sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Waldemar Lopes, poeta de Quipapá (PE), homenageado no "1o. Encontro Literário da Mata Sul de Pernambuco"

Nascido em Quipapá, região Mata Sul de Pernambuco, no dia 1o. de fevereiro de 1911, Waldemar (Freire) Lopes, poeta, jornalista e crítico literário, completa neste ano de 2011 o seu centenário de nascimento. O "1o. ENCONTRO LITERÁRIO DA MATA SUL DE PERNAMBUCO", a ser realizado em Palmares (PE), em setembro deste ano, homenageia o escritor pernambucano que, ainda jovem, estudou em escolas palmarenses e, em Pernambuco e no Rio de Janeiro, construiu sua sólida formação cultural, atuando em múltiplos campos : jornalismo, literatura, administração pública, sociologia rural, direito internacional público. Jornalista profissional, técnico de administração e diplomado pela Escola Superior de Guerra (turma de 1951). Waldemar Lopes, além de poeta, desenvolveu dia-a-dia um trabalho fecundo a favor da literatura, organizando revistas, prefaciando livros, proferindo conferências, colaborando com páginas literárias. Membro da APL-Academia Pernambucana de Letras, entre outras instituições literárias e culturais, Waldemar Lopes faleceu no Recife, onde vivia nos seus últimos anos, no dia 21 de outubro de 2006.

Waldemar Lopes publicou mais de 10 livros de poesia, uma obra que o consagrou como um "grande sonetista brasileiro moderno". O poeta estreou, aos 18 anos de idade, com a publicação do livro LEGENDA (1929); o segundo livro só foi publicado 60 anos depois, intitulado SONETOS DO TEMPO PERDIDO (1971, Prêmio do PEN Clube do Brasil). Outros livros de poesia escritos e publicados pelo poeta : INVENTÁRIO DO TEMPO (1974), OS PÁSSAROS DA NOITE (1974), SONETOS DE DESPEDIDA (1976), SONETOS DE NATAL (1977), ELEGIA PARA JOAQUIM CARDOZO (1979), O JOGO INOCENTE (1979), MEMÓRIA DO TEMPO (1981), SONETOS DE PORTUGAL (1993, 1994, 1995), AS DÁDIVAS DO CREPÚSCULO (1996), A FLOR MEDIEVAL (1996), SOMBRAS DA TARDE (1999), CINZA DE ESTRELAS (2001). (JUAREIZ CORREYA)



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Mais informações no blog ENCONTRO LITERÁRIO
DA MATA SUL (http://blig.ig.com.br/matasul)
e no JORNAL DA POESIA
(http://www.revistaagulha.nom.br/waldemarborges)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

4 POEMAS DE DANIEL LIMA

Nada será jogado no vazio.


Nem mesmo o vazio da vida,
porque é vida.


Nem mesmo o gesto inútil,
pois-que é gesto.


Nem mesmo o que não chegou a realizar-se,
pois-que é possível.


Nem mesmo ainda o que jamais se realizará,
porque é promessa.


E o próprio impossível
é vontade absurda de existir.
E nisso existe.



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Recife, primeira de todas as cidades
e a última de todas, a mais persistente
nas lembranças, a que mais teima
em não ser esquecida.


Recife, sofrida e linda,
generosa e rebelde,
que amas o mar que te agride
e te beija nas pedras arrecifes,
Recife que te banhas
desacanhada e nua
nas águas de teus rios
por baixo de tuas pontes
e te retorces nas estreitas ruas
de teus bairros antigos,
de assombrados sobrados
e dormes serenamente nas areias das praias
sonhando o teu futuro
que o passado de lutas te promete.


Oh! como é doce nascer em ti
mas como custa viver em ti
cidade contraditória e múltipla, cidade
que misturas batalhas e folguedos,
que enquanto te rebelas,
bailarida e guerreira
danças o frevo nas ruas e os maracatus.


Moro em ti
e tu demoras em mim, Recife !



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Minha mãe era anoitecida.
Às vezes orvalho, às vezes estrela.
De repente, ria. De repente, chorava.
Falava sozinha enquanto trabalhava.
Resmungos, ou não sei se filosofia.
Descascava batatas, partia cebolas
e sonhava
"Para não perder tempo",dizia.


Com que seria que minha mãe sonhava ?



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O POETA E A PALAVRA
(fragmento)


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O poeta tortura-se.
A palavra é seu meio
é seu modo
é seu mundo.
É a matéria e a forma
de sua arte,
é a sua mãe, sua filha,
a palavra é seu rosto,
é o motivo maior de seu desejo.


