quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O GOVERNADOR EDUARDO CAMPOS E O PACTO FEDERATIVO





     "Construímos uma ordem democrática superando anos de autoritarismo. Construímos uma transição que foi além da política e fizemos a estabilidade econômica. Em seguida, conseguimos, sob a liderança do presidente Lula, colocar a questão da desigualdade no centro do debate nacional.  Agora é chegada a hora de colocar na ordem do dia uma nova pauta para o Brasil.

     O constituinte de 1988 pensou uma relação equilibrada entre as diferentes unidades da federação.  Não foi por acaso que ele elevou o município à condição de ente federativo, e nisso somos o único País do mundo a fazer essa escolha.  Acontece que depois vieram duas décadas perdidas e fomos reconcentrando poder e receitas na União.  Agora, mais do que nunca, precisamos mudar esta realidade.

     A maior parte dos investimentos no País é feita por estados e municípios. Eles tocam projetos que não se enquadram necessariamente nos grandes projetos nacionais, mas nem por isso deixam de ser importantes. E esses investimentos não podem acontecer numa realidade em que 70% das receitas ficam para a União e aos prefeitos resta a tarefa de correr corredores, sendo atendidos por uma burocracia por vezes insensível."




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Trechos do pronunciamento do Governador de Pernambuco,
Eduardo Campos, ao agradecer a homenagem prestada pela 
Assembléia Legislativa de Roraima, quando o condecorou,
quinta-feira passada, na capital do Estado, a cidade de Boa 
Vista.
- http://www.cepe.com.br/diario

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

ZODÍACO / "DEZEMBRO", de Daniel Lima






Dezembro é cântico contido. 
A vontade de ser que se recolhe 
e aguarda o seu momento. 

E na hora de ser ei-lo dezembro. 

       Nascido já maduro, acontecido
dentro, bem dentro de si mesmo posto,
       rosto de Mona Lisa indecifrável
              riso que não sorri,
       olhos que não percebem. 
       (Fingem não perceber
       fingem que sonham 
       mas tudo eles percebem,
tudo eles veem, esses olhos, 
       pelos ouvidos)
Misteriosas coisas de dezembro.   



(Do Calendário e Agenda CEPE 2012
- Ilustração : Foto de Xirumba )



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Transcrito do livro POEMAS, de Daniel Lima 
- Companhia Editora de Pernambuco - CEPE /
Secretaria da Casa Civil /
Governo de Pernambuco, Recife, PE, 2010

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

MIGUEL ARRAES E CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (Texto de Antonio Callado)






     Arraes não conheceu pessoalmente o poeta Carlos Drummond de Andrade. Mas citou o poeta inúmeras vezes, em discursos, no prefácio que fez, ao voltar do exílio, para a segunda edição do meu livro TEMPO DE ARRAES  : "Quanto ao Brasil, voltamos sempre - e sempre citamos - o apelo de Carlos Drummond de Andrade, no seu "Hino Nacional" :  Precisamos descobrir o Brasil (...) / se bem que seja difícil compreender o que querem esses homens /  por que motivo eles se ajuntaram /  e qual a razão dos seus sentimentos. (...) /  Nenhum Brasil existe. E acaso existirão os brasileiros ?"

     Gosto de imaginar o encontro que não houve entre esses dois homens reservados, de fala cordial e mansa. Drummond tinha muito do sertanejo de Araripe e Arraes podia ter sido criado na paisagem férrea de Itabira. E o traço familiar que une os dois  é, naturalmente, o sentimento do mundo e do lugar que o Brasil tarda tanto a ocupar neste mundo. Não estou exagerando a força desse sofrimento compartilhado, que calou tão fundo em Arraes. 

     Eleito pela terceira vez governador de Pernambuco, em 1994, Arraes pronunciou o belo discurso que é um dos últimos reproduzidos neste volume.  O discurso acaba assim :

     "Ao longo dos tempos, o povo de Pernambuco legou aos brasileiros lições de unidade política e capacidade de trabalho. Saberemos mais uma vez honrar este passado.  Tenho o que tinha antes, ao apresentar-me hoje a esta Casa, pela terceira vez, enriquecido pelo que me deu a vida e pelo que me marcou o destino. Nada além, como ensinou o poeta, do que duas mãos, o sentimento do mundo e a certeza renovada na capacidade do povo em fazer sua História."  



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Fragmento final do prefácio de Antonio Callado para o livro
PENSAMENTO E AÇÃO POLÍTICA, de Miguel Arraes
- Topbooks Editora, Rio de Janeiro, RJ, 1997.

 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

"I PRÊMIO PERNAMBUCO DE LITERATURA" : 40 mil reais em prêmios




     Estão abertas as inscrições  do "I PRÊMIO PERNAMBUCO DE LITERATURA",  para premiação e publicação de livros inéditos de autores pernambucanos residentes nas Macrorregiões do Estado : Agreste, Região Metropolitana, Sertão e Zona da Mata.  O período de inscrições se encerra no dia 31/janeiro/2013. 

     Realizado pelo Governo do Estado de Pernambuco, através da Secretaria de Cultura -SECULT e da Companhia Editora de Pernambuco - CEPE, instituído por meio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco - FUNDARPE, o concurso "tem como objetivo fomentar a produção literária em todas as Macrorregiões de Pernambuco através de uma política editorial, ancorada ao Plano Nacional do Livro e da Leitura, que visa democratizar o acesso ao livro com edições de baixo custo.  Ao mesmo tempo, apresenta-se como uma estratégia de promover a distribuição e circulação da literatura contemporânea pernambucana, aliando-se a outras atividades de fruição e formação de público leitor desenvolvidas pela SECULT-PE/FUNDARPE."

     Concorrem ao "I PRÊMIO PERNAMBUCO DE LITERATURA" livros inéditos dos gêneros conto, poema ou romance. 

     Os autores pernambucanos concorrerão entre si nas regiões onde têm domicílio.  Cada finalista em sua região receberá um prêmio de R$ 5.000,00 (cinco mil reais).  Um dos finalistas será relevado com um Grande Prêmio no valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais).  

     Os títulos vencedores serão publicados pela Companhia Editora de Pernambuco - CEPE, com tiragem de 1.000 (um mil) exemplares de cada título. 

     O Edital do "I PRÊMIO PERNAMBUCO DE LITERATURA" pode ser acessado no site da FUNDARPE (http://www.fundarpe.pe.gov.br) e da CEPE  (http://www.cepe.com.br)


terça-feira, 27 de novembro de 2012

POESIA VIVA DO RECIFE : "CAIS - Décimo Quarto Canto", de Manoel Constantino




 
 
 
O cansaço não me abate.
Nem todas as badaladas
dos sinos do Recife.
Seis matinais.
Doze meios-dias.
Seis Ave-Marias.
O cansaço que dói
atravessa mares 
beira o rio.
Ausências
fiz serem ausências 
na medida dos meus medos.
Eis o meu cansaço.
Na partitura dos sonhos 
escrevi poemas
o que arde 
crava punhais. 
 
 
 
(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,
organizada por Juareiz Correya)
 
 
 
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MANOEL CONSTANTINO - Nasceu em Santana de Ipanema (AL). Jornalista, poeta,
dramaturgo, ator e diretor de teatro. Poemas publicados em jornais e revistas recifenses.
Incluído na antologia MARGINAL RECIFE - Coletânea Poética 2. É editor desta
AGENDA CULTURAL.  Poesia publicada : ESQUINAS, AÇOITE, ARDÊNCIAS.  
 
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Transcrito da AGENDA CULTURAL -  Novembro 2012
- Prefeitura do Recife / Secretaria de Cultura /
Fundação de Cultura Cidade do Recife 




terça-feira, 13 de novembro de 2012

ARTE POÉTICA E POLÍTICA : "CUBA LIBRE", DE ASCENSO FERREIRA






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     E, mesmo com o seu pensamento político que só o fazia pensar no Brasil, nacionalista irredutítvel, sem gostar do estrangeiro, acreditando e vivendo unicamente pela existência do Brasil, Ascenso Ferreira se identicou com a luta do povo cubano, escrevendo, em 1955, o poema Cuba Libre, quando participava do Congresso de Escritores, em Goiânia. O poeta, nessa ocasião, teve a oportunidade de conviver com Pablo Neruda (de quem ganhou de presente o seu chapelão-do-Chile), e, segundo Souza Barros, que guardou este poema por muito tempo, ele teria sido revisado por Neruda, pelo uso acertado do idioma :


 
 
CUBA LIBRE
 
 
 
Ayer eras una mescla de ron y Coca-Cola
A la qual los americanos llamabán, em broma - Cuba Libre !
Pero, despues, vinieron los barbudos de Sierra Maestra !
Entonces el ron há tomado el espírito de la verdad
Mezclando-se com sangre y arena !
Dando una muestra a los pueblos de todo el mundo 
Que Cuba es realmente libre !
Libre para gloria de los americanos y el honor de la munidad !
 
