segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

CORAÇÃO PORTÁTIL, ebook de Juareiz Correya em livrarias virtuais de Portugal, Espanha, Brasil e EUA




     Consideradas as maiores livrarias virtuais do mundo, a AMAZON.COM (http://www.amazon.com/CORAO-PORT-Portuguese-Edition-ebook/) e a BARNES&NOBLE (http://www.barnesandanoble.com/w/coracao-portatil-juareiz-correya/1104808506), dos Estados Unidos, já distribuem o ebook CORAÇÃO PORTÁTIL, do poeta pernambucano Juareiz Correya, publicado pela Emooby/Pubooteca, de Portugal, em março deste ano.  O ebook pode também ser adquirido em mais de 30 livrarias virtuais de Portugal e da Espanha, incluindo-se a EMOOBY STORE (http://www.emoobystore.com/index.php?option=com_virtuemart&page-shop.product_...), da editora, e nestas livrarias virtuais brasileiras  :

     LIVRARIAS CURITIBA (http://www.livrariascuritiba.com.br/ebookcoracaoportatil,product,4065,3546.aspx), GATO SABIDO (http://www.gatosabido.com.br/ebook-download/149830/coracao_portatil.html.), GRIOTI LIVROS DIGITAIS (http://www.grioti.com.br/e-book-4065xcora-o-port-til.html), LIVROX (http://www.livrox.com.br/detalhe/ebook/2050), IBA-O melhor do conteúdo digital (http://www.iba.com.br/detalhes/livro/440434/coracao-portatil) e MUNDO POSITIVO (http://livros.mundopositivo.com.br/index.php/livros/literatura-nacional/corac-o-portatil). Acesse e leia o seu ebook em desktops, notebooks, kindles, smarthphones e tablets.     


sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

IMPRENSA OFICIAL (hoje, Companhia Editora de Pernambuco-CEPE) : 85 anos de atuação e renovação




     Neste mês em que completou 85 anos (1o. de dezembro) de atividade, a Imprensa Oficial / Companhia Editora de Pernambuco - CEPE assinalou o seu aniversário em grande estilo :  o livro POEMAS (CEPE/Secretaria da Casa Civil/Governo de Pernambuco, Recife, 2010), do poeta pernambucano Daniel Lima, nascido em Timbaúba no ano de 1916, foi distinguido com o Prêmio de Poesia Alphonsus de Guimaraens, da Fundação Biblioteca Nacional/Ministério da Cultura.   Uma conquista que honra e releva nacionalmente o atual projeto editorial da empresa pernambucana.   

     Desde a sua criação, em 1926, o Departamento de Imprensa Oficial do Estado, que originou o que é hoje a Companhia Editora de Pernambuco - CEPE, além do registro e publicação dos atos oficiais dos poderes públicos, atuou culturalmente, com uma produção editorial que registrou, nos 41 anos de sua denominação como IMPRENSA OFICIAL, uma considerável contribuição histórica : produziu mais de 110 títulos de autores pernambucanos, destacando-se a criação literária de poetas, ficcionistas, historiadores, jornalistas, memorialistas e estudiosos em geral. 

     A Companhia Editora de Pernambuco - CEPE, instituída, em dezembro de 1967, pelo governador Nilo Coelho, substituiu a IMPRENSA OFICIAL com o seu novo parque gráfico-editorial inaugurado no dia 25 de fevereiro de 1970 e instalado no seu atual endereço (Rua Coelho Leite, 530, Santo Amaro, Recife, PE).  Com um parque industrial considerado na época um dos mais avançados investimentos gráficos do país, a Companhia Editora de Pernambuco tem se renovado permanentemente e inicia esta segunda década do Século 21 com uma sólida contribuição na história do jornalismo oficial brasileiro : além do Diário Oficial do Estado impresso, e acessado em edição eletrônica no Portal CEPE (http://www.cepe.com.br/diario/index.php), publica a revista multicultural CONTINENTE (http://www.revistacontinente.com.br/), o Suplemento PERNAMBUCO (http://www.suplementopernambuco.com.br/), encartado na edição impressa do D.O., e incentiva a produção literária do Estado com a publicação de livros de autores pernambucanos de reconhecida importância no universo cultural nordestino e brasileiro. 

     Vinculada à Secretaria da Casa Civil / Governo de Pernambuco, a CEPE, na atual administração, sob a presidência de Leda Alves, criou a Superintendência de Produção e Edição, o Conselho Editorial - diretamente responsáveis pelas novas publicações -  e instituiu o Concurso de Literatura Infantil e Juvenil, com duas edições que já revelaram autores de Pernambuco e de outros Estados brasileiros. 

     Nos seus 85 anos de história, a Imprensa Oficial / Companhia Editora de Pernambuco registra, hoje, em seu acervo, mais de 370 títulos publicados.  Livros lançados nas duas últimas décadas podem ser adquiridos na Loja Virtual do do seu renovado e atualizado Portal CEPE (http://www.cepe.com.br/loja/index.php)  -  (Texto de Juareiz Correya)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

CEPE anuncia vencedores do "II Concurso de Literatura Infantil e Juvenil" : Mariângela Haddad, Adriana Victor, Aline Maria Freitas Bussons, Pedro Henrique Barros Portela, João Paulo Vaz, Viviane Veiga




     Mariângela Haddad  é bastante conhecida como ilustradora,  tendo recebido diversas menções "Altamente Recomendável" da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (RJ) e o Prêmio de Incentivo do NOMA, Japão, em 1996.  Começou a escrever em 2009, quando ganhou o concurso 5o. Prêmio Barco a Vapor, da Fundação SM, São Paulo, com o livro O SUMIÇO DE PANTUFA.  O livro O MAR DE FIOTE, que venceu o concurso da CEPE na categoria Infantil, fala da descoberta de um mar inusitado e o início de uma amizade improvável, tendo como cenário uma cidade do interior.  "Cheguei a imaginar o estranhamento que esse mar mineiro causaria num concurso de literatura promovido à beira-mar... Concursos são assim, indispensáveis, importantes, bem-vindos e causadores de frios na barriga", disse ela. 

     Foi a primeira vez que Pedro Henrique Barros Portela, vencedor da categoria Juvenil, participou de um concurso literário.  O texto foi escrito no final de 2010, "mais pelo exercício da escrita e pelo prazer imediatista dela."  A inspiração veio de sua admiração por gatos e pelo jazz, estilo musical que mais aprecia.  A inscrição no concurso teve também o objetivo de ajudar a superar o medo da crítica.  Ele confessa que ficou atônito com a notícia sobre o prêmio.  "Nunca tinha ganho nada dessa forma antes, então não sabia como se reage a uma notícia dessas."



CONCURSO SE CONSOLIDA

     A repercussão do "I Concurso CEPE de Literatura Infantil e Juvenil" , realizado em 2010, e a qualidade editorial e gráfica dos livros que foram lançados em 2011, deixaram os vencedores do II Concurso com uma grande expectativa.  Aline Bulhões, professora de língua portuguesa da Universidade Regional do Cariri, no Ceará, que tem dois livros infantis publicados - UMA BALEIA MUITO ESPERTA e RAULZITO, O JACARÉ - diz que tenta "trabalhar com as temáticas da liberdade individual, do direito de sonhar e de estar na contramão das imposições da coletividade. Quando escrevi a história do hipopótamo Everardo, procurei trazer essas ideias pro texto.  Essa premiação é muito importante, pois dará visibilidade ao meu trabalho.  Uma ótima oportunidade de publicação e de divulgação de livros.  Além disso, sinto uma grande satisfação em saber que  minha obra será divulgada por uma editora de Pernambuco e lida pelas crianças pernambucanas !"

     João Paulo Vaz diz que "os concursos literários têm sido fundamentais" na sua carreira de escritor.  Ele tem quatro livros publicados, dois deles através de concursos.  As brincadeiras de princesas e aventuras das netas Janaína e Beatriz, de oito anos, foram a inspiração para escrever A VALENTE PRINCESA VALÉRIA, que foge da narrativa tradicional ao colocar a princesa como salvadora do príncipe e depois os dois, para ganhar a liberdade, enfrentam juntos uma série de obstáculos.  

   MARIA DAS VONTADES é o primeiro livro infantil da pernambucana Adriana Victor.  Ex-repórter da Rede Globo Nordeste, ela tem reportagens publicadas em diversos jornais e revistas do país; é coautora de ARIANO SUASSUNA : UM PERFIL BIOGRÁFICO, publicado pela Editora Zahar, e autora dos textos de ENCOURADOS - INVENTÁRIO FOTOGRÁFICO, INVESTIGAÇÃO SONORA E REGISTROS ESCRITOS SOBRE O VAQUEIRO E A LIDA COM O GADO.  Em outubro de 2011 lançou BONECOS NA LADEIRA, livro sobre os gigantes do Carnaval de Olinda.  

     Viviane Veiga, de São Paulo, disse que ter um livro escolhido em um concurso nacional, como o da CEPE, "é uma alegria imensa para qualquer escritor."  Vencedora em dois concursos de poesia, esta é a sua estreia em prosa e a primeira experiência voltada para o leitor juvenil.  "Eu espero que o leitor se aproprie do texto e da poesia escondida nas páginas do DECIFRADOR DE POEMAS.  Viviane tem publicada a obra MARELIQUES DA PRAIA-LOUCA, com ilustrações de Walter Moreira Santos (Editora Bicho Que Lê, PE), que venceu o Concurso PROAC de Publicação de Livros no Estado de São Paulo, da Secretaria de Estado da Cultura.  O MEC vai publicar sua obra PÉ DE ALGUMA COISA PEDE OUTRA, que venceu o II Concurso Literatura para Todos, realizado pelo Ministério da Educação.  Em 2012, deverá ser publicado também o CORDEL DE TERESINHA, vencedor do Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel - Edição Patativa do Assaré, Ministério da Cultura.     (Texto de Mariza Pontes)

    

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

CEPE anuncia vencedores do "II Concurso de Literatura Infantil e Juvenil"





     A Companhia Editora de Pernambuco-CEPE anunciou o resultado do II Concurso CEPE de Literatura Infantil e Juvenil, promovido em 2011. Na categoria Infantil os vencedores foram a mineira Maria Ângela Haddad Villas (Mariângela Haddad), com o livro O MAR DE FIOTE, primeira colocada; a jornalista pernambucana Adriana Pimentel Victor, segunda colocada com a obra MARIA DAS VONTADES; e a cearense Aline Maria Freitas Bussons, com O HIPOPÓTAMO QUE TINHA IDEIAS DEMAIS, terceira colocada.  Na categoria Juvenil, a obra vencedora foi O DIA EM QUE OS GATOS APRENDERAM A TOCAR JAZZ, de Pedro Henrique Barros Portela da Silva, do Rio de Janeiro; seguindo-se A VALENTE PRINCESA VALÉRIA, de João Paulo Vaz, também do Rio de Janeiro, segundo colocado; e O DECIFRADOR DE POEMAS, de Viviane Veiga Távora, de São Paulo, terceira colocada.   

