terça-feira, 10 de janeiro de 2017

"OLINDA NO CORAÇÃO" : LIVRO DO EX-PREFEITO GERMANO COELHO REVELA HISTÓRIA AFETIVA DA CIDADE-HUMANIDADE








Lançamento da CEPE acontecerá na próxima
 quinta-feira, 12/janeiro, 35 anos depois da conquista 
do título de Patrimônio da Humanidade. 
Fotos da capa do livro (1) e da visita da comitiva 
da UNESCO, em companhia do prefeito 
Germano Coelho (2)  




          Duas vezes prefeito de Olinda (1977 a 1980 e 1993 a 1996), indutor de todo o processo que culminou com a outorga dos títulos de Monumento Nacional e de Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade ao município, Germano Coelho, prestes a completar 90 anos de idade, apresenta em forma de livro - o quarto de sua autoria - uma das mais significativas homenagens à cidade que escolheu amar. OLINDA NO CORAÇÃO, HISTÓRIA AFETIVA DA CIDADE-HUMANIDADE, antigo projeto acalentado pelo paraibano de Brejo de Areias, será lançado pela Companhia Editora de Pernambuco - CEPE, na próxima quinta-feira, dia 12 de janeiro, às 16 horas, no Mosteiro de São Bento, em tarde de autógrafos e tributos.   

          (...) 

          O livro, por sinal, chega ao mercado editorial 35 anos depois da cidade ter assegurado o título da UNESCO e esse tema permeia a obra na perspectiva de quem protagonizou a história, com narrativa detalhada e farta documentação histórica.  Com projeto editorial do poeta, romancista e contista Sidney Rocha, OLINDA NO CORAÇÃO traz ainda textos assinados pela artista plástica Tereza Costa Rego, acadêmico (ABL) Geraldo Holanda Cavalcanti, historiadora Marieta Borges e pelo carnavalesco Fernando Augusto.   


          (Texto da Assessoria de Imprensa / CEPE) 

domingo, 1 de janeiro de 2017

1917 - 2017 : UM SÉCULO DE HERMILO BORBA FILHO









Hermilo Borba Filho em edição especial 
do Suplemento Pernambuco 
(CEPE, Recife, PE) 



     Neste ano do Centenário de Nascimento do Escritor Hermilo Borba Filho (Julho 1917 - 2017), Palmares, a sua cidade natal, e o Recife, a sua segunda pátria, devem festejar, dignamente, com alegria, respeito e orgulho, este novo marco da vida cultural pernambucana e nordestina.  Considerado um dos autores brasileiros mais importantes da segunda metade do Século 20, Hermilo Borba Filho produziu uma obra literária de relevo, tanto em quantidade (foram mais de 30 livros publicados em vida), quanto em qualidade, aplaudida pela crítica, por estudiosos da Literatura Brasileira e pela imprensa em vários Estados do País. A parte principal da sua obra - a ficção - foi lançada nacionalmente pela José Olympio Editora (RJ) e pela Editora Globo (RS), e outras grandes casas editoras brasileiras projetaram os seus estudos e a sua produção teatral. Traduziu livros de escritores importantes de outros países e textos teatrais, tendo também adaptado peças para as montagens de  grupos cênicos que dirigiu em Pernambuco e em São Paulo.  

     O pernambucano Hermilo era um escritor múltiplo, um dramaturgo, contista, romancista, cronista, poeta,  em permanente processo criativo. Mas, a produção editorial da sua obra, não acompanhou e documentou tudo o que produziu literariamente, ainda vive incompleta :  além dos livros inéditos deixados quando se encantou, no Recife, em junho de 1976, sua contribuição jornalística está espalhada em várias revistas e jornais do País, sua rica correspondência ainda não está organizada para publicação e não existe projeto de edição do seu Diário. 