 
- Sacad las manos de mi dulce Cuba, "gringos" !
 
 
 
 
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Transcrito do capítulo "Arte Poética e Política",
do livro ASCENSO, O NORDESTE EM CARNE & OSSO,
de Juareiz Correya 
- Edições Bagaço /  Nordestal Editora, Recife, PE, 2001 
 
 


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A "CASA DE HERMILO" EM PALMARES (2), de Juareiz Correya





     Quando voltei de São Paulo, no início de 1980, para viver de novo em Palmares e no Recife, já trazia comigo o projeto inicial da "Casa da Cultura Hermilo Borba Filho",  apenas um sonho que acalentava em algumas conversas com amigos.  Me envolvi então na campanha do PMDB de Palmares, que lançou Luís Portela de Carvalho como candidato a prefeito.  Mas a minha participação tinha um sentido mais alternativo e lançamos, com um grupo de amigos também engajados no PMDB, um "candidato alternativo" : o ex-lider estudantil Antonio Maromba.  Os admiradores e seguidores de Luís Portela espernearam, tentaram nos bombardear, mas o próprio Portela admitiu, em uma decisiva reunião partidária, o lançamento da candidatura de Antonio Maromba (indicamos também o vice, Zé Eduardo, líder camponês que tinha fundado o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Palmares).  Seguimos os nossos distintos caminhos para contribuir com a desejada vitória do PMDB em Palmares. 

     Quase no final da campanha eleitoral para prefeitos e vereadores,  em 1982, o "candidato alternativo" Antonio Maromba se bandeou para o palanque do nosso adversário mais destacado, com críticas pesadas contra a figura do candidato do PMDB 1, Luís Portela.  Um verdadeiro desastre, um golpe mortal que aniquilava todo o nosso pequeno grupo.  Reagimos rápido e comunicamos ao candidato Luís Portela que permanecíamos no partido, junto com ele, solidários com a sua campanha, e conduzindo, do jeito que fosse possível (e já não era mais possível fazer nada...) a candidatura de Zé Eduardo, que podia ser o candidato a prefeito na legenda abandonada por Maromba.  O resultado final foi a vitória merecida e inquestionável de Luís Portela de Carvalho, que voltava, pela terceira vez, a ser prefeito de Palmares.  A votação de Zé Eduardo foi quase nenhuma e não foi eleito nenhum candidato a vereador que nos acompanhava na legenda do PMDB 2. 

     Nosso pequeno grupo - eu, Zé Eduardo, Arnaldo Afonso Ferreira, Gilberto Melo e outros - ficou de fora, naturalmente, vendo o prefeito Luís Portela montar a sua equipe e começar a trabalhar.  Alguns meses depois me encorajei e, junto com Zé Eduardo e Arnaldo Afonso Ferreira, solicitei um encontro com o prefeito Luís Portela para apresentar o projeto da "Casa da Cultura Hermilo Borba Filho".  Ele agendou o encontro em uma manhã de domingo, no seu gabinete, na Prefeitura.  Seria mesmo um encontro informal, era o nosso entendimento. 

     Que nada.  O prefeito Luís Portela reuniu todo o seu secretariado, o presidente da Câmara de Vereadores, o líder do partido na Câmara e o presidente do PMDB de Palmares.  Compareci em companhia de Zé Eduardo e Arnaldo Afonso Ferreira. O prefeito pediu então que eu apresentasse, a todos, o projeto da "Casa da Cultura".  Fiz isto da forma mais sucinta e objetiva possível, repassando, ao prefeito, o texto completo com o pre-projeto da "Casa da Cultura Hermilo Borba Filho", sugerindo que ele o estudasse com a sua equipe e, depois, apresentasse a sua decisão sobre a criação, ou não, da "Casa da Cultura".   O prefeito fez questão de lembrar que Hermilo era um parente seu - ele, Luís Portela de Carvalho e Hermilo era um Borba (de Carvalho) Filho -, e, de pronto, sem deixar sequer a gente se levantar, e sem consultar ninguém, ele disse : "Creio que nada me impede de lhe dar a resposta agora." Cara a cara com ele, eu só tinha mesmo de agir rápido : "Então diga."  O prefeito Luís Portela foi perfeito : "Nós vamos criar a Casa de Cultura de Palmares."


 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A "CASA DE HERMILO" EM PALMARES, de Juareiz Correya





     Em 1973, diante da primeira edição da antologia POETAS DE PALMARES, que organizei e publiquei (primeiro e único livro lançado pela Editora Palmares, que eu e Elói Pedro da Silva criamos na cidade), Hermilo Borba Filho publicou o primeiro grande elogio que a antologia recebeu na imprensa pernambucana :  a crônica Poetas de Palmares (Diario de Pernambuco, Recife, 6/outubro/1973). Em sua crônica, o escritor palmarense, já consagrado nacionalmente, fez questão de revelar : "E eu, que realizei ou pensei realizar uma enorme catarse, em UM CAVALHEIRO DA SEGUNDA DECADÊNCIA, esgotando Palmares, verifico, ao mesmo tempo, com uma grande alegria e uma grande dor, que Palmares é a minha marca para toda a vida."

     Passada a experiência do projeto da Editora Palmares, que não conseguiu ir adiante com a publicação de uma antologia de poetas e prosadores da Mata Sul pernambucana, onde Hermilo seria incluído com o trecho de um romance (e ele nos incentivou na hora para que esse trabalho pudesse ser realizado), iniciei, em 1975, um novo projeto editorial com a publicação de um livreto de minha autoria - AMERICANTO AMAR AMÉRICA & OUTROS POEMAS.  Dessa vez Hermilo não publicou nada e chegou a afirmar, em uma das suas crônicas sobre livros, que não mais trataria de livros de poesia "por absoluta incompetência técnica."  Não me contive diante disso e escrevi para ele uma carta descontroladamente sincera, de muita emoção mesmo...  Alguém tinha de lhe dizer alguma coisa nesse sentido e eu, que sabia disso, não era de ficar calado. Ele tinha de aguentar a bucha.  Aguentou.  Me escreveu logo dizendo que recebera a carta e adiantou que ia publicá-la na coluna "como um grito de um poeta, e darei minha decisão final." Publicou, no Diario de Pernambuco, a crônica Carta de um poeta, com esta resposta :

     "Sinceramente, poeta, considero-me incompetente para julgar poesia e já se torna cansado o cacoete impressionista de se estar analisando poetas e poesias. Só isto.  Por que não fujo quando escrevem ficção ? Porque aí estou dentro do meu terreno. Mas sua carta me comoveu.  Volto atrás. Se não comentar (a incompetência continua), pelo menos noticiarei os poetas. É o que posso fazer para ajudá-los nesta dolorosa caminhada em que vocês estrebucham pelos caminhos minados do mundo cada vez mais cruel e árido. Acredito na poesia e acredito em vocês que estão querendo romper, com razão, as velhas estruturas.  Destruam-nos pela poesia. E que eu seja o primeiro se faltar com este Amor que lhes devo."

     Hermilo me deixou abestalhado.  Era sincero demais, verdadeiro demais, autêntico demais.  Jamais passou pela minha cabeça que ele chegaria a tanto.  "Volto atrás" - quem é capaz de dizer, ainda hoje, no meio literário pernambucano e nordestino, uma coisa dessas, de negar publicamente a sua opinião para reconhecer algum valor na opinião de outro ? Na verdade, o exemplo de Hermilo me conquistou definitivamente.  Passei a admirá-lo muito mais. 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

POETAS CONTRA A SECA, de José Ramos Sobrinho





A toda hora, milhões de moscas comem porcaria :
não faço o mesmo.
Apago a TV-lixo, abro um livro,
cuido das árvores, 
protejo os animais,
cuido dos rios, açudes, 
cidades, estradas, praças, ruas...


Trato a Terra com respeito,
pois é Nosso Lar,
replanto as árvores que ajudo
a destruir com meu consumismo insensato,



trato os seres humanos como espíritos,
os animais como gente. 