A exata palavra
sugere mas não diz,
não dirá nunca.
A palavra se recolhe em teu silêncio.
E se a encontrares, despreza-a.
Seria verdadeira talvez
e assim destruiria
o teu possível poema.


Navega sempre os mares das palavras
mas sabe-as sempre incertas, imprecisas,
bem longe da palavra que procuras.


A exata palavra.
Não há palavra exata no poema.
Há beleza.
E a beleza é inexata e equívoca.


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Do livro POEMAS, de Daniel Lima
- Companhia Editora de Pernambuco-CEPE /
Secretaria da Casa Civil/Governo de Pernambuco,
Recife, PE, 2011.

CEPE lança conjunto de livros inéditos do poeta Daniel Lima

Composto de quatro livros inéditos ("Cancioneiro tímido", "Asa, abismo e voo", "Cantos rápidos" e "Quase"), o livro POEMAS, de Daniel Lima, será lançado, hoje, pela Companhia Editora de Pernambuco - CEPE/Secretaria da Casa Civil / Governo de Pernambuco, na Livraria Cultura (Recife Antigo), às 19 horas, com palestras dos professores Zeferino Rocha e Lourival Holanda, prefaciadores da obra. A professora e escritora Luzilá Gonçalves Ferreira, responsável pela seleção dos poemas e organização dos livros, apresentará o amigo Daniel Lima e os textos inéditos de um poeta que produz há muito tempo e só agora tem a sua obra publicada.

Daniel (dos Santos) Lima, nasceu em Timbaúba, mata norte de Pernambuco, no ano de 1916. Fez estudos de Teologia e Filosofia nos Seminários de João Pessoa e do Recife. Fundou e dirigiu o jornal "A Voz de Nazaré", em Nazaré da Mata (PE), onde residiu por muitos anos. Foi professor de Filosofia, Estética e Latim, na Faculdade de Filosofia do Recife e na Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Por muito tempo, Daniel Lima orientou e iluminou gerações de jovens e menos jovens intelectuais em Pernambuco e no resto do Brasil. Tem 27 livros inéditos, de poesia ou versando sobre assuntos referentes à ética, à estética e à política.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

PERDAS IRREPARÁVEIS : Amílcar Dória Matos, José Américo de Lima e Everaldo Moreira Véras

A Literatura Brasileira, especialmente a pernambucana, está ficando cada vez mais pobre, infelizmente. Ano próximo passado perdeu o romancista e jornalista Amílcar Dória Matos. Imortal, mas não imorrível, manteve-se recluso e solitário em seu apartamento no bairro do Espinheiro. Deixou como legado alguns romances importantes, entre eles O CAÇADOR, O MÁGICO, UM AMOR DE DOIS MUNDOS. Para as crianças seu legado constituiu-se de A GRATIDÃO DE CHICO e O GIGANTE DA FLORESTA.

Outra lacuna ficou com a partida do combativo e também consagrado escritor José Américo de Lima, responsável por uma série de livros marcantes, onde se destacam os romances históricos CANUDOS e COLHER DE PAU, ambos sobre as refregas contra os movimentos messiânicos nordestinos. Além desses destacaram-se também os livros TODOS POR TODOS, O MISTERIOSO HOMEM DE MACAPÁ, MARATONA. Não esqueceu também a criançada, que foi contemplada com o notável OS PECADOS DO REI.

Como se não bastasse para empobrecer a criação literária da nossa terra, no dia 11 de janeiro passado, durante uma viagem de lazer, em companhia de Lourdinha, sua querida esposa, enquanto desfrutava as belezas da Serra Gaúcha, Everaldo Moreira Véras subiu aos céus para fazer companhia a seus colegas recem falecidos. Ao velório compareceram representantes de todas as instituições literárias e científicas a que ele pertenceu, tais como : Academia de Artes e Letras de Pernambuco, Academia de Letras e Artes do Nordeste, Academia Brasileira de Literatura Infantil (SP), Academia de Ciências, além de representantes da Academia Pernambucana de Letras, da Brasiliense de Letras e da Recifense de Letras, bem como os presidentes da UBE e da Editora Edificantes, responsável em grande parte pelos seus títulos publicados. Diante de tantos intelectuais presentes, o velório foi enriquecido através de depoimentos de vários de seus pares acadêmicos, onde se destacou a observação do seu dileto amigo e também escritor, Luiz Gonzaga Lopes, revelando que Everaldo deixava no prelo um livro sob o título DEUS ESTÁ CANSADO. E concluiu dizendo que Deus o chamara para ajudá-LO nas muitas tarefas que havia do outro lado da vida. A cerimônia foi encerrada com a cremação do corpo do escritor, conforme era seu desejo em vida. (Texto do escritor e editor EDVALDO ARLEGO)