quarta-feira, 11 de novembro de 2009

DOIS POEMAS DO NOVO SÉCULO

RUA DO IMPERADOR, RECIFE


Rua onde hoje impera a dor
de maltrapilhos excluídos trapos humanos
da miséria urbana socializada como um câncer em flor
da sub-raça inumerável como uma chaga aberta
exposta purulência identificando o nome da cidade
corpo de vísceras podres e coração impotente
sangrando à luz do dia
manchando a luz do dia
morrendo todos os dias

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ILHA DE SANTO ANTONIO


Em tempos de guerra
Ascenso viu o bairro de São José
invadido por panzer divisões
destruindo edificações
desfigurando o Recife e sua história.
Nestes dias de paz insegura
da aurora do novo século,
também palmarino como o poeta
- com os meus olhos acesos de espanto -
vejo, sem liberdade e sem nação,
a desordem o regresso o desgoverno
drogando e suicidando
a ilha inteira do bairro de Santo Antonio,
o centro inútil do Recife,
a capital perdida de Pernambuco.

JUAREIZ CORREYA
(do livro inédito POEMAS DO NOVO SÉCULO)

Um comentário:

Anônimo disse...

Olá poeta Juareiz Correya, saudações! Ilha de Santo Antonio - que genial poema, "a capital perdida de Pernambuco", me faz voltar no tempo em que por lá freqüentava diariamente entre poetas, intelectuais, estudantes, músicos, bêbados, cafetãs, gigôlos, putas, enfim, uma plêiade de gregos e troianos. Lembro-me muito bem do meu amigo, irmão e companheiro de poesia e composições Erickson Luna, que saudades! Um grande abraço de Manoel Serrão.