(Pensemos nestas coisas, rápido,
a Vida tem pressa, 
pois ninguém fabrica Água 
e 2013 poderá ser muito pior)



(Olinda, 31 / outubro / 2012)

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Email do poeta, contista e sociólogo pernambucano José Ramos Sobrinho :
"Novamente a grande estiagem prolongada : a seca. Há 40 anos houve uma 
muito cruel, só que esta é mais devastadora. Seis municípios da zona da mata 
já estão em plena miséria : os usineiros fizeram sua parte, destruindo as
reservas, as matas ciliares, os rios, os gravetos, os animais... E querem dinheiro 
a fundo perdido para recompor as suas rendas. No agreste e sertão
a mentalidade é a mesma, do grande proprietário ao médio e pequeno, este,
coitado... Mando-lhe um  texto como sugestão do nosso Grito de Alerta,
protesto, sugestões, participação. Devemos mandá-lo aos quatros ventos
da Terra, Planeta Azul. "


 

sábado, 27 de outubro de 2012

O ASSASSINATO DE MAIAKOVSKI, de Juareiz Correya





Sem sóis de gelo 
Noites brancas
Máquinas cantando 
Operários no Poder 
Poetas-Soldados 
Propagandas  poéticas 
Manifesto no peito
Maiakovski foi morto. 

Quem matou Maiakovski ?
Pergunta a mão que datilografa a notícia 
Perguntam estudantes estupefatos com o crime 
Perguntam nomes e anônimos da sua Moscou 
Perguntam os solitários  transeuntes e os corações solidários 
Na imensidão do mundo deserto e inútil sem o poeta. 

Quem matou Maiakovski
Não foi a morte de Essenine
- O que não soube viver  -
Não foi a Polícia Política Soviética das Letras 
Não foi Stalin e a Burocracia Estatal da URSS
Nem um crítico desmoralizado
Ou um escritor medíocre e nulo em sua inveja. 

Quem matou Maiakovski 
Não foi o seu editor de honra traída 
Não foi Lília Brik, a mulher do seu editor e sua amada amante 
Não foi a sua mão armada como um suicida 
Nem todo o seu coração incendiado que não cabia na Rússia e no Universo  

Quem matou Maiakovski
Foi um Deus que vivia dentro dele
E que morria por ele :
Quem matou Maiakovski foi o Amor.  


Recife, outubro de 2012.


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Do livro inédito POEMAS DO NOVO SÉCULO
 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

ZODÍACO / OUTUBRO, de Daniel Lima






Outubro é sagaz e se equilibra
       entre uma nuvem e uma estrela.
              Outubro não cai.
       Outubro desce devagarinho
como quem desce uma escarpa 
com cuidado e prudência
              mas outubro não cai.
                      Outubro desce.

Desce outubro e vem ver o verão
                       que setembro deixou,
           cansado da primavera
que viria em setembro, a primavera 
           que sempre diz que chega 
           e quando diz que aparece 
                               já passou. 


(Calendário e Agenda CEPE 2012)


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Transcrito do livro POEMAS, de Daniel Lima 
- Companhia Editora de Pernambuco /
Secretaria da Casa Civil / Governo de Pernambuco,
Recife, PE, 2012
http://www.cepe.com.br

domingo, 14 de outubro de 2012

POESIA VIVA DO RECIFE : "CANTO QUASE PAISAGÍSTICO", de Lea Tereza Lopes





Essa cidade enlouquece
com seus fantasmas de cimento 
passeando a meia-noite 
sobre teu rosto belo.
 
 
Essa cidade entristece
com sua teimosa metropolimania
tiranizando objetos 
que por ela navegam
em tardes bordadas em cetim antigo
 
 
Essa cidade enfurece 
com seu ruído de pipocas 
estourando-se 
e suas máquinas trituradoras 
de amor 
e sua vampiresca sede  do sangue 
da poesia 
 
 
......................................................
 
 
(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,
organizada por Juareiz Correya)
 
 
 
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LEA TEREZA LOPES - Recifense. Poemas publicados em revistas e jornais 
alternativos brasileiros.  Poesia publicada : ROCAMBOLE, EROS E LEA.
Participa ativamente da vida cultural de Embu das Artes (SP), com recitais 
de poesia e trabalhos artesanais. 



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

ITAÚ SOCIAL DISTRIBUIRÁ 7 MILHÕES DE LIVROS INFANTIS. EDIÇÕES PODEM SER PEDIDAS PELO SITE





     A Fundação Itaú Social começou na quarta-feira passada (3) uma campanha nacional de incentivo à leitura para crianças que oferecerá gratuitamente 7 milhões de livros infantis. 

     A iniciativa faz parte do programa Itaú Criança que integra ações para melhorar a educação.  "A campanha é uma forma de colocarmos em pauta a questão da leitura e convocarmos toda a sociedade a refletir sobre a importância de estimular esse hábito", afirma Antonio Matias, vice-presidente da Fundação Itaú Social. 

     Uma pesquisa sobre o hábito de leitura realizada pelo Instituto Datafolha, divulgada nesta terça-feira (2), mostra que apesar de terem tido pouco contato com os livros na infância, 96% dos brasileiros consideram importante ou muito importante o incentivo à leitura para crianças pequenas, de até 5 anos.  No entanto, apenas 37% costumam ler livros ou histórias para elas.  


     L I V R O S

     As edições oferecidas são um conjunto de três livros da Coleção Itaú voltados a crianças de até cinco anos.  Os títulos são Lino, de André Neves (Editora Callis), Poesia na varanda, de Sonia Junqueira (Editora Autêtica) e O ratinho, o morango vermelho e o grande urso esfomeado, de Don e Audrey Wood (Editora Brinque-Book). 

     Os interessados em participar da mobilização podem receber a coleção de livros infantis em casa apenas com o cadastro no site do programa : http://www.itau.com.br/itaucrianca   O material é enviado gratuitamente pelo correio para todo o país.

     Além de oferecer livros, a Fundação Itaú Social reunirá voluntários para leituras públicas em creches, escolas públicas, bibliotecas comunitárias e ONGs (Organizações Não Governamentais). 


ROSÁLIA GUEDES
(Consultora UNESCO /
Rede Nordeste LLL


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Carta de Julio Cortázar após a morte do Che, em 1967





Paris, 29 de outubro de 1967.


Roberto e Adelaida, meus muito queridos :


À noite, voltei a Paris desde Argel.  Só agora, em minha casa, sou capaz de escrever-lhes coerentemente; lá, metido em um mundo onde só contava o trabalho, deixei irem-se os dias como em um pesadelo, comprando jornal após jornal, sem querer convencer-me, olhando essas fotos que todos temos olhado, lendo as mesmas notícias e entrando hora a hora na mais dura das aceitações. 

Então me chegou sua mensagem telefônica, Roberto, e entreguei esse texto que deves receber e que volto a enviar-te aqui para que haja tempo de que o vejas outra vez antes que seja impresso, pois eu sei o que são os mecanismos do telex e o que ocorre com as palavras e as frases.  Quero dizer-te isto : não sei escrever quando algo me dói tanto, não sou, não serei nunca o escritor profissional pronto a produzir o que se espera dele, o que lhe pedem ou o que ele pede a si mesmo desesperadamente. A verdade é que a escrita, hoje e diante disto, me parece a mais banal das artes, uma espécie de refúgio, de dissimulação quase, a substituição do insubstituível. 

O Che está morto e a mim não me resta mais que silêncio, até quem sabe quando; se te enviei este texto foi porque foste tu quem mo pediu, e porque sei quanto querias ao Che e o que ele significava para ti.  Aqui em Paris encontrei uma mensagem de Lisandro Otero pedindo-me cento e cinquenta palavras para Cuba.  Assim, cento e cinquenta palavras, como se alguém pudesse sacar as palavras do bolso como moedas.  Não creio que possa escrevê-las, estou vazio e seco, e cairia na retórica.  E isso não, sobretudo isso não. 

Lisandro me perdoará meu silêncio, ou o entenderá mal, não me importa; em todo caso, tu saberás o que sinto. Olha, lá em Argel, rodeado de imbecis burocratas, em um escritório onde se seguia com a rotina de sempre,  me fechei uma e outra vez no banheiro para chorar; tinha que estar em um banheiro, compreendes, para estar só, para poder desafogar-me sem violar as sacrossantas regras do bom viver em uma organização internacional. E tudo isto que te conto também me envergonha porque falo de mim, a eterna primeira pessoa do singular, e, no entanto, me sinto incapaz de dizer nada sobre ele. Calo-me então.  Recebeste, espero, a mensagem que te enviei antes da tua.  Era minha única maneira de abraçar-te, a ti e a Adelaida, a todos os amigos da Casa.  E para ti também é isto, o único que fui capaz de fazer nestas primeiras horas, isto que nasceu como um poema e que quero que tenhas e que guardes para que estejamos mais juntos. 

CHE

Eu tive um irmão. 
Não nos vimos nunca 
porém não importava.
Eu tive um irmão
que ia pelos montes 
enquanto eu dormia. 
Quis-lhe a meu modo,
tomei-lhe sua voz
livre como a água,
caminhei às vezes 
próximo de sua sombra. 
Não nos vimos nunca 
porém não importava.
Meu irmão acordado
enquanto eu dormia,
meu irmão mostrando-me
por trás da noite
sua estrela eleita. 


