terça-feira, 24 de março de 2009

ÁGUAS DE MARÇO EM SÃO PAULO

Não há nada a fazer
quando chove em São Paulo.
Tudo pára, imóvel e incriado.
As ruas naufragam
Viadutos transformam-se em pontes
despencando abismos
transeuntes desabam em correria
coletivos morrem
automóveis não se movem
nem servem para mais nada
e uma impotência populacional
se suicida e implode nos edifícios.
Túneis sem luz no começo e no fim
as solidões subvertem os semáforos
a desordem se estabelece como um executivo
e é a ordem do dia
e as comunicações veiculadas
são uma desgraça apocalíptica :
rádios de papel
jornais sem telas
televisores sem páginas
desavisam desdizem desanunciam
como uma propaganda pelo avesso
em ondas desfeitas no ar
letras dissolvidas computações empasteladas
imagens cristaligráficas intraduzíveis
que o temporal vai passar logo
que o mundo não está se acabando
e que os desencontros humanos
como todos sabem
são a arte da Vida.
JUAREIZ CORREYA
(São Paulo, 17/março/2009)