTELIGÊNCIA VIVA
BEBIDA NA LUZ INTENSA
QUE CAI DO CÉU.
DECISÃO
DE QUEM TEM DE ARRANCAR DA TERRA
CADA GOTA D'ÁGUA.
TEIMOSIA
DE QUEM ESPERA
CONTRA TODA A ESPERANÇA...
Dom Helder Camara
(Recife, 5,6/12/1970)
.............................................
"é que não se espera a morte
pois se está sempre a morrer"
(CARLOS PENA FILHO,
em "Memórias do Boi Serapião")
SEMPRE A MORRER E SEMPRE A NASCER...
CADA DIA QUE PASSA,
CADA SOL QUE SE PÕE,
CADA DESPEDIDA
SÃO SINAIS DE TERRA PRÓXIMA
E DE DESEMBARQUE À VISTA...
Dom Helder Camara
(Recife,5,6/12/1970)
.................................
"sem antes e sem depois.
um cemitério sem corpos
ou um leito de mar, sem mar."
(CARLOS PENA FILHO,
em "Fazenda Nova")
BATIDA PELA VIDA
TU TE FECHAS AO AMOR
QUANDO TENS
RESERVAS IMENSAS DE CARINHO.
A IMPRESSÃO QUE DÁS
É A DE UM LEITO DE RIO
SEM RIO,
A DE UM LEITO DE MAR
SEM MAR...
ROMPAM-SE AS BARREIRAS
HAVERÁ CHEIA NO RIO
E O MAR TRANSBORDARÁ...
Dom Helder Camara
(Recife, 5,6/12/1970)
..................................
"entrar no acaso e amar o transitório"
(CARLOS PENA FILHO,
em "A solidão e sua porta")
FILHO DO ABSOLUTO, AMO O RELATIVO
VOCAÇÃO DE ETERNIDADE,
QUE SERIA DE MIM
SE NÃO MARCHASSE PARA O ETERNO
ATRAVÉS DO EFÊMERO !?...
E HÁ EFÊMERO
DESLIGADO DA ETERNIDADE ?
E HÁ RELATIVO
SEM RAÍZES NO ABSOLUTO !?...
Dom Helder Camara
(Recife, 5,6/12/1970)
____________________________________________
CARLOS (SOUTO) PENA FILHO
- Nasceu no Recife,PE, em 17 de maio de 1929.
Advogado e poeta, publicou seu primeiro livro
em 1952 (O TEMPO DA BUSCA). Em 1955 publica
MEMÓRIAS DO BOI SERAPIÃO, com ilustrações de
Aloísio Magalhães. A VERTIGEM LÚCIDA, seu
próximo livro de poemas, vem à luz em 1958.
No ano seguinte, tem toda a sua obra reunida
no LIVRO GERAL. Em 1983, seu biógrafo Edilberto
Coutinho publicou a antologia OS MELHORES
POEMAS DE CARLOS PENA FILHO. O poeta foi também
letrista, sendo o seu maior sucesso na música
popular a canção "A mesma rosa amarela", em
parceria com o conhecido compositor pernambucano
Capiba. Morreu precocemente aos 31 anos de idade,
em 1o. de julho de 1960, vítima de acidente
automobilístico. Carlos Pena Filho é considerado
um dos maiores poetas pernambucanos, pela intensa
visualidade e musicalidade dos seus versos.
DOM HELDER(PESSOA)CAMARA
- Nasceu em Fortaleza, CE, em 7 de fevereiro de 1909.
Bispo católico, teólogo e Arcebispo Emérito de Olinda
e Recife, tornou-se um corajoso e incansável defensor
dos direitos humanos durante a ditadura militar que se
seguiu ao golpe de 1964. Foi um dos idealizadores de
uma igreja participativa socialmente, a favor dos pobres
e contra a violência, tendo suas idéias divulgadas
amplamente entre o clero da América Latina e da África
do Sul. Com grande capacidade de articulação, teve
forte participação no Concílio Ecumênico Vaticano II
e foi também um dos fundadores da Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil - CNBB, tendo recebido, por sua
atividade eclesiástica, diversos prêmios nacionais e
internacionais. Foi, ainda, o único brasileiro a ser
indicado quatro vezes para receber o Prêmio Nobel da
Paz. Morreu em 27 de agosto de 1999, no Recife.
de farinha e jerimum
e a grande seca que mora
no abismo de cada um"
(CARLOS PENA FILHO,
em "Memórias do Boi Serapião")
CRIANÇAS FEITAS DE FARINHA E JERIMUM
HOMENS DE AÇO,
COZIDO
NO SOL NORDESTINO.
INTELIGÊNCIA VIVA
BEBIDA NA LUZ INTENSA
QUE CAI DO CÉU.
DECISÃO
DE QUEM TEM DE ARRANCAR DA TERRA
CADA GOTA D'ÁGUA.
TEIMOSIA
DE QUEM ESPERA
CONTRA TODA A ESPERANÇA...
Dom Helder Camara
(Recife, 5,6/12/1970)
.............................................