Logo nos escreveremos. Abraça forte a Adelaida.  Até sempre, Julio





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Texto enviado pelos amigos internautas pernambucanos
José Ramos Sobrinho (jramossobrinho@gmail.com)
e Hugo Cortez (hugo.cortez@fundaj.gov.br),
por email datado de 8/outubro/2012. 



quinta-feira, 4 de outubro de 2012

RECIFENCIDADE, de Cida Pedrosa






Tal qual um pássaro alado 
Parto para essa luta 
Não é briga, nem disputa 
É amor pelo amado.
Recife, chão estrelado
E musa do meu poema 
Não és cidade, és tema 
Vivenda das diferenças 
Palco para minhas crenças 
Onde a esperança rema.   




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CIDA PEDROSA -  Poetisa, recitadora, produtora cultural,
advogada de direitos humanos. Criou, ao lado do companheiro 
Sennor Ramos, o site INTERPOÉTICA - maior acervo de  
literatura pernambucana na Internet (http://www.interpoetica.com
É candidata a vereadora do Recife pelo PCdoB.
"Aceitei ser candidata por acreditar que podemos levar
coletivamente um estandarte transformador  e criativo.
Afinal, um mandato pode ser decente e humano, onde política,
povo e poesia andem juntos, sempre !"

domingo, 23 de setembro de 2012

Opiniões sobre "Poema suspenso dentro do Recife" : de São Paulo, Paraíba, Minas Gerais, Alagoas e Pernambuco




     Registramos algumas opiniões de amigos e amigas internautas, professores, escritores, jornalistas, sobre o POEMA SUSPENSO DENTRO DO RECIFE, publicado pela Agenda Cultural (Prefeitura do Recife / Secretaria de Cultura / Fundação de Cultura Cidade do Recife, setembro / 2012),  enviadas pelo Facebook de cidades pernambucanas e de outros Estados brasileiros :

    
     Álvaro Alves de Faria (SP)
     "O mar se enche de céu." É bom ler um poema assim. Sempre será bom que existam poemas assim.

      Lilla Araújo (PB)
     Belíssimo.

     Erivam Félix Vieira (PE)
     Com grande talento você presta uma bela homenagem ao Recife.

      Fernando Pinrra (MG)
     VIVA ! VIVA RECIFE !

     Ceiça Lima (AL)
     Lindo ! Aplausos ! Abraços poéticos, amigo !

     Danielle Romanni (PE)
     Lindo, Juareiz.

     Flávio de Miranda Oliveira (PE)
     Gostei muito.

     Tarcísio Laureano dos Santos (PE)
     Grande, poeta Juareiz Correya  : " e o sol abraça todo mundo sem hora marcada" !

     Domingos Alexandre (PE)
     Belo poema.

     José Terra (PE)
     Com certeza, é um dos seus melhores poemas sobre o Recife.

     Suzana Wanderley de Vasconcelos  (PE)
     Poema para Pernambuco !

     Iracilda Vera Gomes Bastos (PE)
     Linda homenagem ao nosso Recife.

     Cicero Felipe (PE)
     Muito porra esse poema !

     Iraquitan Oliveira (PE)
     Poema perfeito, Juareiz Correya. Não poderia ser diferente, vindo de você.

     Leila Perci (PE)
     Maravilha falar dos cantos e encantos do Recife.  Admirar sempre.

     Júlia Lemos (PE)
     Belo poema, Juareiz Correya. Recife é fonte.

     Kátia Rossana Gonçalves Ferreira (PE)
     Camarada, sou uma apaixonada pelo Recife, uma das cidades mais lindas do Brasil, e você fez uma linda homenagem em forma de poema... Parabens por seu trabalho e viva o Recife !

     Nilza Lisboa (PE)
     Lindo, Juareiz Correya !

     Sonia Barbosa (PE)
     Maravilha ! O Recife fica lindo e mais denso em sua poesia !

     Lúcia Menezes (PE)
     Como escreve lindo o meu amigo poeta.
 

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

POESIA VIVA DO RECIFE : "Poema suspenso dentro do Recife", de Juareiz Correya





Moro no Alto Recife
libertário como todo nativo 
de nuvens concretas que as cores sangram
num canto edificado
sem margens e rios 
ruas me habitam sem medo
árvores abrem portas e janelas 
e a cidade tem mais igrejas 
do que as 365 igrejas da Bahia 
todos os dias as formas ganham sonhos 
a sorte é um poema experimental de Deus 
nas paredes aéreas do meu bairro
antigo como a história de ontem
e o menino que fala por mim
na várzea urbana do meu cérebro
além deste lugar a cidade é uma festa 
fabricada como um carnaval 
e eu nunca poderei escrever sobre a tristeza
porque no Alto Recife onde moro 
o mar se enche de céu
e o sol abraça todo mundo
sem hora marcada  


(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE)



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Transcrito da AGENDA CULTURAL
- Setembro 2012 -
Seção "Literatura"
- Prefeitura do Recife /  Secretaria de Cultura /
Fundação de Cultura Cidade do Recife
http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural/



terça-feira, 4 de setembro de 2012

SETEMBRO (fragmento), de Daniel Lima





Setembro é frágil como porcelana.


            Sua fragilidade é sua força.
                   Sua secreta força.
                   Sua ostensiva beleza.


Setembro dorme todo setembro. 
     Seu sono tem um  sonho
                        que ele não revela. 
     (Só muito depois,
                  talvez nos fins de dezembro). 


Mas o seu sonho é azul,
     sabe-se por seu sorriso. 


..............................................................


(Foto : Léo Caldas)


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Transcrito do Calendário e Agenda CEPE 2012 -
Companhia Editora de Pernambuco - CEPE /
Secretaria da Casa Civil / Governo de Pernambuco
- Recife (PE), 2012
http://www.cepe.com.br


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

PRÊMIO VIVALEITURA 2012





     A Fundação Biblioteca Nacional (FBN) já disponibilizou o edital para o Prêmio VivaLeitura 2012, que tem como objetivo estimular, fomentar e reconhecer as melhores experiências brasileiras relacionadas à prática da leitura.  Ao todo serão distribuídos R$ 540 mil em prêmios, sendo R$ 30 mil para cada um dos 18 vencedores das três categorias de premiação : Bibliotecas Públicas, Privadas e Comunitárias; Escolas Públicas e Privadas; e Sociedade (empresas, ONGs, pessoas físicas, universidades e instituições sociais). O site para inscrições vai ao ar na próxima semana. As inscrições vão até 29 de setembro.  - ROSÁLIA GUEDES (Consultora UNESCO / Rede Nordeste LLL)




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Mais informações :
Fundação Biblioteca Nacional 
- http://www.bn.br   /
  http://twitter.com/@FBN     


    

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

JOVENS, NÃO ENVELHEÇAM !







     Esta frase é uma resposta pronta, imediata, pronunciada diante de uma frase infeliz do jornalista, ficcionista e dramaturgo Nelson Rodrigues - "Jovens, envelheçam !" -, divulgada amplamente, ontem, dia do seu centenário de nascimento.  Virou até manchete do nosso tradicional Diário de Pernambuco. Uma pena, pois Nelson Rodrigues, grande escritor brasileiro nascido no Recife, é um notável frasista ( e nisto talvez só possa ser comparado, no Brasil,  a Millor Fernandes...)

     Não interessa o contexto, a frase é infeliz mesmo. Felizmente temos exemplos melhores e que não precisam exaltar (?) a velhice.  Na verdade, o que deve ser exaltado mesmo é a a juventude, como fez, de forma irretocável, o nosso Hermilo Borba Filho na entrevista concedida a Ricardo Noblat e publicada na revista Ele Ela (São Paulo, 1974) : Você acha essa geração de jovens uma geração feliz ? - "Não sei o que lhe diga. Esta pergunta deveria ser feita, numa pesquisa, aos próprios jovens.  A resposta somente pode ser dada por eles.  Eu não posso responder por eles, apenas procuro compreendê-los e amá-los... Acho a juventude a etapa lírica da vida, mesmo quando a juventude toma ácido e morre espatifada pelas Hondas. O que a juventude não aguenta é que ditemos normas  para ela. Está noutra jogada. Acho que nos cabe não combatê-los, mas tentar compreendê-los.  Estou me repetindo mas é muito importante que se meta isto na cabeça : compreender a todo custo. Só não se deve tentar compreender, sequer, o fanatismo, a intolerância, a opressão.  Mas a juventude ? Amá-la e deixá-la viver." 

     E também vale a pena evocar o poeta russo Vladimir Maiacovski em sua opinião sobre os clássicos e a "velhice" da literatura :
     "Nenhum clássico conserva para sempre o seu caráter de vanguarda. Estudai-os e amai-os na época em que viveram.  Mas que não venham com o seu enorme traseiro de bronze impedir a passagem aos jovens poetas..."

