quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Presença de Pernambuco em livro de Garibaldi Otávio publicado pela CEPE

Todo tempo é tempo de poesia, lembra, com o seu livro, o conhecido jornalista pernambucano Garibaldi Otávio, poeta que estréia com o lançamento de O GIRASSOL (Companhia Editora de Pernambuco - CEPE / Secretaria da Casa Civil / Governo de Pernambuco), nesta quinta-feira, dia 29 de outubro, às 19 horas, no Instituto Cultural Banco Real (Avenida Rio Branco, 23, Recife Antigo, Recife, PE).
A idéia de publicação do seu livro nasceu há mais de 40 anos e agora se concretiza, por causa de amigos "do passado e do presente, que deram vida e ressuscitaram em mim novamente a força da criação poética", assegura Garibaldi Otávio.
Incentivo e admiração dos escritores Aluízio Falcão e Vanja Carneiro Campos, de hoje, de Mauro Mota, Renato Carneiro Campos e Gilberto Freyre, de ontem, atestam que a poesia de Garibaldi Otávio fazia falta no cenário cultural de Pernambuco. Um cenário que se enriquece com os traços irretocáveis e as cores intensas da sua poesia contemplativa e que já era madura na sua gênese, como afirmava Mauro Mota ao saudar o ficcionista e dramaturgo Aguinaldo Silva : "Repito a Aguinaldo o que digo a outro jovem pernambucano, Garibaldi Otávio, em relação à poesia : Este menino não vai longe porque longe já está."
O livro O GIRASSOL (a flor não é bem flor. A flor é sol / que deu seus amarelos a uma flor), com a presença do Recife e da zona da mata pernambucana, "a imensa distância de Pernambuco que me angustiava nas estranhas paisagens onde tentei viver", está enriquecido com a pintura ensolarada de Tereza Costa Rego, reproduzida na capa e na sobrecapa especial. Os seus poemas contém, sem qualquer pedantismo, inumeráveis referências artísticas pernambucanas, nordestinas e internacionais - Van Gogh, do poema-título, Francisco Brennnand, Mauro Mota, José Lins do Rego, Hemingway, cinema, música, fotografia, arquitetura, Joan Miró, João Cabral de Melo Neto, Lorca, Picasso, Salvador Dali, Debussy. Treze poemas, na última parte do livro, apresentam a sua versatilidade como parceiro de composições musicais de Carlinhos Vergueiro, Arthur Gebara, Ronen Altman, Zebba dal Farra e Jonas Ferreira Lima.
A escritora Vanja Carneiro Campos lembra que Garibaldi Otávio não permitiu, por décadas, a publicação do seu livro concluído, sempre adiado com a reunião de poemas de vários tempos, das ruas e becos do Recife à Avenida São João de São Paulo :
"Quis ele que acontecesse o que vemos hoje : o livro saiu de sua tutela, desapartou do seu dono e criou asas. Então agora o temos por inteiro."

(Juareiz Correya)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

CEPE lança "Eça de Queiroz - Agitador no Brasil", de Paulo Cavalcanti (2)

No texto de abertura do livro, intitulado "Relato da Rebelião", Nagib Jorge Neto afirma que "a concepção da obra, a força escrita, amplia a dimensão e compreensão das revoluções e insurreições liberais no Estado no século XIX, resulta num relato inovador na forma, numa ruptura com o linear e a rigidez dos critérios de cronologia; e um avanço no conteúdo, no enfoque das causas políticas, econômicas e sociais que marcaram as reações ao arbítrio e ao domínio português no império. Neste sentido, esta obra de Paulo Cavalcanti - EÇA DE QUEIROZ, AGITADOR NO BRASIL - reflete a sua coerência como escritor, a sua crença de que a história é sempre contemporânea, atual."
Nagib Jorge Neto acreescenta que Paulo Cavalcanti elogia e faz reparo ao estilo do escritor, como fazia Machado de Assis, destacando a influência que o escritor português exerceu sobre os escritores brasileiros. "E vai além ao enfocar o papel da imprensa, dos jornais que circulavam em Recife e Goiana, e da efervescência política e cultural marcante na cidade, que passou a ser punida economicamente no final daquele século."
Acentuando que se trata de um estudo agradável, num estilo leve, Nagib Jorge Neto afirma que os capítulos do livro "podem ser lidos como relatos que se interligam, sem a mesmice da linearidade, da técnica de sequência rígida."
O "eciano" Dagoberto Carvalho Jr., em seu texto "Paulo Cavalcanti entre a literatura e a história social", lembra uma frustrada tentativa de edição pernambucana, em 1958, e a sua "bela trajetória editorial" iniciada em 1959, integrando a monumental Coleção Brasiliana ( volume 311), da Companhia Editora Nacional, de São Paulo; e as edições seguintes de 1966, ainda na Coleção Brasiliana, com novo formato; uma edição em Portugal, intitulada O AGITADOR ; e a de 1983, da Editora Guararapes, quando "Pernambuco redimiu-se do pecado original".
O escritor e presidente da Sociedade Eça de Queiroz, do Recife, ressalta que o livro outra vez apresentado ao público e à crítica literária "que lhe tem sido pródiga no Brasil e em Portugal e, até, na antiga Tchecoslováquia, resgata documentos históricos únicos para a bibliografia de Eça de Queiroz, sobretudo pela perspectiva da abordagem : o impacto da recepção de um jovem escritor português no Brasil do terceiro quartel do século XIX, através de uma cidade interiorana de Pernambuco." Isso contribuiu, observa, para que, "quando chega o romancista de O CRIME DO PADRE AMARO e O PRIMO BASÍLIO, Eça já não era desconhecido da nossa gente. Muitos se lembravam da agitação que as suas As Farpas de 1872 provocaram em Goiana."