     Os prêmios são idênticos para cada categoria : oito mil para o primeiro lugar, cinco mil para o segundo colocado e três mil para o terceiro.  Não houve menções honrosas.  Concorreram 333 obras, sendo apenas 59 na modalidade juvenil, o que demonstra o boom que a literatura infantil vem vivendo nos últimos anos, alavancada por ótimos textos e excelentes ilustrações e projetos gráficos.  A comissão julgadora foi composta pelo jornalista e escritor Cícero Belmar; escritor Conrado Falbo; especialista em crítica literária Luiz Reis; a mestra e doutoranda em Linguística, cujo objeto de estudo são os contos de fadas, Simone de Campos Reis; e a assessora pedagógica de bibliotecas comunitárias e agente de formação de leitores, Carmem Lúcia Bezerra Bandeira, colunista do site Interpoética.  A comissão julgadora considerou critérios subjetivos como criatividade, originalidade, representação de gênero, prazer da leitura, entre outros.  (Texto de Mariza Pontes)


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Mais informações :
PORTAL CEPE / Notícias
 (http://www.cepe.com.br/)


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

REFLEXÕES DO CAPIBARIBE, de Bartyra Soares




I


Carrego a mutação fisiográfica das regiões.
Meu dorso mesclado de baronesas sol e tempo 
guarda antigas vozes inúteis armas e segredos 
escondendo o sangue que pedras não retiveram.

Sei que olhos de aço das máquinas-robôs 
só entendem de cibernética cálculos futuro
e os seus dentes aflitos à força fogo e ferro 
tentam interromper toda a minha perenidade. 

Teimosamente resisto. Preciso viver/correr.
Nas balaustradas das minhas velhas pontes 
debruçados estão curiosos inquiridores.  

Estranhas histórias poderiam ser contadas.
Deixo-lhes o silêncio que é a minha definição 
enquanto os ventos do norte pousam livres sobre mim. 



(da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,
organizada por Juareiz Correya)


BARTYRA SOARES - Nasceu em Catende (PE).
Exerceu o magistério.  Vive no Recife há muitos anos.
Poemas publicados no Diario de Pernambuco e no
Jornal do Commercio.  Livros publicados : ENIGMA,
SOMBRAS CONSOLIDADAS, VEREDICTOS.


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Transcrito da AGENDA CULTURAL 
- Prefeitura do Recife / Secretaria de Cultura /
Fundação de Cultura, Ano 17, Número 196,
Dezembro 2011.




terça-feira, 13 de dezembro de 2011

VILMAR ANTONIO CARVALHO : Uma trilogia sobre a tradição literária de Palmares !




     "Palmares possui uma tradição literária vigorosa. Tudo começa com as duas gerações do Club Literário :

     A Geração dos fundadores do Club, em torno dos jornais locais Echo de Palmares e Gazeta de Palmares, entre 1882 e 1892, com Antônio Caphedório de Carvalho, Severino Pereira, Joaquim Augusto de Almeida, Fenelon Afonso Ferreira e Leonel da Costa;

     A Geração dos continuadores do Club, em torno dos jornais boêmios A Semana e o Novo Echo, entre 1892 e 1912, com Fernando Griz, Fábio Silva, Benigno Lagreca e Manoel Monteiro;

     E continua ...

     Com a Geração parnasiana, pós-Club de letras, de Ascenso Ferreira, Mário Marroquim, Arthur Griz e outros expoentes, pioneiros nas páginas literárias de A Notícia, entre 1912 e 1932.

     A Geração da Sociedade Cultural dos Palmares, entre 1932 e 1945, com Miguel Jasseli, Hermilo Borba Filho (jovem), Jayme Griz e outros expoentes;

     A Geração pós-Guerra e as tentativas de fundação de uma Academia Palmarense de Letras, com Fenelon Barreto, Júlia Leite, Milton Souto (autor do "Hino de Palmares") ...

     E continua ...

     Com a consagrada Geração redemocratização anos oitenta, de Juareiz Correia, Luiz Alberto Machado, Luiz Berto, Jussara Koury, Elita Ferreira e outros expoentes...

     E continua, nos últimos vinte anos, com novos autores, nomes, cores e um incansável eterno retorno : a literatura é uma marca aferrada na tradição de Palmares !"


(Transcrito do blog HISTÓRIA, PROSA E POESIA 
- http://vilmarcarvalho.blogspot.com )


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LANÇAMENTO DOS 3 NOVOS LIVROS DO POETA,
 HISTORIADOR E PROFESSOR VILMAR ANTONIO CARVALHO :
"LETRADOS E UFANOS", "BORDEL BARROCO" E "O POETA
QUE VIROU ESTANTE"  - Hoje, às 19h30m., no Restaurante Terramar
(próximo a FAMASUL), Palmares, PE.

sábado, 10 de dezembro de 2011

NO MEU OFÍCIO OU FUNESTA ARTE, de Dylan Thomas




No meu ofício ou funesta arte 
Exercitado em noite calma 
Quando somente a lua assola 
E os amantes estão na cama
Com a tristeza nos seus braços,
Trabalho cantando baixinho
Não pelo pão nem pela ambição,
Ostentação, troca de encantos 
Sobre tablados de marfim
Mas pelo mais comum salário
Do mais secreto coração.  


Não pra esse orgulho a parte
Longe da irada lua escrevo
Sobre esta página ainda em branco
Não para os mortos que se empilham 
Com os seus rouxinóis e salmos 
Mas para amantes, com seus braços 
Em volta às tristezas da idade,
Que não dão prêmios nem salários 
Nem na minha arte ou ofício atentam.  


(Tradução de Laurênio Lima)


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Transcrito do livro CANTOS DA OUTRA AMÉRICA,
de Laurênio Lima - Edições Pirata, Recife, PE, 1988.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

UM CAVALHEIRO DA SEGUNDA DECADÊNCIA, de Hermilo Borba Filho : 4 romances que são um só




MARGEM DAS LEMBRANÇAS


     O escritor é o seu melhor personagem e, em suas confissões, de forma franca, irreverente, desbocada, inicia, na década de 1930, em Palmares, a cidade onde nasceu, a sua trajetória humana. O jovem Hermilo promove as suas descobertas amorosas, sexuais, artísticas e políticas, integrado à vivência do povo - identificado com as suas virtudes e a sua degradação -,  numa narrativa crua, nua, luxuriosa e densamente poética.  A sua aventura humana transfigura a realidade de uma época brasileira de angústia e sofrimento e, particularmente, com os seus dramas, alegrias, pequenas conquistas e dissabores cotidianos, torna mais significativa a própria vida e a da sua gente.   



A PORTEIRA DO MUNDO


   Luta pela sobrevivência no Recife, empregos sem futuro, e o sonho de realização artística como homem de teatro. Mais amadurecido, o personagem Hermilo amplia, na capital pernambucana da década de 1940, o território das suas provações e emoções humanas.  Mergulha com intensidade na nova cidade de águas (como a sua Palmares), criador e criatura, devorando e sendo devorado, onde o erotismo é a sua religião.  Revolta-se com o Recife invadido pelos norte-americanos, o mundo está em guerra, e, evolui profissionalmente, dedicado à cultura artística, participando da administração pública da cidade.  Volta a Palmares para encontrar a primeira grande mulher da sua vida. Já é um encenador de projeção e dramaturgo.     



O CAVALO DA NOITE


     São Paulo, rio de concreto, mar de gente, cinema, televisão, amizades passageiras, crenças desfeitas, um mundo de quase 400 anos completamente novo.  Sem tempo de solidão, Hermilo é um homem dedicado à família, vivendo com a mulher e os filhos menores vindos do Recife, estacionado no emprego seguro de uma revista ianque.  São Paulo é uma cidade que não amanhece.  Boemia cultural, artes, artistas, taras, opulência paulistana, vidas caras e vazias.  A morte da mãe, lembrança do pai e irmãos mortos, é um retorno ao seu mundo vivo verdadeiro.  O primeiro romance publicado, dias cada vez mais cheios de livros, teatro profissional, dramaturgia nordestina na maior metrópole da América do Sul.  E uma mudança repentina : desemprego, mentiras, safadezas, tempos difíceis, a cidade grande cada vez menor.      



DEUS NO PASTO


      Volta ao Recife, ilha, continente, rio, mar. Novos caminhos de Hermilo, com experiências educacionais, literárias, teatrais, políticas, em busca da identidade cultural nordestina. Recife da década de 1960, onde vivem, o homem a cidade, agudas transformações sociais.  Encontro com a segunda grande mulher da sua vida.  As confissões de um escritor uno, indivisível, original, e ao mesmo tempo coletivo, múltiplo.  Ascensão e queda dos governos populares da capital e do Estado de Pernambuco.  O tempo negro da ditadura militar brasileira : perseguições, torturas, mortes, expulsão de amigos estrangeiros e exílio de compatriotas. Em plena maturidade, um corajoso testemunho de vida autêntica e profunda. O relato singular da sua vida se confunde com a tragédia do povo do seu país. 

                                                                                               (Texto de Juareiz Correya)

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        A tetralogia de romances UM CAVALHEIRO DA SEGUNDA DECADÊNCIA (Margem das Lembranças, A Porteira do Mundo, O Cavalo da Noite, Deus no Pasto), de Hermilo Borba Filho, foi lançada pela Edições Bagaço, do Recife,  nesta segunda-feira, dia 5/dezembro/2011, às 19 horas, na Fundação Joaquim Nabuco - FUNDAJ (Rua Henrique Dias, 609, Derby, Recife, PE).  Uma produção editorial inédita no mercado cultural brasileiro.  Os romances da tetralogia foram lançados, pela primeira vez, em conjunto, no Brasil.   Na ocasião, lançamento (DVD) e exibição do importante documentário "Hermilo no grande teatro do mundo", com roteiro e direção de Carla Denise, realizado pela Massangana Multimídia Produções/FUNDAJ/Ministério da Educação/Governo Federal.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Edição inédita da tetralogia "Um Cavalheiro da Segunda Decadência", de Hermilo Borba Filho, lançada hoje no Recife





     A Edições Bagaço, do Recife (PE), realiza uma produção editorial inédita no mercado editorial brasileiro : publica, pela primeira vez, em conjunto, a tetralogia de romances UM CAVALHEIRO DA SEGUNDA DECADÊNCIA  (Margem das Lembranças, A Porteira do Mundo, O Cavalo da Noite, Deus no Pasto), de Hermilo Borba Filho, com lançamento a ser realizado hoje, dia 5 de dezembro, às 19 horas, na Fundação Joaquim Nabuco - FUNDAJ (Rua Henrique Dias, 609, Derby, Recife, PE). Na ocasião, será exibido o documentário Hermilo no Grande Teatro do Mundo, com roteiro e direção de Carla Denise, realizado pela Massangana Multimídia Produções/FUNDAJ.    

     A nova edição da tetralogia de Hermilo Borba Filho, graficamente impecável, é apresentada com capas distintas criadas por Moema Cavalcanti e Paulo Rocha, ilustrações de José Cláudio, e com introdução do jornalista e escritor pernambucano Maurício Melo Júnior que, em seu texto Delírios e coerências de um escritor consciente, enfatiza que a obra ficcional de Hermilo é "uma literatura que, além do pressuposto social e humano, deve ser lida como reverência à palavra, à frase perfeita."