     Para encerrar, tendo ainda a literatura como mote, penso que cabe a nós, que já chegamos ao limiar da velhice (e seremos felizes se pudermos vivê-la plenamente, o que já é outra história), lembrar sempre, para não perder o prumo e não sair da linha, um distinto personagem do contista e romancista João Guimarães Rosa assim retratado : "Era velho, velhíssimo, velhaco."

                                                                                                      Juareiz Correya
                                                                                         (Recife, 24/agosto/2012)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

MUSEU & CIA : loja no Museu do Estado (PE) inaugurada com lançamento da "Coleção Acervo Pernambuco"





     Dez títulos de autores pernambucanos fazem a festa inaugural da loja MUSEU & CIA - Arte&Livros, criada em parceria da Companhia Editora de Pernambuco - CEPE e do Museu do Estado (PE), nesta quarta-feira, dia 22/agosto, às 19 horas (Av. Rui Barbosa, 960, Graças, Recife, PE).

     Estes são os livros/autores, primeiros títulos da "Coleção Acervo Pernambuco", da CEPE, lançados na inauguração da loja :  A PERSONAGEM DRAMÁTICA, de Rubem Rocha Filho; MOXOTÓ BRABO / UM SERTANEJO E O SERTÃO / TRÊS RIBEIRAS, de Ulysses Lins de Albuquerque; PAISAGENS DO NORDESTE EM PERNAMBUCO E PARAÍBA , de Mário Lacerda de Melo; POR UM TEATRO DO POVO E DA TERRA - Hermilo Borba Filho e o Teatro do Estudante de Pernambuco, de Luiz Maurício Britto Carvalheira; A GUERRA DOS MASCATES - Como Afirmação Nacionalista, de Mário Melo; MULHERES E ROSAS / VIDA E SONHO / DE MONÓCULO, de Austro-Costa; MEMÓRIA DO ATELIER COLETIVO / ARTISTAS DE PERNAMBUCO / TRATOS DA ARTE DE PERNAMBUCO, de José Cláudio. 




quinta-feira, 16 de agosto de 2012

AGOSTO (fragmento), de Daniel Lima






Agosto é esse leão de olhos abertos 
       que dorme mas espreita
e destroça e devora

os pedaços de sonhos.

Agosto é desafio.

Não dormirás em agosto,
        há um leão nas ruas
               (diz a Bíblia).

Torna manso o leão com o teu sorriso,
        pois o leão é agosto.     


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(Foto : Roberta Guimarães) 


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Transcrito do Calendário e Agenda CEPE 2012 -
Companhia Editora de Pernambuco - CEPE /
Secretaria da Casa Civil / Governo de Pernambuco,
Recife (PE), 2012.

domingo, 12 de agosto de 2012

POESIA VIVA DO RECIFE - "Recife : Geografia Pessoal", de Jaci Bezerra





Guarda a cidade num dos arquipélagos da alma
como quem guarda na estante os seus poetas prediletos :
Bandeira, Cardozo, João Cabral, Carlos Drummond de Andrade.
E sabe, ao amorosamente folheá-la,
que pode ir dormir como  homem e acordar como acácia.
Nada capaz de assustar a poesia.
Apenas, depois que a conheceu, aceitou ficar assim 
povoado de beirais e torres de igrejas
para sustentar andorinhas no ar.
E branco, todo branco, com a alma em cal viva 
lavra esse metro de lembrança e luz
com um solitário rio no meio : cantando. 


(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,
organizada por Juareiz Correya)



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Transcrito da AGENDA CULTURAL - Agosto / 2012
- Seção Literatura
- Prefeitura do Recife / Secretaria de Cultura /
Fundação de Cultura Cidade do Recife (PE)
http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural/index.php

sábado, 11 de agosto de 2012

Inscrições para o "III Concurso CEPE de Literatura Infantil e Juvenil" : 32 mil reais em prêmios





     Estão abertas, desde o dia 1o. de junho, com encerramento no dia 30/agosto deste ano, as inscrições para o "III Concurso CEPE de Literatura Infantil e Juvenil", ao qual poderão concorrer brasileiros e estrangeiros legalizados, de qualquer idade.  Os textos da modalidade infantil são destinados a leitores de 6 a 10 anos e os da modalidade juvenil são para adolescentes entre 11 e 16 anos.  Os interessados poderão se inscrever nas duas modalidades da premiação. Os prêmios serão de R$ 8 mil para o primeiro colocado de cada categoria; R$ 5 mil para o segundo colocado e R$ 3 mil para o terceiro.  A comissão julgadora será composta de cinco membros, entre especialistas em literatura infantojuvenil e profissionais das áreas de educação e cultura. O regulamento está disponível no site da editora - http://www.cepe.com.br/index.php/sobre-a-cepe/regulamentos

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

PRÊMIO PARANÁ DE LITERATURA 2012 : R$ 120 mil para Romance, Conto e Poesia





     Estão abertas as inscrições para o Prêmio Paraná de Literatura 2012, promovido pela Secretaria de Cultura do Paraná, por meio da Biblioteca Pública do Paraná.  Em sua primeira edição, o concurso vai selecionar livros inéditos, de autores de todo o País, em três categorias que homenageiam figuras importantes da literatura paranaense : Romance (Prêmio Manoel Carlos Karam), Contos (Prêmio Newton Sampaio) e Poesia (Prêmio Helena Kolody).  O vencedor de cada categoria receberá R$ 40 mil e terá a sua obra publicada pela Biblioteca Pública do Paraná, com tiragem de mil exemplares.  Os premiados também receberão 100 cópias de seus livros. 

     As obras concorrentes serão avaliadas por uma comissão julgadora formada por um presidente e nove membros (três em cada categoria).  As inscrições são gratuitas e devem ser feitas até o dia 31 de agosto deste ano. O resultado será divulgado na primeira quinzena de dezembro.  O edital do Prêmio Paraná de Literatura 2012 está disponível nos sites da Secretaria de Cultura do Paraná (http://www.cultura.pr.gov.br) e da Biblioteca Pública do Paraná (http://www.bpp.pr.gov.br)


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Transcrito do Jornal RASCUNHO
 - http://www.rascunho.com.br

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

MinC e FBN : nova campanha de leitura em rádios, TVs e Internet





     Com o objetivo de fomentar e valorizar os hábitos de leitura e incentivar o uso das bibliotecas públicas, a Ministra da Cultura, Ana de Hollanda, e o presidente da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Galeno Amorim, lançaram, quinta-feira, 2/agosto, às 11 horas, na Biblioteca Nacional, no Rio, a segunda etapa da campanha LEIA MAIS, SEJA MAIS. O objetivo é chamar a atenção para a leitura como uma atividade prazerosa e um caminho para o crescimento pessoal dos leitores.  Vários artistas da Rede Globo estão no filme que ficará todo o mês de agosto na TV, rádio e Internet.  


     LEIA MAIS, SEJA MAIS também nas redes sociais

     Além dos filmes de TV, spots de rádio e banners de Internet, a segunda etapa da campanha LEIA MAIS, SEJA MAIS (que há sete meses esteve em jornais e revistas) tem uma série de ações nas redes sociais.  As páginas do Ministério da Cultura e da Fundação Biblioteca Nacional no Facebook, por exemplo, trazem um convite para que os internautas substituam, por algum tempo, suas imagens de perfil por capas dos livros que mais gostam, tornando assim suas páginas, literalmente, um "Facebook" (ou, em português, uma "Capa de Livro").  - Roberto Azoubel  (Representação Regional Nordeste / Ministério da Cultura)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Agente literária alemã Nicole Witt no Recife : preparando o Nordeste para a Feira de Frankfurt 2013





     Nicole Witt, agente literária alemã especializada na difusão das literaturas do Brasil, da África Lusófona e da América Latina, estará no Recife, (amanhã) próximo dia 31, às 10h, na Livraria Cultura, para conversar com editoras, autores, gestores, tradutores, pesquisadores, entre outros, sobre os caminhos da internacionalização da produção literária do Nordeste, tendo em vista o crescente interesse sobre o Brasil.  Em 2013 o Brasil será homenageado pela Feira  de Frankfurt, e a proposta é de já começarmos os preparativos para esta participação no ano que vem.

     Esta atividade é desdobramento do "I Seminário O NORDESTE NA FEIRA DE FRANKFURT 2013", ocorrido em maio, promovido pelo Instituto Delta Zero para o Desenvolvimento da Economia Criativa, a Rede Nordeste do Livro, Leitura e Literatura, a ABEU/NE e a Representação Regional NE/MinC, que compõem o GT para o fortalecimento das editoras do Nordeste e conta com a parceria da Secretaria de Cultura da Bahia. 

