terça-feira, 8 de dezembro de 2009

NATAL, JOÃO PESSOA E RECIFE, crônica de Manoel Onofre Jr.

De Natal até a divisa com a Paraíba, paralelamente ao litoral, estende-se a BR-101. É mais ou menos a mesma rota dos antigos caminhos que, na era colonial, ligavam Natal a Filipéia de Nossa Senhora das Neves, depois Cidade da Paraíba (atual João Pessoa) e ao Recife. Rota histórica por excelência, ao longo da qual aldeias e engenhos foram semeados, dando origem a vilas, futuras cidades.
Ainda hoje é a BR-101 a rodovia mais movimentada em todo o Estado. Seguindo por ela na direção de João Pessoa, você encontrará, ainda dentro da área metropolitana de Natal, vários pontos de interesse turístico :
- São José de Mipibu, antiga aldeia de Mopebu e missão franciscana, com velhos e decadentes sobrados e,na igreja matriz, bonitas imagens barrocas e uma pia batismal muito linda, obra portuguesa da segunda metade do século XVII.
A poucos quilômetros, a lagoa do Bonfim, de águas verdadeiramente cristalinas, convida a um banho.
- Nísia Floresta (acesso por variante asfaltada), antiga Papari, teve o seu nome mudado em homenagem à notável escritora, educadora, abolicionista, que ali nasceu no sítio Floresta, onde se acha um monumento "in memoriam".
Na praça principal veja a Igreja de Nossa Senhora do Ó (fins do século XVIII) e curta a sombra de imenso baobá. Procure um dos restaurantes rústicos, onde se serve um camarão de lagoa afamado.


CUNHAÚ, CANGUARETAMA, VILA FLOR...


Para completar a excursão,tome de novo a BR-101 e siga até a entrada para Pedro Velho,em busca da capela de Cunhaú, célebre pela chacina que ali teve lugar no tempo da Guerra Holandesa.
Cunhaú foi o primeiro engenho do Rio Grande do Norte, terras doadas pelo Capitão-mor Jerônimo de Albuquerque aos seus filhos Antonio e Matias. Na capelinha, ainda hoje de pé, restaurada em 1986, ocorreu horrível morticínio, uma página da História manchada de sangue. No dia 16 de julho de 1645, colonos brasileiros e portugueses, moradores do engenho, assistiam a missa celebrada pelo Padre Antonio Soveral, quando de súbito foram cercados por numerosos índios tapuias e potiguares e soldados holandeses sob o comando de Jacó Rabi. Iniciou-se, então, o massacre, do qual nenhum dos fiéis escapou. A perseguição estendeu-se às casas do engenho, e apenas três pessoas conseguiram fugir.
Cunhaú tornou-se, com o passar do tempo, um centro de devoção popular. Em 5 de março de 2000, o Papa João Paulo II beatificou "os mártires de Cunhaú".
Retornando à BR-101, tome o rumo de Canguaretama e veja, na igreja matriz, algumas imagens barrocas de grande valor histórico e artístico.
Aproveite o embalo e visite Barra do Cunhaú, praia de veraneio e aldeia de pescadores. No caminho, incursione por Vila Flor, cidadezinha parada no tempo (uma das mais antigas do Estado), onde se destacam a igreja matriz e a velha Cadeia e Casa da Câmara, belo prédio restaurado pelo IPHAN.
Se estiver com disposição de rodar mais, vá a Baía Formosa, cujo nome diz tudo. Conheça aí perto a Mata da Estrela, reserva florestal.
Também fariam parte do roteiro as praias de Tibau do Sul e Pipa, badaladíssimas. Mas, estas merecem visita especial. É preferível o acesso pelo litoral.


(Transcrita do livro PORTAL DE EMBARQUE BRASIL -BRASIS,
de Manoel Onofre Jr.,Sebo Vermelho Edições, Natal, RN, 2008)

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