domingo, 22 de maio de 2011

PAULO AZEVEDO CHAVES E A NOVA EDIÇÃO DO "AMERICANTO"

A "chave do céu das palavras" você sempre teve e nem é preciso que o diga. A gente vê, a gente sente em seus versos viscerais e irrestritos. E se você edifica sobre elas "as garrafas e as mesas", tanto melhor. É em torno desses apetrechos de bar que as pessoas se desnudam de seus recatos e mistérios, como faziam os santos Baudelaire e Rimbaud. É ali que elas tiram os 7 véus, se metamorfoseiam - para o bem ou para o mal - como "A Bela e a Fera" ou "O Médico e o Monstro". A lembrar sempre que os verdadeiros eleitos trilham os caminhos banidos pelas passivas maiorias, algozes dos seres excepcionais, singulares, únicos. Como esquecer que o melhor e mais profundo livro de Oscar Wilde, o "De Profundis", foi escrito no presídio de Reading ? Ante a condenação e a dor, ele se redimiu de sua mediocridade socialmente aplaudida enquanto escritor.

Pois é, Juareiz : a sua poesia saudavelmente iconoclasta, na linguagem verdadeira da vida - como a de Jean Genet - é uma revigorante injeção lírica e inconformista neste mundo massificado e doméstico, manipulado pela voz uníssona e manipuladora das maiorias mediocremente consumistas no eterno vai-vem dos shoppings e arredores. Quanto aos vates que se locupletam e se incensam mutuamente no chá das cinco das academias, eles se "masturbam em sua própria glória" acomodada e efêmera e, como você também diz, "negam a vida tantas vezes quanto for preciso / para que ninguém entre no Reino-dos-Seus".

Bravos, Juareiz,"nome de guerra, guerreiro" (como escrevi certa vez a seu respeito). Muito obrigado pelo "Antilírico", você me desvendou, me desvelou melhor do que qualquer outro jamais o fez. (PAULO AZEVEDO CHAVES)



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E-mail do poeta e crítico de arte pernambucano
PAULO AZEVEDO CHAVES ( azevedo-chaves@uol.com.br)
enviado no dia 9 de maio de 2011.

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