quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Editora do Recife publica "Poesia Brasileira em Paris"

A Editora Carpe Diem, do Recife, convidou a poetisa pernambucana Lourdes Sarmento para organizar uma antologia bilingue (Português/Francês) intitulada POESIA BRASILEIRA EM PARIS, reunindo textos de poetas nascidos nas décadas de 50 a 80 do século passado. A poetisa Lourdes Sarmento, informa o escritor e editor Antonio Campos, foi convidada pela Carpe Diem por sua experiência com a divulgação da poesia brasileira na França (organizou, em 1997, a antologia POÉSIE DU BRÉSIL, publicada pela Editora Vericuetos, de Paris, motivando estudos da professora Anne-Marie Quint, da Sorbonne).
Os poetas convidados devem enviar para a poetisa Lourdes Sarmento,por e-mail (lourdessarmento@terra.com.br), dois (2) poemas, com duas (2) laudas, no máximo, cada um, assim como dados biográficos (máximo de 15 linhas). Outras informações :
(81) 33261629 e 33261265, no horário das 11 às 15 horas.
Não serão publicados poemas de autores nascidos nas décadas de 50, 60 e 70 que participaram da antologia POÉSIE DU BRÉSIL lançada em 1997.
A antologia POESIA BRASILEIRA EM PARIS será lançada pela Carpe Diem, no Brasil e na França, no primeiro semestre de 2010.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

NATAL, JOÃO PESSOA E RECIFE, crônica de Manoel Onofre Jr.

De Natal até a divisa com a Paraíba, paralelamente ao litoral, estende-se a BR-101. É mais ou menos a mesma rota dos antigos caminhos que, na era colonial, ligavam Natal a Filipéia de Nossa Senhora das Neves, depois Cidade da Paraíba (atual João Pessoa) e ao Recife. Rota histórica por excelência, ao longo da qual aldeias e engenhos foram semeados, dando origem a vilas, futuras cidades.
Ainda hoje é a BR-101 a rodovia mais movimentada em todo o Estado. Seguindo por ela na direção de João Pessoa, você encontrará, ainda dentro da área metropolitana de Natal, vários pontos de interesse turístico :
- São José de Mipibu, antiga aldeia de Mopebu e missão franciscana, com velhos e decadentes sobrados e,na igreja matriz, bonitas imagens barrocas e uma pia batismal muito linda, obra portuguesa da segunda metade do século XVII.
A poucos quilômetros, a lagoa do Bonfim, de águas verdadeiramente cristalinas, convida a um banho.
- Nísia Floresta (acesso por variante asfaltada), antiga Papari, teve o seu nome mudado em homenagem à notável escritora, educadora, abolicionista, que ali nasceu no sítio Floresta, onde se acha um monumento "in memoriam".
Na praça principal veja a Igreja de Nossa Senhora do Ó (fins do século XVIII) e curta a sombra de imenso baobá. Procure um dos restaurantes rústicos, onde se serve um camarão de lagoa afamado.


CUNHAÚ, CANGUARETAMA, VILA FLOR...


Para completar a excursão,tome de novo a BR-101 e siga até a entrada para Pedro Velho,em busca da capela de Cunhaú, célebre pela chacina que ali teve lugar no tempo da Guerra Holandesa.
Cunhaú foi o primeiro engenho do Rio Grande do Norte, terras doadas pelo Capitão-mor Jerônimo de Albuquerque aos seus filhos Antonio e Matias. Na capelinha, ainda hoje de pé, restaurada em 1986, ocorreu horrível morticínio, uma página da História manchada de sangue. No dia 16 de julho de 1645, colonos brasileiros e portugueses, moradores do engenho, assistiam a missa celebrada pelo Padre Antonio Soveral, quando de súbito foram cercados por numerosos índios tapuias e potiguares e soldados holandeses sob o comando de Jacó Rabi. Iniciou-se, então, o massacre, do qual nenhum dos fiéis escapou. A perseguição estendeu-se às casas do engenho, e apenas três pessoas conseguiram fugir.
Cunhaú tornou-se, com o passar do tempo, um centro de devoção popular. Em 5 de março de 2000, o Papa João Paulo II beatificou "os mártires de Cunhaú".
Retornando à BR-101, tome o rumo de Canguaretama e veja, na igreja matriz, algumas imagens barrocas de grande valor histórico e artístico.
Aproveite o embalo e visite Barra do Cunhaú, praia de veraneio e aldeia de pescadores. No caminho, incursione por Vila Flor, cidadezinha parada no tempo (uma das mais antigas do Estado), onde se destacam a igreja matriz e a velha Cadeia e Casa da Câmara, belo prédio restaurado pelo IPHAN.
Se estiver com disposição de rodar mais, vá a Baía Formosa, cujo nome diz tudo. Conheça aí perto a Mata da Estrela, reserva florestal.
Também fariam parte do roteiro as praias de Tibau do Sul e Pipa, badaladíssimas. Mas, estas merecem visita especial. É preferível o acesso pelo litoral.