"é que não se espera a morte
pois se está sempre a morrer"
(CARLOS PENA FILHO,
em "Memórias do Boi Serapião")
SEMPRE A MORRER E SEMPRE A NASCER...
CADA DIA QUE PASSA,
CADA SOL QUE SE PÕE,
CADA DESPEDIDA
SÃO SINAIS DE TERRA PRÓXIMA
E DE DESEMBARQUE À VISTA...
Dom Helder Camara
(Recife,5,6/12/1970)
.................................
"sem antes e sem depois.
um cemitério sem corpos
ou um leito de mar, sem mar."
(CARLOS PENA FILHO,
em "Fazenda Nova")
BATIDA PELA VIDA
TU TE FECHAS AO AMOR
QUANDO TENS
RESERVAS IMENSAS DE CARINHO.
A IMPRESSÃO QUE DÁS
É A DE UM LEITO DE RIO
SEM RIO,
A DE UM LEITO DE MAR
SEM MAR...
ROMPAM-SE AS BARREIRAS
HAVERÁ CHEIA NO RIO
E O MAR TRANSBORDARÁ...
Dom Helder Camara
(Recife, 5,6/12/1970)
..................................
"entrar no acaso e amar o transitório"
(CARLOS PENA FILHO,
em "A solidão e sua porta")
FILHO DO ABSOLUTO, AMO O RELATIVO
VOCAÇÃO DE ETERNIDADE,
QUE SERIA DE MIM
SE NÃO MARCHASSE PARA O ETERNO
ATRAVÉS DO EFÊMERO !?...
E HÁ EFÊMERO
DESLIGADO DA ETERNIDADE ?
E HÁ RELATIVO
SEM RAÍZES NO ABSOLUTO !?...
Dom Helder Camara
(Recife, 5,6/12/1970)
____________________________________________
CARLOS (SOUTO) PENA FILHO
- Nasceu no Recife,PE, em 17 de maio de 1929.
Advogado e poeta, publicou seu primeiro livro
em 1952 (O TEMPO DA BUSCA). Em 1955 publica
MEMÓRIAS DO BOI SERAPIÃO, com ilustrações de
Aloísio Magalhães. A VERTIGEM LÚCIDA, seu
próximo livro de poemas, vem à luz em 1958.
No ano seguinte, tem toda a sua obra reunida
no LIVRO GERAL. Em 1983, seu biógrafo Edilberto
Coutinho publicou a antologia OS MELHORES
POEMAS DE CARLOS PENA FILHO. O poeta foi também
letrista, sendo o seu maior sucesso na música
popular a canção "A mesma rosa amarela", em
parceria com o conhecido compositor pernambucano
Capiba. Morreu precocemente aos 31 anos de idade,
em 1o. de julho de 1960, vítima de acidente
automobilístico. Carlos Pena Filho é considerado
um dos maiores poetas pernambucanos, pela intensa
visualidade e musicalidade dos seus versos.
DOM HELDER(PESSOA)CAMARA
- Nasceu em Fortaleza, CE, em 7 de fevereiro de 1909.
Bispo católico, teólogo e Arcebispo Emérito de Olinda
e Recife, tornou-se um corajoso e incansável defensor
dos direitos humanos durante a ditadura militar que se
seguiu ao golpe de 1964. Foi um dos idealizadores de
uma igreja participativa socialmente, a favor dos pobres
e contra a violência, tendo suas idéias divulgadas
amplamente entre o clero da América Latina e da África
do Sul. Com grande capacidade de articulação, teve
forte participação no Concílio Ecumênico Vaticano II
e foi também um dos fundadores da Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil - CNBB, tendo recebido, por sua
atividade eclesiástica, diversos prêmios nacionais e
internacionais. Foi, ainda, o único brasileiro a ser
indicado quatro vezes para receber o Prêmio Nobel da
Paz. Morreu em 27 de agosto de 1999, no Recife.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
A FRATERNIDADE POÉTICA DE DOM HELDER CAMARA E CARLOS PENA FILHO
"Eles nunca se encontraram em vida. Se encontraram nos poemas de Pena, como o chamavam os seus amigos mais queridos. Se encontraram na paixão pelo Recife, por Olinda e por aqueles que nas suas ruas trafegam ou vivem, sofrem ou se divertem. Se encontraram no azul, que era a cor predileta do poeta e com a qual ele coloriu muitos de seus versos e sonetos. No azul do manto de Maria, uma das devoções de Dom Helder", afirma Bruno Ribeiro, diretor executivo do IDHeC - Instituto Dom Helder Camara, na apresentação do livro ENTRELINHAS, de Dom Helder Camara e Carlos Pena Filho, livro de quatro mãos, quarenta, quatrocentas, quarenta mil mãos fraternas...