     A Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho, da Prefeitura Municipal dos Palmares, e o Centro de Formação e Pesquisa das Artes Cênicas Apolo-Hermilo, da Prefeitura do Recife, instituições criadas em sua homenagem desde a década de 1980, naturalmente, devem somar esforços e assumir a coordenação e produção da programação cultural que festejará, durante todo este ano de 2017 (até julho de 2018), o Centenário de Nascimento de Hermilo Borba Filho.  É natural mesmo que assim seja.  E as Prefeituras de Palmares e do Recife sabem disto, tendo ambas como viabilizar o que é melhor para que "o Século de Hermilo" alcance o seu merecido sucesso.  De sua parte, o Governo do Estado, com o incentivo do Funcultura / Fundarpe / Secretaria de Cultura, já aprovou e viabilizou a criação do Site Casa da Palavra de Hermilo, que será divulgado na Internet (ao alcance de internautas de todo o mundo), ainda neste mês de janeiro, e lançado, em exposição multimídia, em Palmares e no Recife.   


(Texto de Juareiz Correya / 
 Boa Vista, Recife


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

"VIAGENS GERAIS", DE CELINA DE HOLANDA : APRESENTAÇÃO DE JOSÉ MÁRIO RODRIGUES (2)






VIAGENS GERAIS, 
DE CELINA DE HOLANDA  
(CEPE Editora, Recife, PE, 2016) 



     "O ESPELHO E A ROSA foi o seu livro de estreia, lançado por Ariano Suassuna e Maximiano Campos e publicado pela Imprensa Universitária.  

     Vieram depois os outros livros :  A MÃO EXTREMA, Edições Quirón, São Paulo, em 1976; SOBRE ESTA CIDADE DE RIOS, 1979, Edições Pirata; RODA D'ÁGUA, 1984, Edições Pirata; AS VIAGENS, 1984, Edições Pirata e VIAGENS GERAIS, Fundarpe, 1995.   

        Quando conheci a poesia de Juan Ramon Jiménez, poeta espanhol da geração de Garcia Lorca, que também como Celina possui um acentuado lado espiritual e ético, vi que a diferença entre essas duas vozes é que Jiménez teve toda sua vida dedicada à Literatura e Celina só se descobriu na maturidade.  Se observarmos bem, veremos que há famílias de poetas que se parecem muito.  São os preocupados com os sentimentos mais profundos do ser; os que não trilham pelas veredas da pura experiência de linguagem, dos jogos de palavras  que buscam o hermetismo, camuflando a incapacidade para assimilar as dores humanas e as necessidades básicas do viver.  Vejamos : 


"Ouço o povo numeroso de Deus.  
Vem dos mangues, cárceres 
e morros. 
O Recife pulsa 
pulso forte de aço, onde vivo. 
A noite fecho a porta à beira-rio
lama e carne indissolúveis.  
Ouço as portas. 
E o clamor do povo de Deus, abrindo-as." 


         Logo após o lançamento de O ESPELHO E A ROSA, que obteve o prêmio da Secretaria de Educação de Pernambuco, o poeta Mauro Mota escreveu em sua famosa coluna "Agenda", no Diario de Pernambuco, que "o livro de Celina de Holanda é uma contribuição válida à poesia brasileira de hoje e de amanhã.  Somente circunstancialmente uma estreia... De agora em diante, seria difícil falar-se em poesia atual, omitindo o nome de Celina de Holanda."  

     Alberto Cunha Melo viu uma variedade de temas e o cruzamento entre eles.  Há uma homogeneidade formal em Celina, uma voz lírica definitivamente talhada.  "Seus poemas de versos curtos e extrema condensação expressiva, formam em conjunto um monólogo multicor, onde os poemas demarcam o discurso, página a página sem baixar a qualidade e  diapasão."  

          Sem ser panfletária ou querer fazer uma poesia meramente política, Celina, diz Maria de Lourdes Hortas, "rejeita a violência e revela-nos a realidade do seu povo à maneira límpida e corajosa de Lorca e Neruda" ... Versos límpidos, despojados, secos, sóbrios. "Cada palavra é um módulo consciente que transporta o grito do poeta contra a estagnada paisagem social em que se debruça." 


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Fragmento da apresentação de José Mário Rodrigues, 
especialmente para a edição do livro VIAGENS GERAIS, 
de Celina de Holanda  
(Companhia Editora de Pernambuco - CEPE / 
Secretaria da Casa Civil / 
Governo do Estado de Pernambuco, Recife, 2016) 



          


          

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

"VIAGENS GERAIS", DE CELINA DE HOLANDA : APRESENTAÇÃO DE JOSÉ MÁRIO RODRIGUES







VIAGENS GERAIS, de Celina de Holanda
(capa / ilustração de Reynaldo Fonseca) 




          "VIAGENS GERAIS reúne a poesia de Celina de Holanda Cavalcanti.   