(Transcrita do livro PORTAL DE EMBARQUE BRASIL -BRASIS,
de Manoel Onofre Jr.,Sebo Vermelho Edições, Natal, RN, 2008)

domingo, 6 de dezembro de 2009

POESIA - PRA VIVER A VIDA ! (Alberto Cunha Melo)

AOS MESTRES, COM DESRESPEITO

Dizem que meu povo
é alegre e pacífico.
Eu digo que meu povo
é uma grande força insultada.
Dizem que meu povo
aprendeu com as argilas
e os bons senhores de engenho
a conhecer seu lugar.
Eu digo que meu povo
deve ser respeitado
como qualquer ânsia desconhecida
da natureza.
Dizem que meu povo
não sabe escovar-se
nem escolher seu destino.
Eu digo que meu povo
é uma pedra inflamada
rolando e crescendo
do interior para o mar.


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DE UM PROFETA LATINO-AMERICANO


Preparem os corpos
para os desertos
que vão ser bem longos
e não merecidos.
Nem as crianças sabem
de onde vem o fogo
mas o fogo vem.
Se os homens de boa vontade
não têm boas armas,
os homens de boas armas
não têm boa vontade.
Agora, apenas
a normalidade repetida
já será a destruição.


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RITUAL DO ESPANCAMENTO

Espancado para aprender
a espancar
e ser espancado,
espancado em nome de Deus
ou de um jarro quebrado,
espancado para falar
e calar
o próprio espancamento.
Espancado para aprender
que os homens aprendem
espancando e sendo espancados,
espancado para dizer
que não foi espancado,
espancado para morrer
pensando que o mundo
está povoado
de espancados que espancam
e espancadores espancados.


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NOS QUINTAIS, DEPOIS DOS QUARTÉIS


Os uniformes de guerra
estão lavados
com o sabão da terra
e as alfazemas
das moças pardas :
estão secando
desde o último sol
na memória do povo,
e não devem mais
contra ele
ser vestidos de novo.



(Revista POESIA - PRA VIVER A VIDA,
Número 1, Recife, abril, 1980)


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ALBERTO CUNHA MELO nasceu em Jaboatão dos
Guararapes (PE)no ano de 1942. Além de
publicações esparsas em jornais e revistas
pernambucanos, tem editados os seguintes
livros : CÍRCULO CÓSMICO, ORAÇÃO PELO
POEMA, PUBLICAÇÃO DO CORPO, DEZ POEMAS
POLÍTICOS, NOTICIÁRIO. Os poemas publicados
nesta revista são do livro DEZ POEMAS
POLÍTICOS (Edições Pirata, Recife, 1979).

POESIA - Pra Viver a Vida !

"Quando lhe restavam apenas alguns dias vivo,o escritor Hermilo Borba Filho escreveu para Osman Lins, encerrando suas palavras como um sonoro E VIVA A VIDA !
Retomamos a sua expressão, incentivados por essa saudável força que animava a sua
relação com as pessoas, as coisas, o mundo, a própria existência.
Sim : leia POESIA - PRA VIVER A VIDA !"



(Apresentação da revista POESIA - Pra Viver a Vida ! , Nordestal Editora, Recife, Abril / 1980)