sexta-feira, 8 de maio de 2009

OS TEÓRICOS MORRERAM. A LITERATURA VIVE !

Transcrevo do blog HOMERO FONSECA (www3.interblogs.com.br/homerofonseca) uma parte da postagem intitulada O alerta vermelho de Todorov (datada de 22/04/2009):

"Há muito tempo, convivendo com jornalistas, escritores, críticos, professores e - sobretudo - livros, venho desconfiando de que não é apenas a sociedade visual em que vivemos a partir de meados do século passado a única responsável pela posição cada vez mais subalterna que a literatura ocupa. Claro que não é moleza competir com a imagem em movimento e instantânea, como a proporcionada, desde a mais tenra idade aos terráqueos. O inimigo não são o cinema, a televisão, o DVD, os games, a Internet. Ele está entre nós.
Essa desconfiança acaba de ser ratificada, com vasta autoridade, por um livrinho que acabo de ler, comovido. Um livro de teoria literária ! De autoria de ninguém mais, ninguém menos, que o franco-búlgaro Tzvetan Todorov. Ele mesmo, o expoente do estruturalismo, essa praga que empestou a cultura do século XX, completando os estragos dos formalistas russos.
Pois Todorov, nas apenas 96 páginas de A LITERATURA EM PERIGO, recém-lançado no Brasil pela Difel, faz uma explanação clara, abrangente e precisa sobre os tortuosos caminhos trilhados pela inteligentzia européia (com os rebatimentos imitativos no nosso Patropi, digo eu)
até culminaram com a repugnância a toda literatura que não fosse um jogo formal, um malabarismo semântico estéril, uma construção teórica alienada cujo resultado é o afastamento crescente dos leitores, inclusive entre os estudantes de Letras no mundo inteiro !
Todorov começa, numa explicação que soa como uma espécie de mea culpa dos exageros da academia, por justificar porque recorreu aos estudos formais para escapar da imposição da ideologia stalinista nos países do leste europeu...
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Exilando-se na França desde 1963, Todorov entrou de corpo e alma no estruturalismo até, confessa, perceber estar livre da "coleira ideológica". "As causas do meu interesse exclusivo
pela matéria verbal dos textos haviam desaparecido. De meados dos anos 70 em diante, perdi o interesse pelos métodos de análise literária e passei a me dedicar pela análise em si, isto é, aos encontros com os autores."
Enquanto isto, os acadêmicos proclamavam o fim da narrativa, a pequenez da crítica sociológica, encarando a literatura como um objeto em si, oferecendo no mercado das idéias, a cada nova temporada, uma fornada de novos ismos teóricos que logo se tornavam a palavra de ordem. Esse cipoal teórico, que contaminou os jornalistas responsáveis pelas resenhas e os próprios escritores, observa Todorov, dificilmente poderá ter como consequência o amor pela literatura."

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Homero Fonseca, jornalista e escritor pernambucano, vários livros publicados.
Recentemente lançou pela Editora Record, do Rio, o romance ROLIÚDE. O blog HOMERO FONSECA é link do JORNAL DO JUAREIZ (http://blig.ig.com.br/juareizcorreya)