quarta-feira, 26 de maio de 2010

Poema de Olavo Bilac, plagiado, fica em 35.o lugar em concurso de Jundiaí (SP)




"Armas, num galho de árvore, o alçapão
E, em breve, uma avezinha descuidada,
Batendo as asas cai na escravidão.
Dás-lhe então, por esplêndida morada,
Gaiola dourada;


Dás alpiste, e água fresca, e ovos e tudo.
Por que é que, tendo tudo, há de ficar
O pássaro mudo,
Arrepiado e triste sem cantar ?
É que, criança, os pássaros não falam...
Só gorjeando a sua dor exalam,
Sem que os homens os possam entender;
Se os pássaros falassem,
Talvez os teus ouvidos escutassem
Este cativo pássaro dizer :


Não quero o teu alpiste !
Gosto mais do alimento que procuro
Na mata livre em que voar me viste..."

(O PÁSSARO CATIVO, fragmento)




"O Pássaro Cativo", conhecido poema de Olavo Bilac, membro fundador da Academia Brasileira de Letras, obteve a 35a. colocação no Concurso de Poesia realizado pela Associação Preservação da Memória da Companhia Paulista, de Jundiaí (SP).
O poema foi enviado por um dos participantes que, assinou com pseudônimo, como exigia o regulamento. Após a classificação de 50 poemas e publicação em revista, a falha da organização foi percebida. "A primeira edição do concurso foi decepcionante. Ficamos frustrados e não vamos mais realizar uma próxima edição no ano que vem em função do que ocorreu", lamenta o presidente da Associação, Eusébio Pereira dos Santos.


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A informação acima, transcrita de um e-mail, sobre essa "classificação" do texto de autoria de Olavo Bilac, apresentado por um concorrente desonesto, é da poetisa Delasniev Daspet, Embaixadora para o Brasil do Movimento Poetas del Mundo (http://www.poetasdelmundo.com)
O episódio é lamentável e se sabe que não é único : textos de outros poetas de projeção, como é o caso de Vinicius de Moraes, citado por membros da comissão julgadora do concurso de Jundiaí, são também usados por "poetas desonestos" ou pessoas que não escrevem nada e têm apenas a intenção de esculhambar e desacreditar os concursos literários.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

"Encontro Literário da Mata Sul de Pernambuco" em Palmares

Palestras, debates, lançamentos, feira de livros, recital de poesia, teatro, música, no palco do Teatro Cinema Apolo e espaços da FAMASUL e FACIP, de Palmares, fazem parte da programação do "1.o ENCONTRO LITERÁRIO DA MATA SUL DE PERNAMBUCO", de 23 a 26 setembro deste ano. Organizado pela União Brasileira de Escritores - seção de Pernambuco (UBE-PE) e Panamérica Nordestal Editora, o encontro objetiva "relevar a produção literária e editorial de uma das regiões mais fecundas do universo literário do Estado", afirmam os organizadores.

Lembrada como culturalmente rica, "a própria região ainda não conhece direito essa riqueza, notadamente literária, projetada no Nordeste e nacionalmente desde as primeiras décadas do Século XX, como atestam as publicações de Arthur Griz, Ascenso Ferreira, Jayme Griz, Hermilo Borba Filho, Luiz Berto (Palmares), Aristóteles Soares, Pelópidas Soares, Bartyra Soares, Gasparino Damata (Catende), Ruy de Ayres Bello, Odete Vasconcelos (Barreiros),Laurênio Lima (Ribeirão), entre outros do passado e do presente."

domingo, 23 de maio de 2010

POESIA - PRA VIVER A VIDA ! (Sérgio Bernardo)

NATAL


Há muitas cruzes
pouco pão
e nenhum peixe
no chão dos mangues,
e as ovelhas
brancas de isonor
saem nessa noite
para o presépio burguês
enquanto lá na margem
do rio
próximo ao palácio
os cristos em silêncio
esperam o milagre
para dividir o pão.


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POR ALGUMAS PALAVRAS A MAIS


Esse é o mundo dos submissos
Todos obedecem
Todos se acovardam
Por uma moeda a mais
Por uma promessa de paz
Por um posto a mais
Por um luxo de gabinete
Ou por um banquete
Por uma mulher a mais
Ou por algumas doses
De Ballantines.


(Revista POESIA - PRA VIVER A VIDA !,
número 1, Nordestal Editora, Recife, abril/1980)


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SÉRGIO BERNARDO - Nasceu no Recife em 1942.
Escreve regularmente desde 1963. Publicou
alguns poemas em jornais recifenses. Os
poemas inseridos neste número de POESIA -
PRA VIVER A VIDA ! pertencem ao seu primeiro
livro publicado - NASCENTE DE PUNHOS -
pela Edições Pirata, Recife, 1979.