          Toda a nossa vida - de poeta ou não - é uma longa viagem.  As pausas que fazemos para as próximas andanças são o que chamamos de estações.  Nelas preparamos as bagagens que iremos precisar no caminho. Claro, que esquecemos sempre algumas coisas importantes e necessárias. Nas viagens nos encontramos com outros eus que levamos, e que ora nos pesam, ora nos deixam leves, ora abrem portas para tesouros desconhecidos.   

          O poema na vida do poeta é uma viagem.  Necessariamente não precisamos sair de casa ou do quarto.  Imaginação tem asas, e quando elas se abrem para o voo encontram o seu impulso : a palavra. A CEPE acertou quando resolveu, através do seu presidente Ricardo Leitão, republicar a obra de Celina de Holanda, fazendo justiça a uma das mais fortes vozes da Literatura pernambucana, e que fez sua estreia em livro aos 55 anos de idade.  Outros nomes de expressão da poesia brasileira, a exemplo de Joaquim Cardozo, lançou seu primeiro livro POEMAS, aos 50 anos; Cora Coralina fez sua estreia com POEMAS E BECOS DE GOIÁS aos 76.  

          Poderemos dizer que esses poetas estavam maturando o verso.  Cedo ou tarde o poema se liberta.  Não há tempo determinado nem ele anuncia quando vai chegar.  Hibernando na memória, o verso constrói alicerces para enfrentar a ventania.  Isso me faz lembrar uns versos de Manuel Bandeira : o vento varria tudo / a minha vida ficava cada vez mais cheia de tudo.

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          No Engenho Ypiranga, em 1915, nasceu e viveu parte de sua infância, Celina de Holanda, filha de Sebastião Mendes de Holanda e Olímpia Mendes de Holanda.  Na hora de dormir vinha o medo  / de todos os ruídos / as sombras do candeeiro / pelas paredes subindo.  Perdeu sua mãe aos seis anos de idade e foi morar com seus tios no Engenho Pantôrra. Por lá, tomou banho de rio, dançou no Pastorinho, subiu nas mangueiras e correu pelo laranjal.  Na curva desse silêncio / tenho meu pai, meu irmão / tenho a laranja madura que a tirei verde no chão / tenho a manhã sem a noite de minha interrogação.  Depois veio o Recife, onde estudou no internato do Colégio das Damas e no Colégio Santa Gertrudes.  

          Do seu casamento com o médico e primo Djalma Holanda Cavalcanti, em 1943, nasceram cinco filhos."      

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Fragmentos iniciais da apresentação de José Mário Rodrigues, 
especialmente para a edição do livro VIAGENS GERAIS, 
de Celina de Holanda  
(Companhia Editora de Pernambuco - CEPE / Secretaria 
da Casa Civil / Governo do Estado de Pernambuco, Recife, 2016) 

          
           

terça-feira, 1 de novembro de 2016

"VIAGENS GERAIS" : POESIA REUNIDA DE CELINA DE HOLANDA (2)





VIAGENS GERAIS, 
de Celina de Holanda 
(CEPE, Recife, 2016) 




DE(S)ENCONTRO


Sobre esta cidade de rios
como nos encontraremos
uma diurna e outra noturna
sem o sacrifício da manhã ?
E o amanhecer
é como a infância, onde
outro já trabalhou : o leiteiro
                              ou o seio
que nos amamentou.



DA REDE VEJO O MAR


Um cachorro pequenês
e três meninas
na areia branca
e se perdem na distância
o rapaz e a moça
que abraçados param
e se beijam.
Da rede vejo o mar
sucessivo e digo :
bemvinda seja a festa
no coração da vida
praia a dentro, amor a dentro
nesse rapaz e nessa moça
que ultrapassam o mundo.
Bemvindos sejam os mares e tensões
que nos arrastam adiante. ,



ELEGIA PARA O PADRE HENRIQUE


De vários modos digo Jesus Cristo
desde os apóstolos, incluindo Judas.
Aos mártires da América Latina
digo Henrique, quilômetros de amigos
acompanhando-o como ao Senhor Morto.
Depois Frei Tito, finalmente livre
ao escreverem : Mártir !


