sábado, 6 de março de 2010

JUAREIZ CORREYA : BALANÇO DO TEMPO

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Rápida consulta na internet deixou surpreso e animado o poeta e editor Juareiz Correya : a palavra "Americanto" possui cerca de 74 mil ocorrências. Decidiu pesquisar e descobriu que os registros na rede, pelo menos aqueles a que teve acesso, referem-se a expressões artístico-culturais surgidas - tanto no Brasil como noutros países latino-americanos e até mesmo na França - depois de 1975, ano em que lançou o livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS POEMAS.

Juareiz, obviamente, não reivindica paternidade, mas se sente motivado a relembrar que, há 35 anos, duas palavras - "América" e "canto" - fizeram amor em sua cabeça e se fundiram numa terceira. "O que AMERICANTO passou a ser, anos depois, em outras cabeças e corações do meu país e de outros países, já é outra história...", diz o poeta.

E a palavra está prestes a ganhar mais ocorrências na rede, com a publicação do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20 (Panamérica Nordestal Editora). Comemorativo dos 40 anos de poesia de Juareiz, o volume compila versos publicados em livros e também na imprensa. É o caso de "Poema vago olhando a cidade", que saiu em janeiro de 1970 no jornal O OLHO,de Palmares, sua terra natal. O livro será lançado em 25 de março, no Gabinete Português de Leitura de Pernambuco,no Recife, com recital de poesia e exposição dos desenhos que ilustram a obra, de autoria de Roberto Portella. Nos próximos meses estão agendados lançamentos em municípios pernambucanos, capitais nordestinas e em São Paulo.

"Com este livro encerro um tempo da minha poesia", explica Juareiz,cuja produção transitou por diversas experiências formais e temáticas, abordando desde angústias e sonhos de sua geração ao lirismo e à sensualidade sem rédeas. Por isso, são também bastante plurais os depoimentos sobre o seu trabalho.

Dele, disse Hermilo Borba Filho, em artigo sobre a primeira edição do AMERICANTO, em que, após considerar que o poeta é um ser que vive permanentemente em estado de sofrimento por si mesmo e pelo mundo que o rodeia : "Juareiz Correya é um desses seres e este seu pequeno livro de agora diz fotograficamente, com muita precisão, o que está acontecendo com ele : o poeta está triste e pessimista." Já o poeta Jaci Bezerra, em outra edição do livro, classificou a obra como representativa de "uma fase agressivamente renovadora da poesia brasileira atual." (GILSON OLIVEIRA)


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Transcrito da Revista CONTINENTE
(Companhia Editora de Pernambuco, Recife,
número 111, março, 2010) /
http:www.revistacontinente.com.br

quinta-feira, 4 de março de 2010

PIVA URGENTE : SÃO PAULO PRECISA PARAR (2)

O escritor Felipe Pontes, do Rio de Janeiro, que escreveu no PORTAL LITERAL (http://www.literal.com.br), dia 26/janeiro/2010, sobre a postagem "Piva Urgente", publicada em ESPELUNCA - BLOG DE ADEMIR ASSUNÇÃO (http://zonabranca.blog.uol.com.br), em 22/janeiro/2010,comentou depois no PORTAL LITERAL : "Ademir Assunção informa que Roberto Piva já encontra-se instalado em condições melhores." (28/janeiro/2010)

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Ainda bem.
O Hospital das Clínicas, de São Paulo, com uma diretoria que deve ser razoavelmente informada sobre a vida cultural de São Paulo, tendo, por isso, o dever de ouvir falar, de conhecer e, quem sabe ?, até reconhecer o poeta, tinha de agir.
E as Secretarias de Cultura, da Cidade e do Estado de São Paulo ? E as instituições e entidades culturais, a exemplo da UBE-São Paulo, Academia Paulista de Letras, Fundação Memorial da América Latina, Universidade de São Paulo,fizeram alguma coisa ? Vão fazer, vão agir de alguma forma ? E a Editora Globo, que publicou festivamente o poeta, estava junto dele, nessa hora, vai acompanhá-lo, agir em benefício da sua saúde ? Ou ele só serve para vender livro - quando vende - e para figuração promocional na Imprensa e nos balcões das raras livrarias brasileiras ? Ou o poeta vai ter mesmo de continuar vivendo em "infernos dantescos" e nessa "situação precária" denunciada corajosamente por Ademir Assunção ?
Um artista não vive de elogios, fraterno Ademir, e morre mais rápido, morre logo, envergonhado, pra baixo, se o que tem de receber é esmola. Essa história de que o poeta recebe remédios de "cotas de amigos" é uma vergonha para a Cidade e para o Estado de São Paulo. Nem indigentes analfabetos e trapos humanos vivem assim. E pensar que São Paulo é a cidade mais evoluída e mais rica do Brasil e da América do Sul...
Miserável São Paulo ! Pobre Brasil ! Triste América !

