terça-feira, 29 de dezembro de 2009

CARTA À JUVENTUDE DOS MEUS FILHOS SOBRE TEMPOS BRASILEIROS

para José Terra, João Guarani e Mariama.



Já vivemos tempos piores.


Hoje as cidades são
A insegurança de cada pessoa
O assalto na rua aberta
A bala perdida no apartamento e na casa
A instituição do medo
Na cara dos meninos e das crianças.
Mas já vivemos tempos piores.


Tempos em que as cidades
Eram irreais e uma mentira institucional
As autoridades invadiam os lares
E a soldadesca criava a desordem
Da Constituição e dos homens
Torturando e assassinando
Adolescências e sonhos coletivos.
Em nome da Segurança Nacional
Todos eram culpados
Até que provassem a inocência.


Assim era o nosso tempo, meus filhos,
Em que o Governo propagandeava
Até um milagre brasileiro.
E os militares fuzilavam, todos os dias,
Com mão direita e certeira
As esperanças e o futuro.


Hoje o destino pode até surpreender
Os seus corações com a morte,
As suas vidas sem nenhuma sorte,
E não lhes dar o que deveria ser dado
E lhes roubar o que mereceriam.
Mas vocês sabem o que é a manhã clara
A tarde inteira plena de sol
A noite iluminada para o amor.
Vocês sabem o que é a Liberdade.


Juareiz Correya


(do livro inédito POEMAS DO NOVO SÉCULO)

domingo, 27 de dezembro de 2009

2010 : CEPE homenageia pintura e fotografia de Lula Cardoso Ayres

Na reportagem "Calendários - Um jeito charmoso de marcar o tempo" (Revista CONTINENTE, Companhia Editora de Pernambuco-CEPE, Recife, dezembro, 2009), a jornalista Mariana Oliveira releva a homenagem à Cultura que a editora oficial do Governo de Pernambuco realiza com as edições tradicionais, desde o ano de 1994, do seu calendário :

"O calendário de 2010 da Companhia vai prestar uma homenagem ao pintor pernambucano Lula Cardoso Ayres, no ano em que ele completaria 100 anos. Foram selecionadas 24 obras do artista, 12 para o calendário de mesa e 12 para o de parede - além disso a agenda 2010 da CEPE também destacará sua obra. Nesta edição, a CONTINENTE também brindará seus leitores com um calendário de parede, ilustrado com ensaio fotográfico, realizado, pelo artista, nos anos 1940, na Zona da mata pernambucana."

As fotografias desse calendário pertencem ao acervo da Fundação Joaquim Nabuco - FUNDAJ (Av. 17 de Agosto, 2187, Casa Forte, Recife, PE). Além de encarte especial da edição impressa que circula nas bancas de jornais e revistas das principais cidades brasileiras, o calendário também pode ser acessado na edição online da Revista CONTINENTE (http://www.revistacontinente.com.br)

Neste ano de 2009, a CEPE homenageou, com a edição do seu tradicional calendário, o centenário de nascimento do ceramista caruaruense Vitalino "dos bonecos de barro" ("Mestre Vitalino - 100 anos").

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

ATO DE NATAL, de Hermilo Borba Filho

Quando a trupe chegou o tomara-que-não-chova ainda não estava armado, mas foi obra dum instante e o cirquinho logo rodeado de tudo quanto era menino da zona se viu, anunciando a Pantomima do Nascimento, que já se estava no dia vinte e quatro, bespa do vinte e cinco, para a noite a pantomima para o dia a Nova-Maior, tomem cantos e danças e passas e doces até na casa dos pobres, perus de papos recheados em casa dos magníficos; e no cirquinho, às seis, Bitom o Palhaço, na casa dos sessenta, chegou, postou-se diante do espelho quebrado, começou a pintar a cara, às sete terminou com cinquenta; às oito, tomando uma cachaça, estava com quarenta - era aquilo todos os anos, na noite do vinte e quatro para a aurora do vinte e cinco - entrou no picadeiro, às nove, com trinta; às onze, diante do espelho, era Bitom o Palhacinho, com dez; tirou a tinta, foi caminhando para a infância, os artistas abriram alas, ele foi andando e ficando mais menino, atravessou o picadeiro e desapareceu atrás das cortinas, a Trapezista nova perguntando ao Mestre-de-Cerimônias : Para onde ele vai ?, ao que o Mestre-de-Cerimônias, fazendo uma cara de espanto, respondeu-lhe meio áspero, meio gozador : Oi, não sabe ?, Ele vai nascer.



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Do livro AS MENINAS DO SOBRADO,
Editora Globo, Porto Alegre, 1976)

NATAL, de Manuel Alegre

Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.

Eram corpos ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia)
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.

Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia)
Todo um tempo num só tempo : andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.

Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa bravia
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo : nascimento de poesia.


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Do blog ESPAÇO DE ANABELA
(http://1-anabela.spaces.live.com) /
Produção e realização de Anabela de Araújo.
Acesse o site do poeta português Manuel Alegre
(http://www.manuelalegre.com)

domingo, 20 de dezembro de 2009

A FESTA, de Ascenso Ferreira



O altar armado da igreja à porta,
Tão lindo como nunca vi,
Cheirava a cravos, cheirava a rosas,
Cheirava a flor do bogari...

As barraquinhas adornadas
Com lanternas de muitas cores
Vendiam coisas cheias de odores
Broas, pastéis, doces, geladas,
Jenjibirra, abacaxis...

Um pouco abaixo o cosmorama,
Onde espantado a gente via,
Quadros de guerras encarniçadas
Vistas de terras encantadas,
-Terras de Oropa, França e Baía...

A gente ia pro carrossel,
Nos seus cavalos esquipar !
O realejo triste gemia,
Mas, dentro em nós quanta alegria,
E, quando o carrossel se ia,
Ai ! que tristeza de matar !

Ganhava a gente roupas novas,
Novo sapato, novo chapéu,
E tudo, nossos pais compravam,
Com um carinho especial,
Nada de Papais Noéis !
Nada de árvores de Natal !

Sinos tocavam dentro da noite,
Fogos subiam riscando o céu !
Jesus brilha de luz num halo
- "Meia-noite canta o galo
dizendo : - "Cristo nasceu !"

Hoje tudo broma, falsete,
Não sendo para admirar,
Que o rádio diga sobre o presepe,
Que Cristo estava "up-to-date"
E Nossa Senhora "very kar..."

Minha filhinha, Papai Noel,
É uma figura tragicômica !
Não te iludas com seus enredos
Pois que no meio dos seus brinquedos
Virá um dia a bomba atômica !

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O altar armado da igreja à porta,
Tão lindo como eu nunca vi,
Cheirava a cravos, cheirava a rosas,
Cheirava a flor do bogari.




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Do livro inédito "Xenhenhém",
incluído na edição de luxo de
POEMAS (1951), junto com os livros
publicados "Catimbó" (1927)
e "Cana Caiana" (1939).

POEMA DE NATAL, de Reginaldo Veloso



É Natal !
Acordem José,
acordem Maria,
acordem o Menino !
Acordem todas as sagradas famílias
dos oprimidos da Terra !
Herodes está por todo canto
e já não há como fugir.
É hora de juntar o pessoal,
aqui e agora,
e começar a plantar
o roçado de todos
e instalar a oficina do povo
e levantar a mansão dos irmãos
para que o alegre anúncio dos anjos
aconteça !


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(do livro inédito
REGINALDO VELOSO,
A RESISTÊNCIA DA IGREJA DO POVO,
organizado por Binna Mariano)


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

"História Pátria", de Ascenso Ferreira : uma homenagem ao Ano da França no Brasil

Plantando mandioca, plantando feijão,
colhendo café, borracha, cacau,
comendo pamonha, canjica, mingau,
rezando de tarde nossa ave-maria,
Negramente...
Caboclamente...
Porguesamente...
A gente vivia.


De festas no ano só quatro é que havia :
Entrudo e Natal, Quaresma e Sanjoao !
Mas tudo emendava num só carrilhão !
E a gente vadiava, dançava, comia...
Negramente...
Caboclamente...
Portuguesamente...
Todo santo dia !


O Rei, entretanto, não era da terra !
E gente pra Europa mandou-se estudar...
Gentinha idiota que trouxe a mania
de nos transformar
da noite pro dia...


A gente que tão
Negramente...
Caboclamente...
Portuguesamente...
Vivia !


(E foi um dia a nossa civilização
tão fácil de criar!)


Passou-se a pensar,
passou-se a cantar,
passou-se a dançar,
passou-se a comer,
passou-se a vestir,
passou-se a viver,
passou-se a sentir,
tal como Paris
pensava,
cantava,
comia,
sentia...
A gente que tão
Negramente...
Caboclamente...
Portuguesamente...
Vivia !


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(do livro CANA CAIANA, Recife, 1939 /
reeditado em POEMAS, 1951,1953
e no "Caderno de Cultura PERNAMBUCO"
- Travessia,Programa de Aceleração
de Estudos de Pernambuco, Secretaria
de Educação do Governo de Pernambuco /
Fundação Roberto Marinho).

domingo, 13 de dezembro de 2009

POESIA - PRA VIVER A VIDA ! (Almir Castro Barros)

MUITO ÍNTIMO A UM FILHO


O épico morreu
Mas em toda parte
Há um número de heróis
Que não sei meu filho
Se escrevo a verdade.


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ANOTAÇÕES DE UM CONDENADO


Um século de janeiros
É o que parece
- Nesta máquina de escrever sepulto os dias
Em contos
E em contos acumulo
Um infindável túnel para a travessia.

Faz eras que desabam os miseráveis
Velhos e os pássaros e os meninos
E neles só me encontro pelos sinos.

Este é o remorso dos que amam os mortos.
Ergue-los em contos sobre escombros
E transformar em fábula a lástima vizinha.


(Revista POESIA - PRA VIVER A VIDA ,
Número 1, Nordestal Editora, Recife, abril,1980)

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ALMIR CASTRO BARROS nasceu em Maraial (PE).
Tem publicado os seus poemas com regularidade
em jornais recifenses. Publicou ESTAÇÕES DA
VIAGEM (poesia), em 1974. Prepara atualmente
um livro reunindo todos os seus poemas -
GÓLGOTA - OUTRA CRUZ PARA O POEMA. Os poemas
inseridos nesta revista são do livro OS CÃES
DA SINA (Edições Pirata, Recife, 1979).

