sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

MELHOR É AMAR, de Juareiz Correya



melhor que morrer é viver
cair no bar
virar a esquina
andar a pé
de mão em mão
de lotação
correr de trem
não sei aonde
ir de avião
chupar o caldo
beber a cana
ser sem vergonha
e ser bacana
se depender da ocasião
ser um menino
que não se engana
que sonha muito
e cai na cama
vira Papa-Figo
de Bicho-Papão


melhor que morrer é viver
ter seu mistério
ter sua linha
crescer na conta
não na conduta
sofrer na rinha
da sua luta
sorrir na hora
dizer o nome
que quem é homem
não se consola
entrar de sola
ficar de frente
olho por olho
dente por dente
chegar mais cedo
ir logo embora


melhor que morrer é viver
ser singular
não diferente
não ser pessoa
ser mesmo é gente
correr jamais
não é preciso
não tem parada
tem é caminho
não há demência
há só juízo
pra ver o bem
se vê o mal
não vale ao mundo
saber profundo
vale no fundo
o essencial


MELHOR QUE MORRER É VIVER
MELHOR PRA VIVER É AMAR
QUEM VIVE PODE MORRER
QUEM AMA NÃO MORRERÁ




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(Do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20
a ser lançado, pela Panamérica Nordestal
Editora, neste ano de 2010)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

CARTA À JUVENTUDE DOS MEUS FILHOS SOBRE TEMPOS BRASILEIROS

para José Terra, João Guarani e Mariama.



Já vivemos tempos piores.


Hoje as cidades são
A insegurança de cada pessoa
O assalto na rua aberta
A bala perdida no apartamento e na casa
A instituição do medo
Na cara dos meninos e das crianças.
Mas já vivemos tempos piores.


Tempos em que as cidades
Eram irreais e uma mentira institucional
As autoridades invadiam os lares
E a soldadesca criava a desordem
Da Constituição e dos homens
Torturando e assassinando
Adolescências e sonhos coletivos.
Em nome da Segurança Nacional
Todos eram culpados
Até que provassem a inocência.


Assim era o nosso tempo, meus filhos,
Em que o Governo propagandeava
Até um milagre brasileiro.
E os militares fuzilavam, todos os dias,
Com mão direita e certeira
As esperanças e o futuro.


Hoje o destino pode até surpreender
Os seus corações com a morte,
As suas vidas sem nenhuma sorte,
E não lhes dar o que deveria ser dado
E lhes roubar o que mereceriam.
Mas vocês sabem o que é a manhã clara
A tarde inteira plena de sol
A noite iluminada para o amor.
Vocês sabem o que é a Liberdade.


Juareiz Correya


(do livro inédito POEMAS DO NOVO SÉCULO)

domingo, 27 de dezembro de 2009

2010 : CEPE homenageia pintura e fotografia de Lula Cardoso Ayres

Na reportagem "Calendários - Um jeito charmoso de marcar o tempo" (Revista CONTINENTE, Companhia Editora de Pernambuco-CEPE, Recife, dezembro, 2009), a jornalista Mariana Oliveira releva a homenagem à Cultura que a editora oficial do Governo de Pernambuco realiza com as edições tradicionais, desde o ano de 1994, do seu calendário :

"O calendário de 2010 da Companhia vai prestar uma homenagem ao pintor pernambucano Lula Cardoso Ayres, no ano em que ele completaria 100 anos. Foram selecionadas 24 obras do artista, 12 para o calendário de mesa e 12 para o de parede - além disso a agenda 2010 da CEPE também destacará sua obra. Nesta edição, a CONTINENTE também brindará seus leitores com um calendário de parede, ilustrado com ensaio fotográfico, realizado, pelo artista, nos anos 1940, na Zona da mata pernambucana."

As fotografias desse calendário pertencem ao acervo da Fundação Joaquim Nabuco - FUNDAJ (Av. 17 de Agosto, 2187, Casa Forte, Recife, PE). Além de encarte especial da edição impressa que circula nas bancas de jornais e revistas das principais cidades brasileiras, o calendário também pode ser acessado na edição online da Revista CONTINENTE (http://www.revistacontinente.com.br)

Neste ano de 2009, a CEPE homenageou, com a edição do seu tradicional calendário, o centenário de nascimento do ceramista caruaruense Vitalino "dos bonecos de barro" ("Mestre Vitalino - 100 anos").