sexta-feira, 22 de junho de 2012

POETAS BRASILEÑOS EN CASTELLANO traduzidos por Héctor Pellizzi (Argentina)




PEDRO AMÉRICO 




Herencia  


De padre para hijo
Desde 1877

La seca es una
Vieja señora
De piel rajada.


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CÍCERO MELO  




La quinta nariz de la bestia  


Accidentalmente junto,
las bombas crian digitales
en las retinas.
Luego más abajo
hay rios
y navios volvendo del inferno.


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CIDA PEDROSA 




Urbe 


Hoy en mi boca
no caben girasoles
Cabe un poemapodrido
olor vegetal del rio capibaribe
Un poemapuente
cloaca fluvial de abril
Un poemaciudad
humo óxido tizne
Hoy en mi boca
cabe apenas el poema
el huésped de la agonia.


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JUAREIZ CORREYA  


Brasil brasiles  


En mi tierra  
El circo es tan grande
Que yo nunca vi el cielo


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WILSON FREIRE  


Génesis  


La lluvia ahoga el ripio
haja dejario blando.

Después corre barullenta.
Es la corriente en celo
que se entrega a un riacho.
Se embaraza y pare un rio.



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Poemas transcritos do jornal 
LA VOZ DE LOS BARRIOS , de Junin (Argentina)
- Fevereiro, 2012 (pag. 16) / 
 Lançado, ontem, quinta-feira, 21/junho, 19 horas, 
 no projeto "Café em Pasárgada" / Espaço Pasárgada
 (R. da União, 263, Boa Vista, Recife, PE). 
Recife, PE), quinta-feira, 21/junho, às 19 horas. 







quarta-feira, 20 de junho de 2012

Poemas Políticos de Marcelo Mário de Melo para Miguel Arraes e Pelópidas Silveira





AOS QUE CUIDAM DE BANDEIRAS

A Miguel Arraes (1916 2005). Ex-prefeito do Recife, 
governador de Pernambuco deposto e preso em 1964, 
eleito governador da anistia, em mais dois mandatos, 
deputado federal. 




Há aqueles que levantam  uma bandeira
e prosseguem
aqueles que afrouxam as mãos
e abandonam as bandeiras no caminho
aqueles que rasgam queimam
renegam bandeiras e se recolhem
aqueles que se bandeiam
e passam a defender
bandeiras contrárias
aqueles que refletem
e escolhem bandeiras melhores
aqueles que encerram as bandeiras
em gavetas vitrines e altares
aqueles que colocam as bandeiras a venda.
É triste ver bandeiras abandonadas
vendidas ou sacralizadas no céu distante
as bandeiras não são entidades
para comércio adoração e arquivo.
Expostas ao vento e ao tempo
as bandeiras são coisas simples da vida
que exigem cuidado
como uma casa
uma roupa
um filho
uma flor.  


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RABO DE PALHA 


A Pelópidas Silveira (1915 - 2008). 
Engenheiro, professor, vice-governador e prefeito 
do Recife, cassado pela ditadura de 1964. 




Aqueles que semeiam justiça
precisam poder levantar
um centímetro a mais
os ombros e a cabeça
quando andam pelas ruas
e circulam entre os poderosos.
No mínimo é uma coisa boa
para o coração e a coluna.
E à luta popular
também é sempre bom
ter pessoas com o coração sereno
e a coluna no lugar.
Mas para alguém poder andar
com o coração em paz
e a coluna no lugar
é preciso não ter rabo de palha.


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Textos transcritos do livro OS COLARES E AS CONTAS 
- POEMAS POLÍTICOS  -, de Marcelo Mário de Melo.
Lançamento, hoje, dia 20/junho, às 19 horas, no Museu 
do Estado de Pernambuco 
(Av. Rui Barbosa, 960, Graças, Recife, PE) 



segunda-feira, 18 de junho de 2012

SILVIO HANSEN E A VANGUARDA PERENE (Texto de Raul Córdula)





     (...)
     A arte de vanguarda legitimou a arte contemporânea como conhecemos hoje, ela tornou as atitudes vanguardistas numa ocorrência comum. É importante lembrar o sentido pioneiro da vanguarda e o ônus que o pioneirismo acarreta.  Na arte contemporânea identificamos a arte de vanguarda nos resultados das pesquisas de materiais ou na desmaterialização  da arte, na utilização de meios exógenos à arte tradicional, no desenvolvimento de metalinguagens e transliterações, nas performances e instalações e no aparecimento de novas categorias de arte visual como a Arte Postal, a Videoarte, a Xerografia, o cinema de Artista o Livro de Artista, e tantas outros que já citamos acima.  Sobretudo encontramos a vanguarda no sentimento de mundialização que passou a existir na arte e com isto a criação de circuitos como a Arte Postal, por exemplo. 

