terça-feira, 15 de setembro de 2009

AMERICANTO : Opiniões de Pelópidas Soares, Graça Lins, Hermilo Borba Filho e Mauro Mota

"A sua poesia carrega a angústia da fase transitória de sua geração que aguenta o peso da tragédia dos nossos dias prenhes de incertezas. Geração que fecha as portas de um passado e abre as portas para um futuro em que o homem, o mais adaptável dos animais, vencerá, afinal ! Mesmo que tenha de erguer-se do caos.
Dentro do seu jeito extravagante, Juareiz Correya é um homem sério. Mais do que muitos executivos rodeados de secretárias e telefones. Telefones que se comunicam apenas com o vazio."
PELÓPIDAS SOARES (Recife, 1975)




"Li, reli e absorvi todos os poemas do Americanto, confesso que criei inúmeras imagens. Se num poema "América" é região, em outro "América" é mulher, é um desejo insistente, é um grito até. Poderia chamá-la de poesia de vanguarda, por seu sentido essencial de renovar e de recriar e talvez pelo número restrito de leitores cônscios. Existe sobretudo uma recriação de palavras, você as recoloca no poema com outra roupagem.
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Falando seriamente, levei 15 minutos para "ler" Americanto, foi o tempo gasto dentro do ônibus, do centro a minha casa. Mas, para "viver" Americanto me custou momentos, horas e dias."
GRAÇA LINS ( Recife, 1975)



"O poeta é um ser que vive permanentemente em estado de sofrimento por si mesmo e pelo mundo que o rodeia.
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Juareiz Correya é um desses seres e este seu pequeno livro de agora diz fotograficamente, com muita precisão, o que está acontecendo com ele. Nenhuma esperança em suas palavras : o poeta está triste e pessimista.
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Abro o seu livro e leio logo : "Eu acho que nada mais resta / a minha carne é para os cães deste século; vou adiante e vejo : "Nem interessa mais figurar minha fantasia de mim"; e continuo : "De que me serve este amor / como uma chaga aberto ?"; e vai : "O que tens, poeta, é bem pouco" ; desilude-se : "Tu és a mesma longa louca luxenta besta" ; e finalmente uma esperança, talvez a única : "A luz que me nasce fecunda a aurora" ; mas, perde-a : "Eu não sei onde estou & não sei aonde vou" ; e seus dois últimos versos são : "eu escrevo como quem pratica crimes perfeitos / sem paz e alegria para esta descoberta inesperada."
Este poeta pessimista é um jovem de quem os jovens (e também os velhos como eu) muito esperam no colorido campo da esperança : resta que ele saia do pesadelo."

HERMILO BORBA FILHO (Jornal da Cidade, Recife, 1975)


"Para usar uma palavra mais circulante, louve-se o peito de Juareiz (...), inclusive de sua poesia bela e insólita, de rimas internas e toantes.
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Juarez desmente o falado separatismo entre o poeta e o homem de ação. Pois desenvolve a ação que estamos vendo : constante, viva, orientada para a validez da literatura em toda uma área de Pernambuco."

MAURO MOTA ("Agenda" / Diário de Pernambuco, Recife, 1973)

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