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Editora do Recife publica "Poesia Brasileira em Paris"

A Editora Carpe Diem, do Recife, convidou a poetisa pernambucana Lourdes Sarmento para organizar uma antologia bilingue (Português/Francês) intitulada POESIA BRASILEIRA EM PARIS, reunindo textos de poetas nascidos nas décadas de 50 a 80 do século passado. A poetisa Lourdes Sarmento, informa o escritor e editor Antonio Campos, foi convidada pela Carpe Diem por sua experiência com a divulgação da poesia brasileira na França (organizou, em 1997, a antologia POÉSIE DU BRÉSIL, publicada pela Editora Vericuetos, de Paris, motivando estudos da professora Anne-Marie Quint, da Sorbonne).
Os poetas convidados devem enviar para a poetisa Lourdes Sarmento,por e-mail (lourdessarmento@terra.com.br), dois (2) poemas, com duas (2) laudas, no máximo, cada um, assim como dados biográficos (máximo de 15 linhas). Outras informações :
(81) 33261629 e 33261265, no horário das 11 às 15 horas.
Não serão publicados poemas de autores nascidos nas décadas de 50, 60 e 70 que participaram da antologia POÉSIE DU BRÉSIL lançada em 1997.
A antologia POESIA BRASILEIRA EM PARIS será lançada pela Carpe Diem, no Brasil e na França, no primeiro semestre de 2010.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

NATAL, JOÃO PESSOA E RECIFE, crônica de Manoel Onofre Jr.

De Natal até a divisa com a Paraíba, paralelamente ao litoral, estende-se a BR-101. É mais ou menos a mesma rota dos antigos caminhos que, na era colonial, ligavam Natal a Filipéia de Nossa Senhora das Neves, depois Cidade da Paraíba (atual João Pessoa) e ao Recife. Rota histórica por excelência, ao longo da qual aldeias e engenhos foram semeados, dando origem a vilas, futuras cidades.
Ainda hoje é a BR-101 a rodovia mais movimentada em todo o Estado. Seguindo por ela na direção de João Pessoa, você encontrará, ainda dentro da área metropolitana de Natal, vários pontos de interesse turístico :
- São José de Mipibu, antiga aldeia de Mopebu e missão franciscana, com velhos e decadentes sobrados e,na igreja matriz, bonitas imagens barrocas e uma pia batismal muito linda, obra portuguesa da segunda metade do século XVII.
A poucos quilômetros, a lagoa do Bonfim, de águas verdadeiramente cristalinas, convida a um banho.
- Nísia Floresta (acesso por variante asfaltada), antiga Papari, teve o seu nome mudado em homenagem à notável escritora, educadora, abolicionista, que ali nasceu no sítio Floresta, onde se acha um monumento "in memoriam".
Na praça principal veja a Igreja de Nossa Senhora do Ó (fins do século XVIII) e curta a sombra de imenso baobá. Procure um dos restaurantes rústicos, onde se serve um camarão de lagoa afamado.


CUNHAÚ, CANGUARETAMA, VILA FLOR...


Para completar a excursão,tome de novo a BR-101 e siga até a entrada para Pedro Velho,em busca da capela de Cunhaú, célebre pela chacina que ali teve lugar no tempo da Guerra Holandesa.
Cunhaú foi o primeiro engenho do Rio Grande do Norte, terras doadas pelo Capitão-mor Jerônimo de Albuquerque aos seus filhos Antonio e Matias. Na capelinha, ainda hoje de pé, restaurada em 1986, ocorreu horrível morticínio, uma página da História manchada de sangue. No dia 16 de julho de 1645, colonos brasileiros e portugueses, moradores do engenho, assistiam a missa celebrada pelo Padre Antonio Soveral, quando de súbito foram cercados por numerosos índios tapuias e potiguares e soldados holandeses sob o comando de Jacó Rabi. Iniciou-se, então, o massacre, do qual nenhum dos fiéis escapou. A perseguição estendeu-se às casas do engenho, e apenas três pessoas conseguiram fugir.
Cunhaú tornou-se, com o passar do tempo, um centro de devoção popular. Em 5 de março de 2000, o Papa João Paulo II beatificou "os mártires de Cunhaú".
Retornando à BR-101, tome o rumo de Canguaretama e veja, na igreja matriz, algumas imagens barrocas de grande valor histórico e artístico.
Aproveite o embalo e visite Barra do Cunhaú, praia de veraneio e aldeia de pescadores. No caminho, incursione por Vila Flor, cidadezinha parada no tempo (uma das mais antigas do Estado), onde se destacam a igreja matriz e a velha Cadeia e Casa da Câmara, belo prédio restaurado pelo IPHAN.
Se estiver com disposição de rodar mais, vá a Baía Formosa, cujo nome diz tudo. Conheça aí perto a Mata da Estrela, reserva florestal.
Também fariam parte do roteiro as praias de Tibau do Sul e Pipa, badaladíssimas. Mas, estas merecem visita especial. É preferível o acesso pelo litoral.


(Transcrita do livro PORTAL DE EMBARQUE BRASIL -BRASIS,
de Manoel Onofre Jr.,Sebo Vermelho Edições, Natal, RN, 2008)

domingo, 6 de dezembro de 2009

POESIA - PRA VIVER A VIDA ! (Alberto Cunha Melo)

AOS MESTRES, COM DESRESPEITO

Dizem que meu povo
é alegre e pacífico.
Eu digo que meu povo
é uma grande força insultada.
Dizem que meu povo
aprendeu com as argilas
e os bons senhores de engenho
a conhecer seu lugar.
Eu digo que meu povo
deve ser respeitado
como qualquer ânsia desconhecida
da natureza.
Dizem que meu povo
não sabe escovar-se
nem escolher seu destino.
Eu digo que meu povo
é uma pedra inflamada
rolando e crescendo
do interior para o mar.


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DE UM PROFETA LATINO-AMERICANO


Preparem os corpos
para os desertos
que vão ser bem longos
e não merecidos.
Nem as crianças sabem
de onde vem o fogo
mas o fogo vem.
Se os homens de boa vontade
não têm boas armas,
os homens de boas armas
não têm boa vontade.
Agora, apenas
a normalidade repetida
já será a destruição.


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RITUAL DO ESPANCAMENTO

Espancado para aprender
a espancar
e ser espancado,
espancado em nome de Deus
ou de um jarro quebrado,
espancado para falar
e calar
o próprio espancamento.
Espancado para aprender
que os homens aprendem
espancando e sendo espancados,
espancado para dizer
que não foi espancado,
espancado para morrer
pensando que o mundo
está povoado
de espancados que espancam
e espancadores espancados.


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NOS QUINTAIS, DEPOIS DOS QUARTÉIS


Os uniformes de guerra
estão lavados
com o sabão da terra
e as alfazemas
das moças pardas :
estão secando
desde o último sol
na memória do povo,
e não devem mais
contra ele
ser vestidos de novo.



(Revista POESIA - PRA VIVER A VIDA,
Número 1, Recife, abril, 1980)


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ALBERTO CUNHA MELO nasceu em Jaboatão dos
Guararapes (PE)no ano de 1942. Além de
publicações esparsas em jornais e revistas
pernambucanos, tem editados os seguintes
livros : CÍRCULO CÓSMICO, ORAÇÃO PELO
POEMA, PUBLICAÇÃO DO CORPO, DEZ POEMAS
POLÍTICOS, NOTICIÁRIO. Os poemas publicados
nesta revista são do livro DEZ POEMAS
POLÍTICOS (Edições Pirata, Recife, 1979).

POESIA - Pra Viver a Vida !

"Quando lhe restavam apenas alguns dias vivo,o escritor Hermilo Borba Filho escreveu para Osman Lins, encerrando suas palavras como um sonoro E VIVA A VIDA !
Retomamos a sua expressão, incentivados por essa saudável força que animava a sua
relação com as pessoas, as coisas, o mundo, a própria existência.
Sim : leia POESIA - PRA VIVER A VIDA !"



(Apresentação da revista POESIA - Pra Viver a Vida ! , Nordestal Editora, Recife, Abril / 1980)

sábado, 5 de dezembro de 2009

POEMAS DE FERNANDA JARDIM

CIDADE



Cenas da realidade
linda diva dos meus sonhos perdidos.

Imenso apreço
pelas tuas ancas largas.

Doce quimera,
musa dos pensares meus.

Dama da noite
feliz, solitária é a tua imagem.

Nunca te vejo pela metade,
sempre por inteiro,
como te admiro !

Anjo negro :
destino da minha vida.

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OLHOS DE TIGRE


Após longo outono
encontrei-me afinal...

Cabelos ao vento,
contando os tormentos,
histórias de vidas passadas.

Estrada visceral
que nos conduz
a um destino de luz.

Vida, corpo, cruz.
Sinto-me fada,
sinto-me brasa,
sou filha de Oxum.

....................................


JARDIM


Cheiro de chuva
na minha manhã girassol.

Orvalho
nas plantas resplandecentes.

Arco-íris
anunciando o belo dia.

A vida caminha lá fora :
forte, viva e voraz.

Sonhos em minha mente audaz,
flores colhidas,
eterna primavera.

Sol, prisma, primordial.

Fantasia
no meu coração reluz.

Um blues jardim.


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FERNANDA JARDIM nasceu no Recife em agosto
de 1975. Formou-se na UFPE. Leciona inglês,
francês, espanhol e alemão. Atua em eventos
há 14 anos. Escreve poesia desde 1996 e,
além de Pernambuco, já divulgou os seus
trabalhos na Alemanha, Marrocos e Portugal.
Publicou estes livros de poesia : ANJOS-POETAS
(2005), DEFLORANDO OS HORIZONTES (Arte-livro
Editora, Recife, 2005), REFLEXO DE UM ESPELHO
(Editora Livro Rápido, Olinda, 2008). Os poemas
publicados neste blog fazem parte do livro
DIVINO AMOR (Editora Livro Rápido, Olinda, 2009),
que será lançado neste sábado, dia 5/dezembro/
2009, às 16 horas, na Casa da Cultura do Recife
(Raio Central).

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A FRATERNIDADE POÉTICA DE DOM HELDER CAMARA E CARLOS PENA FILHO (2)

"nem estas crianças feitas
de farinha e jerimum
e a grande seca que mora
no abismo de cada um"
(CARLOS PENA FILHO,
em "Memórias do Boi Serapião")



CRIANÇAS FEITAS DE FARINHA E JERIMUM
HOMENS DE AÇO,
COZIDO
NO SOL NORDESTINO.
INTELIGÊNCIA VIVA
BEBIDA NA LUZ INTENSA
QUE CAI DO CÉU.
DECISÃO
DE QUEM TEM DE ARRANCAR DA TERRA
CADA GOTA D'ÁGUA.
TEIMOSIA
DE QUEM ESPERA
CONTRA TODA A ESPERANÇA...

Dom Helder Camara
(Recife, 5,6/12/1970)

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"é que não se espera a morte
pois se está sempre a morrer"
(CARLOS PENA FILHO,
em "Memórias do Boi Serapião")


SEMPRE A MORRER E SEMPRE A NASCER...
CADA DIA QUE PASSA,
CADA SOL QUE SE PÕE,
CADA DESPEDIDA
SÃO SINAIS DE TERRA PRÓXIMA
E DE DESEMBARQUE À VISTA...

Dom Helder Camara
(Recife,5,6/12/1970)

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"sem antes e sem depois.

um cemitério sem corpos
ou um leito de mar, sem mar."
(CARLOS PENA FILHO,
em "Fazenda Nova")



BATIDA PELA VIDA
TU TE FECHAS AO AMOR
QUANDO TENS
RESERVAS IMENSAS DE CARINHO.
A IMPRESSÃO QUE DÁS
É A DE UM LEITO DE RIO
SEM RIO,
A DE UM LEITO DE MAR
SEM MAR...
ROMPAM-SE AS BARREIRAS
HAVERÁ CHEIA NO RIO
E O MAR TRANSBORDARÁ...

