quinta-feira, 17 de setembro de 2009

"Americanto Amar América" : quadrinhos em quadros de Roberto Portella

Os 16 desenhos da quadrinização do meu poema Americanto Amar América estão expostos, em quadros, desta sexta-feira, dia 18, até a próxima quinta-feira, dia 24 /setembro, no Gabinete Português de Leitura de Pernambuco ( Rua Imperador Pedro II, 290, Santo Antonio, Recife, PE). Na abertura da exposição, apresento uma palestra sobre esse conjunto de desenhos de Roberto Portella e sobre o meu livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, que será lançado em março do próximo ano. Os quadrinhos de Roberto Portella constituem um conjunto de 16 belos quadros que serão apresentados, em outras exposições, em Igarassu e Olinda (outubro), Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca e Garanhuns (novembro), Vitória de Santo Antão e Caruaru (dezembro). Em março, a Panamérica Nordestal Editora lançará o livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA, com a reprodução dos quadrinhos/quadros de Roberto Portella, no Recife e em Palmares (minha terra natal) e, durante o ano, ocorrerão outros lançamentos em João Pessoa, Natal, Fortaleza, Maceió, Salvador e São Paulo.
O poema Americanto foi quadrinizado por Roberto Portella, no Recife, no ano de 1982, seis meses após o lançamento da sua segunda edição (AMERICANTO AMAR AMÉRICA, Nordestal Editora, Recife, 1982), cuja primeira edição foi lançada no Recife em 1975. O artista plástico recifense me surpreendeu, ao me presentear a sua obra inédita (as 16 pranchas originais) como quem está se livrando de uma espécie de maldição/condenação : "Tome, é tudo seu. Finalmente consegui me livrar disso", disse ele, referindo-se ao poema, que o obrigara a produzir aqueles desenhos como se ele estivesse possuído, visto que não conseguia pensar em outra coisa, nem fazer mais nada, e sequer dormir direito.
O resultado da criação de Roberto Portella sobre o meu poema foi apresentado em um álbum, coeditado pela Edições Bagaço e Nordestal Editora, no Recife, em 1993. E assim registrou a sua publicação, no DIÁRIO DE PERNAMBUCO, em junho de 1993, o poeta e crítico de arte pernambucano Paulo Azevedo Chaves :
"Lançado em 1975, com selo da Nordestal Editora, Americanto Amar América, de Juareiz Correya, foi quadrinizado, na década passada, por Roberto Portella. O resultado dessa parceria é uma produção inédita na história editorial brasileira. Com efeito, pela primeira vez um poema é editado em livro, sob a forma de quadrinhos, em nosso País.
O álbum reproduz 16 pranchas concebidas pelo artista plástico recifense, nelas a imagem plástica não desmerecendo a força lírica e a expressão sensual dos versos do poeta palmarense, antes enriquecendo-se de uma visão própria, igualmente lírica e plena de sensualidade." (JUAREIZ CORREYA)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

AMERICANTO : Opiniões de Paulo Azevedo Chaves, Geneton Moraes Neto, Jaci Bezerra, Leda Rivas e Montez Magno

"Foi difícil escolher um poema, ou trecho de um, do livro AMERICANTO... Não porque a escassez de bom material poético dificultasse a escolha. Muito pelo contrário : o livro é pequeno, os poemas são poucos, mas a escolha é múltipla."

PAULO AZEVEDO CHAVES
("Poliedro" / Diário de Pernambuco, Recife, 1975)



AMERICANTO é na verdade uma significativa declaração de amor a essa América de todos os campos, gritos, silêncios, sossegos e agonias. Vale a pena ler o trabalho desse jovem poeta, dono de uma linguagem forte e cortante."

GENETON MORAES NETO
("Ensaio Geral" / Diário de Pernambuco, Recife, 1975)



"Juareiz Correya, na verdade, poeta acima de rótulos, foi, no Recife, e talvez deva acrescentar, em Pernambuco, um vanguardista no que se refere à eclosão dos movimentos alternativos e marginais no Brasil.
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"Este livro de Juareiz Correya, que reune produções de várias épocas já publicadas anteriormente - sobretudo em forma de livretos e folhetos de cordel - sendo, no seu conjunto, o discurso de parte de uma vida, a sua, pode ser encarado, por outro lado, como representativo de uma fase agressivamente renovadora da poesia brasileira atual : exatamente a que vem sendo imposta pelos movimentos alternativos."

