segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Edição inédita da tetralogia "Um Cavalheiro da Segunda Decadência", de Hermilo Borba Filho, lançada hoje no Recife





     A Edições Bagaço, do Recife (PE), realiza uma produção editorial inédita no mercado editorial brasileiro : publica, pela primeira vez, em conjunto, a tetralogia de romances UM CAVALHEIRO DA SEGUNDA DECADÊNCIA  (Margem das Lembranças, A Porteira do Mundo, O Cavalo da Noite, Deus no Pasto), de Hermilo Borba Filho, com lançamento a ser realizado hoje, dia 5 de dezembro, às 19 horas, na Fundação Joaquim Nabuco - FUNDAJ (Rua Henrique Dias, 609, Derby, Recife, PE). Na ocasião, será exibido o documentário Hermilo no Grande Teatro do Mundo, com roteiro e direção de Carla Denise, realizado pela Massangana Multimídia Produções/FUNDAJ.    

     A nova edição da tetralogia de Hermilo Borba Filho, graficamente impecável, é apresentada com capas distintas criadas por Moema Cavalcanti e Paulo Rocha, ilustrações de José Cláudio, e com introdução do jornalista e escritor pernambucano Maurício Melo Júnior que, em seu texto Delírios e coerências de um escritor consciente, enfatiza que a obra ficcional de Hermilo é "uma literatura que, além do pressuposto social e humano, deve ser lida como reverência à palavra, à frase perfeita."

    Hermilo Borba Filho, em entrevista concedida ao jornalista José Maria Andrade, da Revista VEJA, no final de 1975 (censurada em várias partes, Hermilo não permitiu que a revista divulgasse a sua entrevista, mutilada com os cortes da Censura), assim define a sua tetralogia :

     "Eu escrevi dez livros de ficção, dos quais somente quatro - os que compõem UM CAVALHEIRO DA SEGUNDA DECADÊNCIA - são escritos na primeira pessoa do singular, parecendo contar muita coisa da minha vida, escandalizando pela rudeza e pela nudez, a minha nudez e a dos outros, obsessivamente fiel à frase de James Joyce : "Não sei escrever sem ferir ninguém." E à minha própria declaração : "Se não me poupo, como vou poupar os outros ?"  Bem, o que aconteceu com o CAVALHEIRO foi que eu havia atingindo um ponto na vida em que o enriquecimento chegara a um nível de maturação quase passando para o podre : maturação social, sentimental, artística, tudo o mais que envolve o homem.  Escrevi Margem das Lembranças sem saber se teria coragem e forças para ir até o fim.  E fui, esvaziando-me, sofrendo mas esvaziando-me, fazendo os outros sofrer, mas esvaziando-me.  Acho que foi o meu caminho para uma aprendizagem de santidade.  Afinal de contas, estamos aqui para isso : para nos tornarmos santos. Se não conseguimos, é outra coisa.  Mas há, em minha obra confessional, uma grande mistura de "verdade" e "mentira", o que não importa do ponto de vista literário e até mesmo do ponto de vista mais restrito do romance.  Muita coisa que enojou  os leitores eu assumi de outros.  Cabe-nos até isso como escritores."

     Publicado nacionalmente por importantes editoras - Civilização Brasileira, Editora Globo, Círculo do Livro - e com livros traduzidos para a Argentina e a França, Hermilo mereceu aplausos de destacadas personalidades literárias brasileiras, a exemplo de Mário da Silva Brito, Nelly Novaes Coelho, Érico Veríssimo, Leandro Konder, Paulo Cavalcanti, Ariano Suassuna, Hélio Pólvora, Raymundo Souza Dantas, Márcio Souza, Renato Carneiro Campos, Sonia Maria van Dijck, Fernando Monteiro. 

     A Edições Bagaço está lançando toda a obra ficcional de Hermilo Borba Filho, constituída de mais três romances - Os Caminhos da Solidão, Sol das Almas, Agá -, uma trilogia de contos - O General está Pintando, Sete Dias a Cavalo, As Meninas do Sobrado - e da novela Os Ambulantes de Deus.  (Texto de Juareiz Correya)

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