Dom Helder Camara
(Recife, 5,6/12/1970)


..................................


"entrar no acaso e amar o transitório"
(CARLOS PENA FILHO,
em "A solidão e sua porta")


FILHO DO ABSOLUTO, AMO O RELATIVO
VOCAÇÃO DE ETERNIDADE,
QUE SERIA DE MIM
SE NÃO MARCHASSE PARA O ETERNO
ATRAVÉS DO EFÊMERO !?...
E HÁ EFÊMERO
DESLIGADO DA ETERNIDADE ?
E HÁ RELATIVO
SEM RAÍZES NO ABSOLUTO !?...

Dom Helder Camara
(Recife, 5,6/12/1970)



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CARLOS (SOUTO) PENA FILHO
- Nasceu no Recife,PE, em 17 de maio de 1929.
Advogado e poeta, publicou seu primeiro livro
em 1952 (O TEMPO DA BUSCA). Em 1955 publica
MEMÓRIAS DO BOI SERAPIÃO, com ilustrações de
Aloísio Magalhães. A VERTIGEM LÚCIDA, seu
próximo livro de poemas, vem à luz em 1958.
No ano seguinte, tem toda a sua obra reunida
no LIVRO GERAL. Em 1983, seu biógrafo Edilberto
Coutinho publicou a antologia OS MELHORES
POEMAS DE CARLOS PENA FILHO. O poeta foi também
letrista, sendo o seu maior sucesso na música
popular a canção "A mesma rosa amarela", em
parceria com o conhecido compositor pernambucano
Capiba. Morreu precocemente aos 31 anos de idade,
em 1o. de julho de 1960, vítima de acidente
automobilístico. Carlos Pena Filho é considerado
um dos maiores poetas pernambucanos, pela intensa
visualidade e musicalidade dos seus versos.



DOM HELDER(PESSOA)CAMARA
- Nasceu em Fortaleza, CE, em 7 de fevereiro de 1909.
Bispo católico, teólogo e Arcebispo Emérito de Olinda
e Recife, tornou-se um corajoso e incansável defensor
dos direitos humanos durante a ditadura militar que se
seguiu ao golpe de 1964. Foi um dos idealizadores de
uma igreja participativa socialmente, a favor dos pobres
e contra a violência, tendo suas idéias divulgadas
amplamente entre o clero da América Latina e da África
do Sul. Com grande capacidade de articulação, teve
forte participação no Concílio Ecumênico Vaticano II
e foi também um dos fundadores da Conferência Nacional
dos Bispos do Brasil - CNBB, tendo recebido, por sua
atividade eclesiástica, diversos prêmios nacionais e
internacionais. Foi, ainda, o único brasileiro a ser
indicado quatro vezes para receber o Prêmio Nobel da
Paz. Morreu em 27 de agosto de 1999, no Recife.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

A FRATERNIDADE POÉTICA DE DOM HELDER CAMARA E CARLOS PENA FILHO

"Eles nunca se encontraram em vida. Se encontraram nos poemas de Pena, como o chamavam os seus amigos mais queridos. Se encontraram na paixão pelo Recife, por Olinda e por aqueles que nas suas ruas trafegam ou vivem, sofrem ou se divertem. Se encontraram no azul, que era a cor predileta do poeta e com a qual ele coloriu muitos de seus versos e sonetos. No azul do manto de Maria, uma das devoções de Dom Helder", afirma Bruno Ribeiro, diretor executivo do IDHeC - Instituto Dom Helder Camara, na apresentação do livro ENTRELINHAS, de Dom Helder Camara e Carlos Pena Filho, livro de quatro mãos, quarenta, quatrocentas, quarenta mil mãos fraternas...
Aos versos de Carlos Pena Filho, publicados no Recife em 1959, uniram-se os versos de Dom Helder Camara, escritos no Recife em 1970; o sagrado carinho de Christina Ribeiro, colaboradora e amiga do Arcebispo de Olinda e Recife, que preservou o exemplar-matriz do LIVRO GERAL, de Carlos Pena Filho; a generosidade de Tânia Carneiro Leão, que cedeu ao IDHeC os direitos de edição dos poemas selecionados do "poeta do azul"; a palavra crítica de Leonardo Boff ("Todos os escritos de Dom Helder vêm perpassados de aura poética. Aqui reunem-se pequenos poemas que se entendem como contrapartida das poesias de outro grande poeta, o pernambucano, precocemente falecido, Carlos Pena Filho"); o poema em prosa de Marcus Accioly ("O Recife sofre uma espécie de nostalgia de Carlos Pena Filho. Ele foi o seu grande poeta e maior seria se - à Shelley - "tivesse tempo". Morreu com 31 anos e legou o seu azul à cidade. Amei tardio a sua obra e - como quem ama a poesia ama o poeta e vice-versa - passei a procurar o seu fantasma que devia andar pelo Recife e não seria impossível encontrá-lo"); a visão/versão dos artístas plásticos Francisco Brennand, José Cláudio, Abelardo da Hora, Romero de Andrade Lima, Luciano Pinheiro, Guita Charifker, Margot Monteiro, Tereza Costa Rego, George Barbosa, Tânia Carneiro Leão, Gil Vicente, Gilvan Samico, que ilustram os poemas; o refinado projeto gráfico de Ricardo Melo; os irretocáveis retratos dos artistas plásticos desenhados por Zenival; o contagiante entusiasmo de Leda Alves, empenhando a CEPE em todo o projeto editorial; a admirável produção gráfica, crédito da competência profissional dos funcionários da Editora.
ENTRELINHAS, um livro repleto de fraternidade poética e solidariedade pernambucana, coeditado pelo IDHeC e CEPE/Secretaria da Casa Civil /Governo de Pernambuco, em parceria com a FUNDARPE/Secretaria de Educação do Estado, foi lançado ontem, dia 1o. de dezembro, às 19 horas, no Museu do Estado (Av. Rui Barbosa, 660, Graças, Recife, PE), como parte das homenagens do Governo de Pernambuco ao Centenário de Nascimento de Dom Helder Camara.
Na próxima postagem publicaremos poemas de Dom Helder Camara criados sobre os poemas "Memórias do Boi Serapião", "Fazenda Nova" e "A solidão e sua porta", de Carlos Pena Filho.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

POESIA VIVA DA CIDADE : mais de 10.000 acessos

O blog POESIA VIVA DA CIDADE (http://www.jcorreya.blog-se.com.br/), publicado no portal COMUNIQUE-SE (http://www.comunique-se.com.br/), já registra mais de 10.000 (dez mil) acessos. Na blogosfera do mundo de hoje sabemos que os números, para que despertem mais atenção, chegam às centenas de milhares ou só valem a pena de meio milhão pra lá... Mas, em matéria de poesia, de leitura de poesia, de interesse por poesia, do Brasil e no Brasil, creio que um número de acessos de comprovado interesse de leitores como o nosso blog já registra - uma página muito simples, sem sofisticação, sem ilustração, apenas veiculando o texto poético, como um panfleto impresso de uma cor - merece um pouco de atenção e um registro especial. E é preciso levar em conta que o número de poetas/poemas publicados (um pouco menos de 50) ainda é pequeno...
Criado para divulgar exclusivamente poemas escritos sobre as cidades brasileiras - uma ênfase natural para a produção poética contemporânea e urbana que retrata e releva as cidades do nosso País - o blog POESIA VIVA DO RECIFE, link deste Jornal do Juareiz, desde março de 2008 tem publicado autores que escrevem sobre o Recife, Natal, São Paulo, Porto Alegre, Olinda (PE), Palmares (PE). E está aberto - inclusive contando com a sugestão / colaboração dos leitores - para divulgar poemas sobre qualquer cidade brasileira. Escrevam e enviem textos selecionados, publicados ou inéditos, por e-mail, para juareizcorreya@hotmail.com ou jbcorreia@limao.com.br
Vale a pena lembrar estes poetas já publicados no blog : Abel Menezes Filho, Alberto Lins Caldas, Cesar Leal, Antonio de Campos, Vilmar Carvalho, Ascenso Ferreira, André Luiz de Castro, Antonio Botelho, Cida Pedrosa, Feliciano Junior, Fernanda Jardim, Luciano Nunes, Marcílio Medeiros, Mariana Arraes, Paulo Bruscky, Celina de Holanda, Jaci Bezerra, de Pernambuco; Dorian Gray Caldas, Clotilde Tavares, Iracema Macedo, do Rio Grande do Norte; Dalila Teles Veras, Cláudio Feldman, Álvaro Alves de Faria, Caio Porfírio Carneiro, Levi Bucalem Ferrari, Frederico Barbosa, Maria Rita Kehl, Ilka Brunhilde Laurito, Glauco Mattoso, Jurema Barreto de Souza, Ulisses Tavares, Rosani Abou Adal, Otoniel Santos Pereira, de São Paulo; Luiz de Miranda, do Rio Grande do Sul. (JUAREIZ CORREYA)

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Transcrito do blog JORNAL DO JUAREIZ
- http://blig.ig.com.br/juareizcorreya -
Postagem de 26/11/2009.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

NATAL E PALMARES

Publiquei, na Revista da Academia Norte Rio-Grandense de Letras (Natal, RN, 2005), dirigida pelo poeta, contista e memorialista Manoel Onofre Jr., o artigo NATAL E PALMARES, ressaltando as correspondências, coincidências, relações culturais e históricas, verdadeiros laços de amizade que as duas cidades estabeleceram ao longo de todo o Século 20. O próprio Manoel Onofre Jr. me ofereceu dados importantíssimos, que eu fiz questão questão de publicar no artigo, enriquecendo-o, tendo em vista que as suas informações confirmavam a notável presença de palmarenses em Natal e de potiguares na "terra dos poetas" da Mata Sul pernambucana. Encerrei o artigo transcrevendo este trecho destacado de comentário de um jornalista local publicado, em 19/agosto /2003, em periódico do Recife :
"Embora o governo que lançou, ontem, seu programa de recuperação de quase 10 mil quilômetros de estradas esteja falando na duplicação da BR-101 no trecho Salvador (BA) - Natal (RN), convém lembrar que hoje, no Ministério dos Transportes, só existe este projeto para o trecho Natal até Palmares (PE), ainda assim dependente de autorização para a conclusão de licitação para o projeto de engenharia (...) A duplicação entre Natal e Palmares reduziria o tempo de ligação entre os três Estados... (grifo meu)
A leitura, em setembro deste ano, da excelente reportagem publicada pelo DIARIO DE PERNAMBUCO - "Caminhos da BR-101" -, em várias partes, durante uma semana, confirmou e me fez ver a concretização de tudo isso. Mais sólidas e agora comprometidas com o futuro dos três Estados intimamente ligados pelo Corredor Nordeste (Rio Grande do Norte-Paraíba-Pernambuco), as relações entre Natal e Palmares têm boas histórias, vividas desde os tempos de Murillo La Greca, Ascenso Ferreira e Hermilo Borba Filho.
No lançamento da primeira edição do meu livro ASCENSO, O NORDESTE EM CARNE E OSSO, em Natal, no ano de 1998, na Academia Norte Rio-Grandense de Letras, o poeta e pintor Dorian Gray Caldas me procurou para fazer uma revelação : o pintor palmarense Murillo La Greca era, segundo suas pesquisas, uma presença pioneira na história das artes plásticas do Rio Grande do Norte. Eu não sabia. E, em companhia de Manoel Onofre Jr. e do poeta e dramaturgo Racine Santos, lembramos as figuras do poeta Ascenso Ferreira e do dramaturgo, diretor teatral e romancista Hermilo Borba Filho, também palmarenses, que haviam trilhado caminho idêntico ao de Murillo La Greca : nasceram na cidade pernambucana de Palmares, se projetaram no Recife e participaram da vida das artes plásticas, da poesia e do teatro da cidade de Natal em décadas distintas do Século 20. Está mais do que provado na documentação existente sobre o relacionamento de Murillo La Greca com os artistas natalenses, na década de 20, de Ascenso Ferreira com Câmara Cascudo e Veríssimo de Melo, nas décadas de 40 e 50,
e de Hermilo Borba Filho com o grupo do Teatro Escola de Natal e com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, na implantação do Curso de Teatro, na década de 60.
Histórias que desconhecemos e outras histórias que nascerão com as conexões diretas entre as duas cidades, por meio do Corredor Nordeste, vão iluminar o nosso imaginário, no futuro, e exigir dos cronistas, contistas, memorialistas e poetas nordestinos mais compromisso com a humanidade desta região em sua nova geografia.

