quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

NATAL NORDESTINO

CANÇÃOZINHA PARA UM MENINO SEM TETO

Maria de Lourdes Hortas

Na avenida maior
um menino e um pardal
tomam banho
num charco de chuva.
Sem telhado que os cubra
deixam-se agasalhar
pelo manto inútil
da minha compaixão
adormecendo ao relento
das estrelas
no chão.

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JESUS NASCE TODOS OS DIAS
(fragmento)

Juareiz Correya

O menino Jesus
não nasceu em Belém
no dia 25 de dezembro.
O menino Jesus
nasce todos os dias
em todas as cidades.

E nem é Natal
quando ele nasce.
Não há estrelas especiais
nos céus
nem governantes
que têm fé
para que milagres se cumpram.
Nem mesmo há Marias
Compadecidas e de coração
iluminados de amor.
Há mulheres com pressa
parindo automáticas
pequenos negativos
da miséria e da dor.
Eles vão crescer
talvez sem infância
sem pão e estudos
e sem condição sequer
de carinho e ternura
entre pais e irmãos.
Não saberão o que é
o Outro, o Próximo,
e que a Humanidade existe,
porque tudo lhes foi negado
desde o dia do nascimento.
O menino Jesus
que é muitos sem nome,
sem teto e com fome,
nem saberá o que é a História
que se repete todos os dias
em que ele será Cristo
sem ser Deus.
(...)

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NATAL 2008

Antonio de Campos


"Ou o socialismo ou a barbárie."
(ROSA DE LUXEMBURGO)


No Natal deste ano
Jesus que todo ano nascia
não mais nascerá -
não mais terá de morrer !

Deixará de ser colocado
sobre palhas em manjedoura,
onde vacas e ovelhas
foram os primeiros a O adorar

Os Três Reis Magos
não virão da Pérsia, atual Irã,
invadido por tropas de outros tios
e principalmente do Tio Sam

Paz na Terra !
os pastores não ouvirão -
a Terra
já dorme em paz

Para sempre é noite de Natal !

Jesus, um mês antes,
voltou nos Estados Unidos
no corpo de um homem
duma raça de oprimidos

O Lobo agora habita com o Cordeiro
e pastam a mesma erva,
as armas de guerra
em pás, enxadas,
e foices foram convertidas

O capital apenas com pão é gasto
e o homem o reparte
para que também
possa comer -

a Árvore da Justiça
dá frutos de paz :
ao mar foram lançadas
as leis da opressão

E do profeta Isaías
que de Deus viu a Glória,
será dito :

nele Deus sonhou
o começo da História !

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(poemas da antologia inédita
NATAL NORDESTINO,
organizada por Antonio de Campos
e Juareiz Correya)




sábado, 13 de dezembro de 2008

CEPE reedita as memórias políticas de Paulo Cavalcanti

A tetralogia de memórias políticas O CASO EU CONTO COMO O CASO FOI, de Paulo Cavalcanti, será relançada nesta segunda-feira, dia 15 de dezembro, a partir das 19 horas, nos jardins do Museu do Estado (Av. Rui Barbosa, Graças, Recife). A reedição da Companhia Editora de Pernambuco-CEPE / Secretaria da Casa Civil / Governo de Pernambuco, "três décadas depois do lançamento do primeiro volume, reafirma a importância do parlamentar, dirigente comunista, advogado, jornalista, historiador e, ao mesmo tempo, personagem da história dos movimentos populares do Estado", informa a CEPE na contracapa do Volume I intitulado Da Coluna Prestes à queda de Arraes.

Considerado um dos mais importantes painéis já produzidos sobre a história política e social brasileira, particularmente do Nordeste, O CASO EU CONTO COMO O CASO FOI, de acordo com as palavras do próprio autor, alcança esta dimensão :

"Na classificação dos estudos históricos, quanto à atitude que se assume diante dos fatos
sociais, pode-se dizer que o relato de 50 anos de reminiscências, contidos neste livro, o inclui entre as obras da chamada história combatente, participante, engajada, com a honesta e confessada paixão pelo heroísmo do povo, homens e fatos pintados com suas cores próprias, quando não em sua rude crueldade."

Militante comunista, preso político, advogado político, promotor público aposentado, ex-deputado estadual e membro da Executiva Nacional do PCB, ex-vereador da Cidade do Recife, nascido em 1915, o escritor pernambucano faleceu, na capital pernambucano, ao completar "80 anos de humanismo e de bom combate".

Com as suas memórias políticas agora reeditadas, Paulo Cavalcanti volta ao convívio do povo pernambucano, sobretudo das novas gerações, contando exemplarmente (O caso eu conto como o caso foi : / o ladrão é ladrão o boi é boi") a história do seu tempo.

Em síntese, o primeiro volume da tetralogia apresenta a infância do escritor; o Estado Novo e os tempos da sua formação universitária; a ascensão das esquerdas em Pernambuco; Arraes, prefeito, governador, e o golpe militar de 1964; e o julgamento de Gregório Bezerra, prisões, torturas e mortes de militantes pernambucanos.




quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

CANTOS DA DEFINITIVA PRIMAVERA, de Sérgio Albuquerque

VIII


Guerreira ausência
de teu corpo moreno
de tua selvagem
vegetação
de continente novo
tua vasta cabeleira verde
teu esqueleto bem desenhado
de praias
teus peixes nítidos
e ágeis como facas líquidas
teu povo miserável
porém alegre
teu povo menino
com todas as nuanças mestiças

aparecendo em cada gesto
em cada entonação de voz
em cada artefato
ou cerâmica construída
tua gigantesca alma
amada e doce

continente de sonho
e infância conjugados

tuas prisões
tua solidariedade inquebrantável
tua quente atmosfera irmã

meu amor
minha América

tecida no canto irmanado
de todos os vegetais
minerais
animais e homens

triste Amerique
douce Amerique
pays de mon enfance

"la desgreñada muchacha"
la loca hija de mis sueños
casa iluminada

portão de ferro

aldeia morta
solidão

tus lunas de plata nueva

tuas selvagens coxas
acariciando minha cintura
coxas firmes e animais

em cada pulsação
tua força incontida de Touro
teu indefinido futuro

cambiante como uma niña
em plena puberdad

os pelos enormes e quentes
de tua continental

costa ensolarada

densidad casta de tus sueños nuevos
tus nervios animales

tua densidade lendária

sou apenas coração

mas isto é suficiente
para te compreender
e amar
mesmo com oceanos nos separando
pois te carrego em cada glóbulo do meu sangue
te bebo em cada gota do meu açúcar
sinto o teu corpo vibrar sob os meus dedos
teu imenso sexo
acariciar o meu.


(São Paulo, 1998).
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Da antologia inédita EM NOME DA AMÉRICA
- Poemas Brasileiros do Século 20

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SÉRGIO ALBUQUERQUE nasceu no Recife (PE), em abril de 1946. Seu pai, o professor
Moacir de Albuquerque, era um estudioso da literatura brasileira, portuguesa e francesa e um crítico literário respeitado. Sérgio publicou o seu primeiro livro de poesia no ano de 1968 - MURAIS DA MORTE ( Recife, Editora Universitária/UFPE). Escreveu artigos de crítica sobre autores brasileiros e estrangeiros publicados em suplementos literários dos principais jornais do Recife. Viajou,muito jovem, para a França, país que considera sua segunda pátria. Seu primeiro texto escrito no exterior, uma novela de vanguarda intitulada IRENE, escrita aos 23 anos de idade, foi publicada no Brasil, em 1974, pela Editora Civilização Brasileira.
Atualmente essa novela está sendo traduzida para as línguas francesa e inglesa. Sérgio Albuquerque publicou ainda os livros SINFONIA (Recife, 1991) e CANTOS DA DEFINITIVA PRIMAVERA (São Paulo, 1998). Deixou inéditos romances, contos e poemas. Faleceu, no Recife, em agosto deste ano de 2008. Era casado com a poetisa Lucila Nogueira, com quem teve três filhas.






terça-feira, 2 de dezembro de 2008

POESIA DE LUIZ DE MIRANDA



SONETO IMPROVISADO PARA JUAREIZ CORREYA


Dou graças de luz por ti e por Palmares,
e palmilho o sonho de quem vive
entre engenhos de amor e arte.
És onde vejo o canto do bemtevi,
os gorjeios de Ascenso e Hermilo
que levam no vento só aquilo
que no coração é pura paixão,
nós noturnos, imensos e lisos
que a brisa alteia do Recife,
e me torna forte no sul a alma
de um jeito que me alucina,
menina de rios e mar sagrado.
Juareiz, leva contigo o abraço
feito de amigo jogado no espaço.

(Porto Alegre, começo da tarde
de domingo, 9 de novembro de 2008).


POEMA DA NOITE

Nada existe do outro lado do mar,
a não ser o azul que sonhamos,
as parreiras densas de algum vinho,
havido nos barris do sonho
e envelhecido na resina espessa
que em nós ensina a solidão.

Ah, coração, solta teus fantasmas,
o que dorme no silêncio mas vibra
antigas cinzas, vidros, espelhos,
paisagens esquecidas, retratos.

Ah, coração, transporta a acidez,
do verão, os utensílios diários da insônia,
o que me silencia os nervos
e arde neste vento de dezembro,
violino enlouquecido.

Nada existe do outro lado do mar
que não sejam velhas cartas,
poemas interminados,
o silêncio das palavras.

Nada existe do outro lado da vida,
animal exposto a visitação pública.
Passageira como nós, que não vai ao mar,
e morre em ais pelos caminhos.


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LUIZ DE MIRANDA nasceu em Uruguaiana (RS), fronteira com a Argentina. Conquistou o Grande Prêmio da Academia Brasileira de Letras (2001), Prêmio Érico Veríssimo / Câmara de Vereadores de Porto Alegre (1988), Prêmio Valores Culturais de las Américas / New York (1985), Prêmio Negrinho do Pastoreio como melhor poeta do Rio Grande do Sul (2005). Seu poema-livro PORTO ALEGRE, ROTEIRO DA PAIXÃO, publicado pela Prefeitura de Porto Alegre, conquistou prêmios literários em New York (EUA) e no Panamá. Tem 27 livros de poesia publicados.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

LIVROS UNEM PERNAMBUCO E RIO GRANDE DO SUL

"Bendito o que semeia / Livros à mão cheia / E faz o povo pensar", proclamava o poeta baiano Castro Alves que poderia, muito bem, nessa bela estrofe do seu poema, após o verso "É chuva que faz o mar", relevar também a união que o livro estabelece entre os homens, Estados e culturas. Este foi o mote da 54a. Feira do Livro de Porto Alegre, que ocorreu de 31 de outubro passado até o dia 16 deste mês de novembro na capital gaúcha. Estado convidado pela Câmara Rio-Grandense do Livro, organizadora do evento, "o valeroso Pernambuco", em artigo do historiador gaúcho Voltaire Schilling, diretor do Memorial do Rio Grande do Sul, publicado no jornal ZERO HORA (sábado, 15 / novembro / 2008), foi assim elogiado : "É esse o Estado e seus homens de letras que a Feira do Livro decidiu homenagear este ano. Nada mais oportuno, nada mais justo." Pessoalmente, o prefeito reeleito da capital gaúcha, José Jogaça, fez questão de reconhecer, no estande de Pernambuco, ao ser presenteado com um exemplar do Álbum de Pernambuco e seus arrabaldes, publicado pela CEPE, a importância de Pernambuco e sua cultura no cenário nacional.

Com a coordenação da Companhia Editora de Pernambuco - CEPE, e o apoio da FUNDARPE, a Secretaria da Casa Civil / Governo de Pernambuco não mediu esforços para tornar esse encontro entre gaúchos e pernambucanos, por meio do Livro, um significativo gesto de união e uma demonstração expressiva da identificação cultural entre dois Estados brasileiros que, embora distantes geograficamente, se irmanam, em suas trajetórias históricas e em seus embates políticos, como escreveu o historiador pernambucano Evaldo Cabral de Mello, lembrado no artigo de Voltaire Schilling.