     A vinda de Nicole Witt, amanhã, dia 31/07. ao Recife, tem como parceiros na viabilização desta atividade - além do Instituto Delta Zero -  a Camara Cearense do Livro, a Fliporto, o Centro Cultural Brasil-Alemanha, a Secretaria de Cultura da Bahia, a Secretaria de Cultura de Pernambuco, e o apoio da Livraria Cultura e de todo o GT Nordeste. (TARCIANA PORTELLA / Instituto Delta Zero)

sábado, 28 de julho de 2012

DOIS POEMAS DE JOSÉ TERRA




PURA ELEGÂNCIA


Escuta meu poema
Amanhã ele será recitado no rádio
Às seis da manhã 
Para quem é sentimental.

O poema terá um pouco de vinho da América
                                            nádegas nuas 
                                            noite azul
                                            e cidade feliz.

A amada real 
terá todos os meus versos
E a amada imaginária 
Beijará minha boca na dança dos tímidos.   



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DUAS MULHERES


Esta mulher é mais bonita do que aquela 

Pela manhã 
Ela se banha na fonte dos amantes, 
Vira cisne, sorri pássaro e reluz açucenas.

Na parte da tarde
Ela se torna a namorada do Brasil.

À noite 
Ela bebe vinho com Deus,
Come pão com o povo e anda desnuda.

Aquela
Apesar de ser uma carpe diem 
Tem o vício de rejeitar o que há de mais sentimental  :
                     OS POETAS 


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JOSÉ TERRA -  Nasceu em Palmares (PE) e vive no Recife.
Tem dois livros de poesia publicados em parceria com os poetas
pernambucanos Joel Marcos e Juareiz Correya.
Publica na Internet JOSÉ TERRA - BLOG DE POESIA 
(http://joseterra-blogdepoesia.blogspot.com)



segunda-feira, 23 de julho de 2012

VISÕES DO RECIFE





     "A forma de uma cidade muda mais depressa, lamentavelmente, que o coração de um mortal", constatou Baudelaire, no século 19, olhando para as cidades europeias, que são sumamente preservadas, principalmente quanto ao aspecto cultural. Só que, aqui, não só se muda, como se tenta destruir a memória de nossa cidade. 
                                                              (VISÃO DO RECIFE, de Plínio Palhano, artigo publicado
                                                                no Jornal do Commercio, Recife, PE, 21/julho/2012)


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      Amigo Plínio :

      Excelente o seu artigo. Crítica objetiva e honesta.
     
      Mas prefiro a poesia sobre a nossa cidade (mesmo a mais crítica) e também a rica e sempre instigante visão dos seus artistas plásticos - e você é um dos nossos  melhores nomes - que têm, a seu modo, um jeito muito especial de também poetizar a nossa Mauricéia.
      Abraço fraterno

       Juareiz Correya
       jcpanamerica21@gmail.com
(Email enviado - sábado, 21 de julho de 2012)


..............................................................................

     Caro amigo Juareiz :

     Grato pela sua manifestação ao ler VISÃO DO RECIFE : para mim, é muito importante o seu olhar e crítica.
    
     O Recife está em nosso mundo poético, plástico, literário, e, às vezes  sofremos com a cidade porque gostaríamos que fosse bem mais servida com os tratos urbanos, incluindo, também, o transporte coletivo, fator importantíssimo para todos nós.

     Parabéns pela antologia POESIA VIVA DO RECIFE - claro, precisamos desse olhar poético sobre a nossa cidade, é sangue que circula em nossos pensamentos.

     Plínio Palhano 
     ppalhano@hotlink.com.br
(Email recebido no dia 21/julho/2012)


                                                         

quarta-feira, 18 de julho de 2012

JULHO (fragmento), de Daniel Lima




Julho tem gosto de vinho
       seco rascante e tinto.

      Vejo-os na garrafa
               (limpa a garrafa
               límpido o vinho),
      vejo-os na garrafa 
              o vinho e julho.

É tinto o vinho e é tinto julho.
        Tinto da cor de vinho tinto.

        Julho embriaga
                     e é julho,
desesperadamente julho
                até o último dia
                           (de julho).

.......................................................


(Foto : Arnaldo Carvalho)

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Transcrito do Calendário e Agenda CEPE 2012
- Companhia Editora de Pernambuco - CEPE /
Secretaria da Casa Civil / Governo de Pernambuco
- Recife, PE, 2012.
              

domingo, 15 de julho de 2012

REVELAÇÕES SOBRE A CRIAÇÃO POÉTICA : Brasil, Portugal, Chile, México, Austria, Argentina e Síria




     No blog CASA DA POESIA (http://juareizcorreya.blogspot.com), criado especialmente para a divulgação de poemas, confissões, opiniões, entrevistas de poetas e outros escritores sobre a criação poética, são encontrados autores modernos do Brasil e do Exterior.

     Brasileiros de vários Estados fazem suas revelações sobre "a palavra mais humana da existência" : Walter Cabral de Moura (PE), Solano Trindade (PE), Ferreira Gullar (MA), Dimas Macedo (CE), Montez Magno (PE), Marco Polo Guimarães (PE), Assis Brasil (RJ), Antonio Carlos Secchin (RJ), Juareiz Correya (PE), Ieda Estergilda de Abreu (CE), Luiz de Miranda (RS), Caetano Veloso (BA), Paulo Henriques Britto (RJ), Carlos Nejar (RS), Hermilo Borba Filho (PE), Natanael Lima Jr. (PE), Gerardo Mello Mourão (CE), Olímpio Bonald Neto (PE).

     E, do Exterior, as revelações de Florbela Espanca e Maria de Lourdes Hortas (Portugal), Antonio Skarmeta e Pablo Neruda (Chile), Octávio Paz (México), Vladimir Maiakovski (Rússia), Rainer Maria Rilke (Austria), Konstantinos Kavafis (Grécia), Jorge Luís Borges (Argentina) e Adonis (Síria).

terça-feira, 10 de julho de 2012

POESIA VIVA DO RECIFE : "A Minha Recife" (fragmento), de Ivan Marinho Filho




Foi menina e me deu a sua mão
Consoladora...
Na Estância encontrei sua acolhida.

Quando moça deixou-me e disse não, 
Assustadora...
E o Espinheiro espinhou a minha vida.

Só restou-me a Estrada de Belém,
Aventureira...
Harmonia buscando encontrar

O caminho que me levasse ao bem,
Mas a fogueira 
Do inferno queria me queimar.

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(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,
organizada por Juareiz Correya)

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IVAN MARINHO FILHO - Nasceu no Cabo de Santo
Agostinho (PE), no ano de 1965. Graduou-se na UFPE.
Textos publicados em revistas e jornais alternativos.
Professor e administrador de cultura. Poesia publicada :
MEU CANGAÇO POÉTICO, ANTI-HORÁRIO.
Incluído na série de antologias MARGINAL RECIFE
- COLETÂNEA POÉTICA, publicada pela Prefeitura
do Recife.

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Transcrito da AGENDA CULTURAL (Julho, 2012)
- Prefeitura do Recife / Secretaria de Cultura /
Fundação de Cultura Cidade do Recife 
- http://www.recife.pe.gov.br/agendacultural/index.php


quarta-feira, 4 de julho de 2012

HERMILO BORBA FILHO : "O Osso" (conto)




          Nos aromas dos guisados e dos assados do boteco de Guará abancou-se Lonico-Soldador, apelido vindo da profissão; abancou-se na massa das gaitadas e do ruído de copos, garrafas e talheres; na fumaça e no cheiro da cerveja abancou-se, bateu palmas e esperou, abancado, e não teve que esperar muito para tragar o cálice d'Ela, engolindo o cuspe grosso e batendo com exagero na caixa dos peitos, a mão espalmada.  Sem demora, Franguinha, a copeira, chegou com a sopa fumegante, rica, grossa, a gordura boiando, a verdura colorindo, o osso apontando, o osso da sustança já sem tutano, derretido. Lonico-Soldador sorveu as primeiras colheradas com os olhos rasos d'água de satisfação, parou para respirar, o suor correndo pela testa vermelha, com a ponta dos dedos apanhou o osso, ergueu-o à altura dos olhos, viu-o : era um osso amarelado com uma dobradura para o canto direito se virado para a direita, a dobradura indo para a esquerda se virado para a esquerda; viu-o, largou-o na sopa, não boiou mais, foi ficando cada vez mais só no prato, já não havia mais sopa, ficou só; e levado em pouco por Franguinha, chegando o prato do chambaril-se-não-suar-não-paga com pimenta malagueta e mais Ela e nesse mundo mergulhou Lonico-Soldador. 


