quinta-feira, 1 de maio de 2008

O QUE É "O PALAVRÃO" BRASILEIRO

O pesquisador e escritor pernambucano Mário Souto Maior publicou, no Recife, em 1980, pela Editora Guararapes, o DICIONÁRIO DO PALAVRÃO E TERMOS AFINS, primeiro dicionário de língua portuguesa do Brasil sobre "o palavrão", e a edição esgotou-se rapidamente. O dicionário, que já está há mais de 20 anos merecendo uma segunda edição que possa ser distribuída em todo o território nacional, foi revisto e aumentado pelo autor antes do seu falecimento na última década do século passado. A sua primeira edição, louvada por duas autoridades pernambucanas - apresentação do juiz de direito Eliézer Rosa e prefácio do sociólogo Gilberto Freyre -, começou a ser elaborada no ano de 1968, quando o autor iniciou algumas anotações, guardou recortes de jornais e revistas, abonações de romancistas brasileiros e organizou fichas, material de um trabalho que ele chamou, num primeiro momento, de "Vocabulário popular do sexo". Certo dia, Gilberto Freyre, com quem o autor convivia na Fundação Joaquim Nabuco, orgão do Ministério de Educação, sugeriu que o trabalho adquirisse, "sob o critério científico", o caráter de um dicionário, de tal modo que ficassem incluídos os chamados "palavrões", semelhante ao que foi publicado na Alemanha.

Mário Souto Maior entregou-se inteiramente à obra : tratou de distribuir quatro mil formulários, procurando penetração em todas as regiões brasileiras, consultando todas as camadas sociais, pessoas dos mais diversos níveis intelectuais, de ambos os sexos, das mais variadas idades e condições econômicas, "numa tentativa de fazer chegar o problema ao conhecimento de todos, indistintamente", revelou.

Apurada a pesquisa, Mário Souto Maior chegou a estas constatações :
1) Apenas 56 pessoas, entre as 3.620 consultadas, não aprovaram a idéia de dicionarizar "o palavrão" ;
2) O homem, o jovem e o pobre falam mais "palavrão" do que a mulher, o velho e o rico;
3) A criança de hoje ganha para a de ontem, quanto ao uso do "palavrão", e o aumento dos meios de comunicação (televisão, etc) foi o motivo mais apontado;
4) O romancista Jorge Amado foi considerado o escritor brasileiro que mais usa "palavrão" em
sua vasta obra literária, na qualidade de um dos mais lidos escritores brasileiros, pois suas edições somaram cerca de três milhões de exemplares em língua portuguesa;
5) Muitos acharam que Jorge Amado usava "o palavrão" na hora certa, no momento exato, sem abusar;
6) O "palavrão" foi considerado, na maioria das vezes, necessário, até mesmo para "evitar o enfarte do miocárdio e aliviar o homem das tensões emocionais, funcionando como uma válvula de escape, um desabafo", como declarou o escritor Olímpio Bonald Neto;
7) Monsenhor Sales, do Recife, garante que motorista de táxi é quem mais diz "palavrão", consequência dos aperreios do tráfego;
8) Quase todos falam "palavrão", quando não falam, pensam;
9) Mãe, por ser a pessoa mais querida de todos nós, é a pessoa mais xingada, o mesmo acontecendo com marido enganado;
10) O nu erótico não pode ser considerado um "palavrão" plástico;
11) Diversos nomes próprios são eufemismos de orgãos sexuais;
12) Um "palavrão" do Nordeste é uma palavra educada no Sul, e vice-versa;
13) O "palavrão" de ontem se acomodou ao vocabulário atual como qualquer outra palavra;
14) O "palavrão" mais usado entre nós é MERDA, que é também o mais utilizado pelos franceses ;
15) A língua portuguesa, rica como é, perdeu, em quantidade, para a alemã (9.000 palavrões) e a francesa (9.000 palavrões).
"Só consegui verbetear pouco mais de 3.000 palavrões e termos afins, muitos deles com abonações dos mais consagrados escritores brasileiros, o que me obrigou a ler mais de duzentos romances e consultar quase outras tantas obras", concluiu Mário Souto Maior.

JUAREIZ CORREYA.

(publicado no site shvoong.com em janeiro/2008)

terça-feira, 29 de abril de 2008

A REVOLUÇÃO BRASILEIRA, de Juareiz Correya

Quando os nossos governantes
em suas cidades, Estados e no País
(como dizia o Comandante Fidel Castro,
na sua pequena e grande Cuba),
poderão dizer ?
"Esta noite, centenas, milhares,
milhões de crianças
dormirão nas ruas do Mundo...
Nenhuma delas é brasileira !"


(Recife, abril / 2008)

PAULO COELHO PIRATEIA LIVROS : É CRIME

O escritor brasileiro Paulo Coelho, de acordo com informações veículadas, no início deste ano, no jornal do portal IG (www.ig.com), do Internet Group do Brasil, criou um site exclusivo para viabilizar a cópia-pirata dos seus livros. O argumento do escritor, simplista e extremamente perigoso, afronta o mais elementar princípio de direito autoral. Ele afirma que não só mais pessoas lêem os seus livros como também mais exemplares são vendidos. E arremata com este raciocínio irresponsável : a guerra pela preservação dos direitos autorais "é uma causa perdida".

O escritor não defende (como deveria) a sua obra e desrespeita abertamente todo o trabalho editorial que é realizado com o que ele produz, praticando, na verdade, um declarado crime. Deveria mesmo ser processado pelos seus editores.

Os problemas causados na Internet a autores, editores, produtores culturais da literatura, da música e do cinema, devem ser enfrentados para uma solução que não prejudique, ainda mais, a sobrevivência da própria criação literária e artística. No caso de Paulo Coelho, por exemplo, fica claro que ele, como qualquer outro escritor, tem o direito, sim, de disponibilizar, em sites e blogs, os seus textos "inéditos", ou até mesmo trechos de um ou outro livro publicado; disponbilizar o livro, permitir que versões integrais de suas obras publicadas sejam "baixadas", "copiadas", "pirateadas", é um crime sem tamanho que atenta, em primeiro lugar, contra o trabalho produzido pelo editor e também contra os direitos do próprio autor. Isso é supermodernidade ou é burrice ?

No capítulo da pirataria de livros, a história tem outros ingredientes e desdobramentos, além dessa perigosa relação criada atualmente com a Internet. E por que, tudo isso que é oferecido "gratuitamente" aos internautas, resulta em altas cifras de milhões de dólares para os sites e provedores, a exemplo do Google e dos Yahoos da vida, e não se paga nada a quem é autor de um texto literário, de uma canção, de um filme ?

JUAREIZ CORREYA.

domingo, 27 de abril de 2008

HISTÓRIA DE PROVÍNCIA, de Juareiz Correya

a velha apareceu na loja toda tremendo
com as mãos na cabeça
sem saber o que dizer
mas disse
que o mundo tava se acabando
e o estudante correndo com o coração na boca
atropelou muita gente
porque pensava que o exército
metia porradas no povo
pra prender subsversivos
só o poeta viu os cavalos copulando na feira
do domingo ensolarado
viu os cavalos copulando sobre toldas
e caixotes de legumes e vendedores apavorados
só o poeta identificou o que causava
tanta confusão na rua naquele dia
num poema rindo


(transcrito do blog :
recantodasletras.uol.com.br/autores/juareizcorreya)