Na abertura da Feira, o escritor Ariano Suassuna foi aplaudidíssimo com a sua aula-espetáculo NAU e foi também homenageado, ao lado de Gilberto Freyre (retrospectiva "Intérprete do Brasil") com a exposição "Ariano Suassuna : iluminogravuras, desenhos e o alfabeto armorial", no Santander Cultural, dirigido pela pernambucana Liliana Magalhães. As duas exposições, inauguradas no dia 31 de outubro, estão abertas para visitação pública até o dia 15/fevereiro/2008.

No estande de Pernambuco, especialmente montado para exposição/venda de 315 títulos produzidos por mais de 200 autores e publicados por 13 editoras pernambucanas, a produção literária e editorial mais recente e atualizada do nosso Estado encantou os visitantes. Livros vendidos "à mão cheia", presenteados com alegria, doados a bibliotecas públicas, escolares e comunitárias, e o lançamento de 23 títulos, com a presença dos nossos autores, na Praça de Autógrafos, durante os dias da Feira, evidenciaram, para os organizadores, visitantes e a competente e carinhosa Imprensa gaúcha, o valor da produção literária e editorial de Pernambuco.

Citando a inspiradora amizade entre dois notáveis escritores, um gaúcho (Érico Veríssimo) e um pernambucano (Hermilo Borba Filho), Leda Alves, presidente da Companhia Editora de Pernambuco-CEPE, na apresentação do catálogo publicado para distribuição especial na Feira, anteviu tudo isso ao afirmar que "os livros sempre poderão ajudar a diminuir distâncias, aproximando culturas e sedimentando amizades".

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Artigo publicado no DIARIO DE PERNAMBUCO
(Recife, terça-feira, 25 / novembro / 2008).

sábado, 22 de novembro de 2008

O GOOGLE E ESCRITORES PERNAMBUCANOS

Acesse o Google e consulte os nomes dos escritores pernambucanos de ontem e de hoje. Os números são surpreendentes e é possível que, em alguns casos, os escritores tenham mais registros no portal do que leitores... Num primeiro levantamento, oito escritores vivos e sete escritores já falecidos se destacam com os seguintes registros :
MAURO MOTA (1.090.000), MANUEL BANDEIRA (630.000), CARLOS PENA FILHO (398.000), ALBERTO DA CUNHA MELO (258.000), ARIANO SUASSUNA (255.000), TEREZA TENÓRIO (167.000), MARIA DE LOURDES HORTAS (139.000), MARCO POLO GUIMARÃES (124.000), RAIMUNDO CARRERO (100.000), MARCUS ACCIOLY (91.800), JACI BEZERRA (82.000), LUCILA NOGUEIRA (74.800), ASCENSO FERREIRA (53.000), SOLANO TRINDADE (45.000), HERMILO BORBA FILHO (24.900).
Este modesto escriba e blogueiro tem apenas 6.660 registros.

domingo, 16 de novembro de 2008

O POEMA QUE MAIAKOVSKI NÃO ESCREVEU

Um poeta brasileiro tem sido confundido, com frequência, nas quatro últimas décadas, com o poeta russo Vladimir Maiakovski. Os equívocos cometidos, as leituras apressadas, uma provável desatenção e, até mesmo, certo descaso com a produção poética brasileira contemporânea, já produziram interpretações impensadas e informações à beira de um ataque de sandice no meio cultural brasileiro. Comentários e artigos de algumas personalidades, de gente ilustrada e lida, têm reanimado a confusão e perpetuado um erro, no mínimo, culpado por uma séria injustiça que desvaloriza um dos grandes nomes da poesia brasielira particularmente criada na segunda metade do século 20. O poeta em questão é o fluminense Eduardo Alves da Costa, nascido em Niterói (RJ) e, paulistanizado desde os anos 60, reconhecidamente um dos mais expressivos poetas de São Paulo, cidade cuja produção poética é rica também por contar, em sua geração, com nomes da grandeza de um Álvaro Alves de Faria, Alberto Beuttenmuller, Eunice Arruda, Renata Pallottini, Cláudio Willer, Jaa Torrano, Érico Max Muller, Roberto Piva, entre outros. Confundem o seu nome com o de Maiakovski por causa da publicação do seu poema, justamente intitulado "No caminho, com Maiakovski", incluído originalmente no seu livro O TOCADOR DE ATABAQUE, lançado em São Paulo no ano de 1969.
A Editora Nova Fronteira, do Rio de Janeiro, ao publicar a poesia reunida de Eduardo Alves da Costa, em 1985, com o título geral NO CAMINHO, COM MAIAKOVSKI, transcreveu os versos iniciais (que é a única parte conhecida do poema) com esta nota explicativa :
"A autoria deste poema tem sido atribuída, por equívoco, ao poeta russo Vladimir Maiakovski. O poema foi escrito por Eduardo Alves da Costa, em 1964."
Mas, assim mesmo, os equívocos continuaram e continuam por este Brasil desmemoriado afora. Só para exemplificar, de forma bem localizada, cito alguns equívocos cometidos por escritores e jornalistas pernambucanos que conheço.

Há alguns anos, um professor, jornalista e poeta muito bem conceituado e reconhecidamente um erudito, publicou, no Diário de Pernambuco, excelente artigo com a sua revelada e justa indignação sobre o momento político nacional, citando o poema de autoria de... Maiakovski ! Por conhecê-lo e respeitá-lo, quando o encontrei, dias depois, lhe dei a informação sobre o verdadeiro autor do poema e ele, muito educado e consciencioso, me agradeceu a providencial correção. E outro não menos informado e culto jornalista, com coluna no Diário de Pernambuco, escreveu, em 2004, texto crítico muito bem contextualizado sobre a nossa indigente política nacional, citando "as flores do jardim" do poema de autoria de ... Brecht ! (Tem também este alemão na história) Por conhecer pessoalmente o jornalista, enviei comunicação sobre o erro acidental e ele me agradeceu com informação imediata divulgada na sua prestiada coluna. Mas a confusão das identidades dos poetas continuou ainda neste ano de 2007, com a publicação de um artigo corajoso, vigoroso e muito bem escrito, defendendo o Nordeste brasileiro, de autoria de conhecido professor e escritor pernambucano, em um dos jornais diários do Recife, em que Maiakovski, mais uma vez, é enaltecido como autor do poema no qual ele é citado e o autor é o brasileiríssimo Eduardo Alves da Costa.

Nos outros Estados brasileiros os exemplos desse tipo devem se multiplicar... e a clássica história de "quem conta um conto acrescenta um ponto" vai se transformando em algo parecido com "o poeta que é citado num poema acaba se tornando o seu autor".
É preciso que se reconheça a importância de Eduardo Alves da Costa como um dos grandes nomes da poesia brasileira do Século 20. E isso não apenas por ombrear-se ao gigante russo Maiakovski, caminhando ao seu lado e lhe ditando, com o sangue dos seus versos candentes, a alma mestiça da América brasileira pulsando ritmada o seu discursivo e belo poema citado, e, sim, também, pela notável criação plena de verdade e consciência crítica dos seus poemas, a exemplo de "O tocador de atabaque", "A rosa de asfalto", "A cama de pregos", "Ouço ruído de tambores", "Tentativa para salvar a poesia", "Canção para o meu tempo", Sugestões para elaboração de um novo mural na ONU", "Banana split", "Tropas", "Nova presença no mundo" e "Na terra dos brucutus", entre outros, todos (imperdíveis e leitura obrigatória para quem se sente brasileiro e latino-americano) publicados no seu livro NO CAMINHO COM MAIAKOVSKI.

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Transcrito da Revista CONTINENTE
(CEPE, Recife, janeiro/2008).

sábado, 15 de novembro de 2008

NO CAMINHO, COM EDUARDO ALVES DA COSTA

"O poeta fluminense Eduardo Alves da Costa, em 1964, escreveu um poema que equivocadamente tem sido atribuída sua autoria ao poeta russo Wladimir Maiakovski. A poesia diz que na primeira noite eles se aproximam / roubam uma flor do nosso jardim / e não dizemos nada. / Na segunda noite, / já não se escondem : / pisam nas flores, / matam nosso cão / e não dizemos nada. / Até que um dia / o mais frágil deles / entra sozinho em nossa casa / rouba-nos a luz, / e, conhecendo o nosso medo / arranca-nos a voz da garganta / e já não podemos dizer mais nada.
Esta poesia pode ser comparada ao grito sufocado de centenas de cidadãos e cidadãs de cinco municípios do Estado do Mato Grosso do Sul, que foram impactados pelas águas da hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta (ex-Porto Primavera), construída pela Companhia Energética de São Paulo - CESP...

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A sala vai ficando vazia. Com licença poética a Juareiz Correya, pode-se dizer que os ex-ribeirinhos impactados pela CESP continuam "no caminho" , posicionando-se firmes contra a privatização da empresa."


Os trechos transcritos são do artigo "No caminho, com a CESP", de Carlito Dutra, publicado no site www.webartigos.com em fevereiro deste ano. O autor, que é vereador do PV em Brasilândia (Mato Grosso do Sul) e presidente do Instituto Cisalpina, cita o poema "No caminho, com Maiakovski" e faz referência ao artigo "O poema que Maiakovski não escreveu", que publiquei na Revista CONTINENTE (CEPE, Recife, janeiro / 2008). Esse meu artigo foi republicado, por generosidade dos seus redatores, nos blogs JotaMatias.com (jotamatias.wordpress.com) e Glossolalia (glossolalias.blogspot.com).

sábado, 1 de novembro de 2008

1.o PRÊMIO NACIONAL LITERATURA NO CELULAR

Do Instituto Maximiano Campos

"O curador da Fliporto, escritor Antonio Campos, a GOLMOBILE e a Comissão Julgadora agradecem a todos os participantes desta iniciativa inédita no Brasil : tecnologia de ponta
abrindo mais um poderoso canal de veiculação da arte literária. Eis os vencedores desta primeira edição histórica do Primeiro Prêmio Nacional de Literatura no Celular ":

Primeiro lugar
MALU LIMA (Recife - PE) / 81-86870665

Segundo lugar
JUAREIZ CORREYA (Recife - PE) / 81-88973700

Terceiro lugar
MARIA NAZARÉ DE CARVALHO LAROCA
(Juiz de Fora - MG) / 32-88144507

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Acesse o site www.fliporto.net / Festa Literária Internacional
de Porto de Galinhas, Ipojuca, Pernambuco.

Fliporto 2008 : "I Prêmio Nacional de Poesia no Celular"

Reencontrei o vento.
Renasceu do sol, límpido, sereno.
Passou pelo meu corpo e pensamento.
Varreu meu coração com amor.
Veio o arco-íris, levou embora a dor.

MALU LIMA / Primeiro lugar
(Recife - Pernambuco )


A POESIA

Não é verdade a poesia
porque é bela.
A poesia é bela
Porque é verdade.

JUAREIZ CORREYA / Segundo lugar



Meu tempo valsa Chopin em ré bemol maior.
Sessenta aniversários e o presente da dor.
Mas um sol acende a alma :
Tempo de dançar com as estrelas.

MARIA NAZARÉ DE CARVALHO LAROCA /
Terceiro lugar


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Transcrito do site da Festa Literária Internacional
de Porto de Galinhas - FLIPORTO 2008 (www.fliporto.net),
Ipojuca, PE.

domingo, 26 de outubro de 2008

DOIS POEMAS DE MARÍLIA ZENKNER

VIDA-ME

quero um salvo-conduto
rumo ao teu coração
aprender teu dialeto
quero ser o teu lazer
o alvo do teu liame
aprender a te viver.

por que não fazer um poema
se tu existes
e vives solta rindo
por que não fazer um poema
se ando pela casa pela noite
sonâmbula de desejo.

nossas salivas se combinam
ama-me
vida-me.