Juareiz Correya
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Artigo publicado na página Opinião / DIARIO DE PERNAMBUCO
(Recife, sexta-feira, 20 de novembro de 2009)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Programa BNB de Cultura / Parceria BNDES, edição 2010, patrocina 35 projetos de Literatura

Associações (10), Autarquia Universitária (1), Centros Culturais (2), Escolas (2), Fundações (2), Instituto (1), Movimento Cultural (1), Oficina (1), Prefeituras (6), Sociedade Assistencial (1), Editora (1) e Escritores (7) tiveram projetos, na área de Literatura, aprovados pelo Programa BNB de Cultura / Parceria BNDES para realização em 2010. O programa destinará, a partir de janeiro do próximo ano, um total de R$ 800.000,00(oitocentos mil reais) para a execução dos 35 projetos aprovados. Do Estado da Bahia foram aprovados nove projetos, oito de Pernambuco, dois da Paraíba, quatro do Piauí, quatro do Ceará, cinco do Rio Grande do Norte, um de Alagoas e dois projetos do Maranhão.
Esta é a relação dos projetos divulgada no site do BNB - Banco do Nordeste do Brasil S/A (http://www.bnb.gov.br) :
AHIAV - Associação Hãhãhãhãe Indígena de Água Vermelha / "Biblioteca Hããhãe Indígena de Água Vermelha" (Pau Brasil, BA); ARTEPE - Associação de Realizadores de Teatro de Pernambuco / "Leiturarte" (Recife, PE); Associação de Cidadania e Inclusão Social - ACIS / "Lendo e Fazendo História" (João Pessoa, PB) ; Associação de Moradores Quilombolas de Santana - AMQS / "Ler, pensar, criar : Biblioteca rural como agente de mudança na comunidade quilombola de Santana" (Salgueiro, PE); Associação dos Agricultores do Sítio Baixio da Cacimbinha / "Possibilidades de mudanças : valorização da leitura e do conhecimento na comunidade de Baixio da Cacimbinha" (Salgueiro, PE); Associação dos Amigos da Arte, Ciência e Cultura de Arneiroz - Grupo Arte Jucá / "É tempo de poesia na terra do sol maior" (Arneiroz, CE); Associação dos Amigos da Biblioteca Ailda Cunha / "Leitura e lazer" (Floriano,PI) ; Associação dos Deficientes Físicos e Auditivos Campomaiorense - ADEFAC / "Saber viver e ler com as diferenças" (Campo Maior, PI); Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco / "Livro Janeiro de Grandes Espetáculos" (Recife, PE); Associação Sócio Cultural Universos / "O Orfismo no País dos Mourões" (Fortaleza, CE); Autarquia Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB / "NIB- Núcleo de Inclusão da Biblioteca da UESB - Vitória da Conquista - BA" (Vitória da Conquista, BA); Bagaço Design Ltda / "Nossas Histórias" (Recife, PE); Cais do Parto : Centro Ativo de Integração do Ser / "Suely Carvalho parteira tradicional e suas comadres" (Olinda, PE); Caixa Escolar da Escola Municipal Professora Maria Ester Paiva / "Biblioteca Viva : para a formação de leitores autônomos (ampliação do acervo e informatização)" (Ceará Mirim, CE); Centro da Juventude Santa Cabrini / "Biblioteca Cabriniana" (Teresina, PI); Escola Municipal de Primeiro Grau Cristo Redentor / "Leitura e Escrita, passaporte para o prazer" (Itamaraju, BA); Fundação Casa de José Américo - FCJA / "Organização Sistemática da Biblioteca Pessoal de José Américo" ( João Pessoa, PB) ;Fundação Pedro Calmon -Centro de Memória e Arquivo Público da Bahia / "Tecendo caminhos para a leitura" (Salvador, BA); Ildney de Fátima Souza Cavalcanti / "Jornalismo literário em Alagoas" (Maceió,AL) ; Instituto Zulmirinha Veras / "Colhendo leitores" (Alexandria, RN) ; Marcelo Henrique Flecha / "Dramaturgia reunida : cinco anos em cinco textos" (São Luís, MA); Maria Lúcia Pessoa Sampaio / "BALE - Biblioteca Ambulante de Literatura nas Escolas" (Pau dos Ferros, RN); Movimento Cultural Boca do Lixo / "Biblioteca Multicultural Nascedouro" (Olinda, PE); Oficina da Notícia Ltda / "VI Feira do Livro de Mossoró" (Natal, RN); Paulo André Viana da Silva / "A incrível viagem de contar histórias" (Olinda, PE); Prefeitura Municipal de Baixa Grande / "Nossa terra, nossa gente" (Baixa Grande, BA); Prefeitura Municipal de Central / "Biblioteca Comunitária de Palmeiras" e "Biblioteca Comunitária de Mandacaru" (Central, BA); Prefeitura Municipal de Major Sales / "Clube de leitura : paixão de ler, prazer de brincar" (Major Sales, RN); Prefeitura Municipal de Missão Velha / "Reboco de letras" (Missão Velha, CE); Prefeitura Municipal de Vila Nova do Piauí / "IV Congresso Regional de Produção e Difusão da Cultura Regional" ( Vila Nova do Piauí, PI); Sharlene Lopes Serra / "Inclusão a partir da leitura" (São José de Ribamar, MA); Sociedade de Assistência aos Cegos / "Modernização da Imprensa Braille Rosa Baquit" ( Fortaleza, CE); Thydewa / "Índios na visão dos índios : potiguara" (Salvador, BA); Vanderléa Andrade Pereira / "Mundinho do rio" (Juazeiro, BA).
Os projetos da área de Literatura foram selecionados por esta comissão de avaliadores : Feliciano José Bezerra Filho (Piauí), Raimundo Carrero de Barros Filho (Pernambuco), Simone Cavalcante de Almeida (Alagoas), Ana Cristina Marinho Lúcio (Paraíba) e José Abimael da Silva (Rio Grande do Norte).

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

INVOCAÇÃO A MARIAMA, poema de Dom Helder Camara

Mariama, Nossa Senhora
Mãe de Cristo e Mãe dos Homens !
Mariama, Mãe dos Homens de todas as raças,
de todas as cores, de todos os cantos da Terra.
Pede ao teu Filho que esta festa não termine aqui,
a marcha final vai ser linda de viver.
Mas é importante, Mariama, que a Igreja de teu Filho
não fique em palavra, não fique em aplauso.
O importante é que a CNBB, a Conferência dos Bispos,
embarque de cheio na causa dos negros,
como entrou de cheio na Pastoral da Terra
e na Pastoral dos Índios.
Não basta pedir perdão pelos erros de ontem.
É preciso acertar o passo hoje sem ligar ao que disserem.
Claro que dirão, Mariama,
que é política, subversão, que é comunismo.
É Evangelho de Cristo, Mariama.
Mariama, Mãe querida, problema de negro,
acaba se ligando com todos os grandes problemas humanos,
com todos os absurdos contra a humanidade,
com todas as injustiças e opressões.
Mariama, que se acabe, mas se acabe mesmo
a maldita fabricação de armas.
O mundo precisa fabricar é Paz !
Basta de injustiça,
de uns sem saber o que fazer com tanta terra
e milhões sem um palmo de terra onde morar.
Basta de uns tendo de vomitar pra poder comer mais
e 50 milhões morrendo de fome num ano só.
Basta de uns com empresas
se derramando pelo mundo todo
e milhões sem um canto
onde ganhar o pão de cada dia.
Mariama, Nossa Senhora, Mãe querida,
nem precisa ir tão longe como no teu hino.
Nem precisa que os ricos saiam de mãos vazias
e os pobres de mãos cheias.
Nem pobre nem rico.
Nada de escravo de hoje
ser senhor de escravos de amanhã.
Basta de escravos.
Um mundo sem senhor e sem escravos.
Um mundo de irmãos.
De irmãos não só de nome e de mentira.
De irmãos de verdade, MARIAMA !

Dom Helder Camara
- Arcebispo de Olinda e Recife
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MISSA DOS QUILOMBOS
(Milton Nascimento / Pedro Casaldáliga /
Pedro Tierra )
CD Polygram do Brasil, 1982.


quinta-feira, 12 de novembro de 2009

PROGRAMA BNB DE CULTURA / PARCERIA BNDES : DIVULGAÇÃO SAI NO DIA 20 DESTE MÊS

O resultado dos projetos contemplados pelo Programa BNB de Cultura / Parceria BNDES - Edição 2010, previsto para o dia 30 de outubro, só será conhecido no dia 20 deste mês de novembro. Segundo a Assessoria de Comunicação da Superintendência Estadual de Pernambuco, "o adiamento ocorre por fatos que impactaram na finalização do processo de tabulação e consolidação dos dados oriundos de alguns Estados. Na edição de 2010, o programa vai destinar R$ 6 milhões para iniciativas culturais das áreas de música, artes cênicas, artes visuais, literatura, audiovisual e artes integradas ou não específicas originárias dos nove Estados do Nordeste, do norte de Minas e do Espírito Santo. O objetivo é contemplar, no mínimo, 225 ações."
A lista completa dos projetos que poderão ser patrocinados estará disponível no site do BNB
(www.bnb.gov.br)
Na área de Literatura estão destinados R$ 800.000,00 (oitocentos mil reais) para viabilizar o patrocínio de aproximadamente 30 projetos (estão inscritos mais de 300 projetos)
que contemplem as ações de incentivo à leitura e formação de novos leitores, de valorização e estímulo à criação e circulação de acervos biobibliográficos, de ampliação e renovação de bibliotecas públicas e escolares, além da produção literária individual ou coletiva em todos os estilos, dirigidas ao público adulto e ou infantil, compreendendo a edição de livros, folhetos de cordel, revistas, histórias em quadrinhos, publicações eletrônicas, pesquisas culturais e similares, entre outros.