    Hermilo Borba Filho, em entrevista concedida ao jornalista José Maria Andrade, da Revista VEJA, no final de 1975 (censurada em várias partes, Hermilo não permitiu que a revista divulgasse a sua entrevista, mutilada com os cortes da Censura), assim define a sua tetralogia :

     "Eu escrevi dez livros de ficção, dos quais somente quatro - os que compõem UM CAVALHEIRO DA SEGUNDA DECADÊNCIA - são escritos na primeira pessoa do singular, parecendo contar muita coisa da minha vida, escandalizando pela rudeza e pela nudez, a minha nudez e a dos outros, obsessivamente fiel à frase de James Joyce : "Não sei escrever sem ferir ninguém." E à minha própria declaração : "Se não me poupo, como vou poupar os outros ?"  Bem, o que aconteceu com o CAVALHEIRO foi que eu havia atingindo um ponto na vida em que o enriquecimento chegara a um nível de maturação quase passando para o podre : maturação social, sentimental, artística, tudo o mais que envolve o homem.  Escrevi Margem das Lembranças sem saber se teria coragem e forças para ir até o fim.  E fui, esvaziando-me, sofrendo mas esvaziando-me, fazendo os outros sofrer, mas esvaziando-me.  Acho que foi o meu caminho para uma aprendizagem de santidade.  Afinal de contas, estamos aqui para isso : para nos tornarmos santos. Se não conseguimos, é outra coisa.  Mas há, em minha obra confessional, uma grande mistura de "verdade" e "mentira", o que não importa do ponto de vista literário e até mesmo do ponto de vista mais restrito do romance.  Muita coisa que enojou  os leitores eu assumi de outros.  Cabe-nos até isso como escritores."

     Publicado nacionalmente por importantes editoras - Civilização Brasileira, Editora Globo, Círculo do Livro - e com livros traduzidos para a Argentina e a França, Hermilo mereceu aplausos de destacadas personalidades literárias brasileiras, a exemplo de Mário da Silva Brito, Nelly Novaes Coelho, Érico Veríssimo, Leandro Konder, Paulo Cavalcanti, Ariano Suassuna, Hélio Pólvora, Raymundo Souza Dantas, Márcio Souza, Renato Carneiro Campos, Sonia Maria van Dijck, Fernando Monteiro. 

     A Edições Bagaço está lançando toda a obra ficcional de Hermilo Borba Filho, constituída de mais três romances - Os Caminhos da Solidão, Sol das Almas, Agá -, uma trilogia de contos - O General está Pintando, Sete Dias a Cavalo, As Meninas do Sobrado - e da novela Os Ambulantes de Deus.  (Texto de Juareiz Correya)

domingo, 4 de dezembro de 2011

DEUS NO PASTO, de Hermilo Borba Filho : Volume 4 de "Um Cavalheiro da Segunda Decadência"



1
Só existe um caminho, meu senhor. O resto são veredas.
(Um cego pedinte)


     "Eu olhava pela janela e via a campina vazia, somente poucas árvores balançadas pelo vento forte que vinha do mar, um vago cheiro de maresia, porque o mangue, mais por efeito do rio, à mercê das marés baixas ou altas, conseguia sufocar qualquer odor que não fosse o da lama onde se misturavam patas de caranguejos, olhos de peixe, folhas mortas, calor de sol, frieza de estrelas, mijo, fezes, restos de comida, sangue de várias procedências; e houve um eco que eu jamais saberia de onde se originara, de que grito, por que grito, destorcido impossível saber se de gozo ou raiva assassina, talvez mesmo um simples som sem intenções, dado por dar, ato gratuito sem nenhuma intenção de ressonância, mas me havia atingido e me obrigara a desviar a atenção do trabalho na manhã do sábado.  E por que entre tantos ruídos caseiros, tantas interrupções, passagens, bater de palmas, somente o eco tivera o poder de me afastar do esquema em que  trabalhava havia horas, na ingente tarefa de preparar uma aula que não me interessava o mínimo ?
O sinal era característico : uma vaga vontade de defecar, um leve frio na espinha, um breve, mas intermitente desejo de dormir ou me aferrar a um livro, mas não, teria de dar picaretadas no papel, alinhando nomes, datas, interpretações, talvez o som que produzira o eco houvesse mesmo saído dos meus dedos, indo ao obstáculo e voltando aos meus ouvidos, poderia ser à noite, mas não outra vez, escapara pela manhã e me convidava a vagabundagens, no aparador a bebida só esperava mesmo pelo gelo, e era outra coisa, a garganta se contraía na vontade quebrando uma disciplina indispensável à conquista do imediato, eu poderia deixar de pensar na segunda-feira de alunos, cadernetas, quadro negro, didascálias, prólogos, párodos, ágons, corifeus, onkos, para me voltar ao mundo corrente de carne e massas, cama fofa, bate-papos, um joguinho para matar o tempo, ainda espantado com a mudança, no trabalho de readaptação, não se tratava propriamente de redescobrir a região, mas de incorporá-la ao meu gosto já tão abalado, vendo as coisas como se elas fossem, ao mesmo tempo, amigas e inimigas, considerando uma áfrica o exército de muriçocas, baratas, lagartixas, não adiantava estar no Recife se na Madalena não morava num casarão, mas numa daquelas casas recém-construídas, de paredes ásperas e cores agressivas, salvando-se apenas a acácia no meio do gramado, embora eu preferisse amarelo-ouro e não daquele róseo desbotado, mas em todo o caso ainda era melhor ver formiga em luta com as pétadas do que somente um muro ocre, muito novo, o mofo ainda longe. Comprazia-me no vôo dum mangangá com o zumbido que me transportava para os embola-bostas da infância e jactava-me de albergar, por breves instantes, um colibri parado no espaço tal a velocidade das suas asas, sugando o mel de uma flor vagabunda. Tentava localizar-me, depois de tantos anos, no tempo e no espaço..."



(Fragmento inicial do romance DEUS NO PASTO, de Hermilo Borba Filho - Volume 4 da tetralogia "Um Cavalheiro da Segunda Decadência", Edições Bagaço, Recife, PE, 2010./ Lançamento nesta segunda-feira, dia 5/dezembro/2011, às 19 horas, na FUNDAJ (Rua Henrique Dias, 609, Derby, Recife, PE)


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OPINIÕES SOBRE O AUTOR 

"Como romancista, Hermilo Borba Filho é figura singular num dos mais ricos filões literários do Brasil que é a literatura nordestina.  Sem ser estritamente regionalista mas mergulhado até à medula na cultura de sua região, seus romances parecem representar uma nova perspectiva literária, sólida, indestrutível entre a fase do realismo crítico, típico dos anos 30, época de uma literatura explicitamente social, exsudando indignação política e bastante ideologizada, e uma literatura menos historicista, mais individual e com um gosto libertário que não se envergonha frente às paixões humanas, frente ao prazer." (MÁRCIO SOUZA)


"Logo em seguida Hermilo corta a própria pele com a tetralogia UM CAVALHEIRO DA SEGUNDA DECADÊNCIA, formada pelos textos de Margem das Lembranças (1966), A Porteira do Mundo (1967), O Cavalo da Noite (1968) e Deus no Pasto (1972). Esse talho de afiado bisturi revela o homem diante de todos os seus medos, aflições, imperfeições e reviravoltas. Numa época de descrenças e mentiras o protagonista assume suas verdades e se ajoelha diante de Deus."  (MAURÍCIO MELO JÚNIOR)


sábado, 3 de dezembro de 2011

O CAVALO DA NOITE (Romance 3), de Hermilo Borba Filho




1
Chove solidão dentro de mim.
(De uma canção popular)


     "Calçadas escorregadias, a garoa vestindo os arranha-céus cinzentos, muitos de janelas acesas, portas largas despejando homens e mulheres, todos também em cinzento, apressados, cabeças baixas; táxis, carros particulares, ônibus, bondes, ruas nunca imaginadas, viadutos, nem um nome brasileiro nos anúncios, médicos, advogados, corretores, dentistas, escritórios; os luminosos riscavam a noite e, varando o cinza, espalhavam raios violetas, verdes, azuis, amarelos, transformando a multidão em seres onde eu não podia descobrir corações, fígados, rins, pensamentos.  Pelo menos havia a presença da água, embora de chuveirinho, caída do céu, mas até onde a vista alcançava eram somente blocos de cimento, estruturas metálicas comprimindo-me na busca, de valise na mão, duas ou três pessoas a quem parei pelo braço livraram-se  num safanão sem ligar para a minha angústia, com certeza não existia o Bar Americano, um homem de sol perdido na noite gelada, sapatos encharcados, jamais poderia supor um mergulho naquele pesadelo pluvial, consultando meu relógio verifiquei que eram apenas sete horas da noite, mas as trevas se adensavam até o limite dos prédios, do mais alto, estava atolado, onde encontrar Albuquerque naquele burgo de milhões de habitantes ? ainda não ouvira uma palavra em português, somente frases em italiano, turco, alemão, francês, inglês e outras que tais, o safado não fora ao aeroporto, quem sabe como me receberia se eu descobrisse o Bar Americano, seu ponto costumeiro conforme me dissera meses atrás, das seis às oito. Tinha de procurar um hotel, era o mais lógico, e no amanhã, com o sol, a cidade seria outra, existiam telefones, meu dinheiro ainda podia dar para vários dias, o principal era refugiar-me do frio depois de encher o estômago com uns tragos de conhaque e um filé sangrento, debaixo dos cobertores, forçando a cabeça a não pensar em nada, um quarto de hotel é como um túmulo e eu tinha necessidade de morrer por longas horas..."



(Fragmento inicial do romance O CAVALO DA NOITE, de Hermilo Borba Filho - Volume 3 da tetralogia "Um Cavalheiro da Segunda Decadência", Edições Bagaço, Recife, PE, 2010. / Lançamento nesta segunda-feira, dia 5/dezembro/2011, às 19 horas, na FUNDAJ (Rua Henrique Dias, 609, Derby, Recife, PE)


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OPINIÕES SOBRE O AUTOR

"Irreverente, zombeteiro, rabelaiseano, boccaciano, Hermilo Borba Filho vai tecendo os seus enredos, numa enxúndia de palavras que faz o sertão virar mar. Sua linguagem choca em catadupas.  Uma pancada intencional de bom ou mau gosto.  Uma bacanal descritiva. A prosa é uma orgia romano-tropicalista que certas situações de uma sensualidade erótica mais acentuam." (HÉLIO PÓLVORA)


"Entre os mais representativos escritores latino-americanos atuais, inscreve-se o nome de Hermilo Borba Filho, autor da tetralogia intitulada  Um Cavalheiro da Segunda Decadência.  Esta sua obra representa, sem dúvida, uma das mais lúcidas tentativas de elaboração romanesca da realidade humana das quatro últimas décadas da sociedade brasileira." (SÉRGIO MOACIR DE ALBUQUERQUE)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A PORTEIRA DO MUNDO (romance), de Hermilo Borba Filho