MENU

quando nossos olhos se cruzaram
estávamos lambendo os ossos de domingo
a espera do segundo prato :
risoto de coração.
quando nos olhamos frente a frente
dente a dente
eu disse : te odeio.
você disse : me passe o sal.


(da revista POESIA, número 10,
Recife, maio/1983)


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MARÍLIA ZENKNER é natural de Porto Alegre (RS), onde vive.
Poemas publicados em várias revistas e jornais brasileiros. Publicou,
em 1980, o livro de poesia OBLÍQUO (edição da autora, Porto Alegre),
com ilustrações de Márcia Cardeal.

sábado, 25 de outubro de 2008

"A PALAVRA DE HERMILO" EM PORTO ALEGRE

Com a reunião de 19 entrevistas concedidas pelo escritor pernambucano Hermilo Borba Filho a revistas e jornais brasileiros, a um jornal português e ao SNT - Serviço Nacional doTeatro, de 1947 a 1976, o livro A PALAVRA DE HERMILO, publicado pela Companhia Editora de Pernambuco-CEPE, em 2007, "é um documento jornalístico que mantém e atualiza a lúcida opinião de um dos escritores brasileiros mais talentosos e prolíficos da segunda metade do Século 20", afirma Juareiz Correya, organizador da obra ao lado de Leda Alves, viúva do escritor. A publicação será um dos primeiros lançamentos realizados pelo Estado de Pernambuco, homenageado, na 54a. Feira do Livro de Porto Alegre, que ocorre na capital gaúcha do dia 31 deste mês ao dia 16 de novembro.
O lançamento do livro A PALAVRA DE HERMILO , domingo, dia 2 de novembro, a partir das 18h30m, será feito junto com dois livros de arte, organizados por Paulo Bruscky, também publicados pela CEPE, e com o livro PAULO BRUSCKY - ARTE, ARQUIVO E UTOPIA, de Cristina Freire. Coordenado pela CEPE, com o apoio da FUNDARPE e da Companhia de Eventos,
será montado um estande especial, para a amostragem da produção literária e editorial do Estado de Pernambuco, com mais de 300 títulos de 13 editoras pernambucanas e ainda serão promovidos lançamentos de livros de duas dezenas de escritores do Estado na Praça de Autógrafos da feira gaúcha.
Prefaciado pelo jornalista Ricardo Noblat, o livro A PALAVRA DE HERMILO é apresentado como um motivo para que seja celebrado um homem "raro, complexo e essencialmente simples, que dizia amar a Deus e respeitar o Diabo", enfatiza Noblat. "Sua obra-prima foi a tetralogia Um Cavalheiro da Segunda Decadência. E seu último romance, AGÁ (1974) , foi o primeiro na história da literatura brasileira a se valer de quadrinhos para contar parte da trama. Foi um visionário", afirma o prefaciador.
Hermilo Borba Filho contou tudo o que sabia e vivia nas suas entrevistas concedidas aos jornais recifenses Jornal Pequeno, Diário da Noite, Jornal do Commercio, Diário de Pernambuco, e Jornal da Semana, aos jornais paulistas A Gazeta, Movimento, ao jornal carioca O Globo, às revistas Ele Ela e Veja e ao jornal português Diário de Lisboa.
O livro preserva e transmite a palavra emocionada, plena de humanidade, de um escritor que foi, com uma coragem exemplar, um artista comprometido com o homem do seu tempo, como ele afirma na sua entrevista, dias antes de sua morte, no Recife, concedida ao jornal O Globo (Rio de Janeiro, junho de 1976) :
"Chegou um momento em que tive de optar e reconhecer que, para mim, chegara a aposentadoria de muitas coisas. Claro que, a princípio, estrebuchei como um desgraçado, mas, aos poucos, numa dura e longa aprendizagem de quatro anos, fui descobrindo coisas formidáveis : a manutenção do amor, o sentido profissional de minha arte, o gosto pelas coisas simples, o papo com os amigos, a ajuda aos jovens. Minha saúde me dá forças para rir, gargalhar, até mesmo ficar alegre neste asfixiante mundo em que estamos. Sabe por quê ? Porque viver, de qualquer maneira, é fantástico."

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

MOVIPOESIA NO "III FESTIVAL DE LITERATURA DE GARANHUNS"

O MOVIPOESIA - Movimento Viva Poesia, do Recife, a convite da UBE-PE (União Brasileira de Escritores-seção de Pernambuco/Casa Paulo Cavalcanti) , participa, nesta semana, do dia 16 ao dia 19/outubro, do III FESTIVAL DE LITERATURA DE GARANHUNS - FLIG, com um recital de poesia, exposição e venda de livros de poetas recifenses do grupo e de poetas convidados do município. Na sexta-feira, dia 17, o MOVIPOESIA debate, em uma mesa redonda, no auditório do Centro Cultural, às 15h30m., "A Poesia Pernambucana nas Ruas", com os representantes dos movimentos Interpoética, Invenção de Poesia, Nós-Pós, Quartas às Quatro; e, à noite, realiza, a partir das 20 horas, um recital aberto na Bodega do Macilon (Rua Pedro Pacífico, Centro, próximo ao SESC de Garanhuns). No sábado, dia 18, à tarde, a partir das 15 horas, o MOVIPOESIA promove atividade na Tenda Carlos Pena Filho, na Praça Guadalajara. Integram o grupo recifense os poetas José Terra, Sílvio Hansen, Rogério Generoso, Jailson Marroquim, Fernanda Jardim, Odmar Braga e Juareiz Correya; de Garanhuns, participam das atividades do MOVIPOESIA os poetas André Luiz de Castro, Helder Herick, Adelmo Camilo e César Monteiro.

O MOVIPOESIA realizou a sua primeira atividade, em setembro passado, no "I Festival Lítero-Cultural de João Alfredo" promovido pela Prefeitura local em parceria com a UBE-PE. No próximo mês, o MOVIPOESIA se apresenta, com os poetas do grupo e mais quatro poetas convidados de Ipojuca, na FLIPORTO 2008 - Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas, que ocorre do dia 6 ao dia 9 de novembro.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

"POESIA VIVA DE SÃO PAULO" VAI HOMENAGEAR ANIVERSÁRIO DA CIDADE

Mais de 80 poetas paulistanos contemporâneos participam da antologia POESIA VIVA DE SÃO PAULO, organizada por Dalila Teles Veras e Juareiz Correya, a ser lançada pela Panamérica Nordestal Editora, em janeiro de 2009, com o apoio do Governo do Estado e de uma empresa de telefonia móvel, em homenagem aos 455 anos de fundação da Cidade de São Paulo. A antologia faz parte da Coleção "Poesia da Cidade" , dessa editora pernambucana que prepara a segunda edição de POESIA VIVA DO RECIFE, organizada por Juareiz Correya (Companhia Editora de Pernambuco, 1a. edição, Recife, 1996) e já lançou também POESIA VIVA DE NATAL, organizada por Manuel Onofre Jr. (1999), em co-edição com a Prefeitura da Cidade de Natal (RN), em homenagem aos seus 400 anos de fundação. Estão em fase de organização as antologias das cidades de Fortaleza, Maceió, João Pessoa, Brasília e Porto Alegre.

A antologia POESIA VIVA DE SÃO PAULO reune mais de 140 textos de poetas paulistanos contemporâneos atuantes na vida literária e cultural da capital paulista, a exemplo de Alberto Beuttenmuller, Álvaro Alves de Faria, Arnaldo Antunes, Aurora Duarte, Caio Porfírio Carneiro, Cláudio Feldman, Cláudio Willer, Carlos Felipe Moisés, Donizete Galvão, Eduardo Alves da Costa, Erorci Santana, Eunice Arruda, Fernando Coelho, Glauco Mattoso, Hamilton Faria, Ieda Estergilda de Abreu, Ilka Brunhilde Laurito, Izacyl Guimarães Ferreira, João Scortecci, Joca Reinners Terron, Jorge Mautner, Luiz Roberto Guedes, Marcelino Freire, Maria José Giglio, Mariana Ianelli, Miguel de Almeida, Neide Archanjo, Nelson dos Reis, Renata Pallottini, Roberto Piva, Rosani Abou Adal, Sérgio Carvalho e Sérgio Galli.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Lançamentos de 22 escritores pernambucanos na "Feira do Livro de Porto Alegre"

Do dia 1.o ao dia 15 de novembro próximo, Pernambuco ocupa lugar de destaque na Praça de Autógrafos da "54a. Feira do Livro de Porto Alegre" (RS), com lançamentos de livros de 22 escritores do Estado. Além da programação desses lançamentos, o Estado de Pernambuco, que está sendo homenageado pela organização da feira gaúcha, expõe, em estande especial, mais de 300 títulos produzidos por 13 editoras locais, e alguns autores fazem palestras e participam, em diversas apresentações, de um projeto especial denominado "Teatro do Texto". A Companhia Editora de Pernambuco - CEPE, com o apoio da FUNDARPE e da Cia. de Eventos, é responsável pela coordenação dos lançamentos e do estande especial.
Estes são os autores pernambucanos que lançam os seus livros na "Feira do Livro de Porto Alegre", de 1 a 15 de novembro deste ano : Homero Fonseca, Juareiz Correya, Leda Alves, Raimundo Carrero, Paulo Bruscky, Edmond Dansot, Jobson Figueiredo, Sylvia Pontual, Ronaldo Correia de Brito, Luiz Arraes, Paulo Santos, Marco Polo Guimarães, Lucila Nogueira, Antonio Campos, Cláudia Cordeiro, Cyl Gallindo, Jessier Quirino, Marcus Accioly, Antonio Botelho, Sílvio Hansen, Vital Correa de Araújo e Luzilá Gonçalves.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A INTERNET GERA SUA PRÓPRIA LINGUAGEM, AFIRMA NELLY CARVALHO, DA UFPE

"A Internet não usa uma linguagem cifrada, mas, diferente, de acordo com o meio recém-criado. É mais do que um agregado de características da fala e da escrita e porque faz coisas que nenhum desses meios faz. Tem que ser vista como uma nova forma de comunicação que gerou sua própria linguagem, com regras exclusivas e não uma escrita anárquica numa visão apocalíptica. Este é um avanço tecnológico cujo alcance não podemos medir, nem projetar."

NELLY CARVALHO
Professora de Letras - UFPE

(Em artigo publicado no "Jornal do Commercio", Recife, agosto / 2008, e transcrito do blog LUCIANO SIQUEIRA - lucianosiqueira.blogspot.com)

CEPE COORDENA ESTANDE COM EDITORAS PERNAMBUCANAS NA "FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE"

Mais de 300 títulos, de 225 autores, produzidos por 13 editoras pernambucanas, serão expostos em estande especial do Estado de Pernambuco, homenageado na "54a. Feira do Livro de Porto Alegre", que ocorre do dia 31 de deste mês ao dia 16 de novembro próximo.
A Companhia Editora de Pernambuco - CEPE, com o apoio da FUNDARPE e da Cia. de Eventos, coordena o estande especial de Pernambuco, com exposição e venda de livros produzidos pela própria CEPE, Comunigraf Editora, Edições Bagaço, Edições Edificantes, Editora Coqueiro, Editora Massangana/FUNDAJ, Editora Universitária/UFPE, Fundação de Cultura Cidade do Recife, Gabinete Português de Leitura de Pernambuco, IMC-Instituto Maximiano Campos, Livro Rápido, Nossa Livraria e Panamérica Nordestal Editora.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

FOLHAS DE WHITMAN, de Juareiz Correya

Há Whitman demais em toda parte
Em todo verso moderno
Em tudo o que escreveu Pessoa
No vôo andino de Neruda
No homoerotismo de Ginsberg
Na rosa do povo de Drummond
No poema obscuro de quem não o leu
Nos poemas de todos os poetas que ainda vão nascer
E muito antes dele existir sobre a Terra
Nos salmos e nos cantares bíblicos
A palavra mais humana de Whitman já existia.


(Recife, 27/setembro/2008).

