terça-feira, 1 de novembro de 2016

"VIAGENS GERAIS" : POESIA REUNIDA DE CELINA DE HOLANDA (2)





VIAGENS GERAIS, 
de Celina de Holanda 
(CEPE, Recife, 2016) 




DE(S)ENCONTRO


Sobre esta cidade de rios
como nos encontraremos
uma diurna e outra noturna
sem o sacrifício da manhã ?
E o amanhecer
é como a infância, onde
outro já trabalhou : o leiteiro
                              ou o seio
que nos amamentou.



DA REDE VEJO O MAR


Um cachorro pequenês
e três meninas
na areia branca
e se perdem na distância
o rapaz e a moça
que abraçados param
e se beijam.
Da rede vejo o mar
sucessivo e digo :
bemvinda seja a festa
no coração da vida
praia a dentro, amor a dentro
nesse rapaz e nessa moça
que ultrapassam o mundo.
Bemvindos sejam os mares e tensões
que nos arrastam adiante. ,



ELEGIA PARA O PADRE HENRIQUE


De vários modos digo Jesus Cristo
desde os apóstolos, incluindo Judas.
Aos mártires da América Latina
digo Henrique, quilômetros de amigos
acompanhando-o como ao Senhor Morto.
Depois Frei Tito, finalmente livre
ao escreverem : Mártir !


Sofro o teu silêncio, meu amigo
obediente irmão das coisas vivas
como São Francisco, Ghandi ou Bernanos
como o Papa João, o que sabia
não representar em tudo Jesus Cristo.
Que as instituições não mudam,
apenas vestem as roupas de outros dias.  



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Poemas transcritos do livro VIAGENS GERAIS, 
de Celina de Holanda  
(Companhia Editora de Pernambuco - CEPE / 
Secretaria da Casa Civil / Governo do Estado 
de Pernambuco, Recife, 2016) 




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