1
Se viste, é como se não houvesse visto, e se ouviste, sê surdo.
(HERMES)


     "Água, água, água, mais água. Outra cidade-água, era inútil, dela não podia fugir, meus olhos se habituavam à chatice das superfícies planas, niqueladas ou azul-esverdeadas, porque então tinha, não somente as águas brancas do rio, mas as do mar, para mim um pouco repugnantes, sempre em movimento, para baixo, para cima, para os lados, iam e vinham, agrediam, tornavam-se oleosas, mudavam de cor, invadiam, infiltravam-se, recuavam como cadelas com um pontapé no traseiro para, logo depois, avançar raivosas, ululantes. Eu estava suspenso no ar, era alado, por isto podia observá-las muito bem.  Balançava o rabo e, colocando o queixo nas mãos, olhava a cidade, também como a outra inundada pelas águas : dos mangues fedorentos de onde surgiam os caranguejos de patas peludas, obscenas, proféticos; dos braços de mar com jangadas decorativas feitas de propósito para a paisagem; dos dois rios que se acasalavam, subindo e descendo na força das marés, com mariscos, barcos, baronesas, pontes, edifícios refletidos, atletas, pescadores.  Nas nesgas de terra, nas pequenas ilhas que as baronesas houveram por bem deixar aos homens vinham, do centro para a periferia, os seres humanos : meninos de barrigas grandes e mãos sujas, mulheres feias, negros e mulatos musculosos, adolescentes arrogantes hábeis no manejo das peixeiras, desembocando na rua colorida e oriental com gritos, música, dança, lenços de seda, bibelôs, louça, frutas, sobretudo as frutas, que davam os cheiros melados e os gostos afrodisíacos, toda a multidão invadindo o mercado, indiferente ao odor dos peixes de barrigas abertas e aos pretos camarões recurvos, meditativos na morte, às carnes sangrentas de bois, cabritos e bodes, assustando as galinhas e os pombos, mergulhando as mãos nos sacos de feijão, farinha e arroz, comprando miçangas, pela garganta abaixo fazendo descer os copázios de grosso caldo-de-cana, engolindo cachaça, tudo às gargalhadas, aos berros, aos cantos, cuspindo nas cuias dos mendigos e parando na roda para ouvir o último romance queixoso, monocórdico, das aventuras e desventuras de uma Ismália em preto e branco, recortada em ângulos, um punhal à altura do peito esquerdo; traziam a lama viscosa nos pés descalços e benziam-se automaticamente defronte das igrejas geladas ao sol ardente rodeadas de casinhas coloridas, uma delas em azul forte, debruçada na pequena varanda uma moça de amarelo, seios fartos, deixando ver as coxas pelas aberturas de tábuas gastas por chuvas de cem invernos..."



(Fragmento inicial do romance A PORTEIRA DO MUNDO, de Hermilo Borba Filho - Volume 2 da tetralogia "Um Cavalheiro da Segunda Decadência" - Edições Bagaço, Recife, PE, 2010 -. / Lançamento nesta segunda-feira, dia 5/dezembro/2011, às 19  horas, na FUNDAJ (Rua Henrique Dias, 609, Derby, Recife, PE)

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OPINIÕES SOBRE O AUTOR 

"Seu estilo vibrátil e a técnica de composição tentada desde o primeiro romance atingem aqui a plenitude e a desenvoltura conferidas por mão de mestre do ofício.  Seu romance é, sem dúvida, um corajoso testemunho de vida autêntica e profunda..."  (NELLY NOVAES COELHO)

"... comecei a ler os volume de seu Cavalheiro da Segunda Decadência e - confesso - fiquei empolgado por eles.  Era o meu primeiro encontro com um romancista de garra." (ÉRICO VERÍSSIMO)





quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

MARGEM DAS LEMBRANÇAS, de Hermilo Borba Filho




1
Semente de amor eu sei que sou desde nascença.
(CARTOLA, sambista e pedreiro)


     " Eu estou na balança. Todos os meus atos estão num dos pratos da balança. De um lado, os demais : muitos deles sou eu, metamorfoseado, irreconhecível, adulterado; do outro, eu mesmo, integral, de carne, as pernas penduradas no vazio. E me jogo numa longa viagem do útero à morte : de um negro para outro, de um vermelho para um vermelho, de um branco para um mais que branco, diáfano, transparente, etéreo, como era antes, sempre em formação, em massa, um pastel. Este sou eu, tanto no passado - vida morta - como no presente que se estende pelos dias e pelas noites sem nada com o futuro inexistente, apenas inventado pela imaginação e, com certeza, diferente do que espero. Merda para o futuro ! Teço, neste papel, um passado real às vezes e, outras, puramente imaginado na esperança de que no fim Deus confunda o que vivi e o que inventei e me dê um saldo favorável para uma modesta pensão no purgatório.  E se, como dizem, lá o tempo se conta por bilhões, que me importa o futuro diáfano, sempre branco, em flocos, menos que a lã-de-barriguda ?

     Ouço a água cair e, tanto pode ser de uma torneira, de uma biqueira, de uma fonte, de um esgoto, como de um copo para a garganta nunca aplacada; ouço a porta bater : pode ser um ladrão na noite, o pai que se levanta para mijar, eu mesmo que entro sorrateiramente na madrugada ou uma freira que se põe à procura de panos limpos, que as freiras também menstruam; ouço um zumbido; deve ser um besouro à procura de luz, o apito engasgado do guarda-noturno, a eletricidade querendo sair do fio ou o ruído do silêncio quando se está só, olhos fechados na escuridão, com fome e ereção, desesperado.

     De olhos fechados mastigo tudo o que se passou e só vou interromper esta narrativa quando o infarto, o atropelamento, o câncer, a esclerose, uma dessas coisas me pegar de sopetão. Aqui estou de pés plantados na terra vomitando palavras. Lembro-me de tudo : dos cheiros, das cores, das palavras, de todos os atos. Embora saiba que jamais alcançarei o futuro, continuarei escrevendo até secar os dedos. O que importa é lembrar e pedir para não ser julgado.  Esta é uma tábua de lembranças."




(Fragmento inicial do romance MARGEM DAS LEMBRANÇAS, de Hermilo Borba Filho. - Volume 1 da tetralogia "Um Cavalheiro da Segunda Decadência", Edições Bagaço, Recife, PE, 2010)  /  Lançamento nesta segunda-feira, dia 5/dezembro/2011, às 19 horas, na FUNDAJ, Rua Henrique Dias, 609, Derby, Recife, PE.

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OPINIÕES SOBRE O AUTOR

"Como um Chagall da prosa, espalha cores pela narração afora, pinta, desenha, deforma, transfigura o real, mas sem perder o pé na realidade,  para a qual continuamente retorna, como em busca de fôlego que lhe permite atirar-se a novas proezas verbais, nunca gratuitas, mas sempre significantes, plenas de simbolismo, vinculadas ao chão." (MÁRIO DA SILVA BRITO)

"MARGEM DAS LEMBRANÇAS é o ponto de partida de uma história que envolve o povo brasileiro, numa época de angústia e sofrimento.  Graças a esses romances Hermilo Borba Filho exerceu sobre mim uma influência poderosa no conhecimento da vida e dos dramas humanos." (PAULO CAVALCANTI)


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O RECIFE FESTEJA HERMILO COM LITERATURA E CINEMA



    
     A Editora Bagaço, a Fundação Joaquim Nabuco, Leda Alves e a família de Hermilo Borba Filho convidam para o lançamento do documentário inédito HERMILO NO GRANDE TEATRO DO MUNDO, integrante da Coleção Teatro Volume 3, realizado pela Fundação Joaquim Nabuco através da Massangana Multimídia Produções e da tetralogia UM CAVALHEIRO DA SEGUNDA DECADÊNCIA, de Hermilo Borba Filho, pela Editora Bagaço.    

     Programação - Entrada Franca

     19h - Cinema da Fundação :
               Exibição do documentário HERMILO NO GRANDE TEATRO DO MUNDO

     20h - Jardim Interno do Edifício Ulysses Pernambucano :
               Lançamento do DVD Coleção Teatro Volume 3 - Hermlo Borba Filho
               (documentário e entrevista com o autor) e da reedição da tetralogia
               UM CAVALHEIRO DA SEGUNDA DECADÊNCIA. 

               Coquetel.

   
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Data :  05 de dezembro de 2011 (segunda-feira)
Hora :  19h.
Local : Fundação Joaquim Nabuco
           Edifício Ulysses Pernambucano
           Rua Henrique Dias, 609 - Derby
           Recife - PE.


MASSANGANA MULTIMÍDIA PRODUÇÕES 
- 25 ANOS DE CRIAÇÃO

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

HERMILO E PALMARES (4) : "Um encontro no Recife"




     Certo dia, eu e Elói Pedro, empenhados na transação da Editora Palmares, fomos ao Recife e aproveitamos a companhia do dentista Aluísio Griz, parente de Hermilo, para chegar até ele. Estranhamente, o dr. Aluísio, que admirava profundamente a obra de Hermilo, não quis nos acompanhar até o apartamento dele, deixando-nos à entrada do edifício com uma desculpa e pedindo para que a gente passasse depois na casa onde ele estaria, no mesmo quarteirão, nas Graças, quando chegasse a hora de voltar para Palmares.  De entrada, Hermilo nos recebeu com um forte aperto de mão e um abraço muito amigo. Nos adiantou logo que Leda, sua companheira, não estava, e reclamou por que eu ainda não havia passado na casa dele, perguntando se eu fazia idéia de que ele era um medalhão metido a besta...  Eu lhe disse logo que não era nada disso, era o tempo da gente, limitado, sem condição de sair de Palmares a qualquer hora. Ele nos arrebatou com um jeito envolvente muito natural, confessando : "Estou proibido pelo médico de beber, mas hoje merece uma comemoração e eu vou beber com vocês."  Preparou doses generosas de uísque, na medida para o papo que foi todo tecido sobre Palmares, as suas coisas e a sua gente. Saímos de lá com a promessa de que, naquele ano mesmo, ele ia rever Palmares para bater um bom papo conosco e com o pessoal que estava se dedicando à literatura na cidade.


AGENDA CULTURAL : "POESIA VIVA DO RECIFE" (Abel Menezes Filho)




RECIFE

(fragmentos)



I

Também sonhei venezas
Minha cidade 
Rios canais limpos navegáveis 
Claridade ruas sem miséria 
Descalço pisar pedras polidas 
Geométricas 
Casas velhas memórias 
Calor fêmea envolvendo todos 
Torpor timoneiro 


XI

Aprendiz 
Minha cidade 
Vazia tantas vezes cheias 
Revolta só memória 
Lutas libertárias 
Caneca zumbi poetas 
Noturnos maracatus 
Despertam mesmice 
Deixem dormir veneza 
Provoquem revoltem Recife 


(da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,
organizada por Juareiz Correya)


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ABEL MENEZES FILHO - Médico, poeta, contista 
e ensaísta. Nasceu em Caruaru (PE) e vive atualmente 
no Recife, onde concluiu estudos universitários e trabalha.
Publicou DELÍRICA DANÇA (poesia e prosa).


sábado, 19 de novembro de 2011

POESIA VIVA DO RECIFE na "Agenda Cultural" da Cidade





     A partir deste mês de novembro, a Agenda Cultural, publicada pela Prefeitura do Recife / Secretaria de Cultura / Fundação de Cultura Cidade do Recife  divulga, na seção Literatura, a página POESIA VIVA DO RECIFE, com textos selecionados da segunda edição, ainda inédita, da antologia organizada por Juareiz Correya.  Publicada, em sua primeira edição, no ano de 1996, pela Companhia Editora de Pernambuco - CEPE / Governo de Pernambuco, a antologia reunia textos de 100 poetas contemporâneos que "vivem, amam e eternizam a cidade."  A nova edição a ser publicada está enriquecida com a participação de mais de 170 poetas, relevando textos exclusivamente escritos e publicados sobre a cidade do Recife em livros, jornais e revistas impressos e na Internet.   