     Faço essas reflexões diante da obra de Silvio Hansen, artista que me faz pensar que a vanguarda ainda existe, embora poucos se apercebam disso.  É que Silvio Hansen continua a criar como fazia há quarenta anos, a inventar seu mundo de objetos poéticos, ou poemas objetos. O poeta que clama nele é um poeta visual - uma das categorias da arte advinda da vanguarda.  O desenhista que existe nele nunca perdeu o prumo, mas seu desenho é uma coleção de metáforas e símbolos, típico da vanguarda.  O escultor e o gravador que ainda resistem em seu processo criativo são testemunhos da evolução tecnológica que aconteceu nestas últimas décadas, através das quais ele experimentou muitas séries, fases e etapas multimidiáticas em sua obra. 

     Oriundo das décadas de 1960/1970, seus primeiros passos na arte foram mesmo os ateliês de artistas e o Curso Livre da Escola de Belas Artes da UFPE, por onde passou a maioria dos artistas de sua geração como Jairo Arcoverde, Ypiranga Filho, João Câmara, Ismael Caldas, entre outros. Teve contato com os professores artistas Reynaldo Fonseca, Vicente do Rego Monteiro, Baldini e Lula Cardoso Ayres, mas o artista que lhe deu orientação mais ampla foi Paulo Neves, com quem trabalhou entre 1975 e 1987. Neste interim ele frequentou o ateliê de escultura de João Batista de Queiroz, até 1985, e, posteriormente, no ateliê de Alex Montelberto, fundiu em bronze o troféu do Novo Carnaval do Recife de 1986, escultura que inaugurou uma de suas séries.  No tempo de Paulo Neves ele desenvolveu um desenho muito pessoal com motivos de figuras, peixes e vegetação, que se entrelaçavam em simbioses barrocas, ou melhor, neobarrocas. Esta forma de desenhar o acompanha até hoje. 

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     Em tudo está contida a poética visual.  A Poesia Visual tornou-se uma categoria da arte localizada na fronteira entre o poema e a arte visual.  Esta manifestação desenvolveu-se muito em nossa região; note-se a Poesia Concreta, movimento sulista que os cearenses introjetaram no Nordeste e a Poesia Processo, categoria com a qual os artistas de Natal formaram um dos mais expressivos núcleos do Brasil dos anos 1960. Hansen é um dos praticantes da Poesia Visual que hoje tem grande contingente de adeptos no mundo. Seu livro SILVIO HANSEN - POESIA VISUAL é um dos grandes exemplos desta arte.  Ele é profissionalmente um artista gráfico, um fazedor de livros,  um criador de design de imagens impressas e, por gravidade, de poemas gráficos, outra denominação de Poesia Visual, com grande prática de edição e ilustração. 

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    Percebe-se aí a curiosidade de Silvio Hansen sobre o inóspito, o inusitado, e as realidades paralelas criadas por ele denunciam seu caráter de inventor e revelam suas visões do mundo.  Esta é uma exposição verdadeiramente retrospectiva que contém a sua obra representada por todas as suas fases e períodos, um trabalho relativo a uma trajetória de mais de quarenta anos  de atividade artística, algo difícil de ver, algo precioso para o conhecimento da arte contemporânea de Pernambuco.  


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Trechos transcritos (publicação bilíngue, português/inglês) do Catálogo ARTE & LINGUAGEM : 40 ANOS DE ARTE VISUAL / SLVIO HANSEN - Exposição de Silvio Hansen no Museu do Estado de Pernambuco (Av. Rui Barbosa, Graças, Recife, PE). Período : 23/Maio a 24/Junho/2012.