quinta-feira, 9 de junho de 2011

HERMILO E PALMARES (2)

Estava explicado. Fiquei triste com o incidente e não quis pensar sobre o que danado implicava com o tal parente de Hermilo, a quem eu havia confiado a encomenda, o que dificultava ou não lhes permitia qualquer relacionamento.

Enviei -contando com a frieza impessoal e sem parentesco do Correio - o exemplar de Hermilo para o endereço certo. Logo ele me escreveu :


"Recife, 28 de agosto de 1973.


Juarez, caro :

Restabelecida a ordem : recebido o livro, que li. Gostei do seu prefácio, com boa linguagem, sem empáfia, com justeza. Bom, lá me flagrei com vontade de chorar, e chorando. Porra ! Palmares foi a grande marca da minha vida. Palmares e tudo o que estava dentro de Palmares, em vagabundagem, boceta, jogo, bebida, rio, mendigos, parentes, amigos, sacanagens, humilhações, fome, euforia, caçadas, pescarias, política, comida, festas, espetáculos populares, danças, punhetas, coxas, cigarros, futebol, leituras, cus, música, choros, mortes, arruaças, mentiras, angústias, madrugadas, canções, chuva e sol, pássaros, plantas, engenhos, mata, cana, peixes, feiras, bilhar, putas, religião, doceiras, tipos populares, teatro, cinema, cangapés, amigações : A VIDA. - Vou escrever um artigo sobre o livro, que é, afinal de contas, um artigo sobre a minha juventude. Muito e muito que bem, sem Juarez ! Quando vier ao Recife apareça aqui em casa, para tomar um uísque comigo : eu sou Palmares. Eu sou você. E temos de beber a isto. Do velho amigo

a) Hermilo."






(do livro inédito HERMILO E PALMARES, de Juareiz Correya)

Um comentário:

Dilma Carrasqueira disse...

Visitar o Literário:
http://pbondaczuk.blogspot.com/

Abraços da,

Dilma