     Com tiragem de 19 mil exemplares, a Agenda Cultural é distribuída gratuitamente em centros culturais, bibliotecas, Secretarias de Cultura e Turismo da cidade e do Estado, espaços culturais da Prefeitura do Recife e pode ser acessada na Internet (http://www.agendaculturaldorecife.blogspot.com/)

     A Agenda Cultural  apresenta, na edição deste mês de novembro (Ano 17, Número 195), na página POESIA VIVA DO RECIFE, fragmentos do poema "Recife", de Abel Menezes Filho, poeta, contista e médico nascido em Caruaru (PE) e que vive no Recife, onde concluiu estudos universitários e trabalha.  O autor publicou o livro DELÍRICA DANÇA (poesia e prosa). 

     Nos próximos meses, a Agenda Cultural publicará poemas de Bartyra Soares ("Reflexões do Capibaribe"), César Leal ("Recife em dezembro"), Débora Brennand (A Rua") e de Eduardo Martins ("Geografia do mal").  O crédito de tudo isto é da sensibilidade do poeta e editor Manoel Constantino e da sua equipe de produção (destaque para a jornalista Raquel Freitas e para a diagramadora Lúcia Rodrigues).  

    

terça-feira, 15 de novembro de 2011

DISCURSO POÉTICO, de Juareiz Correya




"todo poeta é um subversivo"
                  (Juareiz Correya)



subverto as manhãs com esta violência 
de tardes e noites inconsequentes 
escangalhando o dia sem contar as horas 
faço o tempo pelos ponteiros que perdi
e instituo o levante da minha decadência 
não troco a língua nem vendo o nome
decretando entregas e condenando recusas 
estandarte de ilusões rasgadas 
não canto hinos com estribilhos de amor 
por viver inseguro do tamanho de uma pátria 
eu me limito à nação que me chamo 
e a cada instante república nova proclamo 
contra o império da dor e do abandono
anistio vencedores elejo quem se derrota 
livro prisões dos horrores dos homens 
marcha nas ruas o exército da minha desordem
e eu abro portas com as mãos do regresso   


(Recife, 1982)



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Transcrito do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA
E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20,
de Juareiz Correya 
- Panamérica Nordestal, Recife, PE, 2010

domingo, 13 de novembro de 2011

DEPOIS DA TEMPESTADE, poema de Derek Walcott




Há tantas ilhas !
Como muitas ilhas, como as estrelas à noite 
naquela árvore ramificada que de meteoros estão abaladas 
como frutas caindo ao redor do vôo escuna.
Mas as coisas devem cair,e assim sempre foi,
queda, e cada um como esta terra é uma 
é uma ilha em arquipélagos de estrelas.   
Meu primeiro amigo foi o sea.Now, é o meu passado.
Eu paro de falar de trabalho, então eu li, 
 sob uma lanterna presa ao mastro.
Tento esquecer o que a felicidade era, 
e quando não funciona, eu estudo as estrelas.
Às vezes é só comigo, e a espuma soft-scissored
como a sua vez baralho branco e ao ar livre lua 
uma nuvem como uma porta e a luz sobre mim
é uma estrada em branco luar me levando para casa.  
Shabine cantou a você do fundo do mar.   



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DEREK WALCOTT - Nascido em Santa Lucia, Caribe, 1930.
Poeta, dramaturgo, artista visual, professor universitário.
Vive no Caribe e nos Estados Unidos.
Prêmio Nobel de Literatura em 1992.
Mais informações - http://www.poemhunter.com

sábado, 12 de novembro de 2011

DEREK WALCOTT : Prêmio Nobel de Literatura na "7a. Fliporto" de Olinda





     O poeta caribenho Derek Walcott, Prêmio Nobel de Literatura,  apresenta hoje uma importante conferência -  para o universo cultural pernambucano e brasileiro -  às 19 horas, no Painel 6 do Congresso Literário da "7a. Fliporto - Festa Literária Internacional de Pernambuco" (Praça do Carmo, Olinda).

     Poeta, dramaturgo e artista visual, Derek Walcott nasceu no dia 23 de janeiro de 1930 em Castries, Santa Lucia, Caribe, e conquistou o Prêmio Nobel em 1992. Sua obra, segundo os seus estudiosos, que se desenvolveu de forma independente das escolas de realismo mágico emergentes na América do Sul e Europa no periodo do seu nascimento, é intensamente relacionada com o simbolismo do mito com a cultura.  É mais conhecido por sua poesia épica. Fundou a Trinidad Theatre Workshop, em 1959, que produziu suas peças (e de outros), e desde essa época permanece ativo em seu Conselho de Administração.  Também fundou o Teatro Boston Playwrights, na Universidade de Boston, em 1981, com a esperança de criar um lar para novas peças em Boston, Massachusetts. Walcott se aposentou do ensino de poesia e drama no Departamento de Escrita Criativa, da Universidade de Boston, em 2007. Ele continua a dar aulas e palestras em todo o mundo e divide o seu tempo entre a  sua residência no Caribe e Nova York.   

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Mais informações - http://www.poemhunter.com   

domingo, 6 de novembro de 2011

ESCRITORES CENTENÁRIOS DE PERNAMBUCO - 1911/2011 : MANUEL BEMTEVI





PARO TODO MOVIMENTO DO ESTADO
SÓ FUNCIONA O RECIFE SE EU QUISER


Se eu chegar no Recife aperriado
Eu acabo com todas as fortalezas 
Vou no Palácio do Campo das Princesas 
Paro todo movimento do Estado. 
Na Assembléia não deixo um deputado
Na zona não fica uma mulher 
Acabo as forças armadas que houver
Tranco banco instituto inspetoria 
Fecho hospitais detenções secretarias 
Só funciona o Recife se eu quiser.

Prendo guarda civil cabo soldado
Comandante Chefe do Estado Maior 
Prendo tenente capitão prendo major 
Paro todo movimento do Estado.
Prendo telégrafo imprensa consulado
Emissora não deixo uma sequer 
Prendo a Loyd a Costeira e a Panair
Paro o trânsito não passa mais ninguém
Da estação central não sai mais trem
Só funciona o Recife se eu quiser.

Prendo médico doutor advogado
Prendo juiz de direito e promotor 
Prendo prefeito e prendo vereador 
Paro todo movimento do Estado.
Prendo o governo prendo o secretariado 
Só Deus resolve na terra o que eu fizer 
Prendo moça menino homem e mulher 
Tapo as águas do rio Beberibe 
Corto o curso do rio Capibaribe
Só funciona o Recife se eu quiser.

Paulo Afonso eu deixo desmantelado 
Vou quebrar as barragens e as turbinas 
Quebro os quadros depois quebro as bobinas 
Paro todo movimento do Estado. 
Transformador um por um deixo quebrado
Rebento todas as torres que houver 
A linha de transmissão se ainda tiver 
Eu rebento toda ela em meio-dia 
De Paulo Afonso não sai mais energia 
Só funciona o Recife se eu quiser.

Lá na boca da barra eu dou um brado
Nos armazens não atraca mais navio 
Do Capibaribe acabo o delta aterro o rio
Paro todo movimento do Estado.
Beberibe e Gurjaú deixo aterrado
Não deixo um litro d'água sequer 
Pra ninguém não dou chá nem dou colher 
Homem mais brabo eu tranco na enxovia 
Por enquanto só deixo a reitoria 
Só funciona o Recife se eu quiser.   

Dois Irmãos dessa vez deixo trancado
Nos domingos jamais ninguém visita 
Em Mourão Filho não deixo uma guarita 
Paro todo movimento do Estado.
Vou acabar com faculdade e juizado
O Aeroporto e o Ibura e outro qualquer 
E algum aeroporto que inda houver 
Acabo o Náutico o Esporte e o Santa Cruz 
Acabo até com a Procissão do Bom Jesus 
Só funciona o Recife se eu quiser.   

Eu derrubo arranha-céu casa sobrado
Fecho o comércio acabo as padarias 
Laboratórios farmácias e drogarias 
Paro todo movimento do Estado.
Carro-tanque canhão carro blindado 
Porta-avião baleeira se tiver 
Todo carro de praça que houver 
Arranco a pista isolo toda entrada 
No Recife não entra e não sai nada 
Só funciona o Recife se eu quiser.    

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Mas isso tudo foi um sonho muito pesado
Que eu sonhei certa vez quando dormia 
Uma voz no ouvido me dizia 
Paro todo movimento do Estado.
Acordei tristemente atribulado
Vi que era uma coisa sem mister 
Não encontrei uma pessoa sequer 
Que me dissesse o que tinha acontecido
E uma voz me dizendo no ouvido
Só funciona o Recife se eu quiser.    


(Transcrito da Revista POESIA, número 3
 - "Manuel Bemtevi, o maior cantor da Mata" -
Recife, PE, 1980)


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MANUEL BEMTEVI (Manuel Romão dos Santos)
nasceu no Engenho Verde, município dos Palmares, PE,
no ano de 1911. Autodidata, poeta de cordel e cantador 
de coco e de embolada. Inédito por muito tempo,
 foi promovido em Pernambuco pelo poeta Juareiz Correya,
que destacou e projetou o seu trabalho com a edição
especial da Revista POESIA (Número 3, Nordestal Editora,
Recife, PE, 1980), inteiramente dedicada ao seu nome.  
Publicou o livro DESMANCHANDO O NORDESTE 
EM POESIA (Edições Bagaço, Palmares, PE, 1986)
e deixou inédito o livro A BELEZA NORDESTINA.
Faleceu em Joaquim Nabuco, PE, onde residiu por muito
tempo, no ano de 1999.








quinta-feira, 3 de novembro de 2011

POETAS DOS PALMARES - Um Século de Poesia





Iniciamos, a partir desta data, a publicação "imperiódica" dos textos reunidos na antologia POETAS DOS PALMARES, publicada pela Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho/Prefeitura dos Palmares, PE, 3a. edição, 2002.  Esta antologia, com introdução de Hermilo Borba Filho (crônica publicada no Diário de Pernambuco, no dia 06/setembro/1973, sobre a primeira edição da antologia), de acordo com a reestrutura cronológica "que serviu para definir a sua 2a. edição", reune textos destes 72 poetas :

     PALMARES 1900/1970

     Adalberto Marroquim, Aloísio Fraga, Amaro Matias, Antonio Veloso, Artur Griz, Ascenso Ferreira, Calazans Alves d'Araújo, Eliseu Pereira de Melo, Eurípedes Afonso Ferreira, Ezequias Pessoa de Siqueira, Fábio Silva, Fenelon Barreto, Fernando Griz, Jayme Griz, João Costa, José Lagreca, José Ramos, Júlia de Moraes Leite, Lelé Correia, Leopoldo Lins, Mário Marroquim, Manuel Bemtevi, Milton Souto, Olívio José de Freitas, Raimundo Alves de Souza, Rubem de Lima Machado, Stella Griz, Zenóbio Melo.   

     PALMARES 1970/1986

     Afonso Paulins, Alfredo Moraes, Américo Furtunato, Ângelo Meyer, Elita Afonso Ferreira, Eniel Sabino de Oliveira, Fred Caminha, Jesimiel Gonçalves de Lima, João Lins, Juareiz Correya, Leonilda Silva, Luiz Alberto Machado, Paulo Menezes, Roberto Quental, Sandra Lustosa, Telles Júnior, Vilmar Carvalho.

