sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A "CASA DE HERMILO" EM PALMARES (2), de Juareiz Correya





     Quando voltei de São Paulo, no início de 1980, para viver de novo em Palmares e no Recife, já trazia comigo o projeto inicial da "Casa da Cultura Hermilo Borba Filho",  apenas um sonho que acalentava em algumas conversas com amigos.  Me envolvi então na campanha do PMDB de Palmares, que lançou Luís Portela de Carvalho como candidato a prefeito.  Mas a minha participação tinha um sentido mais alternativo e lançamos, com um grupo de amigos também engajados no PMDB, um "candidato alternativo" : o ex-lider estudantil Antonio Maromba.  Os admiradores e seguidores de Luís Portela espernearam, tentaram nos bombardear, mas o próprio Portela admitiu, em uma decisiva reunião partidária, o lançamento da candidatura de Antonio Maromba (indicamos também o vice, Zé Eduardo, líder camponês que tinha fundado o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Palmares).  Seguimos os nossos distintos caminhos para contribuir com a desejada vitória do PMDB em Palmares. 

     Quase no final da campanha eleitoral para prefeitos e vereadores,  em 1982, o "candidato alternativo" Antonio Maromba se bandeou para o palanque do nosso adversário mais destacado, com críticas pesadas contra a figura do candidato do PMDB 1, Luís Portela.  Um verdadeiro desastre, um golpe mortal que aniquilava todo o nosso pequeno grupo.  Reagimos rápido e comunicamos ao candidato Luís Portela que permanecíamos no partido, junto com ele, solidários com a sua campanha, e conduzindo, do jeito que fosse possível (e já não era mais possível fazer nada...) a candidatura de Zé Eduardo, que podia ser o candidato a prefeito na legenda abandonada por Maromba.  O resultado final foi a vitória merecida e inquestionável de Luís Portela de Carvalho, que voltava, pela terceira vez, a ser prefeito de Palmares.  A votação de Zé Eduardo foi quase nenhuma e não foi eleito nenhum candidato a vereador que nos acompanhava na legenda do PMDB 2. 

     Nosso pequeno grupo - eu, Zé Eduardo, Arnaldo Afonso Ferreira, Gilberto Melo e outros - ficou de fora, naturalmente, vendo o prefeito Luís Portela montar a sua equipe e começar a trabalhar.  Alguns meses depois me encorajei e, junto com Zé Eduardo e Arnaldo Afonso Ferreira, solicitei um encontro com o prefeito Luís Portela para apresentar o projeto da "Casa da Cultura Hermilo Borba Filho".  Ele agendou o encontro em uma manhã de domingo, no seu gabinete, na Prefeitura.  Seria mesmo um encontro informal, era o nosso entendimento. 

     Que nada.  O prefeito Luís Portela reuniu todo o seu secretariado, o presidente da Câmara de Vereadores, o líder do partido na Câmara e o presidente do PMDB de Palmares.  Compareci em companhia de Zé Eduardo e Arnaldo Afonso Ferreira. O prefeito pediu então que eu apresentasse, a todos, o projeto da "Casa da Cultura".  Fiz isto da forma mais sucinta e objetiva possível, repassando, ao prefeito, o texto completo com o pre-projeto da "Casa da Cultura Hermilo Borba Filho", sugerindo que ele o estudasse com a sua equipe e, depois, apresentasse a sua decisão sobre a criação, ou não, da "Casa da Cultura".   O prefeito fez questão de lembrar que Hermilo era um parente seu - ele, Luís Portela de Carvalho e Hermilo era um Borba (de Carvalho) Filho -, e, de pronto, sem deixar sequer a gente se levantar, e sem consultar ninguém, ele disse : "Creio que nada me impede de lhe dar a resposta agora." Cara a cara com ele, eu só tinha mesmo de agir rápido : "Então diga."  O prefeito Luís Portela foi perfeito : "Nós vamos criar a Casa de Cultura de Palmares."


 

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