sexta-feira, 12 de agosto de 2011

MARCOS DO TEMPO DE RAFAEL ROCHA





O Recife deve ter mais de 1 milhão e 600 mil poetas, um número aproximado ao da sua população. Os que publicam, os que fazem os seus textos circular em livros, cada vez mais raros, jornais e revistas (com espaços reduzidos e negados), blogs e sites, via segura para escapar do ineditismo, mantêm a resistência poética necessária, para que a palavra mais humana da existência não desapareça ou seja jogada no abismo do esquecimento.

O poeta Rafael Rocha, que tem pouco publicado a sua poesia e tem a sua projeção limitada por uma cidade cada vez mais mesquinha e desatenta com os seus valores, embora seja conhecida nacionalmente como "a capital do lirismo brasileiro", publica agora o seu segundo livro de poesia intitulado MARCOS DO TEMPO. O primeiro - MEIO A MEIO - foi publicado em 1972,exatamente há 38 anos.

Rafael Rocha, jornalista profissional, com um romance e um livro de contos já publicados, volta a acreditar na criação poética, consciente de que é com a poesia que um escritor diz tudo.

E assim escreve sobre o Recife, anuncia crenças e marcas do seu tempo, em versos que sintetizam filosofia pessimista e releituras de Neruda, e discursa, em 8 longos cânticos, num tom profético que lembra o poeta paulista Álvaro Alves de Faria e o seu proibido "Sermão do Viaduto". Mergulha no dorso da noite e louva a vida com o seu amoroso erotismo. E proclama, identificado com a sua terra :

"Não sou Cristo. Não sou Guevara. / Não sou Maomé. Não sou Buda./ Não sou Oriente. Não sou Ocidente./ Sou Norte e Nordeste."



JUAREIZ CORREYA
Recife, outubro /2010.



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Transcrito do livro MARCOS DO TEMPO,
de Rafael Rocha, a ser lançado nesta sexta-feira,
12/agosto/2011, a partir das 19 horas,
no Clube dos Oficiais da PM
- Av. João de Barros, s/n, Santo Amaro, Recife, PE.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

ESCRITORES CENTENÁRIOS DE PERNAMBUCO - 1911/2011 (2) : MAURO MOTA (POEMAS)





HUMILDADE


Que a voz do poeta nunca se levante
para ter ressonâncias nas alturas.
Que o canto, das contidas amarguras,
somente seja a gota transbordante.

Que ele, através das solidões escuras
do ser, deslize no preciso instante.
Saia da avena do pastor errante,
sem aplausos buscar de outras criaturas.

Que o canto simples, natural, rebente,
água da fonte límpida, do fundo
da alma, de amor e de humildade cheio.

Que o canto glorificará somente
a origem, quando mais ninguém no mundo
saiba ele de quem foi ou de onde veio.


(Transcrito da antologia
PERNAMBUCO, TERRA DA POESIA
- Recife, PE, 2010)




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ROMARIA NA CAPELA
DE SÃO BENEDITO DO RAMO



O Engenho nasceu no vale,
nasceu no Engenho a Capela.
São Severino do Ramo
(pelos infelizes vela)
do pátio, esta noite, indaga :
- Que romaria é aquela ?
Quando bole a ventania,
os romeiros saem do chão.
Cada um deles se aproxima
com sua vela na mão,
as velas verdes da cana
com a chama no pendão.

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A CHUVA CAI SOBRE O RECIFE


A chuva cai sobre o Recife devagar,
banha o Recife, apaga a lua,lava a noite, molha o rio,
e a madrugada neste bar.
A chuva cai sobre o Recife devagar.
A chuva cai sobre o telhado das casinhas de subúrbio,
canta berceuses a doce chuva. É a voz das mães
que estão no canto de onde a chuva agora veio.
A chuva cai, desce das torres das igrejas do Recife,
corre nas ruas, e nestas ruas, ainda há pouco tão vazias,
agora passam, de capote, transeuntes
do tempo longe, esses fantasmas de mãos frias.



(Transcritos do site JORNAL DE POESIA
- http://www.revista.agulha.nom.br/mmota.html)



segunda-feira, 8 de agosto de 2011

ESCRITORES CENTENÁRIOS DE PERNAMBUCO - 1911/2011 (2) : MAURO MOTA






MAURO Ramos da MOTA e Albuquerque , poeta, jornalista, professor, cronista, ensaísta e memorialista, nasceu em Recife, PE, em 16 de agosto de 1911, e faleceu na mesma cidade em 22 de novembro de 1984. Membro da Academia Pernambucana de Letras e da Academia Brasileira de Letras, Cadeira No. 26, é um dos poetas brasileiros mais representativos da Geração 45. Filho de José Feliciano da Mota e Albuquerque e de Aline Ramos da Mota e Albuquerque, estudou na Escola Dom Vieira, em Nazaré da Mata, no Colégio Salesiano e no Ginásio do Recife. Diplomou-se na Faculdade de Direito do Recife em 1937. Tornou-se professor de História do Ginásio do Recife, e em várias escolas particulares; catedrático de Geografia do Brasil, por concurso público, do Instituto de Educação de Pernambuco. Desde os anos universitários colaborava na Imprensa. Foi secretário, redator-chefe e diretor do Diário de Pernambuco; colaborador literário do Correio da Manhã, do Diário de Notícias e do Jornal de Letras do Rio de Janeiro. De 1956 a 1971, foi diretor executivo do Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais; diretor do Arquivo Público de Pernambuco, de 1973 até 1983; membro do Seminário de Tropicologia da Universidade Federal de Pernambuco e da Fundação Joaquim Nabuco. Foi membro do Conselho Estadual de Cultura de Pernambuco e do Conselho Federal de Cultura. Recebeu o Prêmio Olavo Bilac da Academia Brasileira de Letras e o Prêmio da Academia Pernambucana de Letras por suas ELEGIAS (1952); o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, e o Prêmio Pen Clube do Brasil, pelo livro de poesia ITINERÁRIO (1975). Há três antologias publicadas com a sua obra : ANTOLOGIA POÉTICA (1968); ANTOLOGIA EM VERSO E PROSA (1982), e, em 2001, a edição mais completa da sua obra poética : MAURO MOTA, POESIA, organizada por Everardo Norões e Sônia Lessa Norões. Solidário e fraterno, marcou sua presença em todos que com ele conviveram e já tem seu nome definitivamente incrustado nas páginas da Literatura Brasileira.

Obras do Autor : ELEGIAS (1952), A TECELÃ (1956), OS EPITÁFIOS (1959), CAPITÃO DE FANDANGO (1960, crônica), O GALO E O CATA-VENTO (1962), CANTO AO MEIO (1964), O PÁTIO VERMELHO : CRÔNICA DE UMA PENSÃO DE ESTUDANTES (1968, crônica), POEMAS INÉDITOS (1970), ITINERÁRIO (1975), PERNAMBUCÂNIA OU CANTOS DA COMARCA E DA MEMÓRIA (1979), PERNAMBUCÂNIA DOIS (1980).



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Transcrito da antologia PERNAMBUCO, TERRA DA POESIA
- Organização de Antonio Campos e Cláudia Cordeiro
(Carpe Diem Edições, Recife, PE, 2010)