     PALMARES 1986/2000

     Admmauro Gommes, Aldo Soares, Ana Sara, Aparecida Ventura, Betânia Pinheiro, Dora Angeiras, Dorinha Ferreira, Elias Sabino de Oliveira, Flávia Cedrim Falcão, Hermilo Borba Filho, Inês Falcão, Ivandelma Gabriel, Jordana do Carmo R. Maciel, José Bartolomeu Miranda Maciel, José Maria Sales (Pica-Pau), José Terra, Jucimar Siqueira, Jussara Koury,  Laís Vasconcelos Sá Barreto, Lindinalva de Lima, Luciano França, Luiz de Oliveira, Marcos Meyer, Margarida de Mesquita, Severino Cassiano Ferreira, Wilson Alves dos Santos, Zezinha Alves de Souza.    

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

UM EPITÁFIO NO CEMITÉRIO DE PALMARES




Uma estrela sem calor
Aqui cessou seu lampejo 
Foi mais terna que uma flor 
Foi mais doce que um beijo


(Autor desconhecido)

sábado, 29 de outubro de 2011

OPINIÕES ESTÚPIDAS SOBRE A INTERNET (1) : Fábio Moon e Gabriel Bá, quadrinistas





"Bom pra internet é tira, porque o espaço é menor, ela é rápida, assim como tudo na internet tem que ser. Coisas longas não foram feitas pra esse veículo."

"O Twitter está para matar a inteligência humana na internet, que tem todo esse poder destrutivo, de você se perder em coisinhas pequeninas e instantâneas.  E perder o prazer de se envolver com uma história longa durante horas do seu dia."



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Transcrito da entrevista de Fábio Moon &
Gabriel Bá - REVISTA DA CULTURA  
- uma publicação da Livraria Cultura S.A.
(edição 51, outubro de 2011)

domingo, 23 de outubro de 2011

ISLA NEGRA DE FIESTA : HOMENAGENS A PABLO NERUDA




     Escreve da sua Ilha Negra (Chile) o poeta Alfred  Asis (poeta@alfredasis.cl)  organizador da antologia mundial MIL POEMAS A PABLO NERUDA :

     "Domingo, 23 de Octubre

     GRANDES ACONTECIMIENTOS EN ISLA NEGRA 


     40 años del Nobel a Pablo Neruda en la casa de Isla Negra con la presencia de la embajadora de Suecia en Chile Sra. Eva Zetterberg, con la lectura del discurso de Neruda ante el Rey de Suecia su Majestad Gustavo Adolfo, interpretado por el actor chinelo, Julio Jung.

     Séptimo Encuentro de los Poetas del Mundo Octubre tras las Huellas del Poeta en las Coincidencias de Luiz Weinstein en Isla Negra.

     Aparición de los primeros 50 libros MIL POEMAS A PABLO NERUDA.

    
     Abrazos, vuestros espíritus estarán con nosotros 

     ALFRED ASIS 
     Consul de Isla Negra y Litoral
     de los Poetas del Mundo
     Chile"

    

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

EMOOBY STORE : editora luso-espanhola lança loja virtual

     Nesta quinta-feira, 20 de outubro, a editora de ebooks EMOOBY /PUBOOTECA lança sua loja virtual (http://store.emooby.com/)

     "A loja está construída sobre dois princípios básicos : agilidade no acto da compra e confiança na plataforma", informam os editores João Faria e Erika Faria.   

   A EMOOBY STORE vai disponibilizar, para os seus clientes, livros, jornais e revistas. A editora criou um sistema de compras altamente eficiente e viável, por meio de um processo em que o cliente internauta só terá que fazer o registro uma só vez na EMOOBY STORE e ficará imediatamente associado.

     "Após ter finalizado a compra, o cliente receberá um e-mail com toda a informação para descarregar o seu livro e a factura como pagou", afirmam os editores.  

     A editora luso-espanhola EMOOBY/PUBOOTECA, especializada em publicações online, já editou mais de 80 ebooks de escritores portugueses, espanhóis e brasileiros. 


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Mais informações no site da editora :
EMOOBY (http://www.emooby.com)

    

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

HERMILO E PALMARES (3) : "Poetas de Palmares"



     Na quinta-feira habitual, o Diário de Pernambuco publicou em sua quarta página a crônica prometida por Hermilo.  




POETAS DE PALMARES

                                         
                                         Hermilo Borba Filho

     Fui pegado de supetão. Juarez Correia me escrevera reclamando porque eu não acusara o recebimento do livro que ele e Eloi Pedro da Silva realizaram. Eu não havia recebido o livro.  Recebo-o agora : POETAS DE PALMARES, e fico estatelado.  No primeiro instante parece-me que sou fulminado por um raio: revejo-me todo ali, no prefácio de Juarez. E eu, que realizei ou pensei realizar uma enorme catarse em "Um Cavalheiro da Segunda Decadência", esgotando Palmares, verifico, ao mesmo tempo com uma grande alegria e com uma grande dor, que Palmares é a minha marca para toda a vida.

     Começo da estação, de onde avisto o Una, desço a ladeira, vejo o hotel de Boca-de-Rã, continuo andando, passo pela casa que foi do Capitão Hermilo e a que foi do meu tio Estevam, e vou em busca de outras casas, as que são habitadas por fantasmas, e as que ainda hospedam parentes - irmãos, cunhadas, sobrinhos, primos - mas tão mudados e tão distantes de mim. Vejo a cidade metida a besta com os seus clubes de serviço,  sua Faculdade, sua sociedade, seus cinemas e vejo que a perdi.  Perdi-a e por isto tento reconstruí-la nos meus escritos. A cidade dos tipos populares e dos mendigos, dos políticos e dos senhores de engenho, dos pescadores da Rua da Lama, das prostitutas do Alto do Lenhador, dos jogadores do café de Nenê Milhaço, das sessões do Cine-Apolo, dos bailes do Clube Literário e do Recreio Familiar, das jovens namoradas e das amantes furtivas, do interminável folclore culinário : buchadas domésticas, ensopados de pitus do Una, piabas torradas com cerveja, cozidos de camorim de água-doce, o doce chouriço, as pamonhas na folha da bananeira, e mais tanta comida, tanta, tanta.

     E acima de tudo, a possibilidade do sonho : a possibilidade de estar sonhando com o futuro, que dependia do livro que eu estava lendo, o futuro que chegou e foi, e Palmares é uma grande cicatriz, sempre dolorida, procuro desamá-la e não consigo, dela fujo fisicamente mas a ela estou ligado no mais profundo de mim mesmo, há anos que lá não vou e visito-a todos os dias, pensei que com a minha tetralogia me houvesse livrado dela, engano, entrego à Editora Globo UM GENERAL ESTÁ PINTANDO e tudo no livro é Palmares com a sua gente recriada, eu mesmo recriado, estou confundindo os mortos com os vivos, não importa, tudo é vivo enquanto eu viver, e até mesmo depois que eu não mais viver, nos meus livros prolongo o tempo do esquecimento.

     Juareiz Correia, com a sua carta e o seu livro (que eu fingia desconhecer, não tomar conhecimento, não me interessar, que me importa lá Palmares ?), causando-me alegria e dor, me fez definitivamente aceitar Palmares, e releio, na sua coletânea : Fernando Griz, irmão do meu cunhado Alfredo, que conheci com o seu "formidável nariz e cegonhesco gogó"; Eurípedes Afonso Ferreira, Pinho, para os íntimos, meu primeiro professor primário; Raimundo Alves de Souza, o meu querido Raimundo, uma das maiores figuras da minha vida, que fez teatro comigo, que se dignava dar-me importância do alto de sua lenda; Artur Griz, meu velho amigo e contraparente; João Costa, companheiro de danças e reuniões; Jayme Griz, também da família, meu amigo, contraparente; Ascenso, do mesmo clã, do mesmo mundo de Palmares; e Fenelon Barreto, que escrevia uns "dramas" terríveis : segundo meu irmão Clóvis, nas peças de Fenelon só não morria o ponto porque saía correndo por debaixo.  

     Por falar em Clóvis - Clóvis Borba Carvalho - lamento que a coletânea não tenha trazido nada dele, que colaborou tanto tempo n' A Notícia ; e que tenham escapado também Stella, a viúva de Ascenso, e Luiz Bezerra, de quem eu passei anos de juventude recitando um longo poema, cujo refrão, "Oxente, não há terra tão boa como a terra da gente", era dito de peito inchado.  Em compensação, porém, não foram esquecidos no livro os poetas que não escrevem versos mas que são poesia viva : os novos Goguéias, Boles-sem-Tempo, Mucuranas, Zumbas-sem-Dentes, Veados-Podres, Fanhins. Esses, saibam todos, quando Pirangi, o vigia que já se encantou, volta e badala o sino do mercado para nos lembrar as fugazes horas da vida, reunem-se na praça e conversam longamente, até o dia nascer, sobre as aventuras e desventuras de todos aqueles que tiveram a sorte de pertencer a Palmares.

                                                                                                                              Diário de Pernambuco
                                                                                                                                                 06.09.1973



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(do livro inédito HERMILO E PALMARES, de Juareiz Correya)

sábado, 15 de outubro de 2011

POETA GAÚCHO LUIZ DE MIRANDA CONQUISTA A EUROPA - Texto de Juremir Machado da Silva



           Eis a notícia :

          "O poeta Luiz de Miranda recebeu Medalha de Ouro do Senado Francês no Salão do Livro de Paris dia 20 de março. O Salão durou de 16 a 20 de março, e em todos os dias Miranda autografou seu livro publicado na França : TRILOGIE DU BLEU.  Recebeu, também, o Prêmio da Academia de Artes, Ciência e Letras Francesa do ano passado.  Após viajou para Espanha, Palma de Malorca, onde realizou palestra e recital na Universidade das Illes Balears, dia 24 de março, a convite do Departamento de Filologia Espanhola Moderna Latina, dirigido por Perfecto Cuadrado, seu tradutor para o espanhol e Prêmio Luso-Espanhol de Lisboa, 2008. A iniciativa teve o apoio do Instituto Camões de Portugal."

          Até parece aquela dita : santo de casa não faz milagre.
          Miranda brilha lá fora.
          Até a revista CARAS deu-lhe espaço.
          Miranda é o grande poeta gaúcho em atividade.
          Ninguém fala do pampa como ele.
          Bota a gauchada no bolso.
          Orgulho do Rio Grande !
          E sempre maldito.
          O único que na ficha do hotel põe : poeta.

          (JUREMIR MACHADO DA SILVA /
           Jornal Correio do Povo - juremir@correiodopovo.com.br)


         

        

terça-feira, 11 de outubro de 2011

"Dia das Crianças" especial : CEPE lança Coleção de Literatura Infantil e Juvenil




     "A CEPE passa a atuar efetivamente na formação de leitores e pequenos cidadãos, procurando conciliar valores estéticos e humanos nessas publicações. Queremos dar às crianças o instrumento formativo que é o livro, a leitura no seu sentido mais amplo", afirma Leda Alves, presidente da Companhia Editora de Pernambuco-CEPE, anunciando o lançamento da Coleção de Literatura Infantil e Juvenil, nesta quarta-feira (12/outubro), Dia das Crianças, em festa que ocorre, das 10 às 17 horas, no Parque da Jaqueira do Recife. Uma grande tenda será armada para exposição dos livros, sessão de autógrafos, apresentações artísticas e uma mostra de painéis sobre a história da literatura infantil no mundo.   