JUAREIZ CORREYA

quarta-feira, 3 de março de 2010

PIVA URGENTE : SÃO PAULO PRECISA PARAR (1)

Roberto Piva, um dos maiores poetas brasileiros, está internado na enfermaria do Hospital das Clínicas, em estado precaríssimo. Piva tem 73 anos e sofre de mal de Parkinson. Segundo o poeta Celso de Alencar, que o visitou ontem, ele está num verdadeiro inferno dantesco.
Nos últimos anos, Piva teve suas obras completas reunidas pela Editora Globo em três volumes: UM ESTRANGEIRO NA LEGIÃO, MALA NA MÃO @ ASAS PRETAS e ESTRANHOS SINAIS DE SATURNO. Sua poesia voltou a circular como um furacão, mas o poeta continuou vivendo em situação precária. É comum os amigos se cotizarem para comprar os remédios que ele precisa para manter os efeitos do mal dle Parkinson num nível razoável.
Artistas não vivem de elogios.
É preciso tirá-lo do HC e transferi-lo para um quarto. Urgente. Isso é o mínimo nesse momento.
Ou as palavras do próprio poeta vão se confirmar como uma nefasta profecia ?


"O objetivo de toda Poesia & de toda Obra de Arte foi sempre uma mensagem de Libertação Total dos Seres Humanos escravizados pelo masoquismo Moral dos Preconceitos, dos Tabus, das Leis a serviço de uma classe dominante cuja obediência leva-nos preguiçosamente a conceber a sociedade como uma Máquina que decide quem é normal & quem é anormal"


"criminosos fardados & civis têm o poder absoluto para decidir quem é útil & quem é inútil "


"Enquanto isso, os representantes da poesia oficial & os engomados homens de negócios trocam entre si, numa reciprocidade suspeita, discursos e homenagens estourando de vaidade diante do aplauso de seus concidadãos. O que eu & meus amigos pretendemos é o divórcio absoluto da nova geação dos valores destes neomedievalistas"


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(Transcrito de ESPELUNCA - BLOG DE ADEMIR ASSUNÇÃO /
postagem de 22 de janeiro de 2010)


domingo, 28 de fevereiro de 2010

O BRASILÊS, NOSSA LÍNGUA BRASILEIRA

Falo e escrevo o brasilês. Língua brasileira. Não há português brasileiro, como dicionariza a Internet. Existe o português. Existe o brasileiro. Tão distintos como Portugal na Europa e Brasil na América.

Em Portugal, falam e escrevem o português. Lá não há português brasileiro, com certeza. No Brasil, o português se misturou com o índio e com o negro e a unidade dos três é o brasilês. E ainda cabe mais gente nesse caldeirão.

A fala e a escrita brasileira são unicamente do Brasil. Temos muito mais palavras do que em Portugal. Um dicionário da língua brasileira, onde existem os vocábulos portugueses, indígenas e africanos, é infinitamente mais rico do que um dicionário da língua portuguesa.

Portugal tem os seus camões, camilos, eças, florbelas, fernandos pessoas, sás-carneiros, josés régios, torgas, ramos rosas, sophias, natálias, manueis alegres, cardosos pires, caldas auletes, prados coelhos, lourdes hortas, saramagos, necessitando de tradução no Brasil, onde existem os nossos machados, castros alves, monteiros lobatos, augustos dos anjos, bandeiras, andrades, cecílias, jorges amados, drummonds, cabrais de mellos netos, thiagos, gullares, catulos, zés da luz, guimarães rosas, coralinas, buarques de hollandas, darcys ribeiros, ascensos, hermilos, todos traduzíveis em Portugal.

Somos luso-americanos ? Eles são brasílico-europeus ? Somos eles e eles são a gente ?

O que interessa é que misturamos miscigenamos tudo. Novo mundo. Nova raça. Novo homem. Eldorados. Atlânticos.

O mar nos une mas eles estão do outro lado das águas. Temos tudo na nossa terra e não fomos descobertos. Eles nos acharam.

O português é fado. O brasilês é foda.

Portugal é só um país. O Brasil é um continente.


Juareiz Correya