AMERICANTO AMAR AMÉRICA é blog-livro na Internet

Em lugar de postagens de um blog se transformarem em páginas de um livro, como já vem ocorrendo nos meios editorais, são as páginas de um livro que agora se transformam em postagens de um blog na rede mundial de computadores. O caminho inverso que eu estou experimentando na Internet viabilizará a leitura aberta do meu livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20 com todas as suas páginas postadas no blog AMERICANTO AMAR AMÉRICA (http://americantoamerica.blogspot.com). O livro será lançado pela Nordestal Editora, do Recife, com tiragem especial de 1.000 exemplares, em março/2010, assinalando 40 anos da minha produção poética, iniciada, precisamente, em janeiro de 1970, quando publiquei, no jornal O Olho, de Palmares (PE), os versos de "Poema vago olhando a cidade".
As primeiras páginas já foram postadas em julho deste ano. Continuo renovando as postagens, sem pressa, sem periodicidade, e devo postar todos os textos do livro (são mais de 80 poemas, de diversas publicações datadas de 1970 a 1973), ainda no primeiro semestre de 2010. E, após a postagem de todos os poemas, o blog AMERICANTO AMAR AMÉRICA apresentará opiniões, que estão no livro, sobre o poema "Americanto" e sobre o meu trabalho publicado, dos seguintes escritores e jornalistas : Pelópidas Soares, Graça Lins, João Batista de Queiroz, Hermilo Borba Filho, Mauro Mota, Paulo Azevedo Chaves, Geneton Moraes Neto, Jaci Bezerra, Leda Rivas, Montez Magno, Eduardo de Lucena, Antonio de Campos, Anamélia Maciel, Potiguar Matos e Nagib Jorge Neto.
O blog-livro é link do JORNAL DO JUAREIZ (http://blig.ig.com.br/juareizcorreya)

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

DOIS POEMAS DO NOVO SÉCULO

RUA DO IMPERADOR, RECIFE


Rua onde hoje impera a dor
de maltrapilhos excluídos trapos humanos
da miséria urbana socializada como um câncer em flor
da sub-raça inumerável como uma chaga aberta
exposta purulência identificando o nome da cidade
corpo de vísceras podres e coração impotente
sangrando à luz do dia
manchando a luz do dia
morrendo todos os dias

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ILHA DE SANTO ANTONIO


Em tempos de guerra
Ascenso viu o bairro de São José
invadido por panzer divisões
destruindo edificações
desfigurando o Recife e sua história.
Nestes dias de paz insegura
da aurora do novo século,
também palmarino como o poeta
- com os meus olhos acesos de espanto -
vejo, sem liberdade e sem nação,
a desordem o regresso o desgoverno
drogando e suicidando
a ilha inteira do bairro de Santo Antonio,
o centro inútil do Recife,
a capital perdida de Pernambuco.

JUAREIZ CORREYA
(do livro inédito POEMAS DO NOVO SÉCULO)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

FLIPORTO 2009 em edição exclusiva da Revista Continente

"Assim como a FLIPORTO, a Continente, durante seus nove anos de existência, investiga as diversas concepções do que seja a cultura brasileira, sem deixar de lado os elementos que a cercam e que a formaram. Para comemorar a quinta edição da festa, um apanhado do nosso acervo com trechos de artigos e entrevistas com pensadores, artistas e escritores que se relacionam com a cultura e o imaginário propostos pelo evento", informa a apresentação da edição especial da Revista Continente (CEPE-Companhia Editora de Pernambuco / Secretaria da Casa Civil / Governo de Pernambuco, Recife, novembro, 2009) produzida para distribuição gratuita exclusiva na FLIPORTO - Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas (PE), em Ipojuca, que ocorreu do dia 5 ao dia 8 deste mês de novembro.
Documento à parte da edição de novembro da Revista Continente, o caderno especial publicado - "FLIPORTO IBERO-AMERICANA" - reune autores do Brasil (23), Portugal (2), Espanha (3), Argentina (1), México (1), Cuba (1) e Haiti (1). Em suas 48 páginas, essa "antologia" de autores ibero-americanos selecionados de diversos números das edições mensais da Revista Continente, se associa à realização da FLIPORTO 2009 que "como um grande painel" expôs "os elementos da cultura ibero-americana discutidos e contextualizados dentro de sua relação com o Brasil". Os textos publicados podem ser acessados no site continenteonline (www.revistacontinente.com.br) :
"Culturas e identidades ibero-americanas" (artigo de Angel-B. Espina Barrio); "Embaixador da cultura e literatura brasileiras" (entrevista de Antonio Maura); "Atrito entre a vida e a palavra" (entrevista de Armando Freitas Filho); "Discípulo de Nabuco" (entrevista de Caetano Veloso); "A Europa não tem projeto cultural" (entrevista de Eduardo Subirats); "Eu sou meus personagens" (entrevista de Fausto Wolff); "Eduardo Galeano : o cavaleiro andante contra os moinhos da globalização" (artigo de Alexandre Costa); "A criação da vida pela poesia" (entrevista de Ferreira Gullar"); "Uma voz da periferia na literatura" (entrevista de Ferréz); ""Por que utopias ?" (artigo de Emir Sader); "Uma vida para a literatura" (entrevista de Flávio Morerira da Costa); "O meu modo de investigar é escrever romances" (entrevista de Gonçalo Tavares); "O que faço para o cinema é literatura" (Guilhermo Arriaga); "Acesso insólitas figurações carnais" (João Gilberto Noll); "O dinossauro fala" (entrevista de José Saramago); "O Brasil não é (e é) o Haiti" (entrevista de Laennec Hurbon); "O labirinto de Octávio Paz" (artigo de Daniel Piza); "O mundo de uma varanda de Botafogo" (entrevista de Ledo Iovo); "Dou voz aos anônimos" (entrevista de Luiz Ruffato); "Um escritor fora da redoma" (entrevista de Marcelino Freire); "Deusa da literatura contra o dragão da imprensa" (entrevista de Márcia Denser); "Portugal e Brasil : melancolia em dois sotaques" (artigo de Fabrício Carpinejar); "Essa história de modernidade aqui no Brasil está mal colocada" (entrevista de Márcio Souza); "Realismo sujo que vem de Cuba" (entrevista de Pedro Juan Gutiérrez); "Lama na alma" (artigo de Luiz Carlos Monteiro); "Se não há qualidade, a crítica deve denunciar" (entrevista de Sábato Magaldi); "Minha geração trouxe melhores prosadores do que a geração 90" (entrevista de Santiago Nazarian); "O império da imaginação e da fantasia" (entrevista de Sebastião Uchoa Leite); "O moralizador Eça de Queiroz" (artigo de Ruy dos Santos Pereira); "Os pecados de uma nação" (entrevista de Tomás Eloy Martínez); "A oficina de Almanzor" (artigo de Alberto da Cunha Melo).

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

FLIPORTO promove mais de 30 autores e livros

A FLIPORTO 2009 e a Livraria Jaqueira, do Recife, promovem encontros especiais com os autores que participam da Festa, autografando os seus livros, desta quinta-feira, dia 5, até o próximo domingo, dia 8 de novembro, em duas tendas, no Pavilhão do Centro de Convenções 2, do Hotel Armação, em Porto de Galinhas, Ipojuca (PE).
Programação da Tenda 1 (das 11 às 19h30m) :
QUINTA-FEIRA, 5 : "Os espelhos" (Eduardo Galeano).
SEXTA-FEIRA, 6 : "Livro de Contos" (Alexandre Santos); "O duelo de Lampião e Dom Quixote" (Francisco Cunha); "Viuvinha casadeira" (Jaques Cerqueira); "Soledad no Recife" (Urariano Mota); "1808" (Laurentino Gomes).
SÁBADO, 7 : "Como a guerra chegou à Floresta Amazônica" (Abdias Moura); "As aventuras de Dom Quixote em versos de cordel" (Antonio Klevission Viana); "Nara Leão a Musa dos Trópicos" (Cássio Cavalcante); "As duas Espanhas e o Brasil" (Tarcísio Costa); "Memorial de Heloísa" (Heloísa Buarque de Holanda); "Enterrar os mortos" (Ignacio Martinez de Pisón); "A minha alma é irmã de Deus ?" (Raimundo Carrero); "Matriuska" (Sidney Rocha).
DOMINGO, 8 : "A chave da casa" (Tatiana Salem Levy); "A Eternidade e o Desejo" (Inês Pedrosa).
Programação da Tenda 2 (das 11 às 20h) :
SEXTA, 6 : "A intuição de Pandora" (Salete Rego Barros); Viagem ao crepúsculo" (Samarone Lima); "A era do hipertexto" (Antonio Xavier); "Estórias do mundo virtual" (Fernando Antonio de Vasconcelos); "Natureza sem fim" (Suzana Guimarães Farias); "Musa fragmentada" (Luís Carlos Monteiro); "O Pai dos Burros" e "O Santo Sujo" (Humberto Werneck);
SÁBADO, 7 : "Ícones - Patrimônio Cultural de Arcoverde" (Jussara Bezerra de Moraes); "Juízo Final - Um Poder passado a limpo" (Marcelo Russel); "Sem lei nem rei", de Maximiano Campos - em braile (Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco); "Mulheres da minha vida" (Laura Areias); "Antologia Pessoal" (Eric Nepomuceno); "Uma casa da escuridão" (José Luís Peixoto); "O Tesouro" (Eccehomo Cetina); "A Modernidade nos Trópicos : Gilberto Freyre e os debates em torno do nacional" (Valéria Torres da Costa e Silva); "O Tempo : o de dentro e o de fora" e "Todo diálogo é possível" ( Lula Arraes).
DOMINGO, 8 : "O filho eterno" (Cristóvão Tezza); "Insônia" e "O baile da vitória" (Antonio Skármeta).
Confiram a programação no site da FLIPORTO (http://www.fliporto.net)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

FLIPORTO DIVULGA VENCEDORES DO "PRÊMIO LITERATURA NO CELULAR"

A Fliporto Digital e a Gol Mobile, patrocinadoras do "II PRÊMIO LITERATURA NO CELULAR", divulgam, no site da FLIPORTO - Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas (www.fliportodigital.net), em sua quinta edição, os microtextos dos vencedores (primeiro, segundo e terceiro lugares) e de outros autores destacados (do quarto ao décimo lugar) :

Primeiro lugar (R$ 3.000,00) /
CÉSAR JACOME PHILIPPINI
"Juntos, eu e Deus. À beira-mar. Submersos numa realidade onde palavras, assim como as águas vivas, servem apenas para atiçar a curiosidade sobre o inimaginável."

Segundo lugar ( R$ 2.000,00) /
EDUARDO SALES DE SOUZA
"Tinha a incontrolável mania de contar um a um cada passo. Tanto contava que nada lhe restava. Até o dia que resolveu contar um conto e, de repente, o encontro."