Aos versos de Carlos Pena Filho, publicados no Recife em 1959, uniram-se os versos de Dom Helder Camara, escritos no Recife em 1970; o sagrado carinho de Christina Ribeiro, colaboradora e amiga do Arcebispo de Olinda e Recife, que preservou o exemplar-matriz do LIVRO GERAL, de Carlos Pena Filho; a generosidade de Tânia Carneiro Leão, que cedeu ao IDHeC os direitos de edição dos poemas selecionados do "poeta do azul"; a palavra crítica de Leonardo Boff ("Todos os escritos de Dom Helder vêm perpassados de aura poética. Aqui reunem-se pequenos poemas que se entendem como contrapartida das poesias de outro grande poeta, o pernambucano, precocemente falecido, Carlos Pena Filho"); o poema em prosa de Marcus Accioly ("O Recife sofre uma espécie de nostalgia de Carlos Pena Filho. Ele foi o seu grande poeta e maior seria se - à Shelley - "tivesse tempo". Morreu com 31 anos e legou o seu azul à cidade. Amei tardio a sua obra e - como quem ama a poesia ama o poeta e vice-versa - passei a procurar o seu fantasma que devia andar pelo Recife e não seria impossível encontrá-lo"); a visão/versão dos artístas plásticos Francisco Brennand, José Cláudio, Abelardo da Hora, Romero de Andrade Lima, Luciano Pinheiro, Guita Charifker, Margot Monteiro, Tereza Costa Rego, George Barbosa, Tânia Carneiro Leão, Gil Vicente, Gilvan Samico, que ilustram os poemas; o refinado projeto gráfico de Ricardo Melo; os irretocáveis retratos dos artistas plásticos desenhados por Zenival; o contagiante entusiasmo de Leda Alves, empenhando a CEPE em todo o projeto editorial; a admirável produção gráfica, crédito da competência profissional dos funcionários da Editora.
ENTRELINHAS, um livro repleto de fraternidade poética e solidariedade pernambucana, coeditado pelo IDHeC e CEPE/Secretaria da Casa Civil /Governo de Pernambuco, em parceria com a FUNDARPE/Secretaria de Educação do Estado, foi lançado ontem, dia 1o. de dezembro, às 19 horas, no Museu do Estado (Av. Rui Barbosa, 660, Graças, Recife, PE), como parte das homenagens do Governo de Pernambuco ao Centenário de Nascimento de Dom Helder Camara.
Na próxima postagem publicaremos poemas de Dom Helder Camara criados sobre os poemas "Memórias do Boi Serapião", "Fazenda Nova" e "A solidão e sua porta", de Carlos Pena Filho.
Aos versos de Carlos Pena Filho, publicados no Recife em 1959, uniram-se os versos de Dom Helder Camara, escritos no Recife em 1970; o sagrado carinho de Christina Ribeiro, colaboradora e amiga do Arcebispo de Olinda e Recife, que preservou o exemplar-matriz do LIVRO GERAL, de Carlos Pena Filho; a generosidade de Tânia Carneiro Leão, que cedeu ao IDHeC os direitos de edição dos poemas selecionados do "poeta do azul"; a palavra crítica de Leonardo Boff ("Todos os escritos de Dom Helder vêm perpassados de aura poética. Aqui reunem-se pequenos poemas que se entendem como contrapartida das poesias de outro grande poeta, o pernambucano, precocemente falecido, Carlos Pena Filho"); o poema em prosa de Marcus Accioly ("O Recife sofre uma espécie de nostalgia de Carlos Pena Filho. Ele foi o seu grande poeta e maior seria se - à Shelley - "tivesse tempo". Morreu com 31 anos e legou o seu azul à cidade. Amei tardio a sua obra e - como quem ama a poesia ama o poeta e vice-versa - passei a procurar o seu fantasma que devia andar pelo Recife e não seria impossível encontrá-lo"); a visão/versão dos artístas plásticos Francisco Brennand, José Cláudio, Abelardo da Hora, Romero de Andrade Lima, Luciano Pinheiro, Guita Charifker, Margot Monteiro, Tereza Costa Rego, George Barbosa, Tânia Carneiro Leão, Gil Vicente, Gilvan Samico, que ilustram os poemas; o refinado projeto gráfico de Ricardo Melo; os irretocáveis retratos dos artistas plásticos desenhados por Zenival; o contagiante entusiasmo de Leda Alves, empenhando a CEPE em todo o projeto editorial; a admirável produção gráfica, crédito da competência profissional dos funcionários da Editora.
ENTRELINHAS, um livro repleto de fraternidade poética e solidariedade pernambucana, coeditado pelo IDHeC e CEPE/Secretaria da Casa Civil /Governo de Pernambuco, em parceria com a FUNDARPE/Secretaria de Educação do Estado, foi lançado ontem, dia 1o. de dezembro, às 19 horas, no Museu do Estado (Av. Rui Barbosa, 660, Graças, Recife, PE), como parte das homenagens do Governo de Pernambuco ao Centenário de Nascimento de Dom Helder Camara.
Na próxima postagem publicaremos poemas de Dom Helder Camara criados sobre os poemas "Memórias do Boi Serapião", "Fazenda Nova" e "A solidão e sua porta", de Carlos Pena Filho.
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