quinta-feira, 7 de outubro de 2010

CONTOS SINTÉTICOS DE AFFONSO RIQUE

NOSTALGIA

Sozinho, em um daqueles momentos de eterna nostalgia, ele pensou lá com os seus botões. Ah, se eu fosse Deus. Mas era.



A PAIXÃO DE ALBÉRICO

Albérico não se comoveu com a paixão indócil de Alice. Trancou as portas de seu coração impermeável, libertou sua alma dos grilhões do corpo empobrecido e se deixou morrer, ali mesmo, na janela.



VIVO OU MORTO

Vivo ele estava; mas morto de saudades.



A COR DA NOITE

O negro olhou desconsolado para o espelho com seus olhos brilhantes. Mas foi o bastante para descobrir encantado que a ELE é que tinham dado a cor da noite.



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AFFONSO RIQUE e a sua "biografia sintética" :
advogado, aprendiz de poeta e de escritor,
cervejista emérito, 72 extraordinárias primaveras,
beirando 71 (faço aniversário ao contrário),
um livro publicado em parceria com Jorge Washington
Cisneiros e Leonardo Dantas intitulado CONTOS
DE NENHUM PUDOR (E COM ALGUM GRACEJO), três livros
no prelo (1 de poesia, 1 de causos, 1 de contos),
tem dois amigos (um morto outro moribundo, pensei
num boca-a-boca mas o bicho é feio demais), tentei
um conto sintético e agora me danei a fazê-los,
moro no Recife.

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