          Na mesma comida de todos os dias, três dias depois Lonico-Soldador na sopa viu o osso; reconheceu-o, não podia se enganar; e sem ninguém lhe prestar atenção puxou o canivete e gravou na lasca do osso um VV que para ele significava vai e volta; e comeu tudo sem a menor indisposição, até achando graça na picardia de Guará, sem o osso rico dando uma de guaxumé na sopa sem guaxumé; e nos dias que se seguiram tratou de prestar atenção à sopa dos outros e foi vendo o osso de prato em prato, ora nesse ora naquele; chegava a se levantar da sua mesa, ia lá, agarrava o osso, via o VV, ria e voltava.  


          De casa em casa, nas lides do ofício, soldando panelas, frigideiras, papeiros, tachos, Lonico-Soldador, nos almoços de cozinha, quebra da paga, foi acompanhado a vida do osso : tanto podia vir na sopa como no chambaril como no cozido como na mão-de-vaca; viu o osso na cozinha do prefeito do juiz, do médico, na do promotor, na do tabelião, voltou a vê-lo no boteco do Guará e viu-o na cozinha do padre num dia, na do pastor protestante no outro, vez por outra de novo em Guará, certa vez em casa de um seleiro que morava na Rua da Ponte, outra na de um ferroviário; o osso sempre foi amarelado mas sem guaxumé, fingindo de rico sem mais sustança.  


          Indo soldar o cano de um quintal viu-o no reco-reco da roedura de um perdigueiro, deu-o por perdido, mas no dia seguinte lá estava ele na rica e linda sopa do mais abastado comerciante de secos-e-molhados da cidade, boiando, resplandecente, o VV cada vez mais cavado; e até o fim da sua vida, que foi longa, Lonico-Soldador conviveu com o osso, vez por outra falando com o osso quando não havia ninguém por perto, não com medo do escândalo, mas com medo de que descobrissem o seu segredo com o osso. 


(Do livro de contos AS MENINAS DO SOBRADO)


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Transcrito do site PANAMERICA NORDESTAL
- Seção Nossos Autores / Página Hermilo Borba Filho
(http://www.panamerica.net.br/portal/menu05.php)

domingo, 24 de junho de 2012

JUNHO (fragmento), de Daniel Lima




E porque gosto de maio, 
         não gosto de des-maio, 
               e amo junho também
e o fogo e os fogos e as fogueiras
               e o ar festivo de junho 
         e as mudanças de humor  
               e as saudades de junho. 




         Todo mundo foi criança  
e, pois, todos tiveram junho, 
          todos sofreram junho. 




          As lembranças de junho doem
                                                em todos. 
Os amigos, as fogueiras, o fogo, os fogos, 
          a infância de junho. 




(Do Catálogo e Agenda 2012 da CEPE) 






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Fragmento do poema "Zodíaco",
do livro POEMAS, de Daniel Lima
- Companhia Editora de Pernambuco - CEPE / 
Secretaria da Casa Civil / Governo de Pernambuco,
Recife, PE, 2010.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

POETAS BRASILEÑOS EN CASTELLANO traduzidos por Héctor Pellizzi (Argentina)




PEDRO AMÉRICO 




Herencia  


De padre para hijo
Desde 1877

La seca es una
Vieja señora
De piel rajada.


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CÍCERO MELO  




La quinta nariz de la bestia  


Accidentalmente junto,
las bombas crian digitales
en las retinas.
Luego más abajo
hay rios
y navios volvendo del inferno.


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CIDA PEDROSA 




Urbe 


Hoy en mi boca
no caben girasoles
Cabe un poemapodrido
olor vegetal del rio capibaribe
Un poemapuente
cloaca fluvial de abril
Un poemaciudad
humo óxido tizne
Hoy en mi boca
cabe apenas el poema
el huésped de la agonia.


...................................................


JUAREIZ CORREYA  


Brasil brasiles  


En mi tierra  
El circo es tan grande
Que yo nunca vi el cielo


.................................................


WILSON FREIRE  


Génesis  


La lluvia ahoga el ripio
haja dejario blando.

Después corre barullenta.
Es la corriente en celo
que se entrega a un riacho.
Se embaraza y pare un rio.



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Poemas transcritos do jornal 
LA VOZ DE LOS BARRIOS , de Junin (Argentina)
- Fevereiro, 2012 (pag. 16) / 
 Lançado, ontem, quinta-feira, 21/junho, 19 horas, 
 no projeto "Café em Pasárgada" / Espaço Pasárgada
 (R. da União, 263, Boa Vista, Recife, PE). 
Recife, PE), quinta-feira, 21/junho, às 19 horas. 







quarta-feira, 20 de junho de 2012

Poemas Políticos de Marcelo Mário de Melo para Miguel Arraes e Pelópidas Silveira





AOS QUE CUIDAM DE BANDEIRAS

A Miguel Arraes (1916 2005). Ex-prefeito do Recife, 
governador de Pernambuco deposto e preso em 1964, 
eleito governador da anistia, em mais dois mandatos, 
deputado federal. 




Há aqueles que levantam  uma bandeira
e prosseguem
aqueles que afrouxam as mãos
e abandonam as bandeiras no caminho
aqueles que rasgam queimam
renegam bandeiras e se recolhem
aqueles que se bandeiam
e passam a defender
bandeiras contrárias
aqueles que refletem
e escolhem bandeiras melhores
aqueles que encerram as bandeiras
em gavetas vitrines e altares
aqueles que colocam as bandeiras a venda.
É triste ver bandeiras abandonadas
vendidas ou sacralizadas no céu distante
as bandeiras não são entidades
para comércio adoração e arquivo.
Expostas ao vento e ao tempo
as bandeiras são coisas simples da vida
que exigem cuidado
como uma casa
uma roupa
um filho
uma flor.  


..............................................................................


RABO DE PALHA 


A Pelópidas Silveira (1915 - 2008). 
Engenheiro, professor, vice-governador e prefeito 
do Recife, cassado pela ditadura de 1964. 




Aqueles que semeiam justiça
precisam poder levantar
um centímetro a mais
os ombros e a cabeça
quando andam pelas ruas
e circulam entre os poderosos.
No mínimo é uma coisa boa
para o coração e a coluna.
E à luta popular
também é sempre bom
ter pessoas com o coração sereno
e a coluna no lugar.
Mas para alguém poder andar
com o coração em paz
e a coluna no lugar
é preciso não ter rabo de palha.


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Textos transcritos do livro OS COLARES E AS CONTAS 
- POEMAS POLÍTICOS  -, de Marcelo Mário de Melo.
Lançamento, hoje, dia 20/junho, às 19 horas, no Museu 
do Estado de Pernambuco 
(Av. Rui Barbosa, 960, Graças, Recife, PE) 



segunda-feira, 18 de junho de 2012

SILVIO HANSEN E A VANGUARDA PERENE (Texto de Raul Córdula)





     (...)
     A arte de vanguarda legitimou a arte contemporânea como conhecemos hoje, ela tornou as atitudes vanguardistas numa ocorrência comum. É importante lembrar o sentido pioneiro da vanguarda e o ônus que o pioneirismo acarreta.  Na arte contemporânea identificamos a arte de vanguarda nos resultados das pesquisas de materiais ou na desmaterialização  da arte, na utilização de meios exógenos à arte tradicional, no desenvolvimento de metalinguagens e transliterações, nas performances e instalações e no aparecimento de novas categorias de arte visual como a Arte Postal, a Videoarte, a Xerografia, o cinema de Artista o Livro de Artista, e tantas outros que já citamos acima.  Sobretudo encontramos a vanguarda no sentimento de mundialização que passou a existir na arte e com isto a criação de circuitos como a Arte Postal, por exemplo. 

     Faço essas reflexões diante da obra de Silvio Hansen, artista que me faz pensar que a vanguarda ainda existe, embora poucos se apercebam disso.  É que Silvio Hansen continua a criar como fazia há quarenta anos, a inventar seu mundo de objetos poéticos, ou poemas objetos. O poeta que clama nele é um poeta visual - uma das categorias da arte advinda da vanguarda.  O desenhista que existe nele nunca perdeu o prumo, mas seu desenho é uma coleção de metáforas e símbolos, típico da vanguarda.  O escultor e o gravador que ainda resistem em seu processo criativo são testemunhos da evolução tecnológica que aconteceu nestas últimas décadas, através das quais ele experimentou muitas séries, fases e etapas multimidiáticas em sua obra. 