Terceiro lugar (R$ 1.000,00) /
EDNA RUBIA MENDES FACUNDO
"Sonhou que era feliz, acordou pleno. Sonhou que era triste, acordou lúgubre. Sonhou que era perfeito, não acordou."

O escritor Antonio Campos, Curador da FLIPORTO, e a professora Cláudia Cordeiro, Coordenadora da FLIPORTO DIGITAL, promovem a entrega dos prêmios no próximo domingo, dia 8 de novembro, no Centro de Convenções 1, do Hotel Armação, em Porto de Galinhas, com transmissão ao vivo pela Internet.




terça-feira, 3 de novembro de 2009

O GIRASSOL, poemas de Garibaldi Otávio

O GIRASSOL

A Vincent Van Gogh

O duro olhar dos homens e o dos touros
empreitam a mansa tarde com rancor.
Então a fúria explode. A mansa tarde
explode a sua fúria numa flor.

A flor não é bem flor. A flor é sol
que deu seus amarelos a uma flor.
E quando a manhã nasce e a tarde desce
se fundem a flor, o sol e o girassol.

Não se soube jamais se é canto ou ave
ou instrumento que dedos selvagens tangem.
Não se soube que ouro, que deus sonoro
fez sua forma de espanto tão suave.

No duro olhar dos homens a flor é alfanje
com que vão decepar a cor da tarde.
No duro olhar dos touros a flor é sangue
que veste de escarlate a lâmina da espada.

Ao girassol (que ferocidade o ateia ?)
traídos e em silêncio amaremos
a sua cor na tarde como quem bebe
o corpo azul da água (sem sangue) limpa.


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DOIS MURAIS DE BRENNAND


I - NO AEROPORTO DOS GUARARAPES

Pastor não há
mas há sua flauta
no trinar breve
da suave boca.

O campo sonha
o homem quando
o sono é o canto
que lhe arrebanha

e lhe dá o ouro
que o faz cantar
e além da sombra
o ofuscará,

que corre em campos
depois cabelos
e carne e riso
da companheira,

despindo o morno
para ser calma
no afago, e rio
no se deitar.

Se deita, o rio
se para e escuta
a flauta leve,
tão pura e breve.

E os bois repousam
o seu repouso
no cantar longo
dos seus pescoços.

Só os chifres pairam
nos dorsos puros,
ferindo, tensos,
cansaço e angústia

de espera que há
na cama, corpo
simples que, em pouco,
será desfeito,

como desfeito
será no pranto
todo o silêncio
desse cantar.

Pastor não há,
mas há sua flauta.
Modula o dia
que o vai deixando.


II - NO HOTEL SÃO DOMINGOS

Braços erguidos da terra,
os pés fincados no chão,
esta mulher colhe um fruto
que nasce da própria mão.

Colhe um fruto, colhe o mundo
no dia da criação,
colhe da terra molhada
aroma e fecundação.

Colhe no corpo os limites
do barro em modelação,
o Barro nascendo, vida
- a morte quando em função.

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A UMA CATALÃ

Pinto como Joan Miró :
linhas simples do teu rosto,
perfil de poeira e pó,
pintado do lado oposto.

Pinto como João Cabral
lava as palavras, a seco,
como quem lambe teu sal
meditarrêneo, teus becos.

Pinto como Lorca pinta,
teu sortilégio cigano,
quase um toureiro na tinta,
quase morte, quase insano.

Sempre te pinto aos pedaços,
como espelho que se quebra,
como quem mastiga os traços,
como Picasso, sem regra.

Salvador Dali te rouba
dos delírios. Que se exponham,
lado limpo do pecado,
os teus martírios. Anjos sonham.

Quando eu te vejo daqui
destas visões, aturdido,
pinto como Debussy
pintava a Espanha, de ouvido.

Pinto como um violeiro
que te ouvisse, como te ouvi
no teu sotaque maneiro
rudezas de Ouricuri.

Pinto tua tela Matisse
que mistura claridade,
como se a tela te visse,
por trás da cor, de verdade.

Sujo-me todo de sol
como quem mexe com tinta
só de luz feita, arrebol
quando se enfeita, se pinta.


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(Poemas do livro O GIRASSOL,
de Garibaldi Otávio
- Companhia Editora de Pernambuco - CEPE,
Secretaria da Casa Civil / Governo de Pernambuco,
Recife, 2009).




quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Presença de Pernambuco em livro de Garibaldi Otávio publicado pela CEPE

Todo tempo é tempo de poesia, lembra, com o seu livro, o conhecido jornalista pernambucano Garibaldi Otávio, poeta que estréia com o lançamento de O GIRASSOL (Companhia Editora de Pernambuco - CEPE / Secretaria da Casa Civil / Governo de Pernambuco), nesta quinta-feira, dia 29 de outubro, às 19 horas, no Instituto Cultural Banco Real (Avenida Rio Branco, 23, Recife Antigo, Recife, PE).
A idéia de publicação do seu livro nasceu há mais de 40 anos e agora se concretiza, por causa de amigos "do passado e do presente, que deram vida e ressuscitaram em mim novamente a força da criação poética", assegura Garibaldi Otávio.
Incentivo e admiração dos escritores Aluízio Falcão e Vanja Carneiro Campos, de hoje, de Mauro Mota, Renato Carneiro Campos e Gilberto Freyre, de ontem, atestam que a poesia de Garibaldi Otávio fazia falta no cenário cultural de Pernambuco. Um cenário que se enriquece com os traços irretocáveis e as cores intensas da sua poesia contemplativa e que já era madura na sua gênese, como afirmava Mauro Mota ao saudar o ficcionista e dramaturgo Aguinaldo Silva : "Repito a Aguinaldo o que digo a outro jovem pernambucano, Garibaldi Otávio, em relação à poesia : Este menino não vai longe porque longe já está."
O livro O GIRASSOL (a flor não é bem flor. A flor é sol / que deu seus amarelos a uma flor), com a presença do Recife e da zona da mata pernambucana, "a imensa distância de Pernambuco que me angustiava nas estranhas paisagens onde tentei viver", está enriquecido com a pintura ensolarada de Tereza Costa Rego, reproduzida na capa e na sobrecapa especial. Os seus poemas contém, sem qualquer pedantismo, inumeráveis referências artísticas pernambucanas, nordestinas e internacionais - Van Gogh, do poema-título, Francisco Brennnand, Mauro Mota, José Lins do Rego, Hemingway, cinema, música, fotografia, arquitetura, Joan Miró, João Cabral de Melo Neto, Lorca, Picasso, Salvador Dali, Debussy. Treze poemas, na última parte do livro, apresentam a sua versatilidade como parceiro de composições musicais de Carlinhos Vergueiro, Arthur Gebara, Ronen Altman, Zebba dal Farra e Jonas Ferreira Lima.
A escritora Vanja Carneiro Campos lembra que Garibaldi Otávio não permitiu, por décadas, a publicação do seu livro concluído, sempre adiado com a reunião de poemas de vários tempos, das ruas e becos do Recife à Avenida São João de São Paulo :
"Quis ele que acontecesse o que vemos hoje : o livro saiu de sua tutela, desapartou do seu dono e criou asas. Então agora o temos por inteiro."

(Juareiz Correya)

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

CEPE lança "Eça de Queiroz - Agitador no Brasil", de Paulo Cavalcanti (2)

No texto de abertura do livro, intitulado "Relato da Rebelião", Nagib Jorge Neto afirma que "a concepção da obra, a força escrita, amplia a dimensão e compreensão das revoluções e insurreições liberais no Estado no século XIX, resulta num relato inovador na forma, numa ruptura com o linear e a rigidez dos critérios de cronologia; e um avanço no conteúdo, no enfoque das causas políticas, econômicas e sociais que marcaram as reações ao arbítrio e ao domínio português no império. Neste sentido, esta obra de Paulo Cavalcanti - EÇA DE QUEIROZ, AGITADOR NO BRASIL - reflete a sua coerência como escritor, a sua crença de que a história é sempre contemporânea, atual."
Nagib Jorge Neto acreescenta que Paulo Cavalcanti elogia e faz reparo ao estilo do escritor, como fazia Machado de Assis, destacando a influência que o escritor português exerceu sobre os escritores brasileiros. "E vai além ao enfocar o papel da imprensa, dos jornais que circulavam em Recife e Goiana, e da efervescência política e cultural marcante na cidade, que passou a ser punida economicamente no final daquele século."
Acentuando que se trata de um estudo agradável, num estilo leve, Nagib Jorge Neto afirma que os capítulos do livro "podem ser lidos como relatos que se interligam, sem a mesmice da linearidade, da técnica de sequência rígida."
O "eciano" Dagoberto Carvalho Jr., em seu texto "Paulo Cavalcanti entre a literatura e a história social", lembra uma frustrada tentativa de edição pernambucana, em 1958, e a sua "bela trajetória editorial" iniciada em 1959, integrando a monumental Coleção Brasiliana ( volume 311), da Companhia Editora Nacional, de São Paulo; e as edições seguintes de 1966, ainda na Coleção Brasiliana, com novo formato; uma edição em Portugal, intitulada O AGITADOR ; e a de 1983, da Editora Guararapes, quando "Pernambuco redimiu-se do pecado original".
O escritor e presidente da Sociedade Eça de Queiroz, do Recife, ressalta que o livro outra vez apresentado ao público e à crítica literária "que lhe tem sido pródiga no Brasil e em Portugal e, até, na antiga Tchecoslováquia, resgata documentos históricos únicos para a bibliografia de Eça de Queiroz, sobretudo pela perspectiva da abordagem : o impacto da recepção de um jovem escritor português no Brasil do terceiro quartel do século XIX, através de uma cidade interiorana de Pernambuco." Isso contribuiu, observa, para que, "quando chega o romancista de O CRIME DO PADRE AMARO e O PRIMO BASÍLIO, Eça já não era desconhecido da nossa gente. Muitos se lembravam da agitação que as suas As Farpas de 1872 provocaram em Goiana."


