sábado, 16 de outubro de 2010

A INTOCÁVEL BELEZA DO FOGO, de Geraldino Brasil

O livro inédito A INTOCÁVEL BELEZA DO FOGO, do poeta alagoano/pernambucano Geraldino Brasil, que viveu muito tempo no Recife, onde faleceu em fevereiro de 1996, será lançado pela Companhia Editora de Pernambuco - CEPE / Secretaria da Casa Civil / Governo de Pernambuco, na próxima terça-feira, dia 19 deste mês, no auditório da Livraria Cultura (Rua Madre de Deus, s/n, Recife Antigo), às 19 horas, com palestra do poeta e ficcionista pernambucano Fernando Monteiro.

Geraldino Brasil é pseudônimo de Geraldo Lopes Ferreira, nascido, no ano de 1926, em Atalaia (AL). Mudou-se para o Recife nos anos 50 do século passado. Funcionário público federal. Publicou, entre outros, em edição do autor, os seguintes livros de poesia : ALVORADA (1947), CORAÇÃO (1956), POEMAS INSÓLITOS E DESESPERADOS (1972), CIDADE DO NÃO (1979),SONETOS DE SOL (1979), BEM SÚBITO (1986), TODOS OS DIAS, TODAS AS HORAS (1987/1989), LIVRO DE SEXTINAS (1992), SEXTINAS DE SOL (1995), POEMAS DESENTRANHADOS - Das prosas de Dostoievski, Euclides da Cunha, Guimarães Rosa e Fernando Monteiro (1995). O seu livro POEMAS (Ediciones Tecer Mundo, Bogotá, Colômbia, 1982), traduzido pelo poeta Jaime Jaramillo Escobar, tornou o poeta mais conhecido na Colômbia, na Venezuela e no Uruguai, do que no Brasil.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

"Estadão" censura e demite Maria Rita Kehl (2)

"O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo os empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família que, apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa da população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200 ? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de "acumulação primitiva da democracia".

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros,como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi que o Brasil, dirigido pela elite instruída, que se preocupava com o interesse de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguem levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos."


(Parte final do artigo "Dois Pesos", de Maria Rita Kehl, publicado no jornal O ESTADO DE SÃO PAULO na véspera do primeiro turno da eleição. Dias depois a escritora e psiquiatra foi censurada e demitida pelo "Estadão". /
Transcrito do BLOG DO MIRO - http://altamiroborges.blogspot.com)