"Movimento Viva Poesia" no FLIG de Garanhuns

O MOVIPOESIA - Movimento Viva Poesia, do Recife, vai participar, a convite da UBE-PE (União Brasileira de Escritores-seção de Pernambuco / Casa Paulo Cavalcanti), do III FESTIVAL DE LITERATURA DE GARANHUNS - FLIG, DE 16 a 19 deste mês de outubro, com um recital de poesia, exposição e venda de livros de poetas recifenses do grupo e de poetas convidados desse município do agreste pernambucano. Na sexta-feira, dia 17, o MOVIPOESIA vai ao encontro de estudantes em um colégio ou faculdade local, e, no sábado, à tarde, promove atividade em uma das tendas montadas na Praça Guadalajara.

O MOVIPOESIA participou, em setembro, do "I Festival Litero-Cultural de João Alfredo", realizado pela Prefeitura local em parceria com a UBE-PE. No próximo mês, o MOVIPOESIA se apresenta, com os poetas do grupo e mais quatro poetas convidados de Ipojuca, na FLIPORTO 2008 - Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas, que ocorre do dia 6 ao dia 9 de novembro.

Os poetas pernambucanos José Terra (Palmares), Sílvio Hansen (Paulista), Rogério Generoso (Recife), Jailson Marroquim (Recife), Fernanda Jardim (Recife), Odmar Braga (Paulista) e Juareiz Correya (Palmares) integram o grupo do MOVIPOESIA.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

PERNAMBUCO HOMENAGEADO NA "FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE"

A Companhia Editora de Pernambuco-CEPE, com o apoio da Fundarpe e da Cia. de Eventos, coordena um estande especial de Pernambuco na "54a. Feira do Livro de Porto Alegre", que ocorre de 1 a 16 de novembro na capital gaúcha. Livros de 19 editoras pernambucanas estarão expostos e à venda, totalizando mais de 400 títulos pernambucanos produzidos e, durante 15 dias da Feira, vários escritores pernambucanos lançarão seus livros, publicados recentemente,
na Praça de Autógrafos do evento. Além da CEPE, expõem os seus livros a Academia Pernambucana de Letras, Comunigraf Editora, Edições Bagaço, Edições Edificantes, Edições Rubroveio, Editora Coqueiro, Editora Massangana/FUNDAJ, Editora Universitária / UFPE, Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho, Fundação de Cultura Cidade do Recife, Gabinete Português de Leitura de Pernambuco, Instituto Maximiano Campos-IMC, Instituto Miguel Arraes - IMA, Livro Rápido, Novo Estilo Edições do Autor, Panamérica Nordestal Editora e a União Cordelista de Pernambuco-UNICORDEL.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Revista "Literatura em Cordel" lançada no Recife

Crônica de Luciano Siqueira, contos de Juareiz Correya e Luiz Arraes, poemas de Fernanda Jardim, Jailson Marroquim, José Terra, Odmar Braga, Rogério Generoso e Sílvio Hansen, seção especial com a poetisa luso-brasileira Maria de Lourdes Hortas e uma homenagem ao centenário de nascimento do poeta pernambucano Solano Trindade ( nascido no Recife em 1908), além de um desenho inédito do multi-artista Paulo Bruscky. É o primeiro número da revista Literatura em CORDEL, a ser lançada pela Panamérica Nordestal Editora (panamerica.nordestal@oi.com.br), do Recife, na última semana deste mês de setembro.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

"MOVIMENTO VIVA POESIA" EM JOÃO ALFREDO

O MOVIPOESIA - Movimento Viva Poesia, do Recife, vai participar, com a UBE-PE (União Brasileira de Escritores - seção de Pernambuco / Casa Paulo Cavalcanti), do "I Festival Lítero-Cultural de João Alfredo", no próximo dia 5 de setembro, com um recital de poesia, exposição e venda de livros dos poetas recifenses do grupo e de poetas convidados do município. Organizado por Juareiz Correya, José Terra, Sílvio Hansen, Rogério Generoso, Jailson Marroquim, Fernanda Jardim e Odmar Braga, o MOVIPOESIA apresenta um recital desses autores com a participação de Denízio Elias Junior, Ezequiel Cordeiro, Lenildo dos Santos Silva e Mônica Rodrigues de Melo, poetas convidados de João Alfredo.

O recital e a exposição dos livros do MOVIPOESIA ocorre durante a manhã, em encontro com professores e alunos do município. À tarde, a Prefeitura de João Alfredo e a UBE-PE promovem Oficinas de Artes Plásticas, Artesanato, Contação de Histórias, Criação de Poesia e Bate-Papo de Cordel, além da apresentação de grupos folclóricos do município e de um show musical.

Na última semana de setembro os poetas do MOVIPOESIA lançam, no Gabinete Português de Leitura de Pernambuco, a revista Literatura em CORDEL, reunindo trabalhos de um cronista, dois contistas e seis poetas, destacando-se também uma seção que releva um autor pernambucano consagrado e uma homenagem especial ao centenário de nascimento do poeta Solano Trindade, nascido no bairro de São José, do Recife, em julho de 1908.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

O APOLO, HERMILO, ARRAES E EDUARDO

O Teatro Cinema Apolo, de Palmares, fundado em 1914 - o teatro mais antigo do interior do Estado -, sede da Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho, será reaberto, no próximo mês de setembro, devidamente restaurado e reformado pelo Governo do Estado de Pernambuco, com investimentos, de aproximadamente 1 milhão e 300 mil reais, provenientes do PROMATA - Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Zona da Mata de Pernambuco. Trata-se de decisão exemplar do governador Eduardo Campos, quando, em julho de 2007, em Palmares, autorizou os serviços com a seguinte afirmativa : "Cultura é uma prioridade deste governo. Conheço bem a importância da recuperação deste teatro, que é um símbolo da cultura local e marcou a vida de tantos homens e mulheres moradores da Terra dos Poetas e da região." (Diário Oficial de Pernambuco - Recife, 21 de julho de 2007).

O empreendimento do PROMATA, na verdade, deveria ter sido realizado a partir do ano de 2004, visto que, em um trabalho notável, realizado durante todo o ano de 2003, a Comissão de Cultura do PROMATA-Palmares (único município de toda a Mata a criar uma Comissão de Cultura) fez aprovar, no PIM - Plano de Investimento Municipal, o projeto de "Restauração e Reforma do Teatro Cinema Apolo". O benefício direto a ser feito pelo governo do Estado ao primeiro teatro, em importância histórica, do interior, e o terceiro, do Estado de Pernambuco, está devidamente registrado na documentação produzida pelos técnidos do PROMATA-Palmares e no Informativo "Rio Una" da própria Fundação Hermilo (Palmares, 2003), evidenciando, como já afirmamos, o importante trabalho realizado pela Comissão de Cultura do PROMATA-Palmares formada por escritores, professores, artesãos, artistas plásticos, cênicos, músicos e compositores do município. Isto é verdade histórica.

O então governador do Estado, nesse período, não moveu uma palha para que isso fosse feito. Mas a vontade política, a visão superior e o gesto de autêntico estadista do atual governador fizeram com que essa conquista definitiva da comunidade cultural dos Palmares e de toda a região Mata Sul de Pernambuco pudesse ser alcançada.

A História se repete e é ainda melhor. O gesto do atual governador lembra, perfeitamente, e reacende na memória de todos o permanente compromisso nunca adiado e sempre renovado do seu avô - o eterno governador Miguel Arraes, que patrocinou, em 1998, uma reforma do Teatro Cinema Apolo - com a Palmares do povo que ele conheceu e respeitou. Compromisso naturalmente extensivo a toda a nossa Região Mata Sul, "a mais bela e mais trágica região do Nordeste", como bem sentenciava Hermilo Borba Filho, patrono da instituição que completa, neste mês de julho, o seu jubileu de prata. Uma instituição que, em futuro próximo, poderá se transformar em Fundação Regional Hermilo Borba Filho, mantida pelo governo do Estado em consórcio com os municípios da região, pois, à luz do espírito criador do seu patrono, promoverá, concretamente, ações que desenvolverão a cultura artística de toda a região Mata Sul de Pernambuco.

(Artigo publicado no DIÁRIO DE PERNAMBUCO -
quinta-feira, 31 de julho de 2008).

segunda-feira, 28 de julho de 2008

O QUE OS NOSSOS GOVERNANTES LÊEM ?

"A língua, como também a literatura, são coisas bem mais antigas, invencíveis e duráveis que qualquer organização social.

Eu não clamo a substituição do Estado por uma biblioteca - ainda que eu tenha tido essa idéia mais do que uma vez - mas estou convencido que se nós escolhessemos nossos governantes baseando-nos em suas leituras, mais do que em seus programas políticos, haveria bem menos infelicidade sobre a terra."


JOSEPH BRODSKY
(São Petersburgo, Rússia, l940/
Nova Iorque, EUA, 1996).
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(Do discurso pronunciado na cerimônia do "Prêmio Nobel de Literatura 1987",
em Estocolmo, Suécia).

sexta-feira, 25 de julho de 2008

"PERNAMBUCO" publica antologia de novos escritores

O caderno "Saber +", do Suplemento Cultural PERNAMBUCO (CEPE, Recife, julho/2008), que circula encartado no Diário Oficial de Pernambuco e é distribuído especialmente para os novos assinantes da Revista CONTINENTE MULTICULTURAL, lança, pela primeira vez, na história do Suplemento, uma antologia de novos escritores pernambucanos. Segundo o escritor Raimundo Carrero, diretor
do PERNAMBUCO, o suplemento reuniu "escritores que representam a literatura pernambucana no Século 21, priorizando não exatamente o conceito de uma nova estética, mas o princípio da idade - entre 18 e 30 anos -, e ainda selecionando aqueles que começaram a construir a obra através de publicações mínimas. Ou seja, em zines, coletâneas, blogs, e-mails e sites."

Estão presentes na antologia os poetas Diego Raphael, Conrado Falbo, Bruno Candéas, Fábio de Andrade, José Terra, Marilena de Castro, Sérgio Leandro, Luiz Marcelo, Luciano Nunes, Yuri Bruscky; e os contistas Mário Lins, Adelaide Ivanova, Cristhiano Aguiar, Thiago Corrêa, Artur Rogério, Thiago Pininga, Joana Rozowykwiat, Priscila Varjal, Flávia de Gusmão, Thiago Soares, Fernando Mendonça, Marcos Toleto, Ney Anderson.

O caderno "Saber +" é dirigido pela jornalista Marilene Mendes. Fazem parte também da equipe do Suplemento PERNAMBUCO os jornalistas Schneider Carpegianni, Mariza Pontes, Gilson Oliveira, Jaíne Cintra e Militão Marques.

CASA GRANDE & SENZALA, de Ascenso Ferreira

O Barão chegou
da côrra diária dos canaviais !

O pajem Joaquim,
apeou-se ligeiro,
sustentando os loros
com estribos de prata
da cela do Barão !

O Barão subiu
e, do alto do terraço,
espraiou o olhar
que não alcançou terras
que não fossem suas !...

Deitou-se na rede
rodeado de escravos
para tirar as botas
das pernas do Barão.
Adormeceu.

Daí a pouco acordou aos berros.

- Susana ! Ô Susana !
- Susana, meu Sinhô,
está lá no fundo do quintal
estendendo roupas...

- Passe a voz !

A voz foi passada e Susana chegava.

- Apanhe aqui este lenço
que caiu no chão !

O fartum da mulata
entrou-lhe pelos gorgomilos,
anulando-lhe os projetos
de abstinência cristã.

Nove meses depois,
com a casa cheia de "comadres"
passando as vezes,
nascia o menino "Banta",
primeiro filho
da prole ilegítima do Barão.

- Benedita !
Ô Benedita, cadê Susana ?
- Dona Susana está lá em cima,
Sinhô Barão,
aprendendo com seu Vigário
um tal de francês...
- Passe a voz, negra sem-vergonha !


