quinta-feira, 5 de novembro de 2009

FLIPORTO promove mais de 30 autores e livros

A FLIPORTO 2009 e a Livraria Jaqueira, do Recife, promovem encontros especiais com os autores que participam da Festa, autografando os seus livros, desta quinta-feira, dia 5, até o próximo domingo, dia 8 de novembro, em duas tendas, no Pavilhão do Centro de Convenções 2, do Hotel Armação, em Porto de Galinhas, Ipojuca (PE).
Programação da Tenda 1 (das 11 às 19h30m) :
QUINTA-FEIRA, 5 : "Os espelhos" (Eduardo Galeano).
SEXTA-FEIRA, 6 : "Livro de Contos" (Alexandre Santos); "O duelo de Lampião e Dom Quixote" (Francisco Cunha); "Viuvinha casadeira" (Jaques Cerqueira); "Soledad no Recife" (Urariano Mota); "1808" (Laurentino Gomes).
SÁBADO, 7 : "Como a guerra chegou à Floresta Amazônica" (Abdias Moura); "As aventuras de Dom Quixote em versos de cordel" (Antonio Klevission Viana); "Nara Leão a Musa dos Trópicos" (Cássio Cavalcante); "As duas Espanhas e o Brasil" (Tarcísio Costa); "Memorial de Heloísa" (Heloísa Buarque de Holanda); "Enterrar os mortos" (Ignacio Martinez de Pisón); "A minha alma é irmã de Deus ?" (Raimundo Carrero); "Matriuska" (Sidney Rocha).
DOMINGO, 8 : "A chave da casa" (Tatiana Salem Levy); "A Eternidade e o Desejo" (Inês Pedrosa).
Programação da Tenda 2 (das 11 às 20h) :
SEXTA, 6 : "A intuição de Pandora" (Salete Rego Barros); Viagem ao crepúsculo" (Samarone Lima); "A era do hipertexto" (Antonio Xavier); "Estórias do mundo virtual" (Fernando Antonio de Vasconcelos); "Natureza sem fim" (Suzana Guimarães Farias); "Musa fragmentada" (Luís Carlos Monteiro); "O Pai dos Burros" e "O Santo Sujo" (Humberto Werneck);
SÁBADO, 7 : "Ícones - Patrimônio Cultural de Arcoverde" (Jussara Bezerra de Moraes); "Juízo Final - Um Poder passado a limpo" (Marcelo Russel); "Sem lei nem rei", de Maximiano Campos - em braile (Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco); "Mulheres da minha vida" (Laura Areias); "Antologia Pessoal" (Eric Nepomuceno); "Uma casa da escuridão" (José Luís Peixoto); "O Tesouro" (Eccehomo Cetina); "A Modernidade nos Trópicos : Gilberto Freyre e os debates em torno do nacional" (Valéria Torres da Costa e Silva); "O Tempo : o de dentro e o de fora" e "Todo diálogo é possível" ( Lula Arraes).
DOMINGO, 8 : "O filho eterno" (Cristóvão Tezza); "Insônia" e "O baile da vitória" (Antonio Skármeta).
Confiram a programação no site da FLIPORTO (http://www.fliporto.net)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

FLIPORTO DIVULGA VENCEDORES DO "PRÊMIO LITERATURA NO CELULAR"

A Fliporto Digital e a Gol Mobile, patrocinadoras do "II PRÊMIO LITERATURA NO CELULAR", divulgam, no site da FLIPORTO - Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas (www.fliportodigital.net), em sua quinta edição, os microtextos dos vencedores (primeiro, segundo e terceiro lugares) e de outros autores destacados (do quarto ao décimo lugar) :

Primeiro lugar (R$ 3.000,00) /
CÉSAR JACOME PHILIPPINI
"Juntos, eu e Deus. À beira-mar. Submersos numa realidade onde palavras, assim como as águas vivas, servem apenas para atiçar a curiosidade sobre o inimaginável."

Segundo lugar ( R$ 2.000,00) /
EDUARDO SALES DE SOUZA
"Tinha a incontrolável mania de contar um a um cada passo. Tanto contava que nada lhe restava. Até o dia que resolveu contar um conto e, de repente, o encontro."