     Os livros da Coleção Infantil - títulos classificados no "I Concurso CEPE de Literatura Infantil e Juvenil", de 2010 - são os seguintes :  O CONTO DO GAROTO QUE NÃO É  ESPECIAL, de Lucas Mariz (ilustrações de Igor Colares), O COELHO SEM CARTOLA, de Ana Cristina Silva Abreu (ilustrações de Rivaldo Barboza), BIA BAOBÁ, de Itamar Morgado (ilustrações de Márcio Monteiro), A DONA BARATA (DIZ QUE) FOI À GUERRA, de Francisco Hélio de Sousa (ilustrações de Ana Karina Freitas). Também integra a coleção o livro A CABRA SONHADORA, de Luzilá Gonçalves Ferreira (ilustrações de Luciano Pinheiro), que não fez parte do processo de classificação do concurso.    

     Estes são os livros da Coleção Juvenil (também classificados no "I Concurso CEPE de Literatura Infantil e Juvenil", de 2010) : ANJO DE RUA, de Manoel Constantino (ilustrações de Roberto Ploeg), A COR DA PALAVRA, escrito e ilustrado por Urian Agria de Souza, O MUNDO DE UMA MENINA DE SONHOS, de Renata Wirthmann (ilustrações de Márcio Monteiro) e RODA MOINHO, de Eloi Bocheco (ilustrações de Pedro Zenival). 

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     Mais informações : Portal CEPE (http://www.cepe.com.br), Luzilá Gonçalves, assessora editorial (31832705) ou  Marco Polo Guimarães, superintendente editorial (31832782).

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

CORAÇÃO PORTÁTIL : ebook de Juareiz Correya nas melhores livrarias virtuais do mundo




     Amazon.com (http://www.amazon.com/ref=gno_logo) e Barnes&Noble (http://www.barnesandnoble.com/w/coracao-portatil-juareiz-correya/1104808506), consideradas as maiores livrarias virtuais do mundo, já distribuem o ebook CORAÇÃO PORTÁTIL, do poeta pernambucano Juareiz Correya, publicado pela Emooby/Pubooteca de Portugal. O ebook pode também ser adquirido em mais de 15 livrarias virtuais européias, incluindo-se a da editora Emooby/Pubooteca (http://www.emooby.com/pt/books/view/5) e nestas livrarias virtuais brasileiras : Livrarias Curitiba (http://www.livrariascuritiba.com.br/), Gato Sabido (http://www.gatosabido.com.br/ebook-download/149830/coracao_portatil.html.) e Grioti Livros Virtuais (http://www.grioti.com.br/buscaavancada.htm


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O POETA-INVENTOR PAULO BRUSCKY E A POLÍCIA FEDERAL




Preso pela repressão
acusado de "subversão"
Paulo Bruscky deu uma irreverente lição.
Diante do delegado especial
que o interrogou
sobre o que ele fazia
(arte em tudo
por toda parte)
respondeu ao repressor-censor :
- Tudo o que faço é Arte.  
- Então eu posso fazer qualquer coisa 
  e chamar de Arte ?
- Se você fizer, não.
   Se eu fizer é ARTE !


Juareiz Correya


(Recife, 30 / setembro / 2011)

terça-feira, 27 de setembro de 2011

"A INTERNET É O MILAGRE DO PÃO E DO PEIXE PARA A LITERATURA E A COMUNICAÇÃO"




Com a Internet em seu progresso futurístico, as editoras,  livrarias e bibliotecas  têm de repensar o seu papel (ou melhor, pensar sem papel)


Ao publicar na Internet, o autor alcança mundos inimagináveis e leitores que jamais alcançaria em jornais, revistas e livros impressos. 


A INTERNET É O MILAGRE DO PÃO E DO PEIXE PARA A LITERATURA E A COMUNICAÇÃO EM TODAS AS PARTES DO MUNDO 



(JUAREIZ CORREYA - http://twitter.com/juareizcorreya)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

LA MUERTE DE NERUDA



"Un dia como hoy
en el 1973,
el 23 de Septiembre,
partió Neruda 
desde Isla Negra
a la eternidad",
lembra Alfred Asis,
não esquece o Chile
 a mortalha de dor
da alma da América.   


Juareiz Correya

(Santo Amaro, Recife,
 23/setembro/2011).

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

NATANAEL : AMIGO DO MESMO SONHO




     Um homem que valoriza e respeita a amizade é um homem raro. Prova real de humanidade. No mundo particular dos artistas, e no meio mais reservado dos que se dedicam à Literatura, encontrar um amigo é uma verdadeira aventura humana.  E ventura. É isto o que nos diz, com a sua vida - a sua palavra e ação fraterna -, o poeta pernambucano, do Cabo de Santo Agostinho, Natanael Lima Junior.  

     Conheço Natanael desde os anos 80 do século passado, precisamente do tempo em que ele se entendia com o meu amigo Jaci Bezerra, da Edições Pirata, do Recife, sobre a publicação do seu primeiro livro de poesia intitulado CLAREAR.  Era um menino feito de sonho e  crença na Poesia.

     O tempo voraz das duas últimas décadas do século 20 cuidou dos encontros e desencontros humanos de uma forma quase desumana.  Mas a humanidade resistiu e vive. E a sobrevivência da amizade renova, entre os homens, as suas esperanças e futuros.  

     Reencontrei Natanael - já um homem maduro e ainda feito de sonho e crença na palavra mais humana da existência -, neste início do novo século que vivemos, e pude constatar que, independente do nosso distanciamento, há décadas, o poeta valoriza e respeita a nossa amizade iniciante como se a estivéssemos vivenciando a cada dia.  

     Natanael Lima Junior acredita na amizade como acredita na Poesia - prova real da sua crença na humanidade. 


JUAREIZ CORREYA  
- Recife, 2011.   

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À ESPERA DO ÚLTIMO GIRASSOL, 
de Natanael Lima Jr.
- Lançamento da Edições Bagaço, Recife, PE,
nesta quinta-feira, 22 de setembro, às 19 horas,
na "Bela Casa Recepções"
(Rua Marechal Hermes da Fonseca, 200
 - Piedade - Jaboatão dos Guararapes - PE)

Mais informações : http://domingocompoesia.blogspot.com/

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

60 SETEMBROS : "POEMAS DE 2011" EM PUBLICAÇÃO ELETRÔNICA




     Vinte e cinco poemas publicados nos blogs JORNAL-JC (http://jornal-jc.blogspot.com/) e no LETRAS&LEITURAS (http://letras-leituras.blogspot.com/) e poemas inéditos, escritos neste ano de 2011, estão reunidos no livro 60 SETEMBROS, de Juareiz Correya, publicação eletrônica que será enviada, por e-mail, aos amigos(as) e contatos - Gmail, Hotmail, Facebook, Twitter - do autor.  O livro é um presente do poeta neste mês do seu 60o. aniversário de nascimento.

     Na segunda parte do livro, 10 poetas assinam uma "Dedicatória Poética" : são poemas escritos e publicados sobre o autor, em épocas diversas, de Antonio Botelho (Recife, PE), Arnaldo Tobias (Bonito, PE), Ary Sergas Santos (União dos Palmares, AL), Isabel Canelas (Portugal), Jaci Bezerra (Recife, PE), José Terra (Palmares, PE), Luiz de Miranda (Porto Alegre,  RS), Montez Magno (Timbaúba, PE), Olímpio Bonald Neto (Olinda, PE), Sílvio Hansen (Paulista, PE).

     A poetisa luso-brasileira Maria de Lourdes Hortas apresenta a publicação eletrônica e enfatiza que "Juareiz Correya é um poeta do seu tempo; no entanto, como poeta, em sua palavra reflete  o homem atemporal, que interrogará sempre a condição humana."

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

À ESPERA DO ÚLTIMO GIRASSOL, de Natanael Lima Jr




     O poeta pernambucano (Cabo de Santo Agostinho) Natanael Lima Jr., editor do blog DOMINGO COM POESIA (http://domingocompoesia.blogspot.com/), lança, na próxima quinta-feira, 22 de setembro, o seu novo livro intitulado Á ESPERA DO ÚLTIMO GIRASSOL & OUTROS POEMAS (Edições Bagaço, Recife, PE), na Bela Casa Recepções, de Piedade / Jaboatão dos Guararapes.  

     Autor dos livros de poesia CLAREAR (Edições Pirata, Recife, 1982), UNIVERSO DOS MEUS VERSOS (Edições Grumete, Recife, 1983) e FOLHAS POÉTICAS (Edições Grumete, Recife, 1985), Natanael Lima Jr. tem poemas publicados em três antologias poéticas de Pernambuco e do Rio de Janeiro, é coordenador da "Feira Literária de Jaboatão dos Guararapes - FLIGUARA" e idealizador da "Casa do Poeta Jaboatonense Alberto da Cunha Melo".  

domingo, 11 de setembro de 2011

A VIDA NÃO É VÍDEO



No dia 11 de setembro,
em Barreirinha, Amazonas, 
o poeta Thiago de Mello
acendia a manhã 
com um novo poema
cheio de gente e de esperança.
E, no Recife, em Casa Forte 
o poeta Jaci Bezerra 
almoçaria mais cedo
para beber liricamente 
com novos versos burilados 
à mesa de um bar
um cantar d"amigo.
Num ônibus de Rio Doce,
sacolejando até o centro do Recife,
o maestro Ademir Araújo 
sonhava mais um arranjo alegre 
para uma composição de Capiba.
Na ladeira de São Francisco
em Olinda de São Salvador 
o pintor João Câmara 
tinha acabado de eternizar um gesto 
num trágico mágico sobre a tela.
A Vida, em todos os cantos,
prenunciava a Primavera 
florando nos corações 
há mais de 2 mil setembros.   
Em cada casa rua praça 
de qualquer cidade da América,
pequena, obscura ou habitada demais 
(como as suas capitais 
e metrópoles rurbanas)
a Vida era uma manhã simples,
clara e calorosa
em seu cotidiano de luz.   

De repente,
no meio do dia, 
se fez noite em Manhattan.
Em Manhattan unicamente,
precisamente no Centro de Negócios do Mundo,
erguido com porrilhões de dólares,
desabou o dia, 
como uma alucinação de Nova Iorque inteira,
como se um artefato atômico 
fosse jogado por um sociopata qualquer 
de um prédio vizinho.    

E, de repente, 
o mundo inteiro não mais seria o mesmo 
com o atentado da Guerra 
do presidente Bush
em defesa do seu País 
(e da paz do mundo, como ele,
cauboi da última decadência, falou).
O Dia inteiro desabou,
de casa a dentro de todos os mortais do Planeta,
como um raio de sol a mais, 
um facho de luz inesperado
explodindo na tela da TV,
mais espetacular  do que uma tragédia hollywoodiana,
mais atraente do que qualquer comercial
 ou sexo de toque digital.
Transmitida em dores, 
instântanea, a imagem do terror 
repetida à exaustão
 dizia, a ponto de todos dizerem,
estupefatos e estupidificados,
presos à explosiva notícia,
não quero mais Te Ver !
não quero mais TV !

