sábado, 21 de agosto de 2010

Panamérica relança "Rumor de Vento" e "Americanto Amar América" na Festa do Livro do Recife

Os livros RUMOR DE VENTO, de Maria de Lourdes Hortas, e AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya, serão relançados pela Panamérica Nordestal Editora, de Pernambuco, na "Festa do Livro / 8o. Festival Recifense de Literatura", realização da Secretaria de Cultura / Fundação de Cultura / Prefeitura da Cidade do Recife, domingo, dia 29/agosto, das 14 às 20 horas, no Recife Antigo.

RUMOR DE VENTO é o décimo livro de poesia publicado pela escritora luso-brasileira Maria de Lourdes Hortas, nascida em São Vicente da Beira, em Portugal, e recifense desde os 10 anos de idade. Também ficcionista e artista plástica, Maria de Lourdes Hortas é, atualmente, diretora cultural do Gabinete Português de Leitura de Pernambuco. RUMOR DE VENTO foi lançado no Recife em 2009.

AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya, reune 40 anos de poesia publicada pelo poeta e editor pernambucano nascido em Palmares, região Mata Sul do Estado. Já lançado no Recife e em Palmares, no primeiro semestre deste ano, AMERICANTO AMAR AMÉRICA será lançado, de setembro a novembro próximos, em Olinda, Caruaru, Garanhuns, Cabo de Santo Agostinho, Vitória de Santo Antão, João Pessoa, São Paulo e Santo André, região do Grande ABC paulista.

As outras publicações da Panamérica serão promovidas na Festa do Livro com 50% de desconto sobre o preço de capa.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

ARRAES NA BOCA DO POVO

Este livro resgata os trabalhos de poetas populares nordestinos - oito cordelistas e sete repentistas - que criaram, com os seus versos distintos, em fases diversas e ao longo de cinco décadas, uma quase biografia poética de Miguel Arraes de Alencar, uma das figuras mais importantes da história política do Nordeste brasileiro, personagem cuja biografia se confunde com a própria história política do Estado de Pernambuco, em particular, na segunda metade do Século 20.

Os poetas populares nordestinos, atentos à expressão e à identificação do povo com os seus líderes, heróis e santos, retratam, fantasiam e mitificam nomes, fatos, histórias. Na realidade, a poesia faz melhor do que as reportagens, os estudos, as estatísticas e qualquer prosa científica. A poesia é a expressão mais verdadeira do espírito de um povo - e o povo do Nordeste brasileiro afirma isto sempre, com os seus poetas de linguagem simples, sem erudição ou cultura livresca, como os que escrevem e publicam romances populares, os folhetos de feira ou folhetos de cordel, e os poetas-cantores, os cantadores, repentistas, trovadores sertanejos que percorrem as cidades e os Estados nordestinos cantando os seus versos de repente, para qualquer público, ao som das violas.

Este livro registra e reproduz integralmente os textos de oito folhetos, mantendo, com fidelidade, a mesma estruturação das estrofes de cads um e até mesmo os erros de grafia de várias palavras e algumas incorreções gramaticais, no sentido de preservar a feitura original dos versos; cada título em cordel tem reproduzida a capa da publicação editada na época; e documenta os versos de repentistas que, meditados ou improvisados, são um exemplo significativo dessa importante vertente da cultura brasileira, como bem sentencia Ariano Suassuna.

Os cordéis aqui reunidos foram publicados a partir do ano de 1959 - A VITÓRIA DE ARRAES E AS TRÊS QUEDAS DE CLEOFAS -, ano em que Miguel Arraes conquista pela primeira vez o Governo de Pernambuco, e documentam, em seguida, os acontecimentos e datas significativas de toda a trajetória política do eterno governador de Pernambuco. Os repentes são flagrantes registrados em cantorias e publicações de campanhas eleitorais, shows e congressos de cantadores realizados no Recife.

Falecido em agosto de 2005, o personagem central deste livro completaria, em dezembro de 2006, 90 anos de idade, e os versos escritos por estes poetas confirmam o quanto a sua vida é de Pernambuco. A reunião dos trabalhos expressivamente criados por estes poetas homenageia o eterno governador Miguel Arraes de uma forma que raros homens públicos no Brasil puderam merecer - com o espírito, a voz, o talento, a capacidade criativa dos homens do povo -, numa prova de que em toda a sua trajetória de homem público o povo nunca foi uma figura de retórica, que o povo existe e que ele existe (verdade verdadeira) para o povo.


JUAREIZ CORREYA
Recife, 2006

(Ano do 90o. Aniversário de Nascimento
de Miguel Arraes de Alencar)


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Introdução do livro ARRAES NA BOCA DO POVO,
organizado por Juareiz Correya
(Fundação João Mangabeira, Brasília, DF, 2006)