___________________________________________
(Página LETRAS&LEITURAS,
Caderno Folha 2 / FOLHA DE PERNAMBUCO,
Recife, 12 de maio de 1990).

quinta-feira, 17 de julho de 2008

POESIA DE JUAREIZ CORREYA NA REVISTA "CONTINENTE"

LIMITES URBANOS


A insegurança bate à tua porta
Como uma venda lotérica
Um anúncio de jornal
Ou um pedido de pão.

A rua te assalta
Com postes acesos
À luz do dia
E as casas não te encontram
Portas não te abraçam
Janelas não te vêem.

Ônibus e carros buzinam
Estragos desenfreados
Sobre os nervos do teu medo.

Estás só como ninguém
Crucificado na paisagem
Desaparecido na vertigem
Do passeio da tua casa à cidade
Sozinho como uma multidão cega
Perdido no teu próprio sequestro
Sem resgates ou exigências
Como um número que não conta
Um nome que não existe.




UMA MULHER MADURA


Uma mulher madura
É uma mulher inteira.
Mais certa. Mais ela mesma.
Não é fruta, só macia carne,
Promessa de fantasia;
É um corpo na medida
De vida mais verdadeira.
Uma mulher madura
Não olha apenas, vê;
Não fala apenas, diz;
Não nega nunca um sim
E sabe sempre ser.
Uma mulher madura
Não quer ser a ideal
Ou a qualquer mulher igual :
Sabe que é essencial.
Uma mulher madura
Completa o homem no mundo
E quando o corpo desnuda
Dá alma à própria Vida
E é o princípio de tudo.


(do livro inédito POEMAS DO NOVO SÉCULO).

Publicação da Revista CONTINENTE MULTICULTURAL /
CEPE - Companhia Editora de Pernambuco,
Recife, julho / 2008.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

ASCENSO, O NORDESTE EM CARNE E OSSO (1)

Texto de Juareiz Correya


Nestes primeiros dias de maio, acontece o aniversário de nascimento (95 anos) e de morte (25 anos) do poeta Ascenso Ferreira. O poeta nasceu em Palmares (PE), no dia 9 de maio de 1895 e faleceu, no Recife, no dia 5 de maio de 1965. Homenageamos a vida e a obra de Ascenso Ferreira. Publicamos também "Casa Grande & Senzala", último poema publicado em vida pelo autor ("O Cruzeiro", abril, 1965).


...................................................

Aníbal Torres seria apenas "o filho da professora metido a poeta", na cidade pernambucana dos Palmares, onde nasceu e viveu até os 20 anos de idade escrevendo sonetos parnasianos. Mas Ascenso Ferreira, como passou a chamar-se, quando decidiu mudar o nome de batismo - que passou a ser Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira -, iria crescer para além dos limites de Palmares, na Zona da Mata Sul de Pernambuco, e se tornar um poeta de dimensão nacional, traduzindo, em carne e osso,o Nordeste, ao invadir, com a sua voz original, o Modernismo brasileiro.

A sua ascensão, que atravessou décadas de forma progressiva, parece ter sido original e unicamente prevista por ele, ao adotar o novo nome - Ascenso -, identificação fácil e própria para, com o sucesso e a popularidade, virar simplesmente, ASCENSÃO, apelido carinhoso perpetuado entre conhecidos e amigos.

O poeta era mais do que um cantor da sua terra, o Nordeste. Era o verdadeiro menestrel moderno, símbolo de tempos novos, anti-modelo, anti-artista, de vozeirão e tipo assombroso, uma figura avantajada em todos os sentidos, mais retrato de senhor-de-engenho abastado do que de boêmio e poeta popular, que reinventou a poesia do Nordeste, ao escrevê-la e recitá-la. À frente do seu tempo, Ascenso foi o primeiro poeta brasileiro a gravar os seus poemas em disco, e também um precursor da geração-mimeógrafo, dos poetas marginais, alternativos e independentes : ele mesmo vendia, de mão em mão, os seus livros e discos.

Ascenso foi uma espécie de santo de casa que fez milagre, até ele mesmo reconhecia isto. Pernambuco, o Nordeste e vários Estados brasileiros tiveram o privilégio de conviver com a sua figura mítica e desmistificadora, um poeta autêntico, verdadeiramente importante, sem pose e posses, e sem qualquer frescura. Ainda hoje seu nome e sua vida têm sabor de lenda, e sobre ele se contam e recontam as mais incríveis, engraçadas e absurdas histórias. Lírico, folclórico, piadista, mulherengo, grosseiro, ingênuo, político, menestrel, provinciano, cabra de engenho, cosmopolita, catimbozeiro, dançarino, depravado, amigo, companheiro, doce, irmão, chapa de Juscelino, Getúlio e Arraes, comerciante, camelô de poesia, comedor e bebedor, grande, graúdo (só não entrou no céu por causa do tamanho), Ascenso, Ascensão. O homem e a obra foram eternamente a mesma coisa. Ascenso era, mais do que ninguém, ele mesmo. Outro como Ascenso, diria a sua companheira, Maria de Lourdes Medeiros, lembrando o que foi dito em relação a Chopin (de que só nasce um Chopin de cem em cem anos) "vai custar muito mais de cem anos pra nascer".


(Em LETRAS & LEITURAS, caderno Folha 2, da "Folha de Pernambuco",
Recife, sábado, 12 de maio de 1990).

quinta-feira, 10 de julho de 2008

O JORNAL, O RÁDIO OU A INTERNET ?

Texto de Juareiz Correya


A clássica questão (o ser ou não ser do quem veio primeiro ? o ovo ou a galinha ? ) tem mais ingredientes hoje em dia. Sim, qualquer um sabe, esta é mesmo a sequência natural da invenção humana : o jornal, o rádio a internet. Mas o que me pergunto (e repasso a questão para você, leitor, ouvinte, internauta) é, de forma objetiva e direta, o seguinte :

O que veio primeiro ? A página literária LETRAS & LEITURAS do jornal "Folha de Pernambuco", do Recife, que publiquei durante alguns meses em 1990/1991; o programa de de rádio LETRAS & LEITURAS, da jornalista paulista Mona Dorf, veiculado pela Rádio Eldorado FM, do grupo jornalístico "Estadão", desde 2007, e também na Internet (www.letraseleituras.com.br), no site da Rádio Eldorado e no jornal ESTADÃO (www.estado.com.br); ou este blog LETRAS&LEITURAS (letras-leituras.blogspot.com), publicado no Blogger, do Google, desde abril deste ano de 2008 ?

Talvez a questão seja outra... mas aí vamos voltar para a invenção da roda ou examinar o sexo dos anjos... E, para melhor juízo dos leitores/ouvintes/internautas, vale a pena esclarecer :

1 ) A página LETRAS & LEITURAS, da "Folha de Pernambuco", publicou, semanalmente, de 1990 a 1991, poemas, contos, depoimentos de autores pernambucanos e nordestinos, em sua maioria ( textos de Ascenso Ferreira, Carlos Pena Filho, Eduardo de Lucena, Romildo Gouveia Pinto, Paulo Santos, Bartyra Soares, Antonio Madureira, João Olímpio Porciúncula, Reginaldo Veloso, Augusto Ferraz, Waldemar Lopes, Vital Correa de Araújo, Jaci Bezerra, Francisco Miguel de Moura, Sérgio Albuquerque, Arnaldo Tobias ),de alguns brasileiros (Julieta de Godoy Ladeira, Oswald de Andrade, Cristovam Buarque ) e até de estrangeiros (Ievegueni Ievtuchenko, Vaclav Havel, Henry Miller, Ernesto Sábato);

2) O programa LETRAS & LEITURAS, de Mona Dorf, veiculado na Rádio Eldorado FM, de São Paulo, diariamente no ar desde março de 2007, e, na Internet, divulga entrevistas com escritores, jornalistas, livreiros, editores, artistas, profissionais liberais, leitores/ouvintes anônimos, sobre "livros e suas leituras" (já entrevistou Cláudia Costin, Eveliyn Berg Iochpe, Nicole Borger, Cristina Carvalho Pinto, Noemi Gerbelli, Jorge Forbes, André Sturm, Ilena Casoy, Andréa Bassit, Regina Echeverria, Carolina Kotsho, Célia Sakurai, Ricardo Ohtake, Carlos Alberto Silva e Zeca Camargo, entre outros);

3) Este blog, o seu LETRAS&LEITURAS,na Internet desde abril/2008, retoma, em boa parte, o formato da página do jornal recifense "Folha de Pernambuco", divulgando poemas
(Sandra Silveira, José Terra, Juareiz Correya) e, mais jornalístico, informações sobre blogs, sites, escritores, livros e eventos culturais (a indústria pirata de livros, CDs e DVDs, Paulo Coelho pirateando ele mesmo, Mário Souto Maior e o palavrão brasileiro, Ascenso Ferreira, Homero Fonseca e a Revista Continente, Congresso de Poetas del Mundo no Nordeste, Blog "Poesia Viva da Cidade" no Comunique-se, "Invenção de Poesia" no Banguê, Centenário de Nascimento de Hermilo... )

sexta-feira, 4 de julho de 2008

2017 : CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE HERMILO

Empenhados na divulgação e valorização da obra do ficcionista, dramaturgo, encenador, professor universitário, ensaísta, jornalista e animador cultural pernambucano Hermilo Borba Filho - nascido em Palmares, PE, em julho de 1917, e falecido no Recife em junho de 1976 -, os pernambucanos Leda Alves (atriz, administradora de cultura), Luís Augusto Reis (professor universitário, ensaísta e dramaturgo), Cristiano Ramos (jornalista, crítico literário e comunicador de televisão) e Juareiz Correya (poeta, ficcionista, editor e blogueiro), já estão trabalhando, no Recife, para a realização da programação cultural do CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE HERMILO que ocorrerá em 2017.
Por que tanta antecipação ?
Muita coisa vai acontecer nos próximos anos, mas, para "os hermilianos" apaixonados e sonhadores (tem mais gente de qualidade nessa história), como diz a própria Leda Alves, esta é, com certeza, a mais certa. A motivação é lógica : as comemorações do 90o. Aniversário de Nascimento de Hermilo Borba Filho, de julho a dezembro de 2007, em Pernambuco, foram, simplesmente, um sucesso. Livros de e sobre Hermilo publicados, artigos e reportagens em jornais e revistas de Pernambuco e de outros Estados brasileiros, palestras, colóquios, seminários, apresentações teatrais e musicais, exposições de arte e de documentos, exibições de filmes e programas televisivos,homenagens em eventos culturais e até do Governo Brasileiro, em encontro do Ministério da Cultura realizado em Belo Horizonte (MG), tudo aconteceu de significativo e bom.
Mas isso ainda é pouco, há muito o que fazer para se festejar Hermilo, acreditam "os hermilianos". E a festa do CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE HERMILO será ainda maior e melhor durante todo o ano de 2017.

terça-feira, 1 de julho de 2008

"INVENÇÃO DE POESIA" NO BANGUÊ

O grupo "Invenção de Poesia", com atuação destacada, há alguns, na Biblioteca Popular de Casa Amarela, participa da segunda edição do VIVA POESIA NO BANGUÊ, sábado, dia 12 deste mês de julho, a partir das 3 horas da tarde. Os poetas pernambucanos Rogério Generoso, Sílvio Hansen, Antonio Botelho, Vanessa Sueidy, Altair Leal e Nivaldo Lemos apresentam um recital de poesia, com a participação especial de Vital Correa de Araújo, presidente da UBE-PE, na rodada cultural que conta também com uma exposição de serigrafias e cartões de pintura do artista plástico Cloves Accioly Lins. Uma mesa de cordéis, livros, fanzines, jornais e revistas dos poetas programados, em exposição e venda, completa a programação. Os poetas Juareiz Correya e José Terra coordenam o projeto com o apoio cultural da Fundação de Cultura Cidade do Recife / Prefeitura do Recife.
No VIVA POESIA NO BANGUÊ, a poesia de hoje está bem servida à mesa da melhor tradição pernambucana, representada na "rodada de degustação" da comida e da bebida já famosas, no Recife, do Bar e Restaurante Banguê (Casa 20, Pátio de São Pedro, São José, Recife, PE). Mais informações pelos telefones (81) 30720346 e 88065692.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