O Terror pertencia a Nova Iorque,
mais precisamente a Manhattan,
unicamente à Ilha da Solidão e do Dinheiro !
Em nossas casas,
em qualquer cidade da América,
era setembro, quente e primaveril,
havia poesia, música e cores no Dia,
na Vida que a gente vivia.
NÃO NO VÍDEO !


(Palmares, 27/ novembro /2001)


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Do livro inédito POEMAS DO NOVO SÉCULO


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

CIDA PEDROSA REACENDE A POESIA NA RUA 7 COM O LIVRO "MIÚDOS"





O Ponto de Cultura INTERPOÉTICA (www.interpoetica.com)promove hoje, às 7 da noite, na Livraria Poty (Rua 7 de Setembro/esquina com a Rua Riachuelo), Boa Vista, Recife, o lançamento do livro MIÚDOS, da poetisa, empreendedora cultural e grande ativista literária pernambucana Cida Pedrosa.

O convite a todos é sedutor :

"Venha dividir conosco uma meiota poética. Na ocasião, serão lidos textos em homenagem aos poetas Chico Espinhara, Erickson Luna, França, Jailson Marroquim e Luiz Carlos Monteiro. Microfone aberto para a poesia e batida de maracujá."

A poetisa é extremamente solidária com a sua geração, homenageando, abertamente, nesta noite, os poetas "companheiros de copo e de cruz" que se encantaram recentemente, partindo cedo e deixando mais vazia e menos humana a cidade do Recife nestes anos do alvorecer do século 21.

domingo, 28 de agosto de 2011

Reunião da Comissão Organizadora do ENCONTRO LITERÁRIO em Palmares





Os membros da Comissão Organizadora do ENCONTRO LITERÁRIO DA MATA SUL se reunirão no próximo dia 1o. de setembro, às 16 horas, no Departamento de Letras da FAMASUL - Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, em Palmares, com os integrantes da Produção Executiva do evento, formada por representantes da União Brasileira de Escritores / Seção de Pernambuco (Rogério Generoso), Panamérica Nordestal Editora (Juareiz Correya e Valter Portela) e da FAMASUL (João Constantino Ferreira Neto). Integram a Comissão Organizadora, escritores, professores e administradores culturais de Palmares, Água Preta, Xexéu, Catende, Ribeirão, Quipapá, Escada, Jaqueira, São José da Coroa Grande e Barreiros.

Na reunião da Comissão Organizadora será apresentada uma síntese do projeto promovido pela UBE-PE e Panamérica Nordestal Editora e definida a programação cultural do ENCONTRO (Palestras, Lançamentos e Feira de Livros, Recitais de Poesia, Música, Teatro, Artes Gráficas e Plásticas).

A Prefeitura dos Palmares e o Governo de Pernambuco patrocinam a realização do 1o. ENCONTRO LITERÁRIO DA MATA SUL DE PERNAMBUCO que, ocorrerá em Palmares, do dia 20 ao dia 23 de outubro próximo.


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Mais informações :
ENCONTRO LITERÁRIO DA MATA SUL
(http://blig.ig.com.br/matasul)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

CENTRO VITAL CORRÊA DE ARAÚJO é inaugurado no Recife com "TrisExposição" de Cyane Pacheco, Fernando Duarte e Raul Córdula





A partir desta quinta-feira (25/agosto), o bairro Boa Vista, do Recife, conta com um novo espaço cultural, "aberto a todas as iniciativas, a todos os artistas e escritores em todas as fases de seus desenvolvimentos", é o que informam os diretores do CENTRO CULTURAL VITAL CORRÊA DE ARAÚJO (Rua da Glória, 472, Boa Vista, Recife, PE / próximo à esquina do Mercado da Boa Vista).

O "Centro Vital" inaugura as suas atividades com uma excelente amostragem das artes plásticas do Nordeste : a "TrisExposição" dos artistas Cyane Pacheco, Fernando Duarte e Raul Córdula, a partir das 19 horas; a exposição permanecerá aberta para visitação pública até o dia 24 de setembro deste ano.

O "Centro Vital" nasce para estimular a vida intelectual da Cidade do Recife, com o objetivo de ser um "fórum de encontro e repercussão, instância em que ocorrem as transformações culturais (literárias, plásticas, audiovisuais, musicais)", afirmam os seus diretores.

O artista plástico Sílvio Hansen (presidente), o poeta Rogério Generoso (vice-presidente) e a artista plástica Cyane Pacheco (diretora de artes avançadas), integram a diretora do CENTRO CULTURAL VITAL CORRÊA DE ARAÚJO - significativa homenagem em vida ao seu patrono, o poeta, ex-presidente da UBE-PE, e criador de vários movimentos literários recifenses.

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Mais informações :
Telefone : (81) 8883-8235
E-mail : centroculturalvital@gmail.com


terça-feira, 23 de agosto de 2011

FESTIVAL RECIFENSE DE LITERATURA homenageia e lança livros de Marco Polo e de Lucila Nogueira





O poeta, jornalista e editor Marco Polo Guimarães e a poetisa e professora de literatura Lucila Nogueira, atuantes autores do Recife, com vários títulos de poesia publicados, têm seletas de poesia lançadas, nesta terça-feira (23), pela organização do "9o. Festival Recifense de Literatura", promovido pela Fundação de Cultura/Secretaria de Cultura/Prefeitura do Recife : OFICINA DO AVESSO, de Marco Polo, e NÃO DEMORES TANTO, de Lucila Nogueira, são os novos títulos que serão lançados às 21 horas no Espaço Muda (Rua do Lima, Santo Amaro, Recife, PE).

O "9o. Festival Recifense de Literatura", iniciado domingo (dia 21), promove ainda várias atividades - palestras, debates, oficinas, Recitata, e lançamentos, vendas, exposições da Festa do Livro - até o próximo domingo (dia 28/agosto), em diversos locais da capital pernambucana.





segunda-feira, 22 de agosto de 2011

"PRÊMIO NAÍDE TEODÓSIO - ANO IV" : MAIS DE 65 MIL REAIS PARA ESTUDOS SOBRE A MULHER PERNAMBUCANA




Em sua quarta edição, o "PRÊMIO NAÍDE TEODÓSIO", da Secretaria da Mulher (SecMulher)/Governo de Pernambuco, inscreve até o dia 05/setembro/2011 estudos de gênero, observando a diversidade de classe social, raça, etnia e geração das mulheres em Pernambuco, nas seguintes modalidades : 10 (dez) redações, 6 (seis) artigos científicos, 10(dez)relatos ou projetos de experiência pedagógica e 1(um) roteiro para documentário de curta-metragem digital. O "PRÊMIO NAÍDE TEODÓSIO" destina os seguintes valores aos trabalhos concorrentes vencedores :


ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO
(Ensino Regular, Educação de Jovens e Adultos-EJA Médio
e Projeto Travessia)
- Redações (10) :
1(um) computador com sistema operacional instalado
e uma impressora jato de tinta (para cada candidato selecionado)

ESTUDANTES DE GRADUAÇÃO
- Artigos Científicos (3) : R$ 5.000,00 (cada)

ESTUDANTES DE PÓS-GRADUAÇÃO
- Artigos Científicos (3) : R$ 8.000,00 (cada)

PROFESSORAS E PROFESSORES DO ENSINO MÉDIO
- Relatos ou projetos de experiência pedagógica (10) :
1(um) notebook com sistema operacional instalado e impressora multifuncional jato de tinta (para cada candidato selecionado);
cada projeto premiado poderá receber até 5 (cinco) bolsas de iniciação científica Junior no valor de R$ 100,00 mensais (até 12 meses)

ESTUDANTES DE ENSINO MÉDIO, GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO
- Roteiro para documentário de curta-metragem digital (1) :
R$ 20.000,00



As inscrições podem ser feitas pela internet (http://agil.facepe.br) e pelos Correios (formulário para inscrição no endereço http://agil.facepe.br e nas Gerências Regionais de Ensino da Secretaria de Educação de Pernambuco). A inscrição realizada via Correios deve ser encaminhada para este endereço :

PRÊMIO NAÍDE TEODÓSIO
Modalidade :(especificar)
FACEPE
Rua Benfica, 150
Madalena - Recife - PE
CEP : 50720-001



O Edital do PRÊMIO NAÍDE TEODÓSIO pode ser acessado no site da Companhia Editora de Pernambuco - CEPE (http://www.cepe.com.br)

Outras informações :
SECRETARIA DA MULHER (http://www.secmulher.pe.gov.br)
FACEPE (http://www.facepe.br)

terça-feira, 16 de agosto de 2011

NOVA DIDÁTICA PARA LEITURA HOJE, de Juareiz Correya





Os livros digitais
são florestas sem árvores cortadas
papel nunca branco apergaminhado sulfite offset pólen cuchê
páginas sem impressão tinta cheiro de oficina
corpo inteiro sem cortes e medidas
que não se suja se empoeira se rasga se dilacera e se queima
pele sem tecido algodão plástico impressão gráfica
objeto tátil volume não-físico sem dimensão incolecionável em prateleiras móveis metálicos e antigos
são outros livros novos livros inimagináveis livros desde a Gênese do Livro
são os mesmos frutos da imaginação e da iluminação do interior dos homens
uma invenção que se reinventa com o futuro nas mãos
um toque um clique e tudo o que é possível
ser luz além da vida dos tempos e dos espaços do Século 21




(Santo Amaro, Recife, 15/agosto/2011)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

MARCOS DO TEMPO DE RAFAEL ROCHA





O Recife deve ter mais de 1 milhão e 600 mil poetas, um número aproximado ao da sua população. Os que publicam, os que fazem os seus textos circular em livros, cada vez mais raros, jornais e revistas (com espaços reduzidos e negados), blogs e sites, via segura para escapar do ineditismo, mantêm a resistência poética necessária, para que a palavra mais humana da existência não desapareça ou seja jogada no abismo do esquecimento.

O poeta Rafael Rocha, que tem pouco publicado a sua poesia e tem a sua projeção limitada por uma cidade cada vez mais mesquinha e desatenta com os seus valores, embora seja conhecida nacionalmente como "a capital do lirismo brasileiro", publica agora o seu segundo livro de poesia intitulado MARCOS DO TEMPO. O primeiro - MEIO A MEIO - foi publicado em 1972,exatamente há 38 anos.

Rafael Rocha, jornalista profissional, com um romance e um livro de contos já publicados, volta a acreditar na criação poética, consciente de que é com a poesia que um escritor diz tudo.

E assim escreve sobre o Recife, anuncia crenças e marcas do seu tempo, em versos que sintetizam filosofia pessimista e releituras de Neruda, e discursa, em 8 longos cânticos, num tom profético que lembra o poeta paulista Álvaro Alves de Faria e o seu proibido "Sermão do Viaduto". Mergulha no dorso da noite e louva a vida com o seu amoroso erotismo. E proclama, identificado com a sua terra :

"Não sou Cristo. Não sou Guevara. / Não sou Maomé. Não sou Buda./ Não sou Oriente. Não sou Ocidente./ Sou Norte e Nordeste."



JUAREIZ CORREYA
Recife, outubro /2010.



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Transcrito do livro MARCOS DO TEMPO,
de Rafael Rocha, a ser lançado nesta sexta-feira,
12/agosto/2011, a partir das 19 horas,
no Clube dos Oficiais da PM
- Av. João de Barros, s/n, Santo Amaro, Recife, PE.