sábado, 28 de maio de 2011

CONTRARIANDO O POETA, de Antonino Oliveira Junior

Espera,
Logo vou ultrapassar essa estrada,
Cuja bruma densa
Deixa opaca a retina dos meus olhos...
Sei que devo encontrar-te
E será logo, mas não serei breve;
Espera,
Meu coração camaleônico
Toma agora uma forma única,
Estagnado na cor que reflete
O negro dos teus olhos,
O calafrio emotivo de tua pele,
A maciez rósea dos teus seios,
O mistério do teu ventre acolhedor;
Espera,
Vou entregar-me cegamente
Como quem voa um voo sem descida,
E, uma vez em teus braços,
Gritarei para o mundo
Meu discordar do poeta,
O meu brado de entrega :
QUE ESTE AMOR QUE ME INCENDEIA
E ME AQUIETA O CORAÇÃO
NÃO SEJA INFINITO ENQUANTO DURE
MAS QUE DURE POR SER ELE INFINITO.



_________________________________
ANTONINO OLIVEIRA JUNIOR nasceu e vive
no Cabo de Santo Agostinho (PE). Dois livros
publicados. Fundador da "Casa da Memória do Cabo".
É membro da ACL-Academia Cabense de Letras.
Publica, na Internet, o BLOG DE ANTONINO
(http://antoninojr.blogspot.com)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

PAULO AZEVEDO CHAVES : AGRADECIMENTO E INFÂNCIA (com Ascenso Ferreira)





"Grato por transcrever meu comentário sobre AMERICANTO... em seu blog e também pelo site com boas informações sobre o panorama literário local.
Ascenso Ferreira é um velho conhecido. Em minhas vagas lembranças da infância eu o revejo corpulento, rosto achatado e moreno, vestindo terno branco, um grande chapéu de abas largas na cabeça. A grande maioria dos amigos de meu pai, Antiógenes Chaves, era formada por intelectuais e escritores e entre eles Ascenso comparecia à nossa casa, embora muito raramente. Na Casa Azul ocorriam verdadeiras tertúlias literárias em que os papos alegres e inteligentes eram sempre regados por bons uísques. Gilberto Freyre, Sylvio Rabelo e Olívio Montenegro estavam entre os frequentadores da Casa Azul. E mais raramente José Lins do Rego.
No primeiro andar, meu pai tinha uma grande biblioteca em que edições de luxo, em papel pardo, dos livros de Ascenso Ferreira, tinham um lugar de destaque. Menino ou na adolescência, eu os folheava encantado pelos versos imbuídos de sabedoria própria e popular, impregnados de nordestinidade, como em "Filosofia", transmitindo a mensagem bem vinda aos preguiçosos que na hora de trabalhar devemos por as pernas pro ar porque ninguém é de ferro.
Obrigado por me transportar a esse passado distante e tão rico em sensações e emoções, há cerca de 60 anos atrás, quando, na casa de meu avô, o "Tenente da Catende", durante o Carnaval este fazia com que eu me fantasiasse de Carmem Miranda (com turbante, colares e maquiagem) e imitasse seus trejeitos para delícia dos presentes e desgosto de meu pai... Graças a você eu fiz hoje uma longa e prazeirosa viagem em busca do tempo perdido, quando era feliz e nem percebia o quanto." - PAULO AZEVEDO CHAVES




____________________________________
E-mail enviado pelo poeta e crítico de arte
pernambucano Paulo Azevedo Chaves
(azevedo-chaves@uol.com.br) /
Recife, 23 de maio de 2011

domingo, 22 de maio de 2011

PAULO AZEVEDO CHAVES E A NOVA EDIÇÃO DO "AMERICANTO"

A "chave do céu das palavras" você sempre teve e nem é preciso que o diga. A gente vê, a gente sente em seus versos viscerais e irrestritos. E se você edifica sobre elas "as garrafas e as mesas", tanto melhor. É em torno desses apetrechos de bar que as pessoas se desnudam de seus recatos e mistérios, como faziam os santos Baudelaire e Rimbaud. É ali que elas tiram os 7 véus, se metamorfoseiam - para o bem ou para o mal - como "A Bela e a Fera" ou "O Médico e o Monstro". A lembrar sempre que os verdadeiros eleitos trilham os caminhos banidos pelas passivas maiorias, algozes dos seres excepcionais, singulares, únicos. Como esquecer que o melhor e mais profundo livro de Oscar Wilde, o "De Profundis", foi escrito no presídio de Reading ? Ante a condenação e a dor, ele se redimiu de sua mediocridade socialmente aplaudida enquanto escritor.

Pois é, Juareiz : a sua poesia saudavelmente iconoclasta, na linguagem verdadeira da vida - como a de Jean Genet - é uma revigorante injeção lírica e inconformista neste mundo massificado e doméstico, manipulado pela voz uníssona e manipuladora das maiorias mediocremente consumistas no eterno vai-vem dos shoppings e arredores. Quanto aos vates que se locupletam e se incensam mutuamente no chá das cinco das academias, eles se "masturbam em sua própria glória" acomodada e efêmera e, como você também diz, "negam a vida tantas vezes quanto for preciso / para que ninguém entre no Reino-dos-Seus".

Bravos, Juareiz,"nome de guerra, guerreiro" (como escrevi certa vez a seu respeito). Muito obrigado pelo "Antilírico", você me desvendou, me desvelou melhor do que qualquer outro jamais o fez. (PAULO AZEVEDO CHAVES)



________________________________________________
E-mail do poeta e crítico de arte pernambucano
PAULO AZEVEDO CHAVES ( azevedo-chaves@uol.com.br)
enviado no dia 9 de maio de 2011.