Sofro o teu silêncio, meu amigo
obediente irmão das coisas vivas
como São Francisco, Ghandi ou Bernanos
como o Papa João, o que sabia
não representar em tudo Jesus Cristo.
Que as instituições não mudam,
apenas vestem as roupas de outros dias.  



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Poemas transcritos do livro VIAGENS GERAIS, 
de Celina de Holanda  
(Companhia Editora de Pernambuco - CEPE / 
Secretaria da Casa Civil / Governo do Estado 
de Pernambuco, Recife, 2016) 




sexta-feira, 21 de outubro de 2016

"VIAGENS GERAIS" : POESIA REUNIDA DE CELINA DE HOLANDA





VIAGENS GERAIS, de Celina de Holanda 
(capa) 




AS VIAGENS  


Viajo pelos livros que faço, 
mas sempre torno, 
para escrevê-los
onde a vida  
é uma menina pobre chorando
entre as moitas. 
Trago-a de volta 
ao seu colo, sua casa, 
até que venha e me leve  
o meu amado.   



OS CONVOCADOS 


Setenta vezes sete   
ponho um perfume de rosas 
no vestido 
e vou à rua Sete de Setembro 
onde Tarcísio 
me convoca e ressuscita 
(entre outros) Cardozo 
Pena Filho 
Mauro Mota e Renato 
cuja vida troante 
era um tropel, de repente 
parando. Era 
pôr a mão na parede 
e senti-la vibrar.   


Não se morre ante aqueles 
que nos querem vivos    



OS NEGÓCIOS 


Li que Jesus 
acompanhado por seus pobres, 
entra no Templo, 
liberta das pombas 
vindas dos cedros de Hanan, 
expulsa os vendilhões 
e fere (no prestígio e na bolsa)
vinte mil sacerdotes 
de Jerusalém. 
Depois disso, foi preciso comprar 
na mesma tarde 
um traidor e uma cruz.   





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Poemas transcritos do livro VIAGENS GERAIS, 
de Celina de Holanda  
(Companhia Editora de Pernambuco - CEPE /
Secretaria da Casa Civil / 
Governo do Estado de Pernambuco, 
Recife, PE, 2016) 

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

A CRIAÇÃO DA "SECRETARIA DE CULTURA DE PERNAMBUCO"







PROGRAMA DE GOVERNO 
(capa do livreto) 
da campanha da terceira eleição 
do Governador Miguel Arraes   
em 1994



     Na campanha da terceira eleição de Miguel Arraes para o Governo de Pernambuco, no ano de 1994, reuniu-se um grupo de produtores culturais do Estado, em sua maioria recifenses, em seu escritório político, no bairro da Jaqueira (Recife),  para definir o "projeto cultural" do seu futuro Governo. Estavam presentes os coordenadores da campanha e a reunião foi realizada com a ausência do candidato.  Eu estava lá junto com umas 40 pessoas.  Acompanhava Leda Alves e estávamos ao lado de Vanja Carneiro Campos, Inah Coimbra, Ricardo Leitão, Raimundo Carrero e Ésio Rafael.  

     Foram feitas as comunicações iniciais, apresentaram-se algumas propostas, acendeu-se um debate.  Críticas dali, reclamações daqui, questionamentos sobre o segundo Governo Arraes (eleito em 1986), crenças, descrenças, esperanças de volta.  Mas nada de concreto.  

     Pedi para falar e, após uma breve consideração sobre as limitações e os equívocos de negócios da "educação, turismo, esportes e cultura" numa mesma secretaria, como sempre se administrou no Estado, fui direto ao assunto : 

     - Ou definimos o projeto de criação de uma Secretaria de Cultura ou não vamos fazer nada.   

     A frase era delimitadora mesmo.  Fez-se um curto silêncio de tudo parado no ar e se ouviu a voz taperoaense de Ariano Suassuna  : 

     - Eu concordo com a ideia de Juareiz Correya.  

     Pronto. Partimos todos dali para criar a futura Secretaria de Cultura do novo Governo Arraes, a primeira Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco.  

     (Juareiz Correya) 

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Do livro inédito PEQUENAS HISTÓRIAS REAIS