LINK DO "LETRAS&LEITURAS" NO BLOG DO "OPINIÃO PERNAMBUCO"

O blog SEXTA CULTURAL (www.sextacultural.zip.net), do programa televisivo "Opinião Pernambuco" / TV Universitária / UFPE, produzido no Recife, mantém este blog (letras-leituras.blogspot.com) na sua relação de blogs-parceiros ao lado dos blogs CAFÉ COLOMBO (www.cafecolombo.com.br), REVISTA CRISPIM (www.revistacrispim.com/blog), CONTINENTE MULTICULTURAL (www.continentemulticultural.com.br), HOMERO FONSECA (www3.interblogs.com.br/homerofonseca), RUA DO PADRE INGLÊS (www.ruadopadreingles.blogspot), ESTUÁRIO (www.estuario.com.br), COQUETEL MOLOTOV (www.coquetelmolotov.com.br), VACATUSSA (www.vacatussa.com), 2PTOS (www.doispontos.art.br) e ANGÚSTIA CRIADORA (angustiacriadora.blogspot.com).
A arte e o engenho de tudo isto é do jornalista pernambucano Cristiano Ramos, redator do blog e também âncora do programa televisivo "Opinião Pernambuco".
"É um modo que utilizamos para usar da audiência do veículo TV para divulgar iniciativas dos amigos batalhadores da cultura local", diz Cristiano Ramos sobre essa parceria, esse coletivo de blogs pernambucanos com o blog do segmento de cultura do programa "Opinião Pernambuco".

quinta-feira, 19 de junho de 2008

CONGRESSO DO MOVIMENTO "POETAS DEL MUNDO" PODERÁ SER REALIZADO NO RECIFE EM 2009

Os organizadores do Primeiro Congresso do Movimento Poetas del Mundo (www.poetasdelmundo.com), idealizado e dirigido pelo poeta chileno Arias Manzo, podem chegar à conclusão de que será melhor mudar o local de sua realização e adiá-lo para o próximo ano. O Congresso, já denominado "Um mar de poesia e paz", seria realizado em Natal (RN), no último mês de maio, e foi adiado em tempo para o próximo mês de agosto. Motivo : os problemas considerados uma calamidade pública que a "Cidade do Sol" passou a vivenciar nos últimos meses.

"As coisas em Natal vão de mal a pior", comentam, os organizadores, por e-mails enviados aos membros do Movimento Poetas del Mundo no Brasil.

As notícias recentes anexadas aos e-mails não são nada animadoras. "Dengue atinge 162 cidades com total de 28.468 casos", é uma das manchetes da edição online do jornal TRIBUNA DO NORTE (Natal, 13/06/2008). "Os mais de 240 milímetros de água que caíram em Natal no domingo passado continuam deixando um rastro de devastação na cidade", informa a reportagem do TRIBUNA DO NORTE.

Por força disso, poetas que participam, no Brasil, do Movimento Poetas del Mundo, têm se corrrespondido, por e-mail, nos últimos dias, com sugestões sobre a mudança da data e do local de realização do Primeiro Congresso do Movimento Poetas del Mundo, que já congrega mais de 3.300 poetas da América, Europa, África, Mundo Árabe, Ásia e Oceania.

A poetisa Tereza Neumann Ferreira de Assis escreveu, no dia 13 de junho, para a poetisa Delasnieve Daspet, embaixadora para o Brasil do Movimento Poetas del Mundo : "Sou da opinião de que o Congresso do Poetas del Mundo mude para 2009 ou mude de Estado." No mesmo dia Delasnieve respondeu : "Estou pensando nisso, de verdade, Tereza. Mudar de Estado. Espero uma solução de Natal o quanto antes... Carro parado não ganha frete, não é ?" De Pernambuco, ainda no dia 13 de junho, o poeta Milvo Rossarola enviou este e-mail : "Concordo com a situação calamitosa de Natal e me solidarizo com meus colegas potiguares. Primeiramente a data deve ser modificada. Em segundo, mudar o local pois acredito que, infelizmente, Natal não tenha condições de receber o evento este ano. Como sugestão de novo local, indico a minha cidade, Recife, que, com o tempo hábil, poderá receber o Congresso." Imediatamente, o poeta Ademir Braz postou este e-mail : "Caros / as : Por que não em Belém do Pará, uma bela e exótica cidade ? Venham conhecer a Amazônia antes que acabe !..."

No dia seguinte, 14 de junho, escrevi para a embaixadora do Movimento : "Prezada Delasnieve Daspet : A sugestão do Milvo Rossarola, de transferência do Congresso para o Recife, é objetiva e boa. O Recife tem muita condição de realiza-lo. E, sobre a sugestão da Tereza Neumann, de realização no próximo ano, mais objetividade ainda. Moral da história : o Movimento Poetas del Mundo participa do FLIPORTO, neste ano de 2008, e reapresenta o projeto do Congresso para realização, no Recife, em 2009. E VIVA NATAL, A TERRA DO SOL !" (Juareiz Correya). No mesmo dia, Delasnieve Daspet respondeu : "Juareiz - é verdade. Se Natal não pode realizá-lo, pelo que diz Deth Haak ( poetisa potiguar que participa da organização do Congresso) então vejamos as alternativas. Pernambuco tem todo o perfil pelo trabalho que já realiza."

terça-feira, 17 de junho de 2008

"POESIA VIVA DA CIDADE" NO COMUNIQUE-SE

Escrevo no blog-se.com.br, do portal COMUNIQUE-SE, onde publico o blog POESIA VIVA DA CIDADE (www.jcorreya.blog-se.com.br), para a divulgação permanente de textos poéticos e de outros textos (contos, crônicas, confissões) sobre as cidades brasileiras, destacados de antologias, livros, revistas, jornais, sites e blogs. Também publicarei textos inéditos enviados por e-mails acompanhados de notas biobibliográficas. O espaço, como as cidades, está aberto.
Acessem o blog POESIA VIVA DA CIDADE e conheçam estes poemas/poetas já postados :
PASSAGEM NA POENTE (Juareiz Correya), RECIFE (Abel Menezes Filho), SONETO AO RECIFE (Alberto Lins Caldas), POEMA PARA NATAL EM FESTA (Dorian Gray Caldas), MARCO ZERO (Maria José Giglio), IDENTIFICADO RECIFE (Juareiz Correya), RECIFE (Adriana Perruci), A RUA DO RIO / PALMARES (Ascenso Ferreira), A PRESENÇA DOS ESTORVOS (José Terra), FAMILARIDADE (Fernando Monteiro), ST. LOUIS STREET (Alberto Beuttenmuller), BANDEIRIANA (Gilson Oliveira), CANTO A MINHA CIDADE (Luiz Alberto Machado), CANTO DE AMOR À PRAIA DO MEIO (Clotilde Tavares), VISÃO DE OLINDA E RECIFE (Liana Mesquita), SP e SOTAQUES (Izacyl Guimarães Ferreira).

(JUAREIZ CORREYA)

domingo, 1 de junho de 2008

VIVA POESIA NO BANGUÊ

Os poetas pernambucanos Fernanda Jardim e Jailson Marroquim (Recife), Fernando Chile (Olinda), Joel Marcos (Cabo), José Terra (Palmares) e Odmar Braga (Paulista), participam da primeira rodada cultural doVIVA POESIA NO BANGUÊ, sábado, dia 14 deste mês, a partir das 10 horas da manhã. O recital poético conta com a participação especial do poeta Abraão Batista, do Juazeiro do Norte (CE), que incentivou a realização desse projeto desde o dia em que realizou, em um sábado, no Bar e Restaurante Banguê (Pátio de São Pedro, Centro, Recife), o lançamento do seu livro A ANATOMIA DO FREVO. O poeta e editor Juareiz Correya é responsável pela coordenação do projeto.

O VIVA POESIA NO BANGUÊ, a partir deste mês, será realizado no segundo sábado de todo mês, sempre no mesmo horário. A programação promove uma rodada cultural, com recital de poesia, música, teatro, exposição de arte, mesa de livros, revistas, jornais, fanzines e cordéis dos poetas participantes e uma rodada de degustação dos bons pratos já conhecidos do Banguê. "É a poesia de hoje bem servida à mesa da melhor tradição pernambucana", assegura o coordenador.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

POEMAS DE JOSÉ TERRA

ESTAÇÃO SAGITÁRIO

Inauguro o fogo
Por uma hélice de luz
E por um rascunho de mulher


CARREIRA LITERÁRIA

Escreveu 3 livros de poemas
Publicou uma antologia
E morreu de cachaça no Mercado da Boa Vista


INDIGESTÃO NATALINA

Ainda que a humanidade
Insista em me vestir de cinza
Com todas as traças

Eu subverto todos os dezembros
Numa ceia de versos
Ao lado do menino Jesus


(Recife, 2008).

quinta-feira, 29 de maio de 2008

3 POEMAS DE JUAREIZ CORREYA

LINGUAGEM

Não me falem, poetas,
Da arquitetura do verso,
Da forma perfeita da palavra,
Da poesia como um tributo à Língua.

E de purismo
Fonte poética
Mensagem... estética...
Ou qualquer besteira acadêmica.

Os versos de verdade
São palavras destroçadas
E a liberdade não cabe
Em medida nenhuma
Como o grito bárbaro
Que o coração proclama :
Uma pátria sem fronteiras
Todas as desordens instituídas
E uma solidão de terra devastada
No rosto da nossa humanidade.



ALMA BRASILEIRA

para a poetisa luso-brasileira
Maria de Lourdes Hortas.


Que alma tens
Que chora saudade
À mesa ?
- Portuguesa.

Que alma és
Que gritas rubra
E te ufanas
da pobre nobreza ?
- Negra africana.

Que alma
Vive em ti,
Ainda, humana ?
- Índia americana.



BOCA PINTADA NÃO DIZ NADA

Vou apagar a tua boca,
disse o poeta, com raiva
do batom vemelho da Avon
e de todas as fábricas de cosméticos
que alteravam a beleza natural
da sua mulher :
Queria a sua boca
clara límpida nua pele macia
sexo desenhado no rosto alvo
de vermelho apenas o sangue
aflorado nos lábios
anunciando a língua em fogo
e suas promessas de prazer.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

PRIMEIRO CONGRESSO DE POETAS DEL MUNDO NO NORDESTE : "UM MAR DE POESIA E PAZ"

O Movimento Poetas del Mundo, que mantém na Internet um site com a presença de mais de 3.300 poetas da América, Europa, Mundo Árabe, Ásia, África e Oceania, realiza, em agosto deste ano, do dia 19 ao dia 24,em Natal (RN), o PRIMEIRO CONGRESSO DE POETAS DEL MUNDO. O poeta chileno Arias Manzo, idealizador e secretário geral do Movimento, em artigo publicado no site www.poetasdelmundo.com ressaltou que esse evento literário de dimensão internacional será realizado na "belíssima ciudad de Natal, Estdo do Rio Grande do Norte, Brasil, país do futuro, así como lo llamó Zweig, y aunque hace más de 65 años de esto, su vaticinio aún cobra vigencia, hoy más que nunca. Por eso, nada más significativo y simbolico que nuesto PRIMER CONGRESO DEL POETAS DEL MUNDO se lleve a cabo en este país, el país de Luiz Carlos Prestes, como yo suelo llamarlo. (...) será, como lo han vaticinado los organizadores : "UM MAR DE POESIA E PAZ".

