sábado, 9 de outubro de 2010

"Estadão" censura e demite Maria Rita Kehl

A escritora e psicanalista Maria Rita Kehl, colunista do jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, foi censurada e demitida por causa da publicação do artigo intitulado "Dois Pesos" na véspera da eleição. Transcrevemos do BLOG DO MIRO(http://altamiroborges.blogspot.com) o trecho inicial do artigo publicado por Maria Rita Kehl :

"Este jornal teve uma atitude que considero digna : explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil : esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E - os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil - tivesse acesso a internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor : os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de Governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por "uma prima" do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria ? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional : mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor pensar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador GARAPA, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da "esmolinha" é político e revela consciência de classe recém-adquirida."

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

CONTOS SINTÉTICOS DE AFFONSO RIQUE

NOSTALGIA

Sozinho, em um daqueles momentos de eterna nostalgia, ele pensou lá com os seus botões. Ah, se eu fosse Deus. Mas era.



A PAIXÃO DE ALBÉRICO

Albérico não se comoveu com a paixão indócil de Alice. Trancou as portas de seu coração impermeável, libertou sua alma dos grilhões do corpo empobrecido e se deixou morrer, ali mesmo, na janela.



VIVO OU MORTO

Vivo ele estava; mas morto de saudades.



A COR DA NOITE

O negro olhou desconsolado para o espelho com seus olhos brilhantes. Mas foi o bastante para descobrir encantado que a ELE é que tinham dado a cor da noite.



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AFFONSO RIQUE e a sua "biografia sintética" :
advogado, aprendiz de poeta e de escritor,
cervejista emérito, 72 extraordinárias primaveras,
beirando 71 (faço aniversário ao contrário),
um livro publicado em parceria com Jorge Washington
Cisneiros e Leonardo Dantas intitulado CONTOS
DE NENHUM PUDOR (E COM ALGUM GRACEJO), três livros
no prelo (1 de poesia, 1 de causos, 1 de contos),
tem dois amigos (um morto outro moribundo, pensei
num boca-a-boca mas o bicho é feio demais), tentei
um conto sintético e agora me danei a fazê-los,
moro no Recife.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

"I Concurso Nacional CEPE de Literatura Infantil e Juvenil " : premiação em novembro

Mais de 445 obras, de autores de Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Goiás, Alagoas, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte e Amazonas, estão inscritas no "I Concurso Nacional CEPE de Literatura Infantil e Juvenil" promovido pela Companhia Editora de Pernambuco - CEPE /Secretaria da Casa Civil / Governo de Pernambuco. O volume de inscrições surpreendeu a organização do Concurso, exigindo a prorrogação do prazo da Comissão Julgadora (final de setembro passado), que apresentará o resultado da premiação em novembro próximo.

Os autores concorrem a vários prêmios em dinheiro, num total de 32 mil reais. Os livros premiados darão início a uma coleção especialmente destinada aos públicos infantil e juvenil. O concurso e a nova coleção de livros são uma realização inédita da editora oficial do Governo de Pernambuco.