LITERATURA E POLÍTICA
Nascido no Recife em 1915, o escritor Paulo Cavalcanti é autor de um dos mais importantes painéis sobre a história política e social brasileira, particularmente do Nordeste - a teatralogia O CASO EU CONTO COMO O CASO FOI, reeditada neste ano de 2009 pela CEPE. Ensaísta e memorialista premiado pela Academia Pernambucana de Letras, ex-presidente da UBE - União Brasileira de Escritores, seção de Pernambuco, ex-diretor do Arquivo Público de Pernambuco, militante comunista, preso político, advogado político, promotor público aposentado, ex-deputado estadual, membro da Executiva Nacional do PCB - Partido Comunista Brasileiro, Presidente da Regional do PCB de Pernambuco, vereador do Município do Recife, Paulo Cavalcanti faleceu, aos 80 anos de idade - "80 anos de humanismo." (Juareiz Correya)

terça-feira, 27 de outubro de 2009

CEPE lança "Eça de Queiroz - Agitador no Brasil", de Paulo Cavalcanti

Neste ano em que completou o seu aniversário de meio século de edição, o livro EÇA DE QUEIROZ - AGITADOR NO BRASIL, de Paulo Cavalcanti, foi lançado, em 4a. edição revista e aumentada, quarta-feira passada, dia 21 de outubro, às 19 horas, no auditório da Livraria Cultura (Rua Madre de Deus, s/n, Recife Antigo, Recife, PE), com palestra do jornalista e escritor Mário Hélio, presidente do Conselho Editorial da CEPE, e show especial do Trio Saracotia, do Conservatório Pernambucano de Música.
O livro aborda o momento crucial de 1871, marcado por crises políticas e pela grande insatisfação com o monopólio português do comércio, quando Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, editores da publicação satírica portuguesa As Farpas, transformaram uma excursão de Dom Pedro II, o imperador brasileiro, num grotesco espetáculo de circo, caricaturando tudo o que o monarca fizera ou dissera.
A publicação da Companhia Editora de Pernambuco - CEPE / Secretaria da Casa Civil / Governo de Pernambuco, com projeto gráfico de Moema Cavalcanti, filha do escritor, designer de projeção nacional, apresenta textos de abertura de Nagib Jorge Neto , jornalista, ficcionista e biógrafo do autor, e do cronista e ensaísta Dagoberto Carvalho Jr., presidente da Sociedade Eça de Queiroz, do Recife, fundada por Paulo Cavalcanti, falecido na capital pernambucana no ano de 1995, ao completar 80 anos de idade em pleno exercício do seu mandato de vereador recifense.
A CEPE lançou a obra em duas edições distintas - um volume em língua portuguesa e um volume em língua inglesa, com tradução de Sílvio Rolim. Documentos inéditos anexados enriquecem o projeto editorial : "Carta de Eça de Queiroz ao Presidente da Província de Pernambuco", publicada na primeira edição de As Farpas, em 1872, não incluída nas obras completas do escritor lusitano e "Manifesto em favor dos patriotas goianenses", publicado no Recife em outubro de 1875, "um público testemunho em favor daqueles seus concidadãos, que por falsas aparências, e por efeito de intrigas vis, de mesquinhas calúnias, acham-se foragidos e sob o peso da infamante imputação de crimes, que não cometeram."


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Mais informações no site da LIVRARIA CULTURA (www.livrariacultura.com.br) e pelo e-mail da CEPE : cepecom@cepe.com.br

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Poesia e Arte do AMERICANTO em Igarassu e Palmares

O poema-título do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, de Juareiz Correya, quadrinizado pelo artista plástico recifense Roberto Portella, será apresentado, com palestra do seu autor, em exposição de 16 desenhos, no Centro de Arte e Cultura Manuel Bandeira (Rua Joaquim Nabuco, Centro, Igarassu), quarta-feira, 21 de outubro, às 15 horas, em promoção da Secretaria de Turismo, Cultura e Esportes/Prefeitura de Igarassu, com o apoio cultural da Companhia Editora de Pernambuco - CEPE.
Na quinta-feira seguinte, dia 22, às 19 horas, a exposição de Roberto Portella será apresentada, com uma palestra de Juareiz Correya sobre "A poesia marginal dos anos 70", no auditório Ascenso Ferreira, da FAMASUL - Faculdade de Formação de Professores da Mata Sul, da Prefeitura dos Palmares, integrando, por iniciativa do Departamento de Letras, o Seminário de Educação e Iniciação Científica e Tecnológica da faculdade.
A palestra de Juareiz Correya sobre o livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20 e a exposição dos desenhos que ilustram o seu poema "Americanto" serão apresentadas ainda nos municípios pernambucanos de Olinda, Cabo de Santo Agostinho, Vitória de Santo Antão, Ipojuca, Caruaru e Garanhuns, até janeiro de 2010, mês em que ocorrerá, entre os assinantes da edição do livro, o sorteio do conjunto dos 16 desenhos originais da exposição. Em março, a Panamérica Nordestal Editora lançará o livro no Recife e em Palmares, terra natal do autor, e, durante o ano, ocorrerão outros lançamentos em João Pessoa, Natal, Fortaleza, Maceió, Salvador e São Paulo.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

2o.Prêmio Literatura no Celular da FLIPORTO : 6 mil reais

Em sua segunda edição, neste ano de 2009, o Prêmio Literatura no Celular, promovido pela FLIPORTO - Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas, de Ipojuca (PE), em parceria com a GOLMOBILE, com inscrições abertas desde o dia 7 deste mês, encerrará as inscrições no próximo dia 15 de outubro, destacando os três primeiros colocados com prêmios no valor de R$ 3 mil (primeiro lugar), R$ 2 mil (segundo lugar) e R$ 1 mil (terceiro lugar). Com o objetivo específico de estimular a produção e a leitura de textos literários (poemas e contos) por meio da telefonia móvel, concorrem ao Prêmio os brasileiros natos ou estrangeiros naturalizados residentes e domiciliados no Brasil, não importando o nível atual de sua escolaridade. O Prêmio será atribuído aos três melhores textos literários escritos originalmente em língua portuguesa.
O texto concorrente ao Prêmio Literatura no Celular deve ser, absolutamente inédito, enviado
como mensagem /torpedo de um celular da OI para o número 4833. Ao receber a mensagem "Seu texto foi recebido com sucesso. Vote agora ! envie VOTO - CÓDIGO - para 4833 do seu celular OI" a inscrição estará confirmada.
O texto concorrente deve ter, no máximo, 160 caracteres. O autor poderá assiná-lo com o seu próprio nome ou com um pseudônimo. Um júri oficial, formado por três membros especializados em literatura especialmente divulgada no meio digital, e um júri popular, composto por todos os que votarem nos textos pelo portal da FLIPORTO, também enviando torpedos de um telefone OI, decidirão a premiação. Os textos aptos que concorrem aos prêmios serão divulgados, no portal da FLIPORTO, de 15 a 25 de outubro; de 26 a 05 de novembro o portal divulgará o resultado da premiação e os 10 melhores textos. Serão selecionados 20 participantes que terão seus textos divulgados no site da FLIPORTO 2009 (www.fliporto.net) entre os dias 5 e 8 de novembro. A entrega dos prêmios ocorrerá no dia 05 de novembro, na FLIPORTO.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

´Torpedo de Poesia, Instantâneos poéticos na FLIPORTO

Tiago Faria

Um vídeo de poucos minutos via celular pode não irritar os olhos. Mas o que dizer de um romance criado exclusivamente para telefones móveis ? No Japão, a tecnologia virou moda. No Brasil, há concursos que exploram essa possibilidade de criação. Pelo segundo ano consecutivo, a Festa Literária de Porto de Galinhas (FLIPORTO) abre inscrições para contos ou poemas de até 160 caracteres. Ano passado, 320 pessoas concorreram ao prêmio de R$ 3 mil.
"É totalmente possível encontrar textos interessantes. São escritores jovens, não temos pretensão de atrair veteranos. Queremos motivar a literatura. Queremos que ela esteja em todos os lugares", afirma Cláudia Cordeiro, coordenadora da Fliporto Digital. O time de jurados leva em conta o uso de recursos literários e o bom uso da língua portuguesa. "Os erros ainda são frequentes. Acaba que, em primeiro plano, levamos em conta a correção do texto", afirma.
Em 2008, o escritor perambucano Marcelino Freire foi convidado para organizar um concurso de minicontos desenvolvido pelo SESI em São Paulo. Diariamente, no período de um mês, 2 mil pessoas cadastradas recebiam os textos via torpedo de celular . "É um texto conciso e que, por isso, se adequa bem às novas mídias", comenta.


INSTANTÂNEOS POÉTICOS

Vencedores da primeira edição
do Prêmio Nacional de Literatura no Celular

Reencontrei o vento
Renasceu do sol, límpido, sereno.
Passou pelo meu corpo e pensamento
Varreu meu coração com amor.
Veio o arco-íris, levou embora a dor.
(MALU LIMA, Recife, PE)

Não é verdade a poesia
porque é bela.
A poesia é bela
porque é verdade.
(JUAREIZ CORREYA, Recife, PE )

Meu tempo valsa Chopin em ré bemol maior
Sessenta aniversários e o presente da dor
Mas um sol acende a alma : tempo de dançar com as estrelas.
(MARIA NAZARÉ DE CARVALHO LAROCA,
Juiz de Fora, MG).

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Transcrito da edição online
do jornal CORREIO BRAZILIENSE
(http://correiobraziliense.com.br,
de 19/setembro/2009).


quinta-feira, 17 de setembro de 2009

"Americanto Amar América" : quadrinhos em quadros de Roberto Portella

Os 16 desenhos da quadrinização do meu poema Americanto Amar América estão expostos, em quadros, desta sexta-feira, dia 18, até a próxima quinta-feira, dia 24 /setembro, no Gabinete Português de Leitura de Pernambuco ( Rua Imperador Pedro II, 290, Santo Antonio, Recife, PE). Na abertura da exposição, apresento uma palestra sobre esse conjunto de desenhos de Roberto Portella e sobre o meu livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, que será lançado em março do próximo ano. Os quadrinhos de Roberto Portella constituem um conjunto de 16 belos quadros que serão apresentados, em outras exposições, em Igarassu e Olinda (outubro), Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca e Garanhuns (novembro), Vitória de Santo Antão e Caruaru (dezembro). Em março, a Panamérica Nordestal Editora lançará o livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA, com a reprodução dos quadrinhos/quadros de Roberto Portella, no Recife e em Palmares (minha terra natal) e, durante o ano, ocorrerão outros lançamentos em João Pessoa, Natal, Fortaleza, Maceió, Salvador e São Paulo.
O poema Americanto foi quadrinizado por Roberto Portella, no Recife, no ano de 1982, seis meses após o lançamento da sua segunda edição (AMERICANTO AMAR AMÉRICA, Nordestal Editora, Recife, 1982), cuja primeira edição foi lançada no Recife em 1975. O artista plástico recifense me surpreendeu, ao me presentear a sua obra inédita (as 16 pranchas originais) como quem está se livrando de uma espécie de maldição/condenação : "Tome, é tudo seu. Finalmente consegui me livrar disso", disse ele, referindo-se ao poema, que o obrigara a produzir aqueles desenhos como se ele estivesse possuído, visto que não conseguia pensar em outra coisa, nem fazer mais nada, e sequer dormir direito.
O resultado da criação de Roberto Portella sobre o meu poema foi apresentado em um álbum, coeditado pela Edições Bagaço e Nordestal Editora, no Recife, em 1993. E assim registrou a sua publicação, no DIÁRIO DE PERNAMBUCO, em junho de 1993, o poeta e crítico de arte pernambucano Paulo Azevedo Chaves :
"Lançado em 1975, com selo da Nordestal Editora, Americanto Amar América, de Juareiz Correya, foi quadrinizado, na década passada, por Roberto Portella. O resultado dessa parceria é uma produção inédita na história editorial brasileira. Com efeito, pela primeira vez um poema é editado em livro, sob a forma de quadrinhos, em nosso País.
O álbum reproduz 16 pranchas concebidas pelo artista plástico recifense, nelas a imagem plástica não desmerecendo a força lírica e a expressão sensual dos versos do poeta palmarense, antes enriquecendo-se de uma visão própria, igualmente lírica e plena de sensualidade." (JUAREIZ CORREYA)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

AMERICANTO : Opiniões de Paulo Azevedo Chaves, Geneton Moraes Neto, Jaci Bezerra, Leda Rivas e Montez Magno

"Foi difícil escolher um poema, ou trecho de um, do livro AMERICANTO... Não porque a escassez de bom material poético dificultasse a escolha. Muito pelo contrário : o livro é pequeno, os poemas são poucos, mas a escolha é múltipla."

