sexta-feira, 25 de julho de 2008

"PERNAMBUCO" publica antologia de novos escritores

O caderno "Saber +", do Suplemento Cultural PERNAMBUCO (CEPE, Recife, julho/2008), que circula encartado no Diário Oficial de Pernambuco e é distribuído especialmente para os novos assinantes da Revista CONTINENTE MULTICULTURAL, lança, pela primeira vez, na história do Suplemento, uma antologia de novos escritores pernambucanos. Segundo o escritor Raimundo Carrero, diretor
do PERNAMBUCO, o suplemento reuniu "escritores que representam a literatura pernambucana no Século 21, priorizando não exatamente o conceito de uma nova estética, mas o princípio da idade - entre 18 e 30 anos -, e ainda selecionando aqueles que começaram a construir a obra através de publicações mínimas. Ou seja, em zines, coletâneas, blogs, e-mails e sites."

Estão presentes na antologia os poetas Diego Raphael, Conrado Falbo, Bruno Candéas, Fábio de Andrade, José Terra, Marilena de Castro, Sérgio Leandro, Luiz Marcelo, Luciano Nunes, Yuri Bruscky; e os contistas Mário Lins, Adelaide Ivanova, Cristhiano Aguiar, Thiago Corrêa, Artur Rogério, Thiago Pininga, Joana Rozowykwiat, Priscila Varjal, Flávia de Gusmão, Thiago Soares, Fernando Mendonça, Marcos Toleto, Ney Anderson.

O caderno "Saber +" é dirigido pela jornalista Marilene Mendes. Fazem parte também da equipe do Suplemento PERNAMBUCO os jornalistas Schneider Carpegianni, Mariza Pontes, Gilson Oliveira, Jaíne Cintra e Militão Marques.

CASA GRANDE & SENZALA, de Ascenso Ferreira

O Barão chegou
da côrra diária dos canaviais !

O pajem Joaquim,
apeou-se ligeiro,
sustentando os loros
com estribos de prata
da cela do Barão !

O Barão subiu
e, do alto do terraço,
espraiou o olhar
que não alcançou terras
que não fossem suas !...

Deitou-se na rede
rodeado de escravos
para tirar as botas
das pernas do Barão.
Adormeceu.

Daí a pouco acordou aos berros.

- Susana ! Ô Susana !
- Susana, meu Sinhô,
está lá no fundo do quintal
estendendo roupas...

- Passe a voz !

A voz foi passada e Susana chegava.

- Apanhe aqui este lenço
que caiu no chão !

O fartum da mulata
entrou-lhe pelos gorgomilos,
anulando-lhe os projetos
de abstinência cristã.

Nove meses depois,
com a casa cheia de "comadres"
passando as vezes,
nascia o menino "Banta",
primeiro filho
da prole ilegítima do Barão.

- Benedita !
Ô Benedita, cadê Susana ?
- Dona Susana está lá em cima,
Sinhô Barão,
aprendendo com seu Vigário
um tal de francês...
- Passe a voz, negra sem-vergonha !


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(Página LETRAS&LEITURAS,
Caderno Folha 2 / FOLHA DE PERNAMBUCO,
Recife, 12 de maio de 1990).