JACI BEZERRA
(Posfácio do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA, Recife,1982)
"Nos versos de Juareiz Correya uma canção de amor desesperada. A América lhe dói como a Espanha doía a Unamuno. É parte de sua vida, de sua carne e de sua alma, suga-lhe o sangue, explode em suas artérias, marca, cruelmente, os seus passos de poeta."
LEDA RIVAS
(Diario de Pernambuco, Recife, 1982)
"Em AMERICANTO AMAR AMÉRICA o seu anti-lirismo é pujante, não sendo envolvido por diáfanos e enganadores véus mas revestido de uma grossa crosta perfurante, emissora de sonoridades incomodatícias aos ouvidos dos que ainda não se aperceberam que os sons mais comuns e constantes do nosso tempo são os das metralhadoras e dos tanques de guerra."
MONTEZ MAGNO
(Olinda, 1982)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

AMERICANTO : Opiniões de Pelópidas Soares, Graça Lins, Hermilo Borba Filho e Mauro Mota

"A sua poesia carrega a angústia da fase transitória de sua geração que aguenta o peso da tragédia dos nossos dias prenhes de incertezas. Geração que fecha as portas de um passado e abre as portas para um futuro em que o homem, o mais adaptável dos animais, vencerá, afinal ! Mesmo que tenha de erguer-se do caos.
Dentro do seu jeito extravagante, Juareiz Correya é um homem sério. Mais do que muitos executivos rodeados de secretárias e telefones. Telefones que se comunicam apenas com o vazio."
PELÓPIDAS SOARES (Recife, 1975)




"Li, reli e absorvi todos os poemas do Americanto, confesso que criei inúmeras imagens. Se num poema "América" é região, em outro "América" é mulher, é um desejo insistente, é um grito até. Poderia chamá-la de poesia de vanguarda, por seu sentido essencial de renovar e de recriar e talvez pelo número restrito de leitores cônscios. Existe sobretudo uma recriação de palavras, você as recoloca no poema com outra roupagem.
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Falando seriamente, levei 15 minutos para "ler" Americanto, foi o tempo gasto dentro do ônibus, do centro a minha casa. Mas, para "viver" Americanto me custou momentos, horas e dias."
GRAÇA LINS ( Recife, 1975)



"O poeta é um ser que vive permanentemente em estado de sofrimento por si mesmo e pelo mundo que o rodeia.
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Juareiz Correya é um desses seres e este seu pequeno livro de agora diz fotograficamente, com muita precisão, o que está acontecendo com ele. Nenhuma esperança em suas palavras : o poeta está triste e pessimista.
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Abro o seu livro e leio logo : "Eu acho que nada mais resta / a minha carne é para os cães deste século; vou adiante e vejo : "Nem interessa mais figurar minha fantasia de mim"; e continuo : "De que me serve este amor / como uma chaga aberto ?"; e vai : "O que tens, poeta, é bem pouco" ; desilude-se : "Tu és a mesma longa louca luxenta besta" ; e finalmente uma esperança, talvez a única : "A luz que me nasce fecunda a aurora" ; mas, perde-a : "Eu não sei onde estou & não sei aonde vou" ; e seus dois últimos versos são : "eu escrevo como quem pratica crimes perfeitos / sem paz e alegria para esta descoberta inesperada."
Este poeta pessimista é um jovem de quem os jovens (e também os velhos como eu) muito esperam no colorido campo da esperança : resta que ele saia do pesadelo."

HERMILO BORBA FILHO (Jornal da Cidade, Recife, 1975)


"Para usar uma palavra mais circulante, louve-se o peito de Juareiz (...), inclusive de sua poesia bela e insólita, de rimas internas e toantes.
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Juarez desmente o falado separatismo entre o poeta e o homem de ação. Pois desenvolve a ação que estamos vendo : constante, viva, orientada para a validez da literatura em toda uma área de Pernambuco."

MAURO MOTA ("Agenda" / Diário de Pernambuco, Recife, 1973)