     Oriundo das décadas de 1960/1970, seus primeiros passos na arte foram mesmo os ateliês de artistas e o Curso Livre da Escola de Belas Artes da UFPE, por onde passou a maioria dos artistas de sua geração como Jairo Arcoverde, Ypiranga Filho, João Câmara, Ismael Caldas, entre outros. Teve contato com os professores artistas Reynaldo Fonseca, Vicente do Rego Monteiro, Baldini e Lula Cardoso Ayres, mas o artista que lhe deu orientação mais ampla foi Paulo Neves, com quem trabalhou entre 1975 e 1987. Neste interim ele frequentou o ateliê de escultura de João Batista de Queiroz, até 1985, e, posteriormente, no ateliê de Alex Montelberto, fundiu em bronze o troféu do Novo Carnaval do Recife de 1986, escultura que inaugurou uma de suas séries.  No tempo de Paulo Neves ele desenvolveu um desenho muito pessoal com motivos de figuras, peixes e vegetação, que se entrelaçavam em simbioses barrocas, ou melhor, neobarrocas. Esta forma de desenhar o acompanha até hoje. 

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     Em tudo está contida a poética visual.  A Poesia Visual tornou-se uma categoria da arte localizada na fronteira entre o poema e a arte visual.  Esta manifestação desenvolveu-se muito em nossa região; note-se a Poesia Concreta, movimento sulista que os cearenses introjetaram no Nordeste e a Poesia Processo, categoria com a qual os artistas de Natal formaram um dos mais expressivos núcleos do Brasil dos anos 1960. Hansen é um dos praticantes da Poesia Visual que hoje tem grande contingente de adeptos no mundo. Seu livro SILVIO HANSEN - POESIA VISUAL é um dos grandes exemplos desta arte.  Ele é profissionalmente um artista gráfico, um fazedor de livros,  um criador de design de imagens impressas e, por gravidade, de poemas gráficos, outra denominação de Poesia Visual, com grande prática de edição e ilustração. 

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    Percebe-se aí a curiosidade de Silvio Hansen sobre o inóspito, o inusitado, e as realidades paralelas criadas por ele denunciam seu caráter de inventor e revelam suas visões do mundo.  Esta é uma exposição verdadeiramente retrospectiva que contém a sua obra representada por todas as suas fases e períodos, um trabalho relativo a uma trajetória de mais de quarenta anos  de atividade artística, algo difícil de ver, algo precioso para o conhecimento da arte contemporânea de Pernambuco.  


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Trechos transcritos (publicação bilíngue, português/inglês) do Catálogo ARTE & LINGUAGEM : 40 ANOS DE ARTE VISUAL / SLVIO HANSEN - Exposição de Silvio Hansen no Museu do Estado de Pernambuco (Av. Rui Barbosa, Graças, Recife, PE). Período : 23/Maio a 24/Junho/2012. 

    

sábado, 16 de junho de 2012

UM SARAU PARA SOUZA LOPES




poesia cadela dialética  
palavra que fala silêncio 
fala que cala cética  
(SOUZA LOPES) 




     Poeta  de todo fogo. Poeta do fogo. Brasa brasileiro brasil. Pau & pelo. Porta-seio. Amor o corpo e sempre e sempre o corpo. Amor é cego e louco. Pé de fala. Pede fala. Fala e falo. Fede o falo. Fode e fala. Poesia : fala que fode o falo. Explode e fala. Feto focinhando o futuro. Osso da palavra carne. Nervo da palavra fosso. Cipoada de aroeira. Rato roendo a pele da terra. Gargalhada de boca banguela. Uivo de cão sem dono. Pó de poeta. Pode poeta. Pó de poeta se reagrupando. Em versos. Para sempre. O poeta de fogo nem viu que o mundo ia acabar, mas se a terra tem fome que coma já ! Carcoma todo carcoma. Nós dizemos até sempre.

Morreu o poeta Souza Lopes. Em seus cinquenta e alguns anos, o poeta publicou os livros PAU & PELO e TODO FOGO. Participou dos grupos Pindaíba  e Cacimba. Com os cacoreanos, do Grupo Cultural Cacoré, organizou um seminário de poesia contra a privatização do alfabeto; contra a globanalização do capital, a boa poesia, da Grécia antiga até os nossos dias. Escreveu para a Revista Brasil Revolucionário, onde publicou o Manifesto do Partido Comunista em cordel, todinho em sextilhas de sete sílabas com rimas nos versos 2, 4 e 6, que é como manda a sabedoria popular :

O mundo inteiro se assombra  
Com o tal do comunismo. 
O papa e os poderes 
Querem fazer exorcismo : 
Dizem que é coisa do cão  
Querer o socialismo.    



Souzalopes, ou Souza (que é como costumamos lhe chamar), também escreveu para o nosso jornal do Espaço Cultural Mané Garrincha. E participou sempre que pode das nossas atividades. Poeta de pernas e palavras tortas, de cortes e sacadas secas, para ele todo fogo e todo carinho, para ele nosso sarau de junho.  Convidamos todos a comparecer com suas fomes, versos, canções e instrumentos musicais. Um sarau para rimar política com poesia com revolta e com cachaça. Uma orgia de poesia. (Texto de Júlio César) 


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"SARAU PARA SOUZA LOPES " / 
 ESPAÇO CULTURAL MANÉ GARRINCHA  
- Rua Silveira Martins, 131, sala 11 
Sé. São Paulo. SP 
http://espacogarrincha.blogspot.com 




quinta-feira, 14 de junho de 2012

LABORATÓRIO DE AUTORIA ASCENSO FERREIRA : Atividades de Junho / 2012





     O SESC-Santa Rita (Rua Cais de Santa Rita, 156, São José, Recife, PE) prossegue, neste mês de junho, com a sua ampla e dinâmica programação anual de atividades literárias:


 Terça, dia 12 / 06   
14 às 17 h.  -  Contarolando Histórias /  Recital com Vozes Femininas : "No Mundo da Lua", com Cida Pedrosa (Silvana Menezes (PB), Susana Morais (PE), Mariane Biggio (PE) e participação de Rita Marize (PE); e Causos, Poemas e Músicas no universo de Luiz Gonzaga.  Local : Biblioteca Francisco Meirelles

   Quarta, dia 13 a Domingo, dia 17/06 
   III Mostra SESC de Literatura Contemporânea
     Local : Laboratório de Autoria Ascenso Ferreira
     Quarta - 9 às 12h :  Oficina "Roteiro para Cinema". com Alice Gouveia (PE)
                14h30m às 17h30m : Oficina "Os bastidores de Ribamar", com José Castello (PR)
     Quinta - 9 às 12h. : Oficina "Roteiro para cinema", com Alice Gouveia (PE)
                 14h30m às 17h30m :  Oficina "Os bastidores de Ribamar",
                                                     com José Castello (PR)
                 19h30m  : "Récita" com Viviane Mosé (ES/RJ) : Local  : Salão de Eventos   
                 20h10m  : Uma conversa com Ignácio de Loyola Brandão (SP) - Mediação
                                  de Homero Fonseca (PE). Local : Salão de Eventos.
     Sexta - 9 às 12h. :  Oficina "Roteiro para cinema", com Alice Gouveia (PE).
                14h30m às 17h30m :  Oficina "Os bastidores de Ribamar",
                                                   com José Castello (PR)
                 19h30m  :  "Récita", com Maria Rezende (RJ)
                 20h10m  :  Uma conversa com Adriana Falcão (RJ).
                                   Mediação : Cristiano Ramos (PE) - Salão de Eventos
     Sábado -     17h :   "Récita" com Chacal (RJ). Local : Livraria Cultura 
                 17h40m :   Uma conversa com Bráulio Tavares (PB/SP), Wilson Freire (PE),
                                   Astier Basílio (PB) e Pedro Américo de Farias (PE).
                                   Local : Livraria Cultura 
     Domingo -  17h :    "Leitura Poética", com Marcelino Freire (PE/SP).
                                   Local : Livraria Cultura
                18h40m :   Uma conversa com Marcelo Rubens Paiva (SP).
                                   Mediação : Carolina Leão (PE). Local : Livraria Cultura 

     Terça-feira, 19
      15h.     -  Deixa que eu conto : Eros na Literatura, com Raimundo Moraes (PE).
                      Local : Biblioteca Francisco Meirelles.

     Terça-feira, 26 a Sexta-feira, 29
       9 às 12h. - Oficina sobre ler e escrever para teatro - Uma introdução prática ao universo do texto teatral, com Luís Felipe Botelho (PE). Local : Laboratório de Autoria Ascenso Ferreira.

     Terça-feira, 26
     15h. - Meu vizinho, o Escritor, com Susana Morais (PE) e Jorge Filó (PE). Provocação : Meca Moreno. Local : Hall de entrada do Sesc.

     Quarta-feira, 27
     12h  - Intervenção Poética, com Valmir Jordão (PE), Ivan Marinho (PE) e Malungo (PE).
               Local : Hall de entrada do Sesc.

     Quinta-feira, 28
     15h  - A Barca dos Encantados, com Beatriz Brenner (PE) e Lúcia Moura (PE), visitando
                Geraldino Brasil.  Local : Biblioteca Francisco Meirelles.