PAULO AZEVEDO CHAVES
("Poliedro" / Diário de Pernambuco, Recife, 1975)



AMERICANTO é na verdade uma significativa declaração de amor a essa América de todos os campos, gritos, silêncios, sossegos e agonias. Vale a pena ler o trabalho desse jovem poeta, dono de uma linguagem forte e cortante."

GENETON MORAES NETO
("Ensaio Geral" / Diário de Pernambuco, Recife, 1975)



"Juareiz Correya, na verdade, poeta acima de rótulos, foi, no Recife, e talvez deva acrescentar, em Pernambuco, um vanguardista no que se refere à eclosão dos movimentos alternativos e marginais no Brasil.
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"Este livro de Juareiz Correya, que reune produções de várias épocas já publicadas anteriormente - sobretudo em forma de livretos e folhetos de cordel - sendo, no seu conjunto, o discurso de parte de uma vida, a sua, pode ser encarado, por outro lado, como representativo de uma fase agressivamente renovadora da poesia brasileira atual : exatamente a que vem sendo imposta pelos movimentos alternativos."

JACI BEZERRA
(Posfácio do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA, Recife,1982)
"Nos versos de Juareiz Correya uma canção de amor desesperada. A América lhe dói como a Espanha doía a Unamuno. É parte de sua vida, de sua carne e de sua alma, suga-lhe o sangue, explode em suas artérias, marca, cruelmente, os seus passos de poeta."
LEDA RIVAS
(Diario de Pernambuco, Recife, 1982)
"Em AMERICANTO AMAR AMÉRICA o seu anti-lirismo é pujante, não sendo envolvido por diáfanos e enganadores véus mas revestido de uma grossa crosta perfurante, emissora de sonoridades incomodatícias aos ouvidos dos que ainda não se aperceberam que os sons mais comuns e constantes do nosso tempo são os das metralhadoras e dos tanques de guerra."
MONTEZ MAGNO
(Olinda, 1982)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

AMERICANTO : Opiniões de Pelópidas Soares, Graça Lins, Hermilo Borba Filho e Mauro Mota

"A sua poesia carrega a angústia da fase transitória de sua geração que aguenta o peso da tragédia dos nossos dias prenhes de incertezas. Geração que fecha as portas de um passado e abre as portas para um futuro em que o homem, o mais adaptável dos animais, vencerá, afinal ! Mesmo que tenha de erguer-se do caos.
Dentro do seu jeito extravagante, Juareiz Correya é um homem sério. Mais do que muitos executivos rodeados de secretárias e telefones. Telefones que se comunicam apenas com o vazio."
PELÓPIDAS SOARES (Recife, 1975)




"Li, reli e absorvi todos os poemas do Americanto, confesso que criei inúmeras imagens. Se num poema "América" é região, em outro "América" é mulher, é um desejo insistente, é um grito até. Poderia chamá-la de poesia de vanguarda, por seu sentido essencial de renovar e de recriar e talvez pelo número restrito de leitores cônscios. Existe sobretudo uma recriação de palavras, você as recoloca no poema com outra roupagem.
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Falando seriamente, levei 15 minutos para "ler" Americanto, foi o tempo gasto dentro do ônibus, do centro a minha casa. Mas, para "viver" Americanto me custou momentos, horas e dias."
GRAÇA LINS ( Recife, 1975)



"O poeta é um ser que vive permanentemente em estado de sofrimento por si mesmo e pelo mundo que o rodeia.
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Juareiz Correya é um desses seres e este seu pequeno livro de agora diz fotograficamente, com muita precisão, o que está acontecendo com ele. Nenhuma esperança em suas palavras : o poeta está triste e pessimista.
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Abro o seu livro e leio logo : "Eu acho que nada mais resta / a minha carne é para os cães deste século; vou adiante e vejo : "Nem interessa mais figurar minha fantasia de mim"; e continuo : "De que me serve este amor / como uma chaga aberto ?"; e vai : "O que tens, poeta, é bem pouco" ; desilude-se : "Tu és a mesma longa louca luxenta besta" ; e finalmente uma esperança, talvez a única : "A luz que me nasce fecunda a aurora" ; mas, perde-a : "Eu não sei onde estou & não sei aonde vou" ; e seus dois últimos versos são : "eu escrevo como quem pratica crimes perfeitos / sem paz e alegria para esta descoberta inesperada."
Este poeta pessimista é um jovem de quem os jovens (e também os velhos como eu) muito esperam no colorido campo da esperança : resta que ele saia do pesadelo."

HERMILO BORBA FILHO (Jornal da Cidade, Recife, 1975)


"Para usar uma palavra mais circulante, louve-se o peito de Juareiz (...), inclusive de sua poesia bela e insólita, de rimas internas e toantes.
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Juarez desmente o falado separatismo entre o poeta e o homem de ação. Pois desenvolve a ação que estamos vendo : constante, viva, orientada para a validez da literatura em toda uma área de Pernambuco."

MAURO MOTA ("Agenda" / Diário de Pernambuco, Recife, 1973)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

AMERICANTO : exposições e palestras no Recife, Igarassu e Olinda

A exposição de um conjunto de 16 desenhos do artista plástico pernambucano Roberto Portella, ilustração quadrinizada do poema "Americanto Amar América", será inaugurada no próximo dia 18 deste mês, às 18h30m., no Gabinete Português de Leitura de Pernambuco (Rua Imperador Pedro II, 290, Santo Antonio, Recife, PE), com palestra do poeta e editor Juareiz Correya, autor do poema ilustrado, sobre a exposição e o seu livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20. A exposição dos desenhos e a palestra sobre o
livro serão apresentadas, de forma itinerante, nos meses seguintes, em outras 7 cidades pernambucanas, com o apoio cultural da Companhia Editora de Pernambuco - CEPE.
Em outubro, a Secretaria de Cultura, da Prefeitura Municipal de Igarassu, promove a exposição e palestra na quinta-feira, dia 15, às 15 horas, no Centro de Arte e Cultura de Igarassu (Rua Joaquim Nabuco, s/n, Centro); e, na sexta-feira, dia 30, às 19 horas, a exposição dos desenhos de Roberto Portella sobre o poema "Americanto Amar América" e a palestra de Juareiz Correya serão apresentadas na Galeria de Arte Tereza Costa Rego, do Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco - MAC (Rua 13 de Maio, 157, Amparo, Olinda, PE).
A exposição dos desenhos que ilustram o poema-título do livro AMERICANTO AMAR AMÉRICA E OUTROS POEMAS DO SÉCULO 20, será apresentada ainda nos municípios pernambucanos do Cabo de Santo Agostinho, Vitória de Santo Antão, Ipojuca, Caruaru e Garanhuns, até janeiro 2010, mês em que ocorrerá, entre os assinantes da edição do livro, o sorteio do conjunto dos 16 desenhos originais que ilustram o poema "Americanto". Em março, a Panamérica Nordestal Editora lançará o livro no Recife e em Palmares, terra natal do autor, e, durante o ano, ocorrerão outros lançamentos em João Pessoa, Natal, Fortaleza, Maceió, Salvador e São Paulo.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Dalila Teles Veras e o Recife

Coração de poeta não falha.
Retrata o Recife
com a sua doce e emocionada fala
e o Recife não dói
fica mais eterno
na sua prosa e no seu verso.


JUAREIZ CORREYA

(Recife, 29/agosto/2009)

Dalila Teles Veras : Retratos do Recife (sem falhas), 2

O ESTADO DE PERNAMBUCO
É TIDO E SABIDO COMO TERRA DE POETAS


Sem contar as estrelas máximas da constelação ali nascida, Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto, grandes dentre os grandes, sublinharia Joaquim Cardozo, Ascenso Ferreira, Solano Trindade, Mauro Mota, Carlos Pena Filho, Sebastião Uchoa Leite, João Alexandre Barbosa (crítico saudoso que um dia me deu a honra de aceitar o convite para pronunciar uma inesquecível palestra na livraria Alpharrábio sobre João Cabral), só para ficar entre os mortos, porque citar os vivos (e são muitos e dentre eles muito amigos) é tarefa arriscada e perigosa, posto que fácil é incorrer no esquecimento e... pronto, ali estaria formado o conflito.
Se Pernambuco é um estado de poetas, Recife é a cidade que os cultua. Foi realmente uma grande surpresa me deparar com mais de uma dezena de poetas, músicos e prosadores pernambucanos (ou que ali viveram) imortalizados em ruas e praças daquela cidade, através de esculturas do artista Demétrio Albuquerque e placas com seus versos ou trechos de suas obras.
Trata-se do denominado Circuito da Poesia, promovido pela Prefeitura Municipal com o apoio do Banco do Brasil, e que retrata e homenageia Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Capiba, Mauro Mota, Carlos Pena Filho, Antonio Maria, Luiz Gonzaga, Ascenso Ferreira e Chico Science. Impossível, por mais defeitos que possamos ali enxergar, não cair de amores por uma cidade que respeita assim os seus poetas.
Não por acaso, meus protetores naquela cidade foram dois poetas : Maria de Lourdes Hortas (diretora cultural do GPL) e Juarez Barbosa Correia, que não pouparam esforços para que o lançamento de RETRATOS FALHADOS no Gabinete Português de Leitura fosse o que foi, um momento para guardar na memória dos afetos. Não é conveniente citar, mas não só preciso citar como também agradecer, além dos zelosos guardiões da poeta, como também àqueles outros escritores que lá estiveram como Jomard Muniz de Britto (com quem troco "figurinhas" de longa data), Lourdes Sarmento (que também já conhecia de outros encontros literários), Pedro Américo, Cyl Gallindo, Rogério Generoso, Fernanda Jardim, Esmeralda Moura, Andréa Campos, que generosamente me contemplaram com o prestígio de sua presença e leitura de meus poemas. Também agradecer a presença de parentes "emprestados" e, como esses escritores, até então desconhecidos, Marlene, Gorete e Rosália e a jovem Raquel, a grande surpresa da noite, com sua performática leitura. Resta agradecer ao Presidente do GPL, Vicente Miranda Reis de Melo, gentil anfitrião que, diante da poeta, quebrou todos os protocolos, também entrou na informalidade, lendo (e confessando que essa era a primeira vez que fazia uma leitura pública de um poema) um poema de RETRATOS FALHADOS.
Bem hajam todos.

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Transcrito do blog À MARGEM DOS DIAS
(http://dalilatelesveras.zip.net /
Postagem do dia 08/08/2009.

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