Terceiro lugar (R$ 1.000,00) /
EDNA RUBIA MENDES FACUNDO
"Sonhou que era feliz, acordou pleno. Sonhou que era triste, acordou lúgubre. Sonhou que era perfeito, não acordou."

O escritor Antonio Campos, Curador da FLIPORTO, e a professora Cláudia Cordeiro, Coordenadora da FLIPORTO DIGITAL, promovem a entrega dos prêmios no próximo domingo, dia 8 de novembro, no Centro de Convenções 1, do Hotel Armação, em Porto de Galinhas, com transmissão ao vivo pela Internet.




terça-feira, 3 de novembro de 2009

O GIRASSOL, poemas de Garibaldi Otávio

O GIRASSOL

A Vincent Van Gogh

O duro olhar dos homens e o dos touros
empreitam a mansa tarde com rancor.
Então a fúria explode. A mansa tarde
explode a sua fúria numa flor.

A flor não é bem flor. A flor é sol
que deu seus amarelos a uma flor.
E quando a manhã nasce e a tarde desce
se fundem a flor, o sol e o girassol.

Não se soube jamais se é canto ou ave
ou instrumento que dedos selvagens tangem.
Não se soube que ouro, que deus sonoro
fez sua forma de espanto tão suave.

No duro olhar dos homens a flor é alfanje
com que vão decepar a cor da tarde.
No duro olhar dos touros a flor é sangue
que veste de escarlate a lâmina da espada.

Ao girassol (que ferocidade o ateia ?)
traídos e em silêncio amaremos
a sua cor na tarde como quem bebe
o corpo azul da água (sem sangue) limpa.


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DOIS MURAIS DE BRENNAND


I - NO AEROPORTO DOS GUARARAPES

Pastor não há
mas há sua flauta
no trinar breve
da suave boca.

O campo sonha
o homem quando
o sono é o canto
que lhe arrebanha

e lhe dá o ouro
que o faz cantar
e além da sombra
o ofuscará,

que corre em campos
depois cabelos
e carne e riso
da companheira,

despindo o morno
para ser calma
no afago, e rio
no se deitar.

Se deita, o rio
se para e escuta
a flauta leve,
tão pura e breve.

E os bois repousam
o seu repouso
no cantar longo
dos seus pescoços.

Só os chifres pairam
nos dorsos puros,
ferindo, tensos,
cansaço e angústia

de espera que há
na cama, corpo
simples que, em pouco,
será desfeito,

como desfeito
será no pranto
todo o silêncio
desse cantar.

Pastor não há,
mas há sua flauta.
Modula o dia
que o vai deixando.


II - NO HOTEL SÃO DOMINGOS

Braços erguidos da terra,
os pés fincados no chão,
esta mulher colhe um fruto
que nasce da própria mão.

Colhe um fruto, colhe o mundo
no dia da criação,
colhe da terra molhada
aroma e fecundação.

Colhe no corpo os limites
do barro em modelação,
o Barro nascendo, vida
- a morte quando em função.

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A UMA CATALÃ

Pinto como Joan Miró :
linhas simples do teu rosto,
perfil de poeira e pó,
pintado do lado oposto.

Pinto como João Cabral
lava as palavras, a seco,
como quem lambe teu sal
meditarrêneo, teus becos.

Pinto como Lorca pinta,
teu sortilégio cigano,
quase um toureiro na tinta,
quase morte, quase insano.

Sempre te pinto aos pedaços,
como espelho que se quebra,
como quem mastiga os traços,
como Picasso, sem regra.

Salvador Dali te rouba
dos delírios. Que se exponham,
lado limpo do pecado,
os teus martírios. Anjos sonham.

Quando eu te vejo daqui
destas visões, aturdido,
pinto como Debussy
pintava a Espanha, de ouvido.

Pinto como um violeiro
que te ouvisse, como te ouvi
no teu sotaque maneiro
rudezas de Ouricuri.

Pinto tua tela Matisse
que mistura claridade,
como se a tela te visse,
por trás da cor, de verdade.

Sujo-me todo de sol
como quem mexe com tinta
só de luz feita, arrebol
quando se enfeita, se pinta.


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(Poemas do livro O GIRASSOL,
de Garibaldi Otávio
- Companhia Editora de Pernambuco - CEPE,
Secretaria da Casa Civil / Governo de Pernambuco,
Recife, 2009).