Esse encontro será mesmo uma demonstração de força da palavra poética produzida em uma região que é considerada uma das mais trágicas e mais belas do Brasil. Mais de 130 poetas da região Nordeste já participam do Movimento Poetas del Mundo e é certo afirmar que existe um número ainda cinco ou seis vezes superior de poetas, de homens e mulheres que exercitam o fazer poético, hoje, nesta região, berço da civilização brasileira e, por isso mesmo, berço da sua cultura literária e artística. Região de um passado histórico literário memorável, sobretudo com a projeção consagrada dos seus filhos na produção poética do país, a exemplo de Gonçalves Dias (Maranhão), Auta de Souza (Rio Grande do Norte), Augusto dos Anjos (Paraíba), Manuel Bandeira, Ascenso Ferreira, João Cabral de Melo Neto (Pernambuco), Jorge de Lima (Alagoas), Castro Alves (Bahia), o Nordeste brasileiro é, por muitos, considerado, ontem e hoje, com justiça, a região que mais produz poesia no Brasil.

(Texto de Juareiz Correya)

quinta-feira, 15 de maio de 2008

PEQUENAS HISTÓRIAS REAIS (1)

MAIAKOVSKI NÃO É EDUARDO ALVES DA COSTA


Escrevi um artigo intitulado "Maiakovski não é Eduardo Alves da Costa" e, em conversa com o jornalista e editor Homero Fonseca, no refeitório da CEPE-Companhia Editora de Pernambuco, no Recife, ele me pediu para publicá-lo na Revista CONTINENTE, que
dirige junto com o poeta Marco Polo Guimarães. Tudo bem. Entreguei o texto, com um exemplar do livro comentado, de autoria de Eduardo Alves da Costa, para ilustração. O artigo foi publicado na Revista CONTINENTE (número 85, Recife, janeiro/2008) com o seguinte título : "O poema que Maiakovski não escreveu". Refeito por Homero, o título ficou melhor do que o original, claro. Com o meu título, os leitores poderiam pura e simplesmente dizer : E quem porra é Eduardo Alves da Costa ?

No artigo, tentei esclarecer a verdadeira autoria de um poema que é atribuído, há décadas, no Brasil, a Vladimir Maiakovski,tratando-se, no caso, de um trecho de um poema de Eduardo Alves da Costa justamente intitulado "No caminho, com Maiakovski". O artigo foi muito bem editado, como tudo o que a revista publica.

Mas, na edição on-line da CONTINENTE, lá está mais uma vez o destino dos equívocos da vida de Eduardo Alves da Costa pregando-lhe outra peça : é que a foto do poeta, no rodapé da matéria, foi publicada/postada sobre o meu crédito, e o leitor é logo levado a entender que aquela foto é da legenda do "poeta e editor" que assina o artigo. Me encontrei novamente, no mesmo local citado, com Homero Fonseca, e ele me adiantou que o pessoal da edição on-line da revista, para evitar que o equívoco com a sua identidade persistisse, já havia retirado a foto do Eduardo Alves da Costa. E acrescentou :

- O que se pode aprender com essa história ? É que não se deve dar título a nada com o nome de alguém mais conhecido... Fatalmente o texto vai ser atribuído ao nome de quem é mais conhecido. Eu mesmo sou confundido, muitas vezes, com Homero Lacerda, daqui do Recife, empresário bem sucedido, político, vereador, deputado, presidente de um clube de futebol, um nome muito mais popular do que o meu ...

(Texto de Juareiz Correya)

sexta-feira, 9 de maio de 2008

9 DE MAIO : DIA DE ASCENSO

Texto de Juareiz Correya



O SESC-Santa Rita, do Recife, inaugurou, no dia 19 de março último, à noite, com teatralização de poemas, música, palestra e lançamento de livro, o Laboratório de Autoria Ascenso Ferreira, espaço criado "para fomentar iniciativas na área literária, além de servir para outras atividades culturais da entidade. Em palestra que apresentei, na ocasião, lembrei à diretora da unidade, Sra. Maria Gorete de Lima, e aos convidados presentes, a felicidade do gesto dos dirigentes do SESC de Pernambuco, ao materializar essa homenagem que perpetua a memória do poeta Ascenso Ferreira no dia-a-dia das atividades educativas e culturais dessa unidade do serviço social do comércio do Recife. É que, como registra Souza Barros, amigo e um dos primeiros biógrafos do poeta, no ano de 1923, ele e Ascenso Ferreira, então alunos da Escola do Comércio de Pernambuco, reunidos aos professores Manuel Arão, Benedito Monteiro e Cristiano Cordeiro, fazem o movimento de emancipação da Escola, até então subordinada à Associação dos Empregados do Comércio. É então fundada a Faculdade de Comércio de Pernambuco.

Em seguida, o coordenador regional de cultura do SESC-Pernambuco, o encenador e professor José Manoel da Silva Sobrinho, informou que o SESC nacional objetiva criar diversos "laboratórios de autoria" nas unidades administrativas pernambucanas e brasileiras. Este primeiro, o Ascenso Ferreira, é modelo para os futuros "laboratórios de autoria" (que homenagearão naturalmente outros grandes valores das letras locais).

O nome do poeta Ascenso Ferreira é um mote inquestionável para a realização de qualquer iniciativa cultural pioneira no Brasil. Nada mais lógico um acontecimento como esse na região Nordeste. Ascenso, sinônimo de originalidade na vanguarda do Modernismo Brasileiro, representa bem a modernidade nordestina e continua vivo e atualíssimo neste século 21.

Quando publicamos, em 2006, pela Panamerica Nordestal Editora, do Recife, o livro OUTROS POEMAS & INÉDITOS, de Ascenso Ferreira, com o apoio cultural da CNI-Confederação Nacional da Indústria, por iniciativa do seu presidente, Dr. Armando Monteiro Neto, enfatizamos, no seu lançamento, no Gabinete Português de Leitura, realizado no dia 9 de maio (dia do 111o. Aniversário de Nascimento do Poeta), que o Recife estava, a partir daquela data, criando o DIA DE ASCENSO "para homenagear o poeta no seu aniversário de nascimento e animar, naturalmente, no seu dia, produções intelectuais e artísticas que reverenciem e relevem o nome de Ascenso Ferreira". Lembramos que a sua figura, muito significativa na poesia pernambucana - e nordestina e brasileira -, da década de 20 à década de 60 do século passado, era a de um poeta singularíssimo que soube, como ninguém, ser erudito e popular em sua criação.

Neste 9 de maio (dia do 113o. Aniversário de Nascimento do Poeta), a Editora Martins Fontes, de São Paulo, promove, sob a coordenação da professora e pesquisadora Valéria Torres da Costa e Silva, na Livraria Cultura, do Recife, o lançamento da nova edição do livro POEMAS DE ASCENSO FERREIRA. Está certo o Recife : 9 de maio é o Dia de Ascenso. É dia de lembrar, de saudar, de aplaudir, de reverenciar, de publicar, de recitar, cantar, teatralizar e festejar Ascenso Ferreira e sua poesia imorredoura.


(transcrito do DIÁRIO DE PERNAMBUCO,
Recife,PE,sexta-feira, 8 de maio de 2008, Caderno A, página 7)

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O QUE É "O PALAVRÃO" BRASILEIRO

O pesquisador e escritor pernambucano Mário Souto Maior publicou, no Recife, em 1980, pela Editora Guararapes, o DICIONÁRIO DO PALAVRÃO E TERMOS AFINS, primeiro dicionário de língua portuguesa do Brasil sobre "o palavrão", e a edição esgotou-se rapidamente. O dicionário, que já está há mais de 20 anos merecendo uma segunda edição que possa ser distribuída em todo o território nacional, foi revisto e aumentado pelo autor antes do seu falecimento na última década do século passado. A sua primeira edição, louvada por duas autoridades pernambucanas - apresentação do juiz de direito Eliézer Rosa e prefácio do sociólogo Gilberto Freyre -, começou a ser elaborada no ano de 1968, quando o autor iniciou algumas anotações, guardou recortes de jornais e revistas, abonações de romancistas brasileiros e organizou fichas, material de um trabalho que ele chamou, num primeiro momento, de "Vocabulário popular do sexo". Certo dia, Gilberto Freyre, com quem o autor convivia na Fundação Joaquim Nabuco, orgão do Ministério de Educação, sugeriu que o trabalho adquirisse, "sob o critério científico", o caráter de um dicionário, de tal modo que ficassem incluídos os chamados "palavrões", semelhante ao que foi publicado na Alemanha.

Mário Souto Maior entregou-se inteiramente à obra : tratou de distribuir quatro mil formulários, procurando penetração em todas as regiões brasileiras, consultando todas as camadas sociais, pessoas dos mais diversos níveis intelectuais, de ambos os sexos, das mais variadas idades e condições econômicas, "numa tentativa de fazer chegar o problema ao conhecimento de todos, indistintamente", revelou.

Apurada a pesquisa, Mário Souto Maior chegou a estas constatações :
1) Apenas 56 pessoas, entre as 3.620 consultadas, não aprovaram a idéia de dicionarizar "o palavrão" ;
2) O homem, o jovem e o pobre falam mais "palavrão" do que a mulher, o velho e o rico;
3) A criança de hoje ganha para a de ontem, quanto ao uso do "palavrão", e o aumento dos meios de comunicação (televisão, etc) foi o motivo mais apontado;
4) O romancista Jorge Amado foi considerado o escritor brasileiro que mais usa "palavrão" em
sua vasta obra literária, na qualidade de um dos mais lidos escritores brasileiros, pois suas edições somaram cerca de três milhões de exemplares em língua portuguesa;
5) Muitos acharam que Jorge Amado usava "o palavrão" na hora certa, no momento exato, sem abusar;
6) O "palavrão" foi considerado, na maioria das vezes, necessário, até mesmo para "evitar o enfarte do miocárdio e aliviar o homem das tensões emocionais, funcionando como uma válvula de escape, um desabafo", como declarou o escritor Olímpio Bonald Neto;
7) Monsenhor Sales, do Recife, garante que motorista de táxi é quem mais diz "palavrão", consequência dos aperreios do tráfego;
8) Quase todos falam "palavrão", quando não falam, pensam;
9) Mãe, por ser a pessoa mais querida de todos nós, é a pessoa mais xingada, o mesmo acontecendo com marido enganado;
10) O nu erótico não pode ser considerado um "palavrão" plástico;
11) Diversos nomes próprios são eufemismos de orgãos sexuais;
12) Um "palavrão" do Nordeste é uma palavra educada no Sul, e vice-versa;
13) O "palavrão" de ontem se acomodou ao vocabulário atual como qualquer outra palavra;
14) O "palavrão" mais usado entre nós é MERDA, que é também o mais utilizado pelos franceses ;
15) A língua portuguesa, rica como é, perdeu, em quantidade, para a alemã (9.000 palavrões) e a francesa (9.000 palavrões).
"Só consegui verbetear pouco mais de 3.000 palavrões e termos afins, muitos deles com abonações dos mais consagrados escritores brasileiros, o que me obrigou a ler mais de duzentos romances e consultar quase outras tantas obras", concluiu Mário Souto Maior.

JUAREIZ CORREYA.

(publicado no site shvoong.com em janeiro/2008)

terça-feira, 29 de abril de 2008

A REVOLUÇÃO BRASILEIRA, de Juareiz Correya

Quando os nossos governantes
em suas cidades, Estados e no País
(como dizia o Comandante Fidel Castro,
na sua pequena e grande Cuba),
poderão dizer ?
"Esta noite, centenas, milhares,
milhões de crianças
dormirão nas ruas do Mundo...
Nenhuma delas é brasileira !"


(Recife, abril / 2008)

PAULO COELHO PIRATEIA LIVROS : É CRIME

O escritor brasileiro Paulo Coelho, de acordo com informações veículadas, no início deste ano, no jornal do portal IG (www.ig.com), do Internet Group do Brasil, criou um site exclusivo para viabilizar a cópia-pirata dos seus livros. O argumento do escritor, simplista e extremamente perigoso, afronta o mais elementar princípio de direito autoral. Ele afirma que não só mais pessoas lêem os seus livros como também mais exemplares são vendidos. E arremata com este raciocínio irresponsável : a guerra pela preservação dos direitos autorais "é uma causa perdida".

O escritor não defende (como deveria) a sua obra e desrespeita abertamente todo o trabalho editorial que é realizado com o que ele produz, praticando, na verdade, um declarado crime. Deveria mesmo ser processado pelos seus editores.

Os problemas causados na Internet a autores, editores, produtores culturais da literatura, da música e do cinema, devem ser enfrentados para uma solução que não prejudique, ainda mais, a sobrevivência da própria criação literária e artística. No caso de Paulo Coelho, por exemplo, fica claro que ele, como qualquer outro escritor, tem o direito, sim, de disponibilizar, em sites e blogs, os seus textos "inéditos", ou até mesmo trechos de um ou outro livro publicado; disponbilizar o livro, permitir que versões integrais de suas obras publicadas sejam "baixadas", "copiadas", "pirateadas", é um crime sem tamanho que atenta, em primeiro lugar, contra o trabalho produzido pelo editor e também contra os direitos do próprio autor. Isso é supermodernidade ou é burrice ?

No capítulo da pirataria de livros, a história tem outros ingredientes e desdobramentos, além dessa perigosa relação criada atualmente com a Internet. E por que, tudo isso que é oferecido "gratuitamente" aos internautas, resulta em altas cifras de milhões de dólares para os sites e provedores, a exemplo do Google e dos Yahoos da vida, e não se paga nada a quem é autor de um texto literário, de uma canção, de um filme ?

JUAREIZ CORREYA.

domingo, 27 de abril de 2008

HISTÓRIA DE PROVÍNCIA, de Juareiz Correya

a velha apareceu na loja toda tremendo
com as mãos na cabeça
sem saber o que dizer
mas disse
que o mundo tava se acabando
e o estudante correndo com o coração na boca
atropelou muita gente
porque pensava que o exército
metia porradas no povo
pra prender subsversivos
só o poeta viu os cavalos copulando na feira
do domingo ensolarado
viu os cavalos copulando sobre toldas
e caixotes de legumes e vendedores apavorados
só o poeta identificou o que causava
tanta confusão na rua naquele dia
num poema rindo


(transcrito do blog :
recantodasletras.uol.com.br/autores/juareizcorreya)

quarta-feira, 23 de abril de 2008

"EU JOGUEI ISABELA PELA JANELA", poema de Sandra Silveira

Eu joguei Isabela pela janela
cada vez que ouvi discussões de um casal
e fiz de conta que não ouvia nada !!!

Eu joguei Isabela pela janela
cada vez que percebi que as discussões
pareciam agressões e não fiz nada para parar isto !!!

Eu joguei Isabela pela janela
quando ouvi uma criança apanhar e nada fiz !!!

Eu joguei Isabela pela janela
quando vi uma criança ser humilhada publicamente
menosprezada e desvalorizada
e dei aos pais o direito de diminuí-la
simplesmente para eu não me incomodar !!!

Eu joguei Isabela pela janela
quando vi uma criança pedir socorro
e simplesmente nenhuma ajuda lhe ofereci !!!

Eu joguei Isabela pela janela
e jogo todos os dias
seja em sinaleiros ou shoppings
filhas das mais diversas classes sociais !!!

Eu a vi ser explorada no trabalho e nada fiz
eu a vi ter que pedir esmola e nada disse
eu a vi ser agredida em um shopping
e fiz de conta que não vi !!!

Isabela... eu a joguei pela janela
estou criticando a quem por minha omissão ?!?!?!
só agora percebi o que podia
e devia ter feito e não fiz

Isabelasssssss
perdão !!!


(transcrito do blog netlog.com/catsandraloba )


__________________________________________
SANDRA SILVEIRA nasceu em Curitiba (PR).
É advogada. Mantém, no NETLOG, o blog
CATSANDRALOGA (netlog.com/catsandraloba)
onde publica textos de sua autoria.
O poema "Joguei Isabela pela janela"
foi postado em 18/abril/2008.

domingo, 20 de abril de 2008

"Indústria criminosa" de Livros, CDs e DVDs

Compra-se a cópia de um filme, hoje, em DVD, mais barata do que um livro. (Por isso os cinemas fecham). Um disco, um CD simples ou MP3 com vários CDs, muito mais barato ainda. (Em breve, as lojas de discos fecharão também...)

E nessa história de copiar, de piratear, de falsificar produtos da indústria cultural, o livro, como sempre, "o pobre livro", ainda sai perdendo. Ainda é artigo de luxo. Três reais já pagam a cópia-pirata de um CD de sucesso recém-lançado. E todo mundo quer ouvir. E a cópia-pirata de um DVD não custa mais do que cinco reais : todo mundo quer ver. A cópia de um livro, com 100 páginas, no mínimo, não sai por menos de 7 reais. E poucos querem ler. Mas assim mesmo as cópias dos livros servem muito bem nas escolas e nas universidades da vida que têm, bem desenvolvidos, os seus centros de reprografia e as quase espetaculares cópias geradas por fotocopiadoras cada vez mais sofisticadas.

A "indústria" pirata das fotocópias, que nasceu muito antes do que a indústria pirata dos CDs e DVDs, muito bem instalada com os seus tentáculos em escolas públicas e privadas, inclusive em centros universitários, é igualmente caso de polícia e de justiça. Ou não é pirataria e crime a cópia de um livro sem autorização da editora e ou dos autores ?

O que se sabe é que as poderosas indústrias dos DVDs - ligadas diretamente às produtoras multinacionais de cinema - e dos CDs - que, igualmente, representam as multinacionais gravadoras musicais -, têm investido seriamente contra a pirataria internacional que impõe astronômicos prejuízos aos seus setores. A conta é em bilhões de dólares. Polícias estaduais e federal, no Brasil e em vários países, têm se comprometido com esse combate. A organização criminosa é muito bem montada e articulada e o crime continua à luz do dia em qualquer cidade brasileira e do planeta.

Mas ninguém diz nada - os autores, os editores, as autoridades - e a própria Imprensa silencia, sobre a pirataria de livros. O pobre, inimaginável, inútil e sub-produto cultural LIVRO nem parece que é objeto de pirataria, todos os dias, em qualquer escola ou centro universitário brasileiro. Esse é um grande e vergonhoso crime. É por isso que editar livro no Brasil é uma aventura suicida : melhor abrir um bar (ou uma fotocopiadora) do que uma livraria. Ninguém abre mais livraria no território brasileiro (muitas já fecharam, sem choro nem vela, e as que ainda resistem não estão livres dessa tragédia). O resultado desse desestímulo à produção e à circulação da produção editorial brasileira todos já conhecem : uma estatística imoral de milhões de analfabetos e um vergonhoso papel cultural na América Latina. Todos sabem que o Brasil inteiro tem menos livrarias do que a cidade de Buenos Aires, capital da Argentina. (JUAREIZ CORREYA).

REPORTAGEM NÃO É JORNALISMO LITERÁRIO, de Juareiz Correya

"Jornalismo Literário"é um selo editorial da Companhia das Letras, editora paulista. No posfácio do livro HIROSHIMA, que reproduz, integralmente, a reportagem de John Hersey,
sobre seis sobreviventes da explosão da bomba atômica, publicada, nos Estados Unidos, em agosto de 1946, pela revista The New Yorker (Companhia das Letras, São Paulo, 2002), o jornalista Matinas Suzuki Jr. afirma que "na tradição americana, esse tipo de narrativa tem várias denominações : jornalismo literário, literatura de não-ficção, ensaio, jornalismo de autor, novo jornalismo." E que, segundo os críticos especializados, não seria jornalismo e, se fosse literatura, seria uma literatura de segunda classe.

Nem tanto ao norte nem tanto ao sul. A discussão vai além das redações e é assunto acadêmico de repercussão internacional. Na verdade, a palavra ou denominação correta para esse tipo de produção intelectual, jornalística, não está sendo dita : trata-se, pura e simplesmente, de "reportagem" (trabalho de repórter ou de uma equipe de repórteres), nada mais. No caso do trabalho de John Hersey, a clássica "reportagem histórica".

E este exemplo irretocável é bastante esclarecedor :

O grande repórter Samuel Wainer, uma legenda do jornalismo brasileiro, advertido pelo chefe da seção brasileira da BBC, quando cobria as sessões do Tribunal de Nuremberg, de que o seu papel não era fazer literatura e sim jornalismo, confessa, em seu livro - "MINHA RAZÃO DE VIVER, Memórias de um repórter", Editora Record, Rio, 1988 - : "Permaneci cerca de quatro meses em Nuremberg. Mas aprendi a lição. Desisti definitivamente da literatura. Ou, para ser mais preciso, da subliteratura. Eu havia aprendido uma lição. "

"Jornalismo Literário" , para bom entendedor, é outra coisa, e, no Brasil, valeria para uma bela e inesgotável discussão sobre a sua real existência, desde o tempo de circulação dos suplementos literários (isto é jornalismo literário!) e das revistas literárias (isto é jornalismo literário!!!) até a última década do século passado e os dias de hoje, tempo em que não se publica mais, ou se publica raramente, em jornais e revistas , literatura propriamente dita, que é a literatura artística. Pretender que jornalista seja autor de literatura, ou melhor, escritor, pelo simples fato de escrever um texto, como se estivesse produzindo literatura (e as "literaturas" são muitas, além da artística), é o mesmo que classificar de literatura as receitas culinárias, as bulas de remédio, os horóscopos, as previsões do tempo...

Os repórteres sempre existiram e existem, realizando pequenas, médias e grandes reportagens. E eles têm consciência do trabalho jornalístico que realizam e da atividade profissional que desempenham, a exemplo, hoje em dia, de um Geneton Moraes Neto e de um Caco Barcellos, competentes repórteres que, além dos chavões jornalísticos e dos modismos editoriais, escrevem e editam, lucidamente, a sempre boa, velha e atual "reportagem".

quarta-feira, 16 de abril de 2008

IDENTIFICADO RECIFE, de Juareiz Correya

hoje amanheci domingo
estou cedo pelo Recife deserto
as possibilidades são raras
na cidade que eu sou :
o sol do atlântico pode me devorar
ou a chuva do capibaribe me apodrecer.
ninguém transita ou veicula sorrisos
não chega ou se despede ninguém cotidiano
tudo sou eu que parei e descanso mortomente.
a cidade que sou entardecerá cinemas
crepusculabrirá bares
travestidas boates sexuais passeios
passagens noite a dentro.
amanhãserei primeiro
segunda feira
dia que te uso e mascateias

(do livro inédito AMAR RECIFE)

ASCENSO, POESIA VIVA DO RECIFE, AMERICANTO AMAR AMÉRICA, CORAÇÃO PORTÁTIL, O POEMA QUE MAIAKOVSKI NÃO ESCREVEU ...

Estou chegando no Blogger.
Vida longa, espero.
Tenho blogado por aí : NETLOG, RECANTO DAS LETRAS, COMUNIQUE-SE, SHVOONG, HI5...
Agora, presentemente, alguns livros na ordem do dia, ordenados, sendo digitados para publicação, que espero viabilizar (um ou dois) ainda neste ano : ASCENSO FERREIRA - MAIS TEMPO DE "CATIMBÓ" (uma nova fortuna crítica do poeta, com textos de mais de 40 escritores, jornalistas e estudiosos ), POESIA VIVA DO RECIFE (segunda edição da antologia poética editada em 1996, revista e aumentada com a presença de 150 poetas contemporâneos da cidade), AMERICANTO AMAR AMÉRICA & OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20 (reunião de todos os meus poemas publicados, no século passado, desde 1969), CORAÇÃO PORTÁTIL (terceira edição, também aumentada), O POEMA QUE MAIAKOVSKI NÃO ESCREVEU (vários escritos sobre poetas, cultura pernambucana, literatura brasileira).
Aqui, no LETRAS&LEITURAS, do Blogger, e nos meus outros blogs, estarei divulgando textos desses livros e dos meus livros já editados e também textos de poetas e prosadores brasileiros, sobretudo nordestinos, que admiro e aplaudo e tenho o dever de publicar neste blog.