domingo, 25 de março de 2012

POESIA VIVA DO RECIFE : "A RUA", de Débora Brennand



Homenagem aos 475 anos da Cidade



Lá, onde o poente sonolento
Arrepiava o ouro de suas plumas
Corria sangue e a mancha rubra
De uma grande nuvem iluminava 
Sombras rastejando nas calçadas.  

Quantos sonhos decepados apodreciam em luz ?

Ó Imperatriz, que, no antigo, cruzavas 
Arcadas de ferro sobre as águas.
Na ponte, agora, os estilhaços do sol 
Acendem as chamas luminosas de punhais
E, de rotos livros, a triste sapiência 

Rasteja ferida, sob grossos pés.   



(Da antologia POESIA VIVA DO RECIFE,
organizada por Juareiz Correya)


DÉBORA BRENNAND - Nasceu em Nazaré da Mata (PE).
Vive desde a juventude no Recife. Membro da Academia
Pernambucana de Letras. É autora, entre outros, destes livros
de poesia : O cadeado negro, Pomar de Sombras,
Poesia Reunida.

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Transcrito da AGENDA CULTURAL - Março 2012 -
Ano 17, Número 199 - Prefeitura do Recife /
Secretaria de Cultura / Fundação de Cultura Cidade do Recife

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