LITERATURA E POLÍTICA
Nascido no Recife em 1915, o escritor Paulo Cavalcanti é autor de um dos mais importantes painéis sobre a história política e social brasileira, particularmente do Nordeste - a teatralogia O CASO EU CONTO COMO O CASO FOI, reeditada neste ano de 2009 pela CEPE. Ensaísta e memorialista premiado pela Academia Pernambucana de Letras, ex-presidente da UBE - União Brasileira de Escritores, seção de Pernambuco, ex-diretor do Arquivo Público de Pernambuco, militante comunista, preso político, advogado político, promotor público aposentado, ex-deputado estadual, membro da Executiva Nacional do PCB - Partido Comunista Brasileiro, Presidente da Regional do PCB de Pernambuco, vereador do Município do Recife, Paulo Cavalcanti faleceu, aos 80 anos de idade - "80 anos de humanismo." (Juareiz Correya)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

CEPE lança "Eça de Queiroz - Agitador no Brasil", de Paulo Cavalcanti

Neste ano em que completou o seu aniversário de meio século de edição, o livro EÇA DE QUEIROZ - AGITADOR NO BRASIL, de Paulo Cavalcanti, foi lançado, em 4a. edição revista e aumentada, quarta-feira passada, dia 21 de outubro, às 19 horas, no auditório da Livraria Cultura (Rua Madre de Deus, s/n, Recife Antigo, Recife, PE), com palestra do jornalista e escritor Mário Hélio, presidente do Conselho Editorial da CEPE, e show especial do Trio Saracotia, do Conservatório Pernambucano de Música.
O livro aborda o momento crucial de 1871, marcado por crises políticas e pela grande insatisfação com o monopólio português do comércio, quando Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, editores da publicação satírica portuguesa As Farpas, transformaram uma excursão de Dom Pedro II, o imperador brasileiro, num grotesco espetáculo de circo, caricaturando tudo o que o monarca fizera ou dissera.
A publicação da Companhia Editora de Pernambuco - CEPE / Secretaria da Casa Civil / Governo de Pernambuco, com projeto gráfico de Moema Cavalcanti, filha do escritor, designer de projeção nacional, apresenta textos de abertura de Nagib Jorge Neto , jornalista, ficcionista e biógrafo do autor, e do cronista e ensaísta Dagoberto Carvalho Jr., presidente da Sociedade Eça de Queiroz, do Recife, fundada por Paulo Cavalcanti, falecido na capital pernambucana no ano de 1995, ao completar 80 anos de idade em pleno exercício do seu mandato de vereador recifense.
A CEPE lançou a obra em duas edições distintas - um volume em língua portuguesa e um volume em língua inglesa, com tradução de Sílvio Rolim. Documentos inéditos anexados enriquecem o projeto editorial : "Carta de Eça de Queiroz ao Presidente da Província de Pernambuco", publicada na primeira edição de As Farpas, em 1872, não incluída nas obras completas do escritor lusitano e "Manifesto em favor dos patriotas goianenses", publicado no Recife em outubro de 1875, "um público testemunho em favor daqueles seus concidadãos, que por falsas aparências, e por efeito de intrigas vis, de mesquinhas calúnias, acham-se foragidos e sob o peso da infamante imputação de crimes, que não cometeram."


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Mais informações no site da LIVRARIA CULTURA (www.livrariacultura.com.br) e pelo e